NOTA DE REPÚDIO À FUNAI PELA MORTE À BALA DE UM PARENTE TENHARIM EM PROTESTO PACÍFICO

O povo Arara vive autonomamente na região do Rio Guariba no Noroeste do Maranhão e desde 1987 busca a demarcação de suas terras. As 90 famílias dos Arara pedem uma pequena parte da área
dos indígenas isolados Kawahiva em Colniza, que hoje tem uma área demarcada de 412 mil hectares com longo histórico de conflitos, desmate ilegal e roubo de madeira. A reivindicação é justa pois a
área é alvo de diversas organizações ilegais que praticam crimes ambientais e os Arara querem ajudar a recuperá-la. Depois de décadas de conflitos com madeireiros ilegais e grande descaso da FUNAI,
a gota d’água aconteceu quando no dia 10 de outubro uma máquina pra derrubada ilegal foi apreendida pela FUNAI dentro da área Kawahiva.

Francisco Arara, liderança do grupo, convocou as aldeias da região para uma manifestação até a FUNAI local, buscando diálogo com os funcionários para avançar na questão da demarcação de suas
terras, visto que agora havia provas de que a terra Kawahiva estava sendo invadida. Pintados e cantando, homens, mulheres e crianças de diversas etnias desceram até a FUNAI onde foram recebidos
com tiros vindo da parte dos funcionários. As balas atingiram dois parentes da etnia Tenharim, que estavam lá em solidariedade aos irmãos Arara. Um deles teve ferimento não-letal e foi levado ao
hospital em Juína e outro faleceu no local, assassinado por aqueles que recebem para protegê-lo.

Isso é uma atitude inaceitável! Como uma autarquia nacional criada para representar os indígenas deixa uma situação chegar a tal ponto, onde uma vida foi ceifada na luta pela dignidade de seu próprio existir. Primeiro que não deveria ter armas dentro da FUNAI, e nunca que os funcionários deveriam abrir fogo contra os indígenas. O diálogo deve ser sempre a primeira via de regra. Repudiamos essa atitude e lamentamos a morte de nosso irmão. Não deixaremos ela ser em vão.

Também deixamos aqui nosso repúdio à essa mídia podre que está distorcendo os fatos dizendo que os indígenas teriam começado o tiroteio, o que é uma grande mentira, pois eles portavam apenas bordunas e estavam com suas crianças dançando e cantando antes do ataque.

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