INTOLERÂNCIA RELIGIOSA É RACISMO: Atearam fogo em árvore simbólica no sítio de Pai Adão, Pernambuco

Neste sábado (10), o Grupo Bongar publicou através de sua página no Facebook a foto e o repúdio ao ato de intolerância religiosa cometido contra o terreiro do Pai Adão, em Olinda, Pernambuco.
De acordo com a nota, o terreiro já avisou as autoridades das ameaças e perseguições que ocorrem e,  através da rede social, o Grupo se pronunciou:

“Há muito tempo que estamos alertando toda a sociedade e as autoridades sobre essas ações de perseguição e destruição dos bens materiais e imateriais dos nossos terreiros.

Ações que não são de hoje, mas, sim, seculares e que persiste em ser praticadas.

Mas a nossa força e prática ancestral da resistência também é latente, viva e continuaremos a lutar e garantir a nossa história e axé!

Mais uma vez está mais do que na hora do nosso povo se juntar, se aquilombar.

É LUTA!
É LUTA!
É LUTA!

AXÉ!”

Em um dos comentários da publicação, uma seguidora complementa a nota, explicando porque isso fere não só a religião, mas a existência negra de toda a comunidade do terreiro:
“A queima de uma árvore sagrada do sítio de pai Adão, patrimônio de todos nós, não é apenas de uma árvore, pois trata-se de um orixá! O monstro que fez isso quis mesmo queimar a nossa pele, nossos ritos! É uma tentativa de assassinato não só as nossas crenças, mas como a nossa própria existência.”

 

CONTRA A INTOLERÂNCIA E O RACISMO, RESISTÊNCIA É MANTER A CULTURA AFRO-BRASILEIRA VIVA!

O Grupo Bongar “foi fundado em 2001, com o propósito de levar aos palcos a tradicional festa do Coco da Xambá, que se realiza na comunidade há mais de 40 anos, no dia 29 de junho. Tem um trabalho voltado para preservação e divulgação da cultura pernambucana. A formação musical dos integrantes tem origem no universo popular, especificamente da comunidade religiosa Xambá. O Bongar mostra em suas apresentações toda a musicalidade do Coco da Xambá, uma vertente desse ritmo tão presente no Nordeste do Brasil, além de ciranda, maracatu, candomblé, entre outros ritmos da cultura de raízes. O Bongar também realiza oficinas de percussão e dança popular, confecção de instrumentos, aulas-espetáculos e palestras. O público, através do show do Bongar terá a oportunidade de conhecer, não só a música e a dança deste coco tão peculiar, mas compreender a formação histórica e cultural desta Nação. O Bongar tem uma musicalidade muito forte de diversas influências musicais, vivenciadas nos cultos afro-brasileiros, principalmente da linhagem Xambá. Os integrantes do grupo herdaram toda essa musicalidade desde a infância, ouvindo os mais velhos e aprendendo com eles os toques, as loas e as danças, durante as festas da Casa Xambá.”

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