Sobre a Comunicação Não-Violenta

Por Cláudia Desly para Redação UNC

Em tempos em que a internet é um dos meios mais utilizados para a comunicação, é importante observar de que forma nos expressamos.

Muitos dos conflitos que temos em certas discussões podem ser causados mais pela forma que impomos nossa opinião do que pela divergência de ideias. As pessoas passam a vida se comunicando de forma agressiva sem perceber. A consequência disso são relações frias, sem empatia que resultam em sentimentos de frustração, raiva, ressentimento.

O psicólogo Marshall Rosenberg criou o conceito de Comunicação Não-Violenta (CNV). Quando tinha nove anos precisou ficar em casa trancado por consequência de um conflito racial, já adulto começou a pesquisar o que faz com que o ser humano “saia do sério” e descobriu o papel fundamental do uso das palavras nos diálogos.

Nas palavras dele “começa por assumir que somos todos compassivos por natureza e que estratégias violentas – se verbais ou físicas – são aprendidas, ensinadas e apoiadas pela cultura dominante”.

Os princípios da Comunicação Não-Violenta servem para todas as pessoas e, não somente aquelas que se encontram em situações de conflitos. Afinal, ninguém gosta de estar em constante atrito, isso causa sentimentos de dor, vazio, tristeza. Assim, todas as pessoas que estejam dispostas a se observar e mudar pequenos detalhes na hora de conversar podem promover grandes mudanças em seu meio social (família, amigos, trabalho).

O objetivo principal da Comunicação Não-Violenta é a pacificação de uma guerra diária, resgatando no ser humano a sua capacidade de se expressar de forma pacífica e com real empatia pela necessidade do outro.

“O que almejo em minha vida é compaixão, um fluxo entre mim e os outros com base numa entrega mútua, do fundo do coração.” Marshall Rosenberg.

A maioria das bases educacionais é violenta, pois geralmente estabelecem relações de certo e errado, quem manda e quem é mandado. Dessa forma nossa linguagem segue esse ritmo de dominar e convencer.

Muitas vezes não ouvimos a opinião do outro de forma aberta, querendo realmente entender o ponto de vista alheio, ouvimos de acordo com a nossa opinião e queremos logo contra argumentar. Fazemos isso geralmente de forma agressiva, sem paciência, impondo as nossas razões; resultando em um duelo de opiniões sem fim, além de todo peso negativo da discussão.

Então, um dos “conselhos” da CNV é ao invés de acusar o outro por atitudes que discordamos, dizer para ele como nos sentimos diante de tal situação.
Por exemplo:

– Porra, cara, você nunca vem nas minhas festas, hein!

Segundo a CNV:
– Cara, você só veio duas vezes esse ano nas minhas festas. E sinto saudade da sua presença!

Assim, ao explicarmos nossos sentimentos, ao invés de impô-los, abrimos a possibilidade de o outro rever suas palavras, atitude afim de não nos magoar.

Num primeiro momento a Comunicação Não-Violenta pode parecer que devemos ser passivos diante de alguma situação que nos incomode. Mas é justamente ao inverso, a proposta é para que tenhamos diálogos mais alinhados entre nós, o outro e a sociedade. Uma conversa baseada em sentimentos e transparência. Trata-se de uma comunicação mais precisa e eficaz.

Sabemos que não é fácil aplicar tais princípios em nosso dia-a-dia, nos exige paciência, compreensão e disposição ao buscar relações mais tranquilas, entendendo que é possível termos ideias distintas e ainda assim conviver no mesmo espaço de forma pacífica.

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