Conheça Pedro Firmino, o Coordenador Nacional de Políticas de Crédito Fundiário da CONAFER

Leia abaixo a transcrição completa da entrevista

Redação CONAFER: Bom dia Sr. Pedro Firmino da Silva, gostaria muito de agradecer por tomar parte do seu tempo para realizar essa entrevista conosco. Sabemos que toma bastante tempo conciliar suas práticas de agricultor familiar com esse importante trabalho que você realiza para a CONAFER.

Pedro Firmino: Eu que agradeço por estar dando essa oportunidade de contar um pouco sobre meu trabalho nessa organização tão crucial para desenvolvimento da agricultura familiar brasileira.

RC: Agora o senhor está com quase 50 anos certo? E faz um tempo que mora no Assentamento Micro Rural de Três Conquistas no DF, queria saber do senhor, tendo toda essa vivência na luta, quais os principais trabalhos que você tem feito junto à CONAFER que ajuda a fortalecer o homem do campo como o senhor?

PF: Pois é, sou nascido em 71 e desde muito moço eu vivo a realidade do campo e sei como ela funciona, por isso tenho orgulho em falar que eu sei que meu trabalho na CONAFER tem rendido muitos frutos. Hoje em dia são muitas ações que a organização realiza, graças a Deus, e trabalhos muito bons, como o AgroConafer, onde o agricultor pode acessar seu crédito com menos burocracia, sem aqueles agendamentos e esperas absurdas nos bancos, é um grande avanço. Outra ação que vale a pena citar é o Programa Nacional de Crédito Fundiário, que ajuda agricultores que viajaram para as cidades, mas que só sabem lidar com o campo e por isso acabam em empregos insalubres. Com esse programa podemos trazer os agricultores de volta para suas terras e com financiamento garantido. Grupos de 10 a 30 famílias se unem para financiar os lotes, passa pela vistoria técnica e tem até 160 dias pra fazer o primeiro depósito. Por fim, gostaria de citar também o INSS Digital, um trabalho que é um convênio com o INSS e possibilita que o tratamento com os aposentados seja mais humanizado, pois são nossos próprios sindicatos que vão lidar com eles, auxiliando no processo da aposentadoria, sem que eles tenham que se deslocar a uma unidade do INSS, muitas vezes em outra cidade.

RC: Realmente esses trabalhos parecem facilitar a vida do povo do campo, a CONAFER tem feito muito por eles. Aproveitando o gancho então, o que fez você escolher se dedicar ao trabalho na CONAFER especificamente?

PF: Olha, eu já conheci diversas organizações que diziam trabalhar pelos agricultores familiares, e me decepcionei com a grande maioria delas. No caso da CONAFER, eu vi que ela se embasa em seriedade, transparência e respeito, ela realmente se importa com o trabalho que faz e mais, faz questão de mostrar e ser cobrada. Enquanto em outras entidades as diretorias se fecham cada vez mais, a CONAFER é o contrário, eles estimulam o diálogo direto com as bases.

RC: Muito bem, conta pra gente um pouco do seu trabalho, como é essa relação com os agricultores no dia-a-dia?

PF: Tenho realizado trabalho de base com os agricultores da melhor idade, entre 50 e 55 anos, ajudando a organizar os documentos para entrar com o benefício da aposentadoria, e principalmente ensinando para que não sejam desinformados, afinal, muitos dizem representar os trabalhadores, mas esse tipo de informação não chegava. Esse é um povo mais simples, que vai na rua compra e esquece da nota, ou nem lembra de pedir.. e tem que estar com tudo em cima certinho pois com a Reforma da Previdência todos tem a chance de ser surpreendido com a PEC do Pente Fino.

RC: Falando em reformas, quais as expectativas pro setor nos próximos anos levando em consideração o governo atual?

PF: Se houver diálogo, até poderemos ter alguma coisa, mas a principal dificuldade para o avanço é justamente a falta de diálogo do poder público com o trabalhador do campo e com as organizações que os representam. Não é fácil viver no campo e depender de política pública e por conta da burocracia e da falta de interesse ela não chegar nos municípios e nas bases, só por essa falta de compromisso dos governos. E não é de hoje não.

RC: Infelizmente né! Pois bem, pra finalizar, qual a mensagem que você deixa para os agricultores familiares do Brasil?

PF: Queria pedir que nossos companheiros permaneçam na unidade e que cada um faça seu papel, seu dever de casa, que fortaleça sua associação, sua comunidade, sindicato, cooperativa, colônia pesqueira, aldeias ou quilombos. Tenho certeza que se nosso povo tiver unido não tem nada que consiga nos deter. Vamos ter muitos obstáculos pela frente mas eu tenho certeza que vamos vencer. Pé no chão, pulso firme. A luta não é fácil sozinho mas se a gente se manter unido ela se torna fácil de vencer sim, sonho de uma pessoa é só um sonho, mas um sonho coletivo é realidade. Um abraço a todos os agricultores, ribeirinhos, indígenas, quilombolas, povos organizados e ligados à nossa Confederação, federações, sindicatos, associações… Juntos nós somos um.

RC: Belas palavras, muito obrigado.

PF: Eu que agradeço.

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