Uma Secretaria para resgatar a vocação da agricultura familiar livre e autônoma

da Redação

Nesta entrevista, conheça os projetos e os desafios da Secretaria Nacional de Agroecologia, Políticas Agrárias e Meio Ambiente da CONAFER

A mais de 400 km de Belo Horizonte, ao Sul de Minas Gerais, entre os municípios de Aiuruoca e Carvalhos, no pé da Serra da Mantiqueira, a 1400 m de altitude, um novo território, livre e autônomo, nasceu para ser um modelo de produção agroecológica para todo o Brasil. Este lugar, tão inspirador por sua biodiversidade, de uma natureza exuberante rodeado por araucárias e numerosas nascentes, e que recebeu o nome de Território Livre Girassóis, é a sede da Secretaria Nacional de Agroecologia, Políticas Agrárias e Meio Ambiente da CONAFER.

A SECOM foi até Girassóis, na semana em que a Diretoria Nacional da Confederação se reuniu com Secretários e Coordenadores, e conversou com a direção da Secretaria que é um marco no trabalho da CONAFER, e portanto, fundamental nos planos e estratégias de atuação da entidade frente aos desafios que se apresentam na defesa de um novo tempo da agricultura familiar brasileira.

 

SECOM:
Qual a atuação da Secretaria Nacional de Agroecologia, Políticas Agrárias e Meio Ambiente no trabalho da CONAFER pela agricultura familiar e o empreendedorismo rural?

SEAGRO:
O trabalho da Secretaria é trazer o resgate da sabedoria ancestral em harmonia com a contemporaneidade, isto é, unir as práticas de nossos antepassados de respeito e cuidados com a natureza, aliando esta sabedoria com as técnicas da moderna agroecologia. É preciso lembrar que a “revolução verde” dos anos 60 beneficiou apenas o agronegócio e suas exportações de monoculturas, e que passou a usar os agrotóxicos como base de produtividade, enquanto os pequenos produtores foram encurralados pelo mercado, perderam sua autonomia e apenas colheram dívidas com os bancos. Temos de esclarecer os nossos produtores rurais, relembrar esta história e a partir daí promover a inserção dos nossos agricultores familiares e empreendedores rurais em um novo modelo de desenvolvimento econômico, totalmente independente e sustentável.

 

SECOM:
Como a Secretaria está contribuindo para a CONAFER cumprir os seus objetivos de curto e médio prazos?

SEAGRO:
A nossa principal ação para cumprir as metas da CONAFER neste ano e para nos próximos, é a implantação de um território livre e autônomo, um modelo único no país, com uma política própria de soberania alimentar, de autossuficiência hídrica e energética, de liberdade educacional, de independência econômica e autodeterminação como um gesto permanente. Com o apoio financeiro da CONAFER conquistamos um território em uma região geopoliticamente estratégica, que une área de plantio com reserva ambiental, ideal para projetos agroflorestais, com acesso aos diversos modais que ligam o Sudeste com o restante do país. Estamos semeando um padrão de produtividade para levar aos outros territórios esta capacidade de se autossustentar, ao mesmo tempo em que buscamos integrar os nossos agricultores ao competitivo mercado de alimentos. Hoje, sabemos que apenas políticas sociais sem o contraponto da regularização fundiária e consequente crédito para investimentos em produção, impedem a autonomia dos nossos agricultores, fomentam a miséria no campo e inviabilizam o futuro da agroecologia.

SECOM:
Que oportunidade surge diante da conjuntura nacional e internacional por conta das mudanças que ocorrem no mundo, como por exemplo, um novo modelo de consumo mais sustentável e saudável?

SEAGRO:
São inúmeras as oportunidades que vislumbramos. Em relação à produção alimentar, com as drásticas mudanças climáticas que vêm ocorrendo, a escassez de recursos naturais, principalmente as dificuldades de acesso à água limpa em todo o mundo, torna-se urgente que os produtores rurais liderem um movimento dentro de uma proposta de desenvolvimento econômico que mantenha o compromisso com a sustentabilidade na produção, protegendo-se o meio ambiente e a saúde das pessoas. Em primeiro lugar, devemos perguntar ao agricultor, por exemplo, como era a água que brotava em suas nascentes há 50 anos, e o que foi feito, por que ela é escassa e contaminada agora? Então, vamos trocar estas práticas de escassez pelas práticas de abundância. Agora é o momento de chamar todos à reflexão e recomeçar do zero. Esta pandemia está sinalizando para isso.

SECOM:
Como a Secretaria encara a missão que se impõe da agricultura familiar cuidar das famílias brasileiras?

SEAGRO:
É com muita honra e alegria que fazemos parte deste desafio de ajudar a cuidar das famílias brasileiras, levando alimentos saudáveis e mais saúde por conta disso. Toda a equipe da Secretaria está diariamente motivada para esta missão. Nosso horário de trabalho aqui na Girassóis, sede da SEAGRO, começa na hora que o sol nasce e termina na hora que ele se põe. Cuidar da vida em suas múltiplas formas é um privilégio para nós. A nossa Secretaria é uma unidade produtiva, e não apenas administrativa. Por isso, cultivamos a terra, cuidamos do meio ambiente onde a Girassóis está integrada e produzimos sistemas para levar aos associados da CONAFER orientação e consultoria técnica na transição das práticas produtivas convencionais para uma avançada produção agroecológica. O nosso compromisso é com a prosperidade da agricultura familiar em todo o território nacional.

 

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