da Redação

Resistência dos povos tradicionais que habitam o bioma está cada vez mais relacionada ao emprego de práticas agroecológicas por uma agricultura familiar adaptada ao clima

No dia 11 de setembro foi comemorado o Dia Nacional do Cerrado. Este bioma, que ocupa cerca de 22% do território nacional, abrange todo o estado de Goiás, de Tocantins e o Distrito Federal, além de parte da Bahia, Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Piauí, Rondônia e São Paulo.

O Cerrado é considerado o Berço das Águas, pois a região abriga os três maiores aquíferos que abastecem o Brasil e os países vizinhos: Guarani, Bambuí e Urucuia. Definido como uma das mais ricas savanas do mundo em termos de biodiversidade, reúne uma grande variedade de paisagens e número expressivo de espécies de plantas e animais.

Foto: Mana Ativa

Apesar de ser tão estratégico para a nossa própria sobrevivência, trata-se de um bioma profundamente ameaçado pelo avanço da fronteira agrícola e ainda não devidamente protegido pelo poder público e organismos internacionais. Hoje, o bioma sofre um risco de descaracterização em muitas áreas, onde sua belas árvores tortas dão lugar às monoculturas de soja, algodão, cana, eucalipto ou para pastagens de gado.

Em contraponto ao modelo agropecuário, a resistência dos povos tradicionais que habitam o Cerrado foi possível pelo emprego de práticas agroecológicas. Além de uma agricultura familiar adaptada ao clima do território, no Cerrado a produção familiar também inclui atividades extrativistas. De acordo com as safras, os agricultores coletam espécies nativas para se alimentar, vender ou processar, de modo a complementar sua renda. Destaque para as culturas do pequi, babaçu e baru.

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O bioma é caracterizado pela forte presença de comunidades extrativistas indígenas, quilombolas e extrativistas, e que vêm conservando, de forma efetiva, grandes áreas naturais por gerações e gerações. É preciso perceber e valorizar a pequena produção familiar e o extrativismo como aliados da conservação, como seus verdadeiros guardiões.

Agricultura familiar ajuda a proteger o Cerrado

As produções familiares reduzem expressivamente os impactos ambientais causados pela produção em larga escala. Com áreas menores, a produção familiar tem pouca necessidade de uso de defensivos agrícolas, aproveitando melhor estratégias como a do Manejo Integrado de Pragas (MIP) e fortalecendo a biodiversidade existente.

Foto: Stoodi

O modelo ainda viabiliza a integração de várias atividades agropecuárias, abrindo espaço para investimentos em tecnologia em áreas menores e para aumentar a produção de forma mais sustentável.

O Cerrado nos ensina a resiliência, pois mesmo depois de secas intensas, retorna colorido e potente. São milhões de agricultores desta grande região que aprenderam a entender a natureza e o comportamento do ecossistema, criando raízes profundas por meio da agroecologia, e que ajudam na proteção desse bioma tão exuberante.

Capa: Biologia Total

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