Abrigo da maior biodiversidade do planeta, a Amazônia é essencial para a regulação das chuvas no Brasil e do clima no mundo; com suas florestas desmatadas e queimadas, há liberação de grandes quantidades de gases de efeito estufa para a atmosfera

Foto: Terra

Segundos dados de queimadas e desmatamento em 2019, se nada for feito de forma urgente, teremos o ponto de inflexão, em que ao ultrapassar 20% de destruição do bioma, ele não se reconstitui mais, passando a se transformar numa savana com o passar do tempo.

Responsável por ocupar mais de 40% do território brasileiro, a Amazônia é hoje o maior bioma do mundo. Uma área correspondente a 84,1% do bioma está recoberta por vegetação nativa (353.156.844 ha), incluindo vegetações florestais, não florestais e mistas, e outros 2,1% formam grandes superfícies hídricas (8.818.423 ha).

A Amazônia abrange completamente os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima, além de partes dos estados do Maranhão, Mato Grosso e Tocantins e dos territórios da Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Paraguai, Peru, Suriname e Venezuela.

A Amazônia possui florestas densas e abertas, habitadas por 40 mil espécies de plantas, 300 espécies de mamíferos e 1,3 mil espécies de aves. Além de uma fauna riquíssima, a região conta com muitos rios, formando a maior reserva de água doce de superfície disponível no mundo.

Desafios da agricultura familiar amazônica

Foto: Senado

Na Amazônia, 80% das propriedades rurais pertencem à agricultura familiar. Um olhar próximo deste universo multidiverso, irá revelar uma variedade muito grande das atividades agrofamiliares. Temos todas as categorias de agricultores na maior região do país: camponeses, extrativistas, indígenas, quilombolas, posseiros, ribeirinhos, lavradores, assentados e acampados.

Todo o segmento da agricultura tem como maior desafio produzir alimentos sem afetar o desenvolvimento sustentável e garantir a segurança alimentar, mesmo com os fatores estruturais já historicamente reconhecidos, como acesso às localidades e organização social.

Maiores obstáculos ao desenvolvimento sustentável da Amazônia

  • Queimadas
  • Garimpagem
  • Agropastoreio
  • Desmatamento
  • Contrabando de plantas silvestres
  • Tráfico de animais
  • Disputa de terras
  • Assentamentos humanos
  • Caça e pesca ilegais
  • Falta de fiscalização
Foto: A Crítica

Cerca de 12,8% do bioma é composto por pastagens nativas, plantadas e manejadas. Apesar da produção vegetal ser baixa para exportações e composição do PIB, a agricultura familiar é fundamental para a economia regional. A produção abastece pelo menos 500 cidades amazônicas com frutas, leite e derivados, ovos, grãos, hortaliças e outros produtos. Quando trazidos de outras regiões, o custo desses produtos é altíssimo.

Isso tem favorecido o apoio ao desenvolvimento da agricultura familiar a partir de uma visão ampla, adequando as tecnologias e os sistemas de manejo às realidades locais. O agricultor familiar na Amazônia é acima de tudo resiliente. Em cerca de 50 anos, os governos estabeleceram 2.405 assentamentos agrários no bioma e instalaram 521.000 famílias. Porém, a maioria segue sem o título de propriedade de seus pequenos lotes, aguardando a regularização fundiária para ter acesso às políticas públicas que viabilizem a produção.

Frutas nativas de alto potencial comercial

Foto: Conexão Planeta

O Brasil é o segundo grande centro de origem de espécies frutíferas tropicais no mundo, atrás apenas do Sudeste Asiático. Na Amazônia Brasileira concentram-se 44% das 500 espécies de frutas nativas do país. Estudos mencionam a existência de 220 plantas produtoras de frutos comestíveis na região, mas ainda são poucas as “domesticadas”, vindo a maioria do extrativismo.

A Amazônia é considerada o último reduto de plantas potenciais à espera da domesticação (processo de seleção para melhoria do aspecto e sabor). Frutas exóticas, que vieram de fora, como a maçã e a laranja, estão sendo transformadas há séculos.

A humanidade começou a domesticar plantas há dez mil anos, enquanto a história da domesticação das frutas amazônicas está iniciando seu processo – e tem grande potencial de crescimento e expansão de mercado.

O desafio para as próximas gerações é aproveitar todo esse potencial econômico sem deixar de preservar a vida pujante que se encontra em suas florestas e rios.

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