da Redação

Estudo da Embrapa mostra que os condomínios de agroenergia potencializam o desempenho ecológico, socioambiental e econômico das pequenas propriedades rurais. Antes, resíduos iam para lagoas de estabilização gerando gases de efeito estufa (GEEs). Com as pequenas propriedades gerando biogás, ele pode ser transportado por gasodutos formando um condomínio gerador de energia partilhada por todos. Com o biogás gerado, propriedades substituem o consumo de lenha e de gás de cozinha (GLP) promovendo economia. Condomínios de agroenergia têm potencial para melhorar a destinação de resíduos agrícolas e contribuir para o aumento da oferta de energia elétrica no país

A geração de gás natural em pequenas propriedades rurais, por meio de um sistema integrado, é um bom negócio para o ambiente e para os produtores. Essa foi a conclusão do estudo de um condomínio de agroenergia implantado em Marechal Cândido Rondon (PR).

Pesquisadores do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), da Embrapa, da Universidade de Brasília (UnB) e do Centro Internacional de Energia Renovável (CI Biogás) apontam as possibilidades de vários modelos de negócio para a implementação de projetos coletivos de aproveitamento energético da biomassa residual (como o esterco) que podem beneficiar produtores familiares.

No Condomínio Ajuricaba, um projeto-piloto de pesquisa de produção de biogás em pequena escala, próximo à Usina Hidrelétrica de Itaipu, os biodigestores das propriedades rurais são interligados por uma rede de gasodutos que transporta o excedente de biogás para uma central de armazenamento.

O condomínio de agroenergia foi implantado em 2009, com a instalação de biodigestores visando ao aproveitamento energético de dejetos da bovinocultura de leite e da suinocultura em 33 estabelecimentos familiares rurais localizados na microbacia do Córrego Ajuricaba.

Os biodigestores foram conectados a um gasoduto de 25,5 km para o transporte do excedente de biogás (não utilizado nas propriedades) para uma central de armazenamento, na qual inicialmente era feita a alimentação de um secador de grãos comunitário e a geração de energia elétrica em uma microcentral termelétrica.

Em 2018, de acordo com dados do estudo, as 14 propriedades analisadas (de um total de 25 do condomínio, à época) já produziam juntas uma média mensal de 1.433 m³/mês de dejetos de bovinos e de suínos, que geravam uma produção média de 3.947 m³/mês de biogás. Em quase todas as propriedades, o consumo de gás de cozinha e lenha havia sido totalmente substituído pelo biogás.

Segundo os autores, outros estudos indicam que essa substituição pode reduzir em até 80% as despesas para aquisição de GLP e fertilizantes minerais. Foi o que registraram análises de projetos de digestão anaeróbia de pequeno porte implementados em áreas rurais na Colômbia.

“É importante ressaltar que em nossa condição tropical, a diversidade de substratos de resíduos que podemos usar para a geração do biogás nos proporciona vantagens em comparação a outros países que não têm uma diversidade tão grande para o processo de biodigestão. É uma vantagem competitiva muito grande que o Brasil possui”, como explicou o pesquisador Airton Kunz, da Embrapa Suínos e Aves (SC), que participou da implantação do Condomínio Ajuricaba.

Com informações da Embrapa.

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