da Redação

Os preços do café mantêm tendência de alta impulsionados pela elevação do dólar. As fortes secas e geadas ocorridas nas principais regiões produtoras, durante a Safra 2020/2021, aliadas a estabilização da demanda global pelo produto em patamares cada vez mais altos, fizeram com que o café, segunda bebida mais consumida no Brasil depois da água, entrasse para a lista dos itens de maior inflação do país, no saldo acumulado em 2022. De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial de inflação calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o café moído recebeu um aumento de 62,66% no saldo acumulado dos últimos 12 meses até o mês de março deste ano, prejudicando ainda mais a vida dos consumidores. Os produtores agrofamiliares respondem pelo fornecimento de até 35% do café produzido no país, empregando cerca de 1,8 milhão de pessoas. No Brasil, a cafeicultura ocupa uma área de 2 milhões de hectares, sendo a 44% da área colhida pelos agrofamiliares. Entre os estados que se destacam na produção, estão Minas Gerais, seguida por Espírito Santo, São Paulo, Bahia, Rondônia, Paraná, Rio de Janeiro, Goiás, Mato Grosso, Amazonas e Pará. Em Ibaiti, cidade localizada a aproximadamente 290 km da capital paranaense, o agricultor familiar associado à CONAFER, Erasmo Medeiros, fala das dificuldades enfrentadas na cadeia produtiva do café diante das intempéries climáticas, o impacto da inflação sobre a comercialização deste produto e as perspectivas do mercado do grão mais consumido pelos brasileiros

Com o adubo importado mais caro devido a subida do dólar, e enfrentando adversidades climáticas que provocaram a retração de 0,2% do PIB agropecuário no ano passado, agricultores familiares têm tido dificuldades para manter a produtividade dos cafezais e atender a demanda. A previsão dos economistas era de que a alta de preços do produto seguiria até o último mês de março, porém a guerra na Ucrânia e as instabilidades geradas por ela no preço das commodities, devem assegurar a permanência da inflação no café por alguns meses ainda.

Um cafezal perene pode produzir por cerca de 20 anos, período em que o agricultor poderá enfrentar variações tanto na produtividade, riscos climáticos e a própria evolução do mercado, como a introdução de tecnologias, novas especialidades do produto, e claro, sempre com inseguranças e riscos econômicos para as famílias produtoras.

“a foto, o filiado à CONAFER, Erasmo Medeiros, produtor agrofamiliar de café em Ibaiti, a 290 km de Curitiba”

O cafeicultor filiado à CONAFER, Erasmo Medeiros, da cidade paranaense de Ibaiti, 300 km da capital Curitiba, é produtor experiente e profundo conhecedor da cultura cafeeira. Segundo Erasmo Medeiros, “a média de produção em minha propriedade, aqui no norte pioneiro do Paraná, é de 60 sacas por ano de café tipo Arábica, e este total depende das adversidades climáticas a serem enfrentadas durante o ciclo produtivo”, explica o produtor rural.

No ano de 2021, o Brasil colheu aproximadamente 48 milhões de sacas de café, sendo este valor 24,4% inferior ao da safra obtida no ano de 2020, uma queda que contribuiu para o aumento em mais de 50% nos preços do produto no mercado interno. Manter índices altos de produtividade na cafeicultura, sobretudo para os agricultores familiares, é um desafio constante, que precisam encontrar soluções frequentes relacionadas a diversos fatores, como qualidade do solo, controle de pragas, intempéries climáticas, que impactam significativamente sobre as lavouras.

Os altos preços registrados nas gôndolas de supermercado no café moído são o resultado da disparada nos preços do campo ocasionadas pelas dificuldades pelas quais os cafeicultores têm passado. Para Erasmo Medeiros, “com relação a questão do mercado, a conta está ficando cada vez mais difícil de fechar, pois quando comparamos o preço do fertilizante nas safras anteriores, por exemplo, percebemos que ele não dobrou, e sim triplicou na safra atual. Ou seja, antes ele tinha um custo de R$ 2.000,00, enquanto, hoje, passou a ser de R$ 7.200,00, e o mesmo ocorreu com o herbicida, que antes custava R$ 25,00 o litro e agora vale R$ 95,00 o litro”, completa Erasmo Medeiros.

Nem mesmo a cotação do café, como a de hoje, na qual a saca de 60 quilos atingiu o valor de R$ 1.237,41 é sinônimo de maior lucratividade para os cafeicultores agrofamiliares.” Para se ter uma ideia, até o ano passado, a gente vendia a saca de 60 quilos beneficiada de café Arábica pelo valor de R$ 450. Hoje, mesmo que a gente venda ela a R$ 1.350, nós teremos um retorno financeiro menor em comparação com o ano passado, por causa do aumento dos custos de produção, e tudo isso é repassado ao consumidor final”, explica o associado à CONAFER, Erasmo Medeiros.

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Para a safra de café de 2022, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima um acréscimo em sua produção de 16,8% em comparação com a safra do ano passado, o que representa 55,7 milhões de sacas de 60 quilos, apesar das condições adversas pelas quais a produção deve passar, sobretudo entre os meses de julho e agosto nas principais regiões produtoras do país. A alta dólar mantida aliadas à estiagem e geadas continuarão impactando na escala produtiva dos cafezais, sem dar trégua ao consumidor, que deverá buscar por alternativas, como na substituição por novas marcas com valores que caibam no orçamento doméstico.

Mais informações sobre a produção agrofamiliar de café podem ser obtidas na Secretaria de Agricultura e Empreendedorismo Rural (SAER) da CONAFER, pelo telefone: (61) 3548-4360

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