CARBONO ZERO: estoques de carbono nos solos brasileiros serão mapeados em programa da Embrapa

da Redação

Foram lançados nesta quarta-feira (27), no âmbito do Programa Nacional de Levantamento e Interpretação de Solos do Brasil (PronaSolos), os novos mapas de estoque de carbono orgânico dos solos brasileiros. O material é uma importante ferramenta para subsidiar políticas públicas relacionadas às mudanças climáticas e à diminuição da emissão dos Gases de Efeito Estufa (GEEs), com gestão eficiente dos recursos naturais. Conhecer a distribuição do carbono nos solos do Brasil, nas diferentes regiões, estados, municípios, biomas e nas fronteiras agrícolas é fundamental para a definição de estratégias e direcionamento de políticas públicas, principalmente aquelas cuja temática está ligada à descarbonização da agricultura e recarbonização do solo, como o Plano ABC+ e o programa Águas do Agro, ambos do Mapa

Por meio desse trabalho, desenvolvido pela equipe de pesquisadores da Embrapa Solos, em parceria com a Embrapa Agricultura Digital, será possível identificar quais são as áreas potenciais no Brasil para a prática de economia verde, o que impactará positivamente no cumprimento dos compromissos brasileiros para a mitigação das mudanças climáticas.

O secretário adjunto de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação do Mapa e representante da coordenação do Comitê Estratégico do PronaSolos, Cleber Soares, destacou a importância dos solos para a agropecuária. “O maior patrimônio do produtor rural chama-se o solo que ele é responsável. É por meio dos nossos solos que produzimos alimentos, fibras, energia e outras funcionalidades derivadas da agricultura. Neste momento, é oportuno apresentarmos e disponibilizarmos esses mapas, porque é o momento em que o mundo discute e clama, cada vez mais, por uma agenda de sustentabilidade. E os solos são um dos maiores reservatórios de carbono da natureza. Então, nós precisamos conhecer mais e de forma profunda os nossos solos”.

Ao aproximar os mapas de Estoque de Carbono do Solo do Brasil de 2017 e de 2020 é possível perceber a melhoria na qualidade da imagem, o que otimizará a utilização dos dados

Os novos mapas apresentam informações inéditas no país ao fornecerem um retrato detalhado do carbono orgânico estocado no solo brasileiro até a profundidade de 2 metros, na resolução espacial de 90 metros (escala equivalente entre 1:250.000 e 1:100.000). Além disso, as informações de carbono até 1 metro de profundidade estão destrinchadas em cinco camadas: 0-5 cm; 5-15 cm; 15-30 cm; 30-60 cm; e 60-100 cm de profundidade. Esse detalhamento mostra a evolução do levantamento com relação aos mapas anteriores, divulgados em 2017, cuja análise foi realizada a 0-30 cm de profundidade, na resolução de 1 km.

Dentre as variáveis utilizadas para geração dos mapas estão as de relevo, como índice de fundo de vale plano, elevação e índice de rugosidade do terreno, e também as de clima, como precipitação média anual, temperatura do quadrimestre mais frio e radiação solar.

Os novos conjuntos de mapas estão disponíveis para consulta e download no Portal de Dados do PronaSolos (SigWeb). O ambiente virtual reúne, em um sistema de informações geográficas, mapas e dados de solos produzidos pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e permite o cruzamento entre alguns desses produtos, a partir das seleções solicitadas pelo usuário. 

 >> Clique aqui para acessar o Portal de Dados do PronaSolos (SigWeb)

Segundo a chefe-geral da Embrapa Solos, Maria de Lourdes Brefin, os solos têm um papel decisivo nas mudanças climáticas. “Esses mapas têm muito a ver com essa linha de base, com esse conhecimento dos

Especialmente para esse momento tão importante antes da COP 26 e onde os solos agrícolas devem ser parte da solução de mitigação das mudanças climáticas”.

De acordo com Brefin, os solos funcionam tanto como fonte quanto como sumidouro de carbono. “São fonte de CO² quando são mal manejados e quando transmitem para a atmosfera Gases de Efeito Estufa. E o seu papel mais importante é como sumidouro, é sequestrar esse carbono da atmosfera e estabilizá-lo na matéria orgânica do solo”, disse Brefin.

O solo é um dos cinco reservatórios de carbono do ecossistema terrestre, juntamente com a biota, oceanos, atmosfera e formações geológicas. “Se você somar biota e atmosfera, o solo tem mais carbono do que esses dois juntos. Na verdade, 2/3 de todo o pool de carbono estão no solo. Então, cabe a nós pesquisadores, aos agricultores e aos tomadores de decisão gerar ações e políticas públicas que possam manter e aumentar a matéria orgânica do solo e manter no solo esse carbono”, ressaltou a chefe-geral da Embrapa Solos.

Distribuição

A distribuição espacial do estoque de carbono no solo pode variar de acordo com o tipo de solo, o clima, o material geológico que formou o solo e, especialmente, em função do uso e manejo do solo. Quanto maior o conteúdo de matéria orgânica de um solo, maior o seu poder de sequestrar o carbono.

Os mapas foram gerados com o uso de metodologia de Mapeamento Digital de Solos e computação de alto desempenho a partir de dados organizados pela equipe de projeto da Embrapa Solos intitulado “Mapas Nacionais de Atributos do Solo: Contribuição ao PronaSolos, GlobalSoilMap e Aliança Mundial pelo Solo”.

De acordo com os mapas apresentados pelo chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Solos, Gustavo Vasques, a região da Amazônia e o Sul do Brasil possuem uma maior quantidade de estoque de carbono. “Tem um grande bolsão nas serras do Sul, onde tem solos formados com material mais rico, formado de basalto, e solos formados em altitude, em locais planos e de altitude. Esse ambiente propicia o acúmulo de carbono, porque a degradação é mais lenta, por causa do frio, e, ao mesmo tempo, tem uma boa produção de massa vegetal. Na Amazônia, a produção de massa vegetal e a produtividade primária são muito grandes. Então, apesar de ter um clima quente e com muita chuva, que promove a degradação, a ciclagem de nutrientes é muito grande, o que faz o carbono acumular”.

Em contraponto, a concentração de carbono é menor nos solos do Pantanal e da Caatinga. “O Pantanal tem solos mais arenosos. Então, apesar de ter uma quantidade de solos alagados, esses solos acumulam muito pouco, porque não têm material argiloso onde esse carbono pode ficar retido, onde a matéria orgânica é retida. Então, ela é perdida nas chuvas. A Caatinga é outro exemplo onde você tem estoques baixos, porque com pouca chuva você produz pouca vegetação. Como você não tem vegetação aportando carbono e matéria orgânica, esses solos, ao longo de milhares de anos, acumularam pouco carbono”, disse Vasques.

Ao comparar os mapas de estoque de carbono de 2017 e 2021, a 0-30 cm, o chefe de pesquisa da Embrapa Solos avaliou que o Brasil está no caminho certo. “Me chama a atenção o fato de que o estoque total, de mais ou menos 36 bilhões de toneladas de carbono, é bastante similar entre 1 km e 90 m. O que nos traz uma consciência de que estamos acertando no alvo, pelo menos de uma forma global. Esse estoque é 5% do estoque global de carbono de 0-30 cm e o Brasil é o país tropical de destaque, pelo seu tamanho, entre os países do mundo, contribuindo para o estoque global”.

O PronaSolos é o maior programa de investigação do solo brasileiro, que visa consolidar a integração de dados e colaborar com o avanço do conhecimento dos solos no país. Sua criação teve início em 2015, quando foi constituído um grupo de trabalho coordenado pela Embrapa Solos e composto por pesquisadores de outras unidades da Embrapa, do Mapa, do IBGE, da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (SBCS), da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), da Universidade Federal do Piauí (UFPI), da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e da Universidade Federal de Lavras (UFLA), que formularam o documento base para a criação do programa.

O PronaSolos foi oficializado com a assinatura do Decreto nº 9.414, de 19 de junho de 2018, e a sua estrutura de governança, que possui comitês Estratégico e Executivo, foi instituída pelo Decreto nº 10.269, de 6 de março de 2020. Por um período de 30 anos, o programa tem a missão de fomentar o conhecimento sobre os solos brasileiros, a partir do mapeamento de todo o território nacional, envolvendo instituições parceiras dedicadas à investigação, documentação, formação de profissionais, sistematização das informações de ciências do solo, incremento na realização de inventários e interpretação dos dados de solos brasileiros. O objetivo é mapear os solos de 1,3 milhão de km² do país nos primeiros dez anos e mais 6,9 milhões de km² até 2048.

Atualmente, o PronaSolos conta com a cooperação de mais de 40 instituições públicas e privadas que se uniram em um desafio continental para uma melhor gestão dos solos do Brasil. A partir do detalhado conhecimento sobre os solos, disponibilizados em uma única plataforma tecnológica, a iniciativa busca proporcionar o aumento da usabilidade dos dados e informações, aprimorando a aplicação dos conhecimentos.

As informações levantadas pelo PronaSolos contribuirão para a potencialização da produtividade agrícola, otimização da expansão urbana, prevenção de riscos e catástrofes, valorização de terras e concessão de crédito agrícola. Especialmente para a agricultura, os resultados do programa poderão permitir que se conheça onde estão as áreas mais aptas para o crescimento sustentável da produção agrícola e pecuária no território nacional. Com informações do Mapa e da Embrapa.

AGROCONAFER: o serviço da CONAFER para levar crédito do Banco do Brasil na mão do agricultor

da Redação

Com o conceito “A mão que lavra a terra, colhe um Pronaf”, o AGROCONAFER é um vasto território de oportunidades para os pequenos produtores financiarem o seu futuro como empreendedores, garantindo o crédito para uma produção sustentável, gerando renda permanente e aumentando os lucros da sua atividade. Para atingir estes objetivos, o AGROCONAFER oferece dois caminhos inteligentes e seguros: as linhas de crédito Pronaf Custeio e Pronaf Mais Alimentos. A operação é na sede da CONAFER em Brasília, e as instituições filiadas à Confederação por todo o Brasil são autorizadas a funcionar como agências intermediadoras nos processos de financiamento. As vantagens são muitas, além do acesso ao dinheiro: os agricultores evitam senhas, filas e toda a burocracia bancária para acessar o crédito, podendo ir uma entidade associada à CONAFER com a garantia do atendimento exclusivo, contato direto com o correspondente bancário e agilidade no processo.

O que é o AGROCONAFER?

AGROCONAFER é o nome do correspondente legal criado pelo Acordo de Cooperação Técnica entre o Banco Brasil e a CONAFER, Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais, entidade do terceiro setor e de direito privado, e tem como objetivo principal o fomento a todo o segmento agrofamiliar brasileiro.

Com o AGROCONAFER, os associados da Confederação têm acesso às diversas modalidades de financiamento oferecidas pelo Banco do Brasil aos produtores rurais, em especial ao Pronaf, o Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar.

Conheça as modalidades de financiamento

PRONAF

O AGROCONAFER trabalha com o Pronaf Custeio e o Pronaf Mais Alimentos, oferecendo um maior tempo de carência, descontos na adimplência e a menor taxa de juros do mercado financeiro. A liberação de crédito é a partir de 10 mil reais com o teto limite de até 330 mil reais.

PRONAF CUSTEIO

Se você quer financiar despesas de atividades agrícolas e pecuárias, sementes, fertilizantes, defensivos, vacinas, ração, aquisição de animais ou custeio de qualquer atividade rural, solicite o PRONAF CUSTEIO.
Cada produtor pode financiar até R$ 250 mil por ano agrícola.

Taxas de Juros

Taxa de juros de 2,75% ao ano para:

• custeio de lavoura de arroz, feijão, mandioca, feijão caupi, trigo, amendoim, alho, tomate, cebola, inhame, cará, batata doce, batata inglesa, abacaxi, banana, açaí, pupunha, cacau, baru, castanha de caju, laranja, tangerina, olerícolas, erva-mate, ervas medicinais, aromáticas e condimentares;
• custeio de cultivos em sistemas de produção de base agroecológica ou em transição para sistemas de base agroecológica; • custeio de lavoura de milho para contratação de operações de custeio que, somadas, atinjam o valor de até R$ 20 mil por mutuário por ano agrícola;
• custeio pecuário destinado à apicultura, bovinocultura de leite, piscicultura, ovinos e caprinos;
• custeio destinado à exploração extrativista ecologicamente sustentável.

Taxa de juros de 4,0% ao ano para:

• custeio de lavoura de milho para contratação de operações de custeio que, somadas, ultrapassem o valor de R$ 20 mil por mutuário por ano agrícola. Nesse caso, a taxa de 4,6% a.a. incide sobre o valor integral da operação, e não apenas sobre o valor que excede o limite de R$ 20 mil; • custeio destinado às demais culturas e criações;
• aquisição de animais destinados a recria e engorda.

PRAZO

Para o custeio agrícola:

• açafrão e palmeira real (palmito): até 3 anos;
• culturas bienais: até 2 anos, de acordo com o ciclo da atividade financiada;
• lavouras permanentes: até 14 meses;
• demais culturas: até 1 ano.

Para o custeio pecuário:

• aquicultura: até 2 anos, conforme o ciclo produtivo de cada espécie contido no plano, proposta ou projeto;
• aquisição de bovinos e bubalinos para engorda em regime de confinamento: até 6 meses;
• aquisição de bovinos e bubalinos para recria e engorda em regime extensivo (quando o crédito abranger as duas finalidades na mesma operação): até 2 anos;

Demais atividades: até 12 meses.

PRONAF MAIS ALIMENTOS

Se o objetivo do produtor for financiar investimentos destinados à implantação, ampliação ou modernização da estrutura das atividades de armazenagem e produção na propriedade rural, aquisição de máquinas agrícolas, equipamentos e implementos, aquisição de matrizes, formação e recuperação de pastagens, proteção e correção do solo, aquisição de bens como tratores, veículos e embarcações, entre outras iniciativas deve ser solicitado o financiamento através do PRONAF MAIS ALIMENTOS.

Cada produtor pode financiar até R$ 330 mil por ano agrícola.
• Empreendimentos de suinocultura, avicultura, aquicultura, carcinicultura e fruticultura – R$ 330 mil;
• Construção ou reforma de moradias no imóvel rural de propriedade – R$ 50 mil;
• Demais empreendimentos – R$ 165 mil.

Crédito Coletivo: até R$ 165 mil por mutuário/ano agrícola, limitado a 10 proponentes por operação.

Taxas de Juros

Taxa de juros de 2,75% ao ano em empreendimentos de:

• adoção de práticas conservacionistas de uso, manejo e proteção dos recursos naturais, incluindo a correção da acidez e da fertilidade do solo e a aquisição, transporte e aplicação dos insumos para estas finalidades;
• formação e recuperação de pastagens, capineiras e demais espécies forrageiras, produção e conservação de forragem, silagem e feno destinados à alimentação animal;
• implantação, ampliação e reforma de infraestrutura de captação, armazenamento e distribuição de água, inclusive aquisição e instalação de reservatórios d’água, infraestrutura elétrica e equipamentos para a irrigação;
• aquisição e a instalação de estruturas de cultivo protegido, inclusive os equipamentos de automação para esses cultivos;
• construção de silos, ampliação e construção de armazéns;
• aquisição de tanques de resfriamento de leite e ordenhadeiras;
• exploração extrativista ecologicamente sustentável.

Taxa de juros de 4% ao ano aos demais empreendimentos e finalidades.

Prazo

• Até 5 anos, incluído até 1 ano de carência para financiamentos de motocicletas adaptadas à atividade rural e caminhonetes de carga, exceto caminhões;
• Até 7 anos, incluídos até 14 meses de carência para financiamentos destinados à aquisição de tratores e implementos associados, colheitadeiras e suas plataformas de corte, assim como máquinas agrícolas autopropelidas para pulverização e adubação;
• Até 10 anos, incluídos até 3 anos de carência para os demais financiamentos.

Como adquirir o financiamento?

Passo a passo.

Basta ser filiado à CONAFER e ter uma conta corrente ativa no Banco do Brasil (a conta corrente é obrigatória para dar início a realização do processo de financiamento e recebimento do crédito).

  1. Caso não tenha a conta ativa basta ir na agência mais próxima e solicitar a abertura, lembrando que não pode ser feita uma conta por aplicativo, somente em agência.
  2. Apresentar as seguintes documentações para o cadastro inicial na entidade vinculada à CONAFER em seu município:
    ✓ RG e CPF
    ✓ DAP
    ✓ CAR
    ✓ Dados da conta-corrente do Banco do Brasil
  3. Após a efetivação do cadastro será enviada a solicitação de autorização para o compartilhamento virtual de dados, ou por aplicativo do Banco do Brasil, internet banking https://www.bb.com.br/, caixa eletrônico com o cartão físico ou solicitando que o gerente da agência faça a autorização de pendência internamente.
  4. De acordo com as documentações solicitadas, será necessário um projeto assinado pelo técnico credenciado pelo Banco do Brasil (taxa de serviço inclusa no valor do financiamento); ou contratado individualmente; ou solicitar a assistência técnica da CONAFER, caso tenha disponível na região.
  5. Após o proponente digitalizar as documentações exigidas pelo Banco do Brasil, os dirigentes enviarão para a sede da CONAFER, que irá formalizar a proposta e enviar para a análise.
  6. A partir daí o banco tem até 48 horas para analisar a proposta enviada e fazer a liberação do crédito caso todos os documentos estejam devidamente corretos.

MINUTO SAÚDE CONAFER: Outubro Rosa

Estamos no mês de conscientização e prevenção do câncer de mama. É o tipo de câncer mais comum entre mulheres e se diagnosticado no começo, tem grandes chances de cura. Por isso, é importante que a mulher faça seus exames de rotina periodicamente.

O Outubro Rosa foi criado no início da década de 1990 pela Fundação Susan G. Komen for the Cure. A data tem como objetivo compartilhar informações e promover a conscientização sobre a doença, proporcionar maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento e contribuir para a redução da mortalidade.

Saiba mais com a nossa cartilha:

Acompanhe esta e outras séries na TV CONAFER.

https://youtu.be/8zOjDyUdPn4

Não esqueça de se inscrever no canal e ativar o sininho para receber nossas novidades.

JOGOS INFANTOJUVENIS DA CARAMURU: na aldeia indígena do Sul da Bahia, as crianças Pataxó Hã-Hã-Hãe mostram que o melhor esporte é se divertir

da Redação

A Aldeia Caramuru Catarina Paraguaçu, está localizada no município de Pau Brasil, a 542 km da capital Salvador. Nela vivem, convivem, trabalham e se divertem, os Pataxó Hã-Hã-Hãe, etnia muito afeita às atividades físicas e culturais, como aliás, é algo muito comum, da cultura de milhares de aldeias espalhadas pelo país. Nas aldeias indígenas, todos gostam de brincar e jogar. As crianças podem passar o dia inteiro brincando e inventando atividades. Existem muitas formas de se divertir, mas o objetivo é sempre desfrutar do momento e da companhia dos amigos. Este é o espírito dos Jogos Indígenas Infantojuvenis, que ocorreram no início de outubro, em homenagem às crianças. Mais do que a competição, os jogos ajudam a desenvolver habilidades importantes ao longo da vida. Jogar e brincar também são formas de aprender!

A ancestralidade indígena contém o gene da luta pela vida, da atividade física como exercício de sobrevivência, algo muito presente em todas as atividades nas comunidades. Individual ou coletivamente, o ato de brincar é passado de geração para geração, incluindo os rituais de preparação: todos se pintam, enfeitam seus corpos e constroem seus próprios brinquedos. A cultura indígena é riquíssima, valorizando os ensinamentos e as tradições mantidas pelos anciãos como ações fundamentais. Os Jogos Indígenas Infantojuvenis da Caramuru, é uma forma de incentivar cada indígena desde cedo nas práticas desportivas e culturais, e por meio de vários tipos de modalidades e instrumentos usados no cotidiano do povo Pataxó.

Os Jogos Indígenas Infantojuvenil Pataxó ocorreram no início de deste mês, e foram desenvolvidos e estimulados por professores, em sala de aula e na comunidade. Eles são fundamentais para o incentivo, o fortalecimento e a afirmação da identidade cultural da comunidade Pataxó e outras aldeias da mesma etnia.

Os Jogos Infantojuvenis Pataxó foram destaque e tiveram grande visibilidade na comunidade Caramuru, e também em outras comunidades Pataxó, que já vem participando e também na sociedade não indígenas. Desta forma, os Jogos têm um papel fundamental na formação social e cultural e em todos os aspectos que definem uma criança Pataxó.

Nestes Jogos, as crianças como atletas passam a conhecer e aprimorar as técnicas sobre o uso dos instrumentos usados para cada modalidade e aprendem a se preparar com os professores e os mais velhos que são detentores destes conhecimentos, e os mesmos fazem o possível para que estes conhecimentos se renovem e se transmitam as novas gerações de forma que os mesmos sejam preservados.

Durante os jogos, as crianças da aldeia estavam muito animadas com seus maracás em mãos, que logo em seguida seriam usadas para a corrida. Na corrida com maracás, 10 crianças indígenas percorrem uma distância de 15 metros cada uma, sendo 10 metros de volta, sendo que ao retornar o pequeno guerreiro irá passar o maracá para seu companheiro de equipe que fará o mesmo percurso.

No Cabo de Guerra temos uma corda bem forte, uma marcação no meio dela com uma fita, dois grupos de crianças, a fim de formar duas equipes iguais ou bem equilibradas na força, e muita emoção para a criançada ver qual o grupo será o vencedor. Esta modalidade é muito aceito entre as etnias participantes de todas as edições dos Jogos, é uma grande atração sempre, arrancando forte manifestação da torcida indígena e do público em geral.

No desfile final dos Pataxó Hã-hã-hãe, os jovens atletas indígenas fecharam os Jogos com chave de ouro, juntando-se para o evento final com pinturas corporais e com os seus cocares, sem ganhadores nem perdedores, pois todos aprenderam neste Dias das Crianças que se divertir é o melhor esporte.

Com informações da Seagro, por Greiciane Coelho.

DIA DE DEFESA DA FAUNA: os animais nascem livres, livres devem viver

da Redação

O Dia de Defesa da Fauna nos lembra que a liberdade dos animais é fundamental na preservação da natureza. Exatamente porque eles dão vida aos ecossistemas e biomas. Na terra, no mar ou no ar, a fauna brasileira é a mais diversa do mundo. São mais de 120 mil espécies de invertebrados e outras 8,9 mil de vertebrados. Mas as atividades humanas ameaçam a vida selvagem. A primeira lista de animais da fauna brasileira ameaçados de extinção foi publicada em 1968. Pela Lei Federal nº 5.197, “animais de qualquer espécie, em qualquer fase do seu desenvolvimento e que vivem naturalmente fora do cativeiro, constituindo a fauna silvestre, bem como seus ninhos, abrigos e criadouros naturais, são propriedade do Estado, sendo proibida sua utilização, perseguição, destruição, caça ou apanha”. Apontado como a terceira maior atividade ilícita no mundo, depois das armas e das drogas, o tráfico de animais movimenta entre US$ 10 e 20 bilhões por ano. O Brasil abriga grande parte das espécies traficadas, segundo o “Relatório Nacional sobre o Tráfico de Fauna Silvestre”, feito pela Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas)

Biomas degradados ameaçam a fauna silvestre

Segundo dados de 2014 do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), há mais de mil espécies de animais em risco de extinção no Brasil. Entre as causas do desaparecimento de espécies estão o tráfico de animais, desmatamento, queimadas, caça predatória e poluição, que influenciam diretamente os animais e/ou seus habitats.

A perda e degradação do ambiente natural, principalmente em decorrência da expansão agrícola e urbana, bem como da instalação de grandes empreendimentos, como hidrelétricas, portos e mineração, é a mais importante ameaça para as espécies continentais. Para as espécies marinhas, a pesca excessiva, seja direcionada ou incidental, é a ameaça que mais se destaca.

Em 2018, o ICMBio e o Ministério do Meio Ambiente (MMA) lançaram o Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. A publicação contou com a participação de 1.270 pesquisadores e contabiliza 1.173 espécies da fauna sob risco de extinção. Outras 318, apesar de não estarem perto de desaparecer, também têm a existência ameaçada.

A busca pela convivência pacífica entre espécies vem se tornando pauta cada vez mais frequente, no entanto a realidade está longe do ideal. De acordo com relatório da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES), da Organização das Nações Unidas (ONU), quase um milhão de espécies de animais e plantas correm risco de extinção nas próximas décadas, caso não ocorram mudanças radicais em medidas de conservação dos recursos da Terra.

A ONU incluiu a proteção animal nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), com 17 objetivos e 169 metas na área ambiental que devem ser alcançadas pelos países até 2030. Entre eles, estão previstos a conservação e uso sustentável dos oceanos, mares e recursos marinhos; e a proteção, recuperação e promoção do uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gestão sustentável das florestas, combate à desertificação, a interrupção e reversão da degradação da terra e da perda de biodiversidade.

Focos de incêndios abreviam o futuro de milhares de espécies

Imagens de animais mortos e feridos em decorrência de focos de incêndios florestais no Brasil, infelizmente são veiculadas com normalidade na mídia internacional. De acordo com informações registradas pelo Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe), de 1º de janeiro a 12 de setembro deste ano, foram contabilizadas 125.031 queimadas no país, o maior registro para o período desde 2010, quando 182.170 focos de calor foram mapeados no mesmo intervalo.

No comparativo com o ano passado, o número de incêndios nas florestas brasileiras já aumentou 10%, em 2020. O crescimento mais preocupante é no Pantanal. Em relação ao período entre 1º de janeiro e 12 de setembro de 2019, a quantidade de queimadas no bioma saltou 210% de 4.660 para 14.489 ocorrências, neste ano.

A Mata Atlântica é o bioma com mais espécies ameaçadas, tanto em números absolutos (1.989) quanto proporcionalmente (25%). Em seguida vêm o Cerrado, com 1.061 espécies ameaçadas, 19,7% do total de espécies do bioma, e a Caatinga (366 espécies ou 18,2%). O Pampa tem194 espécies ameaçadas, o que equivale a 14,5%. Já o Pantanal e a Amazônia têm as maiores proporções de espécies na categoria menos preocupante (88,7% e 84,3%, respectivamente) e também o menor percentual de espécies consideradas ameaçadas (3,8% e 4,7%, respectivamente). Em números absolutos, são 54 espécies ameaçadas no Pantanal e 278 na Amazônia.

Colorful tucan in the aviary

Fauna e Direito Ambiental

(por Roberto Langanke do blog Conservação)

De acordo com a lei número 5.197, de 1967, que foi renomeada, modificada e novamente promulgada em 1988 com o nome de Lei de Proteção à Fauna, “Os animais de qualquer espécie, em qualquer fase do seu desenvolvimento e que vivem naturalmente fora do cativeiro constituindo a fauna silvestre, bem como seus ninhos, abrigos e criadouros naturais, são propriedade do Estado, sendo proibida a sua utilização, perseguição, destruição, caça ou apanha”.

Desse modo, é possível dizer, atualmente, que todo animal é protegido por Lei. A grande evolução proposta no conjunto de Leis de 1988 é a de que a proteção sobre a fauna não só recai somente nos crimes de
caça predatória, tráfico de animais e comércio de peles (fauna silvestre); a lei agora se preocupa em defender o meio ambiente, o habitat em que o animal está inserido e do qual faz parte (ninhos, abrigos e criadouros naturais).

Interessante notar que, assim como no caso da flora , o animal que está em propriedade privada também é protegido por lei. Assim, a prática inadequada de atividades econômicas (como agropecuária, agricultura e silvicultura) que venha prejudicar o habitat de animais, é considerada crime contra a fauna. No que diz respeito à caça, dois tipos de mecanismos legais são adotados. A caça profissional está totalmente proibida em território nacional, sem exceções.

A caça desportiva também é proibida, podendo ser executada somente em casos onde peculiaridades regionais permitam o exercício da caça; além disso, é necessária uma autorização do poder público. Devido a essas peculiaridades regionais, os estados podem legislar individualmente sobre a caça desportiva. O Estado de São Paulo, por exemplo, tem toda e qualquer forma de caça desportiva proibida; já no caso do Mato Grosso ou Rio Grande do Sul, ela pode ser executada mediante certas circunstâncias.

No caso de comunidades indígenas, a caça é livre; essa legitimidade da caça é dada ao indivíduo da comunidade indígena e não ao seu território. Assim, pessoas que adentrem terras indígenas para caçar estão cometendo infração. A pesca, segundo a lei, pode ser considerada uma forma de caça, portanto é regida pelas mesmas leis e mecanismos citados acima.

Assim como na flora, a legislação sobre fauna é dada pela União, Estados e Distrito Federal; a implementação das leis deve ser feita pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios. As penas aplicáveis a crimes contra a fauna foram abrandadas pela Lei dos Crimes contra o Meio Ambiente, de 1998. Antes dessa lei, as penas podiam variar entre prisão de dois a cinco anos. Os crimes eram inafiançáveis. Hoje, a reclusão pode ser de seis meses a um ano, afiançáveis e com multa. Essas mudanças foram feitas no sentido de adequar a penalidade ao tipo de cidadão que a praticava, pois muitas vezes eram pessoas ignorantes da proibição, que caçavam para subsistência. Por outro lado, houve um afrouxamento na proteção aos animais e um certo retrocesso em nosso sistema legislativo no que diz respeito à fauna.

DIA DA ÁRVORE: quem cuida de uma árvore, preserva a floresta inteira

da Redação

É da soma dos cuidados de cada um que vamos proteger o símbolo da vida na terra. Todos os dias acabamos destruindo muitas árvores com nossas ações civilizatórias. Um exemplo: uma família que consome 400 watts de energia elétrica por mês, locomove-se de carro diariamente por 20 km e produz 800 g de lixo por dia, precisa plantar anualmente 12 árvores para equilibrar estas ações poluidoras. Quem de nós está fazendo a sua parte? Governos, organizações civis e os cidadãos, todos precisam fazer sua parte. Em tempos de não ao marco temporal, de recordes de queimadas e das exportações ilegais de árvores, esta necessidade de cuidar é ainda mais dramática. A cada dia, menos árvores existem para sequestrar o carbono e devolver o oxigênio para a natureza. E só existe um jeito de mudar isso: integrando-se com o meio ambiente, respeitando os ecossistemas e preservando nossas florestas. Exatamente como fazem nossos povos indígenas há milhares de anos

O poeta Haroldo de Campos escreveu um dia: “A natureza é sábia e justa. O vento sacode as árvores, move os galhos, para que todas as folhas tenham o seu momento de ver o sol”. A inteligência de uma árvore vai muito mais do que imaginamos. Quando suas folhas estão secas, é porque a árvore fez migrar a água para o seu caule lenhoso e suas raízes. Assim ela não morre, e quando chover novamente, poderá ter suas folhas irrigadas e verdejantes. É assim que elas sobrevivem em pleno cerrado, ou na caatinga.  

Em média, uma árvore gera 117 kg de oxigênio anualmente. Duas árvores maduras geram oxigênio para uma família de 4 membros por 1 ano. Assim, o carbono estocado por árvore resulta em aproximadamente 130 kg CO2-eq para as árvores na Mata Atlântica e 222 kg CO2-eq para as árvores da Floresta Amazônica. O CO2 equivalente (CO2-eq), ou dióxido de carbono equivalente, é o resultado da multiplicação das toneladas emitidas de gases de efeito estufa pelo seu potencial de aquecimento global. Por exemplo, o potencial de aquecimento global do gás metano é 21 vezes maior do que o potencial do gás carbônico (CO2).

A cada 7 árvores, é possível sequestrar 1 tonelada de carbono nos seus primeiros 20 anos de idade. Com base nesta média é determinada a quantidade de árvores que serão necessárias para neutralizar as emissões dos Gases de Efeito Estufa (GEE). A produção de oxigênio por meio do processo de fotossíntese faz aumentar a umidade do ar graças à transpiração das folhas. As árvores evitam erosões, reduzem a temperatura e fornecem sombra e abrigo, contribuindo para a biodiversidade e para a redução da poluição do ar. As suas flores e frutos servem para alimentação humana e produção de remédios. E suas estruturas de caules, galhos e folhas são as casas de milhares de espécies de animais.

Não ao desmatamento e não às queimadas!

A expansão urbana e a falta de proteção em áreas rurais, faz com que as árvores sejam constantemente exterminadas, o que resulta em grandes áreas desmatadas, seja por meio do corte ou das queimadas. O desmatamento e as queimadas afetam diretamente a vida de toda a população, que passa a enfrentar erosões, assoreamento de rios, redução do regime de chuvas e da umidade relativa do ar, desertificação e perda de biodiversidade.

Esse dia é muito mais do que o ato simbólico de plantar uma árvore, portanto deve ser encarado como um momento de mudança de atitude e conscientização de que nossos atos afetam as gerações futuras. É importante também haver conscientização a respeito da importância política de se colocar o meio ambiente como prioridade, e assim desenvolver ações de Estado para combater a exploração ilegal e proteger nossas matas, florestas e bosques urbanos.

As árvores-símbolo de cada região do país

Castanheira, a árvore-símbolo da região Norte.

A castanheira-do-Brasil (Bertholletia excelsa), também conhecida como castanheira-do-Pará, é uma árvore alta e bela, nativa da Amazônia. Ela pode ser encontrada em florestas às margens de grandes rios, como o Amazonas, o Negro, o Orinoco e o Araguaia, mas está ameaçada de extinção. Apesar de estar presente em todos os nove países amazônicos (Brasil, Peru, Colômbia, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname, Venezuela e Guiana Francesa), atualmente só é abundante na Bolívia e no Suriname.

A castanheira é considerada vulnerável pela União Mundial para a Natureza (IUCN) e, no Brasil, aparece na lista de espécies ameaçadas do Ministério do Meio Ambiente. A principal causa para o risco de extinção é o desmatamento. No Brasil, castanhais são derrubados para a construção de estradas e barragens, para assentamentos de reforma agrária e para a criação de gado.

Normalmente atingem entre 30m e 50m de altura e de 1m a 2m de diâmetro, seu tronco é reto e os galhos se concentram na parte mais alta da árvore. A casca é acinzentada, e as folhas, que ficam acima da copa das outras árvores, têm de 20cm a 35cm de comprimento. O fruto da castanha leva mais de um ano para amadurecer, é mais ou menos do tamanho de um coco e pode pesar 2kg. A casca é muito dura e abriga entre 8 e 24 sementes, que são as apreciadas castanhas.

Carnaúba, a árvore símbolo da região Nordeste.

A carnaúba (nome científico Copernicia prunifera) é a palmeira sertaneja do Nordeste. Seu nome é derivado do tupi e significa árvore que arranha, por conta da camada de espinhos que cobre a parte inferior do caule. A planta nasce em solos arenosos, alagadiços, várzeas ou margens dos rios. O tom das folhas é verde, levemente azulado, em virtude da cobertura de cera. Estudos indicam que a cera natural é uma proteção da carnaúba para evitar a perda de água e, assim, adaptar-se bem as regiões secas, como a Caatinga.

A carnaúba chega a alcançar até 15 metros de altura. Seu caule reto e cilíndrico tem um diâmetro que varia de 10 a 20 centímetros. A árvore dá frutos no período que vai de novembro a março. São esverdeados quando jovens e ficam roxos quando amadurecem. Seus frutos são bem aproveitados para alimentar animais de criação. Já a polpa serve para a produção de farinha e extração de um líquido leitoso. A sua amêndoa também é usada em substituição ao pó de café. Para isso, basta ser torrada e moída. As folhas servem para fazer telhados de casas e as fibras viram sacos, cestos, redes.

Ipê-amarelo, a árvore símbolo da região Centro-Oeste.

O ipê-amarelo é encontrado em todas as regiões do Brasil e sempre chamou a atenção de naturalistas, poetas, escritores e até de políticos. Em 1961, o então presidente Jânio Quadros declarou o ipê-amarelo, da espécie Tabebuia vellosoi, como a Flor Nacional. Desde então o ipê-amarelo é a flor símbolo de nosso país.

As árvores denominadas ipê, são na verdade, várias espécies com características mais ou menos semelhantes, com flores brancas, amarelas ou roxas. Não há região do país onde não exista pelo menos uma espécie dele. As variedades de pequeno e médio porte são ideais para o paisagismo e a arborização urbana. A coloração das flores produz um belíssimo efeito tanto na copa da árvore como no chão das ruas, formando um tapete de flores contrastantes com o cinza das cidades.

Conhecidos pela sua resistência e durabilidade de sua madeira, os ipês foram muito usados na construção de telhados de igrejas dos séculos XVII e XVIII, que, se não fosse pelos ipês, muitas dessas construções teriam se perdido com o tempo. Sendo uma espécie caducifólia, o período da queda das folhas coincide com a floração que se inicia no final do inverno. Quanto mais frio e seco for o inverno, maior será a intensidade da florada do ipê amarelo. As flores desta espécie atraem abelhas e pássaros, principalmente beija-flores que são importantes agentes polinizadores.

Pau-brasil, a árvore símbolo da região Sudeste.

A árvore Pau-Brasil cujo nome científico é Caesalpinia echinata, é uma espécie nativa das florestas tropicais brasileiras, presente no bioma da Mata Atlântica, se estendendo desde o litoral do Rio Grande do Norte até o Rio de Janeiro. Também é conhecido por outros nomes populares como: ibirapitanga, paubrasilia, orabutã, brasileto, ibirapiranga, ibirapita, muirapiranga, pau-rosado, pau-de-pernambuco.

A espécie foi a primeira madeira a ser considerada de lei no Brasil como uma tentativa de impedir que ela fosse contrabandeada por navios espanhóis, franceses e ingleses que aportavam na costa do país durante o período de colonização. Era muito utilizado na fabricação de móveis, violinos, construção civil e naval, pelo seu aspecto ser bem duro e resistente, e de possuir uma coloração avermelhada, que chamava muito a atenção dos europeus fazendo com que possuísse alto valor de mercado. 

O corante avermelhado era extraído no interior do tronco da árvore para o uso de tintura de roupas e acessórios da nobreza da época da exploração. Essa tintura era semelhante a um produto encontrado apenas na Ásia Oriental na época das navegações. Com isso, a exploração foi muito intensa, gerando muita riqueza ao reino, o que caracterizou um período econômico da história do país, influenciando a adoção do nome “Brasil” e a nomeação de “árvore símbolo” dos brasileiros.

No passado, algumas espécies alcançaram até 30 metros de altura, mas atualmente, as árvores remanescentes podem ser encontradas com 8 até 12 metros de altura, com tronco de 40 a 70 centímetros de diâmetro que possui uma casca escamosa e por baixo uma cor alaranjada, suas flores são amarelas, mas essa não é sua principal característica. Sua madeira é muito pesada, dura, compacta e muito resistente ao ataque de fungos e insetos. Em 2004 essa espécie entrou oficialmente na lista de árvores ameaçadas de extinção. Hoje, o pau-brasil encontra-se protegido por lei e não pode ser cortado para fins de florestas comerciais.

Araucária, a árvore símbolo da região Sul.

A araucária (Araucaria angustifolia) é uma espécie arbórea de gimnosperma pertencente à família Araucariaceae que é encontrada na região Sudeste (Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo) e Sul (Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina) do Brasil. Apresenta outros nomes populares, sendo conhecida também como pinheiro-do-paraná, curi, pinheiro-brasileiro e pinho-do-paraná.

A Araucária pode atingir uma altura de até 50 metros e, quando adulta, apresenta uma copa que possui formato semelhante a uma taça. Seu tronco é reto e com ramificações apenas na região do topo. As folhas do tipo agulha (acículas) apresentam coloração verde-escura e não caem durante o inverno. Além disso, essa espécie detém cones, que são espécies de flores dessas plantas. O cone feminino recebe o nome de pinha, que é onde se desenvolvem as sementes.

Essa espécie vive cerca de 200 anos, sendo que a produção de sementes inicia-se após o vigésimo ano em habitat natural. Essa árvore nativa do Brasil foi, por muitos anos, alvo da exploração indiscriminada e, por isso, hoje é considerada uma espécie ameaçada de extinção. A planta pode ser usada para variados fins, incluindo-se o artesanato e o uso medicinal. A semente, também conhecida por pinhão, é uma rica reserva energética, constituída principalmente por amido, proteínas e lipídios. Ela é muito usada na alimentação, tanto de homens quanto de alguns animais silvestres e domésticos, como porcos. Além disso, ela é usada tradicionalmente no combate à azia e anemia. As folhas e a casca também são utilizadas na medicina popular.

Em todo o mundo, assim como no Brasil, a chegada da primavera nos traz esperança. É nesse período em que a natureza troca suas cores, quando passa a predominar o verde vivo das folhas e os variados coloridos das flores. Com entidade defensora da sustentabilidade, a CONAFER reforça a importância da conscientização para proteger cada árvore em toda a sua biodiversidade, o que é decisivo para que as próximas gerações possam herdar um planeta preservado e em equilíbrio.

BIOECONOMIA: programa do Mapa já beneficiou 180 mil agricultores familiares em 2 anos

da Redação

Uma ideia baseada em ações para estruturação de sistemas produtivos com o uso sustentável dos recursos da sociobiodiversidade e do extrativismo. Assim funciona o programa Bioeconomia Brasil – Sociobiodiversidade, levando capacitação e inovação para agricultores familiares desde 2019, atendendo em média 90 mil agricultores familiares anualmente. Os investimentos ultrapassam R$ 100 milhões em integração com outras políticas direcionadas aos arranjos de bioeconomia para a agricultura familiar. O Ministério da Agricultura investiu R$ 15 milhões diretamente. O programa apoia iniciativas da Embrapa, que envolvem 21,6 mil agricultores em mais de 10 cadeias produtivas da bioeconomia. Um dos projetos destinou R$ 2 milhões no ano passado ao desenvolvimento de tecnologias para açaí, castanha do Brasil, pirarucu de manejo, mel de abelhas nativas, mandioca, cupuaçu, baunilhas do Brasil, sistemas agroflorestais e piaçava

Por meio do programa federal, em 2019 e 2020, foram celebrados oito convênios com Consórcios Intermunicipais nos estados da Bahia, de Minas Gerais, do Rio de Janeiro, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. A iniciativa conta com R$ 5 milhões para a implementação do Roteiros da Sociobiodiversidade, que prevê a capacitação de agricultores e a gestão dos empreendimentos, agregação de valor aos produtos, resgate de saberes e da cultura alimentar e reconhecimento e valorização dos sistemas agrícolas tradicionais. A meta é atender mais de 14 mil pequenos produtores.

Inovação e pesquisa

Não existe bioeconomia sem a busca do conhecimento pela pesquisa, que se alia ao ato de inovar durante a cadeia produtiva da agricultura familiar. Um bom exemplo é a parceria do Mapa com o Governo do Amazonas, e que resultou no InovaSocioBio para introduzir inovação ao longo das cadeias da sociobiodiversidade, como no apoio às cadeias produtivas do pirarucu, da castanha do Brasil e do guaraná.
No ano passado, foram aportados R$ 2,2 milhões para oferta de qualificação a cerca de 7 mil empreendedores da agricultura familiar e povos e comunidades tradicionais, além da promoção de acesso a novos mercados e desenvolvimento de soluções tecnológicas para os processos produtivos (máquinas, equipamentos, aplicativos e outros).

Plantas Medicinais

Outra parceria é o projeto “Inovações nas Cadeias de Plantas Medicinais e Bioativas como Estratégia de Diversificação do Cultivo do Tabaco – Projeto Piloto no Vale do Rio Pardo/RS”, intitulado de Valeef. Foi destinado quase R$ 1 milhão para a iniciativa, conduzida pela a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), com o objetivo de fortalecer a agricultura familiar da região, implantando cadeias de plantas aromáticas, medicinais e seus derivados como alternativa ao tabaco.
Em relação às plantas bioativas, o Mapa iniciou, em 2020, a terceira etapa do projeto ArticulaFito, com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que aportará mais de R$ 3 milhões nos próximos dois anos. A iniciativa tem o propósito de inserir os agricultores familiares nas cadeias de valores das plantas medicinais, aromáticas e condimentares. No último ano, apesar da pandemia, mais de 300 agricultores, técnicos e gestores participaram de oficinas virtuais de capacitação sobre processos produtivos e gestão.

Pronaf Bioeconomia

Criada e disponibilizada no Plano Safra 2020/2021, após articulações no âmbito do programa Bioeconomia Brasil – Sociobiodiversidade, a linha de crédito Pronaf Bioeconomia contabilizou mais de 1,3 mil acessos ao crédito rural até junho deste ano. Os recursos ultrapassam R$ 88,9 milhões e podem ser usados pelos produtores familiares em implementação de energia renovável na propriedade, atividades de extrativismo, na adequação ambiental das propriedades, em implantação de sistemas agroflorestais, entre outros.
No âmbito da Política de Garantia de Preços Mínimos para produtos da Sociobiodiversidade (PGPMBio), subvenção financeira operacionalizada pela Conab, foram beneficiados 20 mil agricultores, entre 2019 e 2020, com aplicação superior a R$ 40 milhões. A subvenção é concedida diretamente aos agricultores familiares, sendo a maioria extrativistas, ribeirinhos e moradores de unidades de conservação.

Biocombustível

Nos últimos dois anos, o Mapa também modernizou as regras do Selo Biocombustível Social e proporcionou que mais de 60 mil famílias de agricultores familiares fossem incluídas, anualmente, nos arranjos produtivos das empresas produtoras de biodiesel, resultando em mais de R$ 5 bilhões por ano em aquisição de matéria-prima deste segmento.

Sistemas agroflorestais

Outra estratégia para inserir os agricultores familiares nas cadeias produtivas de biocombustíveis é a utilização da inovação como ferramenta. Em articulação com a Embrapa Agroenergia, foram destinados R$ 900 mil para a pesquisa e desenvolvimento de sistemas agroflorestais envolvendo a macaúba, espécie nativa do Cerrado. A iniciativa pretende incentivar a cultura da macaúba e extração do óleo como matéria-prima para a produção de um novo biocombustível com potencial de uso em aviação civil.

A bioeconomia das “Apanhadoras de Flores Sempre Vivas da Serra do Espinhaço”

A bioeconomia também está presente na valorização dos potenciais da agrobiodiversidade do país. Em 2020, o Mapa viabilizou o reconhecimento do primeiro Sistema Agrícola Tradicional (SATs) brasileiro. As “Apanhadoras de Flores Sempre Vivas da Serra do Espinhaço”, em Minas Gerais, integram hoje os mais de 40 Sistemas de Importância do Patrimônio Agrícola Mundial (SIPAM) reconhecidos pela FAO em todo o mundo, com reconhecimento internacional como patrimônio agrícola mundial pela FAO. Este SAT está localizado na porção meridional da Serra do Espinhaço do estado mineiro.

O SAT dos Apanhadores e Apanhadoras de Flores Sempre-vivas é um sistema agrícola único, fruto do processo de coevolução entre as comunidades tradicionais e seu ambiente natural. As comunidades tradicionais desenvolveram um profundo conhecimento acerca dos ciclos naturais e processos ecossistêmicos e do manejo da flora nativa, possibilitando a utilização dos recursos naturais em harmonia com a conservação da biodiversidade.

O SAT compreende diversas atividades produtivas realizadas em uma região montanhosa, entre 600 metros e 1400 metros de altitude, fornecendo um mosaico de ecossistemas e paisagens. A agricultura, a criação de animais, o extrativismo de recursos naturais, em especial a colheita das flores sempre-vivas, e o uso das espécies nativas do cerrado caracterizam o modo de vida das comunidades tradicionais de apanhadores e apanhadoras de flores.

A importância da bioeconomia

Combate o aquecimento global ao utilizar as fontes limpas de energia; estimula a produção sustentável de alimentos para grandes populações; preserva a flora e fauna, protegendo os ecossistemas; evita o esgotamento de recursos naturais, como a água; reaproveita os resíduos para gerar novos insumos ou energia; contribui para a diminuição drástica da quantidade de lixo na natureza; insere os agricultores agrofamiliares na cadeia produtiva com ganhos socioeconômicos, e principalmente, é fundamental para avançar na segurança alimentar com produtos saudáveis, fruto da sustentabilidade bioeconômica.

Somos todos responsáveis pela proteção da vida na Terra

da Redação

Hoje é comemorado o Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio. A data foi escolhida pela Assembleia Geral das Nações Unidas para marcar o dia da assinatura do Protocolo de Montreal, firmado em 1987. O protocolo foi importante para a proteção da camada, já que reduziu a produção e o consumo de produtos que causam seu desgaste. A camada de ozônio é um fino envoltório formado por gás ozônio (O3), que envolve a Terra e protege os organismos vivos da radiação emitida pelo Sol. Sem esta camada, localizada a 25 e 30 km acima da superfície (estratosfera), a vida no nosso planeta como conhecemos hoje deixaria de existir.

Destruição e buraco na camada de ozônio

Infelizmente, substâncias produzidas pelo homem começaram a destruir a camada de ozônio. As primeiras evidências dessa agressão ocorreram em 1977, quando cientistas britânicos observaram um grande buraco na região localizada sobre a Antártida. A partir desse estudo, várias outras pesquisas demonstraram pontos ao redor do mundo onde essa camada tornou-se mais fina.

A diminuição da espessura da camada de ozônio é um problema sério. Nas regiões onde se observou essa diminuição, percebe-se que é maior a incidência de alergias e problemas nos olhos, tais como catarata e cegueira, e na pele, como cânceres. Além disso, a radiação também afeta plantas e outros seres, como é o caso do plâncton.

Sem a proteção do ozônio, surge o efeito estufa

Quando os raios solares atingem a superfície do planeta Terra, parte da energia é refletida para o espaço e a outra parte fica aprisionada na atmosfera em função dos gases nela presentes. Essa capacidade de captar e reciclar a energia emitida pela superfície do planeta é chamada de efeito estufa, causando o aumento da temperatura da Terra pela retenção do calor por certos gases atmosféricos, sendo que a poluição o intensifica e causa o aquecimento global.

3 atitudes importantes que podem reduzir o efeito estufa

  • Faça a reciclagem do lixo, e se possível, a reutilização de insumos.
  • Quando possível, evite utilizar o carro, e prefira a caminhada ou os passeios de bicicleta.
  • Cultive plantas e vegetações, seja dentro de casa ou no próprio quintal.

PIPERICULTURA: publicada norma técnica para produção da pimenta-do-reino, agricultura familiar domina as lavouras

da Redação

A partir de 1º de outubro, entra em vigor Instrução Normativa do Ministério da Agricultura e Abastecimento (Mapa), para a produção integrada de pimenta-do-reino. A normativa foi publicada dia 9 de setembro no Diário Oficial da União (DOU), e abrange o conceito de Boas Práticas Agrícolas (BPA) para uma produção de alimento seguro, produtos com rastreabilidade e com os níveis de resíduos de defensivos agrícolas e contaminantes conforme o previsto na legislação sanitária, além de incentivar a sustentabilidade. O sistema de produção integrada é essencial para orientar os produtores rurais a plantarem de forma mais segura e eficaz, desde o cultivo até a colheita. Uma das orientações, por exemplo, é para o produtor tomar cuidado ao usar fontes orgânicas que podem ter níveis de metais pesados acima do permitido. Outra é quanto ao manejo e a cobertura do solo do pimental com os métodos manuais e mecânicos corretos para evitar contaminações com fungos e salmonela

Há séculos a história da pimenta-do-reino e o seu cultivo estão ligados às grandes navegações que percorreram o mundo em busca de especiarias. O comércio da pimenta era bastante ativo no subcontinente indiano, de onde era trazido por mercadores muçulmanos para o Ocidente, onde era distribuída por genoveses e venezianos.
Historicamente o seu valor chegava a ser tão alto que ela foi utilizada como moeda: conta-se que Alarico I, o Visigodo exigiu de Roma um resgate de ouro, prata e pimenta. A busca por essa especiaria, utilizada e valorizada desde tempos imemoriais, foi uma das principais causas da expansão – e apogeu – do império português no Oriente. Um quintal de grãos de pimenta (60 kg) chegou a valer, à época, 52 gramas de ouro.

Hoje, os seus grãos secos e moídos fazem parte da culinária mundial. O sabor forte, levemente picante, é proveniente de um composto químico chamado piperina. Para serem produzidas, as espigas são colhidas quando completamente desenvolvidas, debulhadas mecanicamente ou manualmente.

Há produtores que não costumam debulhar a pimenta. Neste caso, as espigas são colocadas para secar ao sol, e durante o processo de secagem as drupas secas vão se desprendendo do eixo da espiga. Durante o processo de revolver a pimenta para que a secagem fique uniforme, retiram, com um pequeno rodo de madeira, os eixos das espigas que estão misturados com o produto. A maioria da pimenta produzida é seca ao sol. Poucos produtores utilizam secadores a lenha ou a diesel.

Quanto à rentabilidade da cultura, podemos estimá-la utilizando a produtividade média do Brasil (2.230 kg por hectare) e o preço médio de R$ 6,00 por quilo de pimenta-do-reino preta seca, o que resultaria em valores brutos próximos a R$ 13.000,00 por hectare.

Os maiores importadores atuais da pimenta brasileira são os Estados Unidos, Holanda, Argentina, Alemanha, Espanha, México e França. Enquanto a Índia, maior produtor mundial de pimenta-do-reino consome 50% do total produzido, o Brasil consome apenas 12% na forma de grãos inteiros, grãos moídos, em misturas com outros condimentos principalmente cominho, patês, molhos, maionese e embutidos (salame, salsicha, mortadela, presunto).

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geográfica e Estática (IBGE), em 2019, o Brasil produziu cerca de 109 mil toneladas de pimenta-do-reino. Desse total, 62 mil toneladas vieram do Espírito Santo, o maior produtor nacional. Em segundo lugar, está o Pará, com 35 mil toneladas.

Leia aqui a Instrução Normativa nº 12

Com informações do Mapa e Wikipedia.

CONAFER NO KUARUP: caciques e pajés agradecem à Confederação pelo apoio à grande celebração dos povos do Xingu

da Redação

Há milhares de anos, quando tudo ainda era original, o Kuarup já existia na maior floresta do mundo. Ele é uma homenagem aos mortos ilustres da região do Xingu. Os povos xinguanos realizam o rito centrados na figura mitológica de Mawutzinin, considerado o primeiro homem da humanidade, segundo suas crenças ancestrais. No ano de 2020, pela primeira vez o ritual não foi realizado em função da pandemia. Mas agora, em 2021, nos meses de julho e agosto, a mais famosa manifestação cultural indígena pôde ser realizada. E a CONAFER contribuiu com seu apoio cultural, logístico e financeiro para que o Kuarup acontecesse. Lideranças das aldeias Kuikuro, Kalapalo e Nafukua, enviaram cartas de agradecimento ao presidente Carlos Lopes, e ao secretário geral Tiago Lopes. Como entidade que reúne todas as categorias de agricultores familiares, as causas dos povos originários são também causas suas. Por isso, apoiamos e defendemos os povos indígenas, e nos aliamos como guerreiros na defesa das suas tradições, à liberdade de expressão e preservação da sua rica cultura

O Kuarup voltou! E não poderia ser diferente para alegria das aldeias do Xingu. O primeiro dos quatro rituais foi na aldeia Nafukua, nos dias 17 e 18 de julho, o segundo na aldeia Afukuri, dias 24 e 25 de julho, depois o terceiro Kuarup na aldeia Kalapalo, dia 8 de agosto, e o quarto Kuarup na aldeia Ipatse, a principal aldeia do povo Kuikuro, dias 14 e 15 de agosto.

A dança do Kuarup tem a finalidade de trazer aqueles que morreram à vida. No começo da celebração, os guerreiros recebem com danças guerreiros de outras aldeias. Em um tronco de árvore chamado de Kuarup são feitas decorações específicas. A homenagem ocorre sempre um ano após a morte dos parentes indígenas. Em torno dos troncos, a família faz uma homenagem aos mortos. Passam a noite toda acordados, chorando e rezando pelos seus familiares que se foram. E é assim, com rezas e muito choro, que se despedem pela última vez.

Durante as celebrações há comida, danças, cânticos, rezas e o momento das lamentações, quando na aldeia são erguidos troncos de madeira pintados e enfeitados com faixas de cor amarela e vermelha e alguns objetos do morto. Cada tronco representa um morto.

Na tradição do Parque Indígena do Xingu, cada tronco enfeitado com adornos coloridos representa uma pessoa falecida a ser homenageada. Esses troncos ocupam o lugar central no ambiente em que indígenas rezam e choram a morte de seus entes queridos.

Os secretários indígenas da CONAFER, Burain de Jesus Pataxó, secretário de Tradições e Culturas dos Povos Originários, e Jair Kuikuro, secretário dos Povos Indígenas do Xingu, atuaram na articulação que viabilizou a ajuda da CONAFER para a realização do Kuarup.

À esquerda, o secretário de Tradições e Culturas dos Povos Originários, Burain de Jesus Pataxó, tendo ao seu lado, Jair Kuikuro, secretário dos Povos Indígenas do Xingu, na articulação que viabilizou a ajuda da CONAFER para a realização do Kuarup

O sucesso dos quatro encontros em aldeias diferentes foi tão comemorado, que as lideranças dos povos Nafukua, Afukuri e Kalapalo, enviaram cartas de agradecimento à direção da CONAFER.

Nas cartas, caciques e pajés e lideranças registram que o apoio foi muito importante para que os rituais ocorressem da melhor forma possível. E também lembraram dos representantes da CONAFER no Xingu, “que tem nos ajudado e nos apoiado sempre que precisamos”, como foi escrito ao final das cartas.

Veja o teor das cartas dos Nafukua, Afukuri e Kalapalo:

À CONAFER
Ao Sr. Presidente da CONAFER, Carlos Lopes
Ao Sr. Secretário Geral da CONAFER, Thiago Lopes

Carta de Agradecimento

Em nome do Povo Kuikuro, nós caciques, lideranças tradicionais e pajés agradecemos o apoio prestado a nossa comunidade durante a cerimônia tradicional do Kuarup, realizada em nossa aldeia no dia 15 de agosto de 2021. O apoio da CONAFER, através da SENPIX, foi muito importante para a realização dessa cerimônia sagrada para as nove etnias do Alto Xingu. Por isso, agradecemos mais este apoio e todos os apoios já prestados ao nosso Povo, comunidades e demais Povos Indígenas do Xingu.
Muito obrigado.

A luta dos povos originários é a mesma luta da CONAFER

Todos os indígenas são reconhecidos como agricultores familiares pela Lei da Agricultura Familiar, a Lei nº 11.326, de 2006. Para atuar mais diretamente nas causas indígenas, a CONAFER tem secretarias voltadas para as questões indígenas, atuando desde o mapeamento de territórios e suas diversas culturas agroecológicas, e também no estímulo à cultura e às suas tradições.

A história do genocídio de 6 milhões de indígenas, desde que os colonizadores chegaram na América, desde que aqui se fixaram infringindo direitos humanos e os direitos dos povos originários, desde quando destruíram milhares de etnias, fez erguer uma defesa inabalável dos territórios dos povos que originaram nosso país, que formam a nossa cultura e nos inspiram diariamente a preservar o meio ambiente.

Portanto, a luta dos povos originários é também uma luta da CONAFER. Estamos juntos, apoiamos e defendemos os povos indígenas. E nos aliamos como bravos guerreiros na defesa das suas causas, principalmente o direito à proteção dos seus territórios, à autodemarcação, à liberdade de expressão e preservação da sua rica cultura.