ZARC DO FEIJÃO-CAUPI: zoneamento agrícola do feijão tradicional da agricultura familiar brasielira é publicado pelo Mapa

da Redação

ZARC DO FEIJÃO-CAUPI: zoneamento agrícola do feijão tradicional da agricultura familiar brasielira é publicado pelo Mapa

 Home – Andradina – ZARC DO FEIJÃO-CAUPI: zoneamento agrícola do feijão tradicional da agricultura familiar brasielira é publicado pelo Mapa

ANDRADINADESTAQUENOTÍCIAS

  •  Jornal O Foco
  • 29 de abril de 2022
  • Atualizado em: 29 de abril de 2022 11:52

Secom CONAFER

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) publicou, na última quarta-feira, 27 de abril, as portarias de Nº 51 a 72 com informações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para o cultivo do feijão caupi, ano-safra 2022/2023. Foram aprovados os zoneamentos realizados nos estados do Acre, Alagoas, Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão e Distrito Federal. As secas têm sido o principal fator da perda de produtividade das lavouras, já que a cultura desta leguminosa exige um mínimo de precipitação de 300 mm para seu crescimento ao longo do ciclo. O feijão-caupi é uma cultura de ciclo curto, que se adapta bem às condições climáticas com altas temperaturas. Esta leguminosa possui dois períodos bem definidos com relação à escassez hídrica, sendo o primeiro o da semeadura, e o segundo, o do florescimento e desenvolvimento de suas vagens. A publicação da Zarc tem como objetivo auxiliar os agentes envolvidos na cadeia produtiva da leguminosa: produtores rurais, órgãos de assistência técnica, agentes financeiros, seguradoras e demais entidades que fazem uso destas informações para o planejamento agrícola e suas ações

Com origem africana e introduzido no Brasil pelos colonizadores portugueses, o feijão-caupi é um alimento proteico e energético, que tem importante papel na segurança alimentar e nutricional, não apenas para os nordestinos e nortistas, como também para grande parte da população brasileira. Por isso, obter o máximo de produtividade desta leguminosa envolve muitos fatores, entre eles o risco climático. Ao seguirem as recomendações estabelecidas pela Zarc, os agricultores podem se precaver dos riscos climáticos no ciclo produtivo do feijão-caupi, podendo ser beneficiados pelo Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Os dados trazidos na Zarc servem de indicadores aos agentes financeiros, que o utilizam como requisito nas concessões de operações de crédito rural, como a contratação do seguro rural e o crédito de custeio oficial, contemplando os cultivos realizados em áreas zoneadas e o plantio de cultivares indicadas nestas portarias. No Brasil, o feijão-caupi também é conhecido como feijão-de-corda, feijão-fradinho, feijão de praia, feijão miúdo e feijão macaçar.

A Zarc tem como objetivo identificar os municípios que se encontram aptos à produção e os períodos de semeadura para o cultivo desta leguminosa nos estados em que foram feitos os zoneamentos, indicando os períodos de plantio menos arriscados, e relacionando as cultivares mais adaptadas a cada região, utilizando como parâmetro três níveis de risco: 20%, 30% e 40%, sinalizando a probabilidade de 80%, 70% ou 60% de a cultura ser bem-sucedida nas condições e locais indicados.

O cultivo do feijão-caupi é predominante na região semiárida do Nordeste e em pequenas áreas da Amazônia, onde sua produção se constitui um importante gerador de postos de trabalho formal, estimulando a economia dessas comunidades e suprindo uma cadeia produtiva que integra o agricultor familiar ao segmento empresarial, incluindo neste ciclo, até sua chegada à mesa dos consumidores, alguns setores de comércio das pequenas cidades e dos grandes centros urbanos do país.

O Brasil é o quarto maior produtor desta leguminosa, que vem ganhando espaço nas áreas de cerrado das Regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, onde é cultivado na forma de safrinha por médios e grandes produtores, de base empresarial, com o uso da mesma tecnologia empregada no cultivo da soja.

Já na agricultura familiar, o principal desafio de sua produção encontra-se na manutenção da qualidade sanitária das sementes do feijoeiro, pois algumas das doenças que atacam a cultura são transmissíveis por meio dessas, provocando a deterioração delas durante o seu armazenamento.

O feijão-caupi, conhecido como feijão-de-corda, é bastante utilizado na culinária nordestina

Aplicativo Plantio Certo

Produtores rurais podem acessar por meio de tablets e smartphones, de forma mais prática, as informações oficiais do Zarc, facilitando a orientação quanto aos programas de política agrícola do governo federal. O aplicativo móvel Zarc Plantio Certo, desenvolvido pela Embrapa Agricultura Digital (Campinas/SP), está disponível nas lojas de aplicativos: iOS e Android. Os resultados do Zarc também podem ser consultados e baixados por meio da plataforma “Painel de Indicação de Riscos”

Com informações do Mapa.

CONAFER NA CAATINGA: celebramos hoje o mais brasileiro dos biomas e a região mais ruralizada do país

da Redação

Hoje, 28 de abril, é a data em que se comemora anualmente no Brasil o Dia Nacional da Caatinga, bioma que ocupa 844,4 mil quilômetros quadrados, ou 11% do território brasileiro, com predominância na maior parte do Nordeste e áreas de Minas Gerais. A data, oficializada por meio do Decreto de 20 de agosto de 2003, foi criada com o intuito de conscientizar as pessoas sobre a importância de sua preservação para o equilíbrio ambiental. Ela é o único bioma exclusivamente brasileiro, e sua originalidade está na paisagem formada pela vegetação esbranquiçada por ocasião dos longos períodos de estiagem. O cerne da economia das comunidades que habitam este ecossistema está na agricultura familiar, com cultivo de lavouras, criação de animais, atividades de extrativismo vegetal e outras formas de produção, sobretudo com a pecuária de pequeno e médio porte com foco na ovinocaprinocultura. Neste bioma, a produção agrícola se dá em mais de 1.6 milhão de propriedades rurais, representando, de acordo com o último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 32% dos estabelecimentos rurais brasileiros, sendo que, deste total, 78,9% possuem no máximo 20 hectares. A Caatinga abriga mais de 28 milhões de pessoas nos estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Maranhão e parte da faixa norte de Minas Gerais. Preservar a sua biodiversidade, apesar da sua exploração econômica, deve ser um compromisso de toda a sociedade brasileira, incluindo-se a CONAFER, que tem incentivado as práticas agroecológicas entre seus agricultores familiares associados, principalmente indígenas e quilombolas que habitam a região, no intuito de conciliar a preservação do bioma com o fortalecimento da economia local, gerando mais renda e desenvolvimento social para estas comunidades

O nome Caatinga tem origem no tupi-guarani, e significa floresta branca, em uma referência a cor predominante assumida pela vegetação durante o período de seca, que ocorre normalmente durante a estação do inverno, no qual todas as plantas perdem suas folhas para diminuir a transpiração e evitar a perda de água armazenada. Afora a imensidão de sua biodiversidade vegetal e animal, que conta com espécies como a Ararinha-azul, ameaçada de extinção, este bioma também é dono de uma vasta diversidade cultural, estruturada pela contribuição dos povos originários da região.

Rio São Francisco, o rio da integração nacional, é o principal curso de água da Caatinga

A Caatinga é o lar de 60 povos indígenas, que fazem da agricultura familiar sua principal fonte de renda e subsistência, estando metade deles na região da bacia do Rio São Francisco, um dos rios mais importantes desse ecossistema. Entre os povos originários que habitam o local estão os Atikum, Fulni-ô, Jenipapo-Kanindé, Jiripancó, Pankararé, Pitaguary, Tingui Botó, Truká, Tumbalalá, Xakriabá e Xukuru, entre muitos outros, todos eles profundos conhecedores da Caatinga e responsáveis por sua conservação.

A originalidade presente na vegetação da Caatinga está na contradição que une a resiliência das plantas à fragilidade de sua degradação, causada ao longo de centenas de anos de ocupação, desde o primeiro contato português no país. Ela foi primeira área do interior do país a ser desmatada, e ter suas riquezas usufruídas em prol do lucro dos exploradores europeus, que modificaram este ecossistema introduzindo espécies invasoras e, implementando sistemas econômicos de produção pecuarista, por volta do século XVI, ocasionando a formação de um clima semiárido e seco.

A produção agrofamiliar de espécies nativas como maracujá do mato, juá, licuri e goiti, é um dos destaques deste bioma exclusivamente brasileiro

Apesar das dificuldades para reprodução da vida neste ambiente seco, os agricultores familiares e os povos das comunidades tradicionais conseguem desenvolver suas bases produtivas, e agregam aos seus produtos valores étnicos, históricos, sociais, culturais e ambientais. É na comercialização de itens como o umbu, o licuri, o caju, a mangaba, o mandacaru, o maracujá-da-caatinga, e o mel extraído de vários tipos de abelhas nativas, que eles encontram uma oportunidade para desenvolver socioeconomicamente suas comunidades, integrando a produção sustentável e geração de renda ao empoderamento das populações extrativistas e agrofamiliares.

No bioma Caatinga, a produção agrícola se dá em mais de 1.6 milhão de propriedades rurais, representando, de acordo com o último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 32% dos estabelecimentos rurais brasileiros, sendo que, deste total, 78,9% possuem no máximo 20 hectares

Na Caatinga, a expressão “tirar leite de pedra” é parte da rotina diária dos produtores rurais, que dependem de investimentos e tecnologias para produzir em um solo raso e pedregoso, e com isso superar a pobreza e a fome. Seja aproveitando os frutos da vegetação nativa, praticando a agricultura orgânica, a pecuária sustentável ou usando práticas comunitárias de produção, as comunidades rurais fazem da caatinga o seu meio de vida e sustento das famílias, desenvolvendo suas atividades por meio de práticas que respeitam os ritmos da vida deste bioma.

Durante as últimas décadas, houve um aumento da pressão sobre a exploração dos recursos naturais da Caatinga devido, principalmente, ao consumo de lenha nativa, que vem sendo explorada de forma ilegal e não sustentável para fins domésticos e industriais. O sobrepastoreio também é outro problema que pode gerar a extinção de espécies da fauna e flora desse bioma, pois expõe as plantas ao pastoreio intensivo durante longos períodos, de modo que torna insuficiente o tempo para a necessária recuperação do solo e ambiental.

Ainda falta engajamento no país para avançar com políticas públicas que atuem na recomposição da paisagem e recuperação das áreas degradadas do bioma. Em 2018, tramitou na Câmara de Deputados o Projeto de Lei 9076/17, que tinha como objetivo a proteção ambiental do ecossistema da Caatinga, estipulando meta de preservação, proibição de desmatamento e determinando o seu zoneamento ecológico-econômico (ZEE). Porém, o projeto acabou sendo devolvido pelo relator sem manifestação e arquivado pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMADS).

O Decreto que institui a criação do Dia Nacional da Caatinga também atribui ao Ministério do Meio Ambiente a responsabilidade pela promoção e organização de ações próprias para conscientizar a população sobre a importância de se preservar este bioma. Outra curiosidade sobre a data é que ela é uma homenagem ao dia de nascimento do professor João Vasconcelos Sobrilho, um dos pioneiros nos estudos ambientais no Brasil, que contribuiu em vida para despertar nas pessoas o sentimento de cuidado e amor ao meio ambiente.

Potencial produtivo da Caatinga

Este ecossistema é uma fonte interminável para a elaboração de produtos baseados na sua biodiversidade, e possui um enorme potencial, por exemplo, para a fabricação de fitoterápicos e fármacos, a exemplo das três espécies vegetais consideradas promissoras para o mercado de cosméticos naturais, de acordo com mapeamento realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Ministério da Agricultura (Mapa), como o extrato de melão de São Caetano, o extrato de arnica e a cera de carnaúba, que se encontram entre as 26 cadeias de valor identificadas pelo projeto “ArticulaFito – Cadeias de Valor em Plantas Medicinais”, considerado o maior mapeamento de plantas medicinais, aromáticas, condimentares e alimentícias elaborado no país.

A ovinocaprinocultura é praticada por mais da metade dos estabelecimentos agrofamiliares da Caatinga

A produção agrofamiliar dos povos indígenas neste bioma tem como destaques: no mês de janeiro, o caju e o Ouricuri/licuri; em fevereiro, a maturação da ubaia/uvaia; de março a abril, o cajá e o juá; de maio a junho, o jenipapo, goiti e as bananas; de setembro a outubro, a canafístula; em novembro, o maracujá do mato; e, em dezembro, a gabiroba. Além dessas, são cultivadas outras culturas que não são nativas, e que estão presentes nas lavouras durante o ano todo, como a manga, jaca, limão, tamarindo, uva, acerola, carambola, pinha, coco, fruta-pão, laranja, jamelão.

A quantidade de estabelecimentos agropecuários que se dedicam à pecuária familiar e criação de outros animais está estimada, segundo um levantamento feito pela Embrapa, em aproximadamente 850 mil, representando mais da metade das propriedades rurais do bioma. Já a produção em lavouras temporárias é praticada em cerca de 630 mil propriedades rurais, representando 37,7% dos estabelecimentos agropecuários da Caatinga.

Com informações do Mapa e da Embrapa.

BIOTECNOLOGIA ANTI-SECA: bioinsumo apresentado pela Embrapa promete diminuir danos da seca nas lavouras

da Redação

No ano em que completa 49 anos, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Embrapa, apresenta mais uma biotecnologia inovadora: o bioinsumo que fortalece as lavouras, deixando-as resistentes a altas temperaturas, amenizando os efeitos dos períodos de estiagem. É o CMAA 1363, desenvolvido em parceria com a empresa NOOA, Ciência e Tecnologia Agrícola Ltda. O novo produto foi apresentado ao público durante a realização da feira Agrishow, em Ribeirão Preto, na última semana de abril. O CMAA 1363 conta com um sistema radicular mais ativo, capaz de aumentar a resiliência das lavouras e a capacidade de tolerar longos períodos de seca e temperaturas elevadas. Ele é resultado do trabalho de mais de 12 anos de pesquisa pela Embrapa Meio Ambiente e a NOOA, na prospecção e caracterização da biodiversidade de microrganismos da Caatinga. Todo este acúmulo de pesquisas, deu origem a Coleção de Microrganismos de Importância Agrícola e Ambiental, que conta com quase 20 mil isolados de fungos, bactérias, leveduras, arqueias e actinobactérias. Com todo este conhecimento, novos e inovadores bioinsumos devem ser apresentados pela Embrapa no futuro

Foi estudando a Caatinga, bioma presente nos estados da Bahia, Ceará, Piauí, Paraíba e Rio Grande do Norte, que os pesquisadores identificaram a rizobactéria Bacillus aryabhattai, presente na raiz do mandacaru, que possui a capacidade de promover o crescimento de plantas de milho sob estresse hídrico, incrementando alguns parâmetros vegetais analisados e que serve de base na fabricação do CMAA 1363.

É no bioma da Caatinga que encontramos a bactéria que serve de princípio ativo do bioinsumo desenvolvido pela Embrapa e NOAA

A Caatinga é um bioma brasileiro que conta com espécies altamente adaptadas para sobreviverem aos longos períodos de estiagem e às temperaturas que chegam a ultrapassar 30 graus, fator que impacta negativamente sobre a fotossíntese trazendo prejuízos em produtividade para as lavouras. Foi a partir da observação deste ecossistema que os pesquisadores chegaram até as bactérias associadas das cactáceas da Caatinga, analisando a estrutura das comunidades bacterianas do solo e da rizosfera do mandacaru (Cereus jamacaru) durante a alteração do período chuvoso para o de seca.

O estudo demonstrou que as bactérias do gênero Bacillus, foram capazes de se desenvolver com reduzida atividade de água utilizando alguns mecanismos de proteção contra a dessecação. Com isso, chegou-se à rizobactéria isolada da raiz do mandacaru, que é a única cepa de Bacillus aryabhattai validada pela Embrapa, e que serve de base para o produto.

Os pesquisadores identificaram a rizobactéria Bacillus aryabhattai, presente na raiz do mandacaru, que possui a capacidade de promover o crescimento de plantas de milho sob estresse hídrico, incrementando alguns parâmetros vegetais analisados e que serve de base na fabricação do CMAA 1363

O CMAA 1363 assegura às lavouras uma maximização no que diz respeito ao aproveitamento da água e sua absorção, possibilitando à planta um melhor controle da temperatura foliar e, consequentemente, uma diminuição no estresse térmico, viabilizando seu pleno desenvolvimento. Seu uso comprovou grande eficácia na redução do estresse hídrico do cultivo de milho, propiciando um melhor desenvolvimento radicular, aumentando a retenção de água na planta e a produção de substâncias que protegem e hidratam o sistema radicular.

O milho é uma das culturas de grande importância para a agricultura familiar e seu uso se estende da alimentação animal, que utiliza de 60 a 80% do total produzido, à produção agroindustrial, e apesar de não ter uma participação expressiva na alimentação humana, os seus derivados são frequentemente consumidos em regiões com baixa renda, a exemplo de sua transformação em fubá. De acordo com informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) cerca de 59,84% dos estabelecimentos que produzem milho consomem a produção na propriedade.

O milho é uma das culturas de grande importância para a agricultura familiar e seu uso se estende da alimentação animal, que utiliza de 60 a 80% do total produzido, à produção agroindustrial

No setor agropecuário, a produção do milho no Brasil só perde para a pecuária no que diz respeito a geração de postos de trabalho, empregando 14,5% pessoas nas lavouras temporárias e 5,5% dos trabalhadores do setor agrícola. Por isso é tão importante buscar soluções para o enfrentamento dos efeitos gerados pela seca, como a que atingiu nos últimos 2 anos os estados do Paraná e do Mato Grosso, maiores regiões produtoras do cereal, causando prejuízos estimados em R$ 71,9 bilhões.

O bioinsumo apresentado pela Embrapa é excelente alternativa sustentável para os produtores rurais desse cultivo, que foi o mais afetado pela forte onda de calor e seca nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, prejudicando a produtividade das lavouras. A agricultura familiar é responsável por 49% do milho produzido no país, e como esta biotecnologia utiliza como modelo os próprios ecossistemas naturais, ela torna-se vetor de diminuição de impactos ambientais.

Com a tecnologia, os agricultores familiares que produzem milho em suas propriedades poderão contar com um aliado para reduzir os efeitos causados pelas estiagens prolongadas, capaz de minimizar os riscos econômicos dos investimentos em sua produção, maximizando o potencial produtivo das lavouras.

Com informações da Embrapa.

APP AGROFAMILIAR: desenvolvido pela Emater-DF, aplicativo permite aos produtores receber documentos no próprio celular

da Redação

Os agrofamiliares que possuem cadastro na Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal, a Emater-DF, não precisam mais ir até um escritório da Emater-DF para receber os documentos de solicitação de Composto Orgânico de Lixo (COL) do Serviço de Limpeza Urbana (SLU) e de compra de milho da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A partir de agora, produtores cadastrados já podem ter acesso aos serviços diretamente no Aplicativo Emater-DF. De acordo com a empresa, a inovação do aplicativo não está na forma de pedir os documentos, que devem continuar sendo solicitados da forma usual pelos produtores, e sim no recebimento destes, que após serem analisados e aprovados pelos técnicos, são disponibilizados ao solicitante pelo App. Com isso, o agricultor, de posse do documento com a sua demanda, seja de compra de milho ou de solicitação de COL, pode ir diretamente à Conab ou SLU, requerer o serviço

O app foi desenvolvido em fevereiro de 2022, e desde então novas facilidades tecnológicas estão sendo agregadas, como exemplo as carteiras do produtor rural emitidas no novo modelo, a Declaração de Atividade Rural, a Declaração de Produção/Ceasa e o documento para a compra de milho da Conab e de solicitação de COL ao SLU.

Para a Emater, o aplicativo irá facilitar a vida dos agricultores, oferecendo mais praticidade e agilidade na aquisição de serviços. Antes da nova funcionalidade ser disponibilizada via app, era necessário que os produtores se dirigissem até o escritório da Emater onde encontravam-se cadastrados, a fim de solicitar a impressão do formulário destinado tanto à compra de milho da Conab, quanto ao COL do SLU, ambos mediados pela empresa.

Os produtores rurais realizam com frequência a solicitação de compra de milho junto à Conab, que oferece o produto com um preço subsidiado, sobretudo para uso na alimentação dos animais, a exemplo de aves, suínos, bovinos de corte e leite, caprinos e ovinos. É por intermédio da Emater que eles conseguem efetuar esta compra, reduzindo seus custos de produção, e aumentando sua competitividade no mercado.

Com o App Emater-DF, agrofamiliares recebem no celular os documentos de compra de milho da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab)

Para a compra do COL, Composto Orgânico de Lixo, a Emater auxilia o agricultor cadastrado no órgão elaborando a orientação técnica dispondo sobre as formas de utilização do composto orgânico de modo a otimizar os resultados na cadeia produtiva. Uma vez que o produtor rural do DF e dos municípios da Região Integrada de Desenvolvimento (RIDE-DF) estejam regularmente cadastrados no sistema da Empresa, é concedida a eles a doação de até 30 toneladas do composto por ano, sendo que caso este demande uma maior quantidade do produto, pode-se estender essa quantidade em até 2 mil toneladas anuais.

Os agrofamiliares que possuem cadastro na Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal, a Emater-DF, não precisam mais ir até um escritório da Emater-DF para receber os documentos de solicitação de Composto Orgânico de Lixo (COL) do Serviço de Limpeza Urbana (SLU)

O aplicativo foi desenvolvido para reduzir a burocracia nos serviços disponibilizados aos produtores rurais do DF e região. A Emater está agregando ao app novas facilidades tecnológicas como as carteiras do produtor rural emitidas no novo modelo, a Declaração de Atividade Rural, e a Declaração de Produção/Ceasa, frequentemente requisitados por instituições para concessão de aposentadorias e benefícios financeiros aos agricultores.

No DF, a Emater possui em seus registros mais de 18 mil produtores rurais cadastrados, chegando a realizar cerca de 150 mil atendimentos anuais, permitindo a estes agricultores contarem, a partir deste mês, com maior comodidade e facilidade no acesso a estes serviços via aplicativo. Cabe lembrar que todos os documentos digitais emitidos pela Emater-DF, desde o mês de junho do ano passado, possuem um QR Code para validá-los na base de dados da empresa, de modo a ter assegurada a sua veracidade e autenticidade.

Com informações do GDF e da Emater-DF.

+PECUÁRIA BRASIL: sistema lavoura-pecuária-floresta (ILPF) aliado ao melhoramento genético impulsionam agropecuária de baixo carbono

da Redação

O Brasil possui tecnologia para desenvolver o setor pecuarista, e ao mesmo tempo reduzir a emissão de metano, um gás causador do efeito estufa. A Embrapa, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária apresentou estudos que avaliaram o desempenho produtivo dos sistemas integrados de produção agropecuária, a exemplo do lavoura-pecuária (ILP), pecuária-floresta (IPF) e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), todos alternativas para os projetos da Confederação, como o ERA, o CONAFER nas Aldeias, o ELAS, o Replantar e o +Pecuária Brasil, este principalmente em relação ao ILPF, pois este sistema pode utilizar diferentes arranjos produtivos agrícolas, pecuários e florestais dentro de uma mesma área, capazes de produzir novas matrizes, para gado de corte e leite, de forma segura, sustentável e com baixo custo. No caso do +Pecuária, o ILPF é maximizado ao combinar seu sistema com o uso da tecnologia de inseminação artificial, fundamental para os produtores rurais obterem altas performances na reprodutividade dos rebanhos

Entre os benefícios de adotar tecnologias que favoreçam o desenvolvimento de uma agricultura de baixa emissão de carbono, pode-se destacar, além da preservação do meio ambiente, conservação do solo e melhor utilização da água, a elevação da renda do produtor e melhoria de toda a cadeia produtiva. Isto é resultado de sistemas bem manejados, que permitem o aumento da matéria orgânica no terreno e a estocagem de carbono em forma de raízes das forrageiras e nas árvores, quando elas fazem parte do sistema, a exemplo do que acontece no ILPF.

A Embrapa destaca a importância de sistemas como a ILP e a ILPF, enquanto ferramentas importantes na exploração e intensificação do uso do solo, com a vantagem de colaborar para a redução da quantidade de carbono emitida, mesmo em pastagens tradicionais, que ao serem bem manejados viabilizam bons resultados neste sentido. Os dados levantados pela pesquisa mostraram que a gestão eficiente de um pasto pode compensar as emissões de gás estufa de até dois animais, enquanto os sistemas com presença de árvores equivalem à redução de cerca de dez animais.

Adotar políticas públicas de financiamento de tecnologias e sistemas de produção nas propriedades rurais promove uma agropecuária mais adaptada às mudanças climáticas, o que ameniza o lançamento de gases de efeito estufa. Apenas durante o período de julho a dezembro de 2020, estas políticas ampliaram a área agrícola do país com tecnologias sustentáveis em mais de 750 mil hectares, o equivalente a cinco vezes a área da cidade de São Paulo.

Os três sistemas estudados demonstraram efeitos positivos entre os componentes do agroecossistema, contemplando a adequação ambiental e a viabilidade econômica das tecnologias, ao tempo em que permite a pastagem, quando manejada corretamente, tornar-se mais produtiva, resultando em maior ganho de peso animal e maior precocidade sexual de novilhas.

O sistema de produção de leite, por exemplo, com o ILPF, promove uma intensificação da ciclagem de nutrientes, aumentando o bem-estar animal, ao dar a eles maior conforto térmico, além de diminuir a ocorrência de doenças e plantas daninhas, e reduzir o uso de agroquímicos no controle de insetos-pragas, doenças e plantas daninhas.

O sistema de produção de leite, por exemplo, com o ILPF, promove uma intensificação da ciclagem de nutrientes, aumentando o bem-estar animal, ao dar a eles maior conforto térmico, além de diminuir a ocorrência de doenças e plantas daninhas, e reduzir o uso de agroquímicos no controle de insetos-pragas, doenças e plantas daninhas.

Diante do desafio de cumprir o compromisso assumido frente à Organização das Nações Unidas (ONU), no qual o Brasil se comprometeu a reduzir suas emissões de gases estufa em 37% até o ano de 2025 e 50% até 2030, em comparação ao ano de 2005, mantendo as medidas necessárias para assegurar a neutralidade climática até o ano de 2050, as tecnologias que envolvem o setor pecuarista são as que trazem maior impulsionamento para o cumprimento dessas metas. No caso da pecuária, o problema de maior impacto sobre o aquecimento global está no desmatamento de florestas para uso da área em lavouras e pastos, seguido pela emissão de metano pelos bovinos durante a digestão dos animais, devido a fermentação gástrica dos alimentos.

Sucesso no segmento agropecuário familiar, +Pecuária Brasil reforça víés de sustentabilidade dos projetos da CONAFER

A Confederação disponibiliza aos seus associados um leque de programas que possuem como base os sistemas de ILPF, priorizando o uso sustentável da biodiversidade e dos recursos hídricos disponíveis nos biomas onde se encontram as propriedades rurais. O objetivo dos projetos é promover um processo interativo de aumento da produtividade em uma mesma área, mas sem esgotar os recursos naturais, como a água, por exemplo.

Projetos como a Estação Empreendedora Rural Agroecológica (ERA), o CONAFER nas Aldeias, o ELAS e o REPLANTAR, atuam com sistemas agroflorestais, viabilizando a diversidade de culturas, a implantação dos módulos de produção, o manejo do pasto para o gado, além da correta condução das SAFs, os Sistemas Agroflorestais. Esta combinação garante aos produtores mais vantagens, com a comercialização de grãos, fibras, madeira, carne, leite e agroenergia produzidos em uma mesma área, além de potencializar os ganhos genéticos dos animais resultantes do +Pecuária Brasil.

Mais do sistema ILPF, Integração-Lavoura-Pecuária-Floresta

As pesquisas apontam para o retorno rápido do investimento feito pelo produtor rural em sistemas ILPF, apesar de demandarem mais mão de obra e trazerem um aumento no custo de manutenção, o investimento é compensado pelo aumento da produtividade, de modo que eles representam uma alternativa para avanços em áreas de pastagem tradicionais já degradadas. Para o incremento dessas áreas com a inserção do componente arbóreo, são levadas em consideração características como: a necessidade da árvore realizar a fixação biológica de nitrogênio; o porte das árvores mais adequado em pastagens; a forma e densidade da copa, a regeneração e tolerância ao fogo; a qualidade do tronco; se a espécie apresenta raízes superficiais sob a copa; o potencial forrageiro e tóxico dos frutos e a velocidade de crescimento.

Entre os produtores rurais do financiamento do programa ABC (Programa ABC é a linha de crédito do Plano ABC, Agricultura de Baixa Emissão de Carbono) destaca-se o pedido para recuperação de pastagens degradadas cuja subvenção, para este fim, apresentou um crescimento de 534% no ano de 2021, chegando a impactar uma área de 13 mil hectares. Em segundo lugar nesta busca está o plantio direto, com avanço de 307,9 mil hectares, e o ILPF e Sistemas Agroflorestais (SAFs), com 47,2 mil hectares. Os produtores também podem acessar as linhas de crédito ABC para adequar suas propriedades ao Código Florestal, recuperando áreas de reserva legal e preservação permanente, conciliando preservação e manejo florestal sustentável.

Certificação de produtos da pecuária sustentável

Estimular políticas de redução da emissão de gás estufa, por meio da certificação e emissão de selos também é importante. Recentemente, a Embrapa apresentou o programa Carne Carbono Neutro (CCN), lançado em 2020, que sugere protocolos a serem adotados pelo produtor para o monitoramento pela certificadora, de modo que a sua simples adoção supra os custos com a certificação, gerando a valorização do produto e o pagamento de um bônus pela carne produzida com esses critérios.

De acordo com o CCN, ser carbono neutro significa reduzir os gases estufa onde for possível e balancear o restante das emissões por meio da compensação, que pode ser feita pela compra de créditos de carbono ou recuperação de florestas em áreas degradadas. O objetivo do programa é atestar, mediante um protocolo parametrizável e auditável, que a produção de carne bovina em sistemas ILPF proporciona a neutralização das emissões de metano, e validar o protocolo de produção de carne com neutralização de gases estufa, incorporando diretrizes para o adequado manejo da pastagem e produção de carne de qualidade a cultura dos produtores.

Mais informações sobre o +Pecuária Brasil: [email protected] – (61) 98194-0084.

Com informações do Mapa, Embrapa e +Pecuária Brasil.

SUPLEMENTAÇÃO PRONAF: anunciada subvenção para pagar dívidas dos Planos Safras; novo crédito aos agrofamiliares terá votação no Congresso

da Redação

O Ministério da Economia (ME) publicou, na última quarta-feira, 20 de abril, por meio de sua Secretaria Especial do Tesouro e Orçamento (SETO), a Portaria Nº 3.464 que reforça as dotações orçamentárias para sanar dívidas contratadas em operações de crédito rural dos Planos Safras de anos anteriores. Para esta suplementação foi destinado um valor aproximado de R$ 1,5 bilhão, sendo que, deste total, a quantia para a subvenção econômica em operações contratadas no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) soma R$ 1,1 milhão. De acordo com as informações prestadas pelo ME, os recursos liberados pela portaria não se relacionam à suspensão das novas contratações referentes ao Plano Safra 2021/2022, prorrogada até o próximo dia 29 de abril. Cabe lembrar que esta paralisação não se aplica às novas contratações de operações de crédito a serem realizadas pelos agricultores familiares pelo Pronaf na modalidade custeio, as quais permanecem abertas

Segundo informações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), os recursos bloqueados somam o montante de R$ 24,7 bilhões e se relacionam às linhas de investimento do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) nas modalidades de custeio e investimentos, para atender aos produtores de médio a grande porte.

Esta foi a segunda interrupção nas subvenções de crédito rural realizada pelo governo neste ano. Durante a primeira suspensão das operações creditícias ocorrida no mês de fevereiro e que impactaram sobre o Pronaf, ainda faltavam ser desembolsados o valor de R$ 27,5 bilhões referentes ao Plano Safra 2021/22 em linhas com taxas equalizadas, o equivalente a 30% de um total de R$ 90,8 bilhões, conforme dados do Mapa.

Após muitas negociações e diante da pressão de sindicatos e entidades de classe ligada aos agricultores familiares, o ME publicou, no mesmo mês de fevereiro em que ocorreu a primeira interrupção, a Portaria Nº 1.666, autorizando a liberação de R$ 791,481 milhões em subvenções econômicas, a fim de que fossem retomadas as novas contratações das linhas de custeio do Pronaf, mantidas até o momento. Esta liberação permitiu a reabertura de financiamentos que somaram um total de R$ 2,8 bilhões.

PLN (Projeto de Lei do Congresso) 1/2022, ainda não possui data para ser votado no Plenário do Congresso, pode garantir aporte de R$ 868,49 milhões para contemplar as ações do Mapa, a exemplo do Pronaf, e de operações relacionadas ao custeio e à comercialização de produtos agropecuários – foto: crédito – Wilson Ribeiro

Embora a Comissão Mista de Orçamento (CMO) tenha aprovado o PLN (Projeto de Lei do Congresso) 1/2022, no dia 29 de março, o projeto ainda não possui data para ser votado no Plenário do Congresso, onde necessita ser aprovado por maioria simples de seus membros. Na CMO, o projeto recebeu um aporte de R$ 868,49 milhões para contemplar as ações do Mapa, a exemplo do Pronaf, e de operações relacionadas ao custeio e à comercialização de produtos agropecuários, aos investimentos rural e agroindustrial, em atendimento aos desembolsos pelo governo para o Plano Safra 2021/2022.

Os agricultores familiares aguardam ansiosos pela votação do PLN 1/2022, a fim de suprir as inseguranças e instabilidades vividas no campo durante os últimos dois anos, ocasionadas tanto pela pandemia de COVID-19, quanto pelas adversidades climáticas pelas quais o Brasil passou, provocando a perda de produção e renda dos pequenos produtores. A liberação deste recurso se faz urgente para fortalecer as políticas públicas tão necessárias à sobrevivência daqueles que plantam e colhem alimentos para abastecer as mesas de milhões de famílias em todo o país.

Com informações do Mapa e Senado.

CAFEICULTORES CONAFER: produtor paranaense, filiado à Confederação, fala de produção, custos e lucro do negócio

da Redação

Os preços do café mantêm tendência de alta impulsionados pela elevação do dólar. As fortes secas e geadas ocorridas nas principais regiões produtoras, durante a Safra 2020/2021, aliadas a estabilização da demanda global pelo produto em patamares cada vez mais altos, fizeram com que o café, segunda bebida mais consumida no Brasil depois da água, entrasse para a lista dos itens de maior inflação do país, no saldo acumulado em 2022. De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial de inflação calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o café moído recebeu um aumento de 62,66% no saldo acumulado dos últimos 12 meses até o mês de março deste ano, prejudicando ainda mais a vida dos consumidores. Os produtores agrofamiliares respondem pelo fornecimento de até 35% do café produzido no país, empregando cerca de 1,8 milhão de pessoas. No Brasil, a cafeicultura ocupa uma área de 2 milhões de hectares, sendo a 44% da área colhida pelos agrofamiliares. Entre os estados que se destacam na produção, estão Minas Gerais, seguida por Espírito Santo, São Paulo, Bahia, Rondônia, Paraná, Rio de Janeiro, Goiás, Mato Grosso, Amazonas e Pará. Em Ibaiti, cidade localizada a aproximadamente 290 km da capital paranaense, o agricultor familiar associado à CONAFER, Erasmo Medeiros, fala das dificuldades enfrentadas na cadeia produtiva do café diante das intempéries climáticas, o impacto da inflação sobre a comercialização deste produto e as perspectivas do mercado do grão mais consumido pelos brasileiros

Com o adubo importado mais caro devido a subida do dólar, e enfrentando adversidades climáticas que provocaram a retração de 0,2% do PIB agropecuário no ano passado, agricultores familiares têm tido dificuldades para manter a produtividade dos cafezais e atender a demanda. A previsão dos economistas era de que a alta de preços do produto seguiria até o último mês de março, porém a guerra na Ucrânia e as instabilidades geradas por ela no preço das commodities, devem assegurar a permanência da inflação no café por alguns meses ainda.

Um cafezal perene pode produzir por cerca de 20 anos, período em que o agricultor poderá enfrentar variações tanto na produtividade, riscos climáticos e a própria evolução do mercado, como a introdução de tecnologias, novas especialidades do produto, e claro, sempre com inseguranças e riscos econômicos para as famílias produtoras.

“a foto, o filiado à CONAFER, Erasmo Medeiros, produtor agrofamiliar de café em Ibaiti, a 290 km de Curitiba”

O cafeicultor filiado à CONAFER, Erasmo Medeiros, da cidade paranaense de Ibaiti, 300 km da capital Curitiba, é produtor experiente e profundo conhecedor da cultura cafeeira. Segundo Erasmo Medeiros, “a média de produção em minha propriedade, aqui no norte pioneiro do Paraná, é de 60 sacas por ano de café tipo Arábica, e este total depende das adversidades climáticas a serem enfrentadas durante o ciclo produtivo”, explica o produtor rural.

No ano de 2021, o Brasil colheu aproximadamente 48 milhões de sacas de café, sendo este valor 24,4% inferior ao da safra obtida no ano de 2020, uma queda que contribuiu para o aumento em mais de 50% nos preços do produto no mercado interno. Manter índices altos de produtividade na cafeicultura, sobretudo para os agricultores familiares, é um desafio constante, que precisam encontrar soluções frequentes relacionadas a diversos fatores, como qualidade do solo, controle de pragas, intempéries climáticas, que impactam significativamente sobre as lavouras.

Os altos preços registrados nas gôndolas de supermercado no café moído são o resultado da disparada nos preços do campo ocasionadas pelas dificuldades pelas quais os cafeicultores têm passado. Para Erasmo Medeiros, “com relação a questão do mercado, a conta está ficando cada vez mais difícil de fechar, pois quando comparamos o preço do fertilizante nas safras anteriores, por exemplo, percebemos que ele não dobrou, e sim triplicou na safra atual. Ou seja, antes ele tinha um custo de R$ 2.000,00, enquanto, hoje, passou a ser de R$ 7.200,00, e o mesmo ocorreu com o herbicida, que antes custava R$ 25,00 o litro e agora vale R$ 95,00 o litro”, completa Erasmo Medeiros.

Nem mesmo a cotação do café, como a de hoje, na qual a saca de 60 quilos atingiu o valor de R$ 1.237,41 é sinônimo de maior lucratividade para os cafeicultores agrofamiliares.” Para se ter uma ideia, até o ano passado, a gente vendia a saca de 60 quilos beneficiada de café Arábica pelo valor de R$ 450. Hoje, mesmo que a gente venda ela a R$ 1.350, nós teremos um retorno financeiro menor em comparação com o ano passado, por causa do aumento dos custos de produção, e tudo isso é repassado ao consumidor final”, explica o associado à CONAFER, Erasmo Medeiros.

Assista aqui ao vídeo

Para a safra de café de 2022, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima um acréscimo em sua produção de 16,8% em comparação com a safra do ano passado, o que representa 55,7 milhões de sacas de 60 quilos, apesar das condições adversas pelas quais a produção deve passar, sobretudo entre os meses de julho e agosto nas principais regiões produtoras do país. A alta dólar mantida aliadas à estiagem e geadas continuarão impactando na escala produtiva dos cafezais, sem dar trégua ao consumidor, que deverá buscar por alternativas, como na substituição por novas marcas com valores que caibam no orçamento doméstico.

Mais informações sobre a produção agrofamiliar de café podem ser obtidas na Secretaria de Agricultura e Empreendedorismo Rural (SAER) da CONAFER, pelo telefone: (61) 3548-4360

HERDEIROS DA TERRA LIVRE: presentes no ATL em Brasília, povo pataxó no litoral baiano simboliza a existência e a cultura originária da terra

da Redação

Grande parte do vocabulário brasileiro, das palavras e expressões da nossa cultura, da rica culinária, dos modos e costumes que praticamos há séculos, foram herdados dos primeiros moradores deste imenso continente: os povos originários sul-americanos. Faz 81 anos que ocorreu o 1º Congresso Indigenista Interamericano, em 19 de abril de 1940, no município de Pátzcuaro, no estado de Michoacán, no México. No Brasil, em 1943, o governo Vargas editou o decreto criando o Dia do Índio, dedicado aos povos indígenas. Existe uma discussão sobre o aspecto pejorativo do substantivo masculino índio, associado ao colonialismo europeu e ao genocídio que ocorreu em toda a América. Por isso, a palavra indígena tem sido utilizada como forma correta para designar os povos autóctones, isto é, nativos, aqueles que aqui viviam antes da sua colonização pelos europeus. Então, indígena é aquele que chegou primeiro, originário, por isso os povos originários. Como os pataxó de Santa Cruz Cabrália e Porto Seguro, agricultores familiares filiados a CONAFER, e que estiveram presentes com mais de 300 representantes da etnia, durante o Acampamento Terra Livre, entre 4 e 14 de abril, na capital federal

No mundo originário, viviam nas Américas algo em torno de 60 milhões de indígenas quando Colombo desembarcou em 1492. Alguns historiadores atestam que este número teria chegado a 100 milhões. 500 anos depois, estima-se que mais da metade destas populações indígenas tenham sido dizimadas por febres, bactérias, vírus, doenças e ações de extermínio de milhares de etnias por parte dos colonizadores.

O Brasil é um dos países onde houve maior diminuição da população indígena. Dos 6 milhões que viviam no território atual do Brasil, antes dos portugueses desembarcarem na tarde de 22 de abril de 1500, quando a esquadra de dez naus, três caravelas e cerca de 1,2 mil homens comandada pelo navegador português Pedro Álvares Cabral atingiu o litoral sul da Bahia, na região da atual cidade de Porto Seguro, 1 milhão de indígenas mais do que resistem, eles existem porque são os nativos da terra, sempre acompanhados pela coragem em manter sua autonomia e sabedoria para enfrentar uma sociedade preconceituosa e injusta que se desenvolveu ao longo de todo este tempo.

Proteger os seus territórios, preservar costumes e tradições, saber dialogar com as instituições do Estado brasileiro, agir para realizar as autodemarcações e buscar o direito à posse dos territórios originalmente ocupados por mais de 3 mil etnias, agora reduzidas a 300, é o desafio das novas gerações.

Em Santa Cruz Cabrália e Porto Seguro, os agricultores familiares originários se filiam à CONAFER

Existem evidências da agricultura indígena existir há 10 mil anos. Hoje, em 2022, produzir em sua própria terra permanece desafiador. Como revela Reinaldo Pataxó, cacique da Aldeia Velha, de Porto Seguro: “estamos juntos todos os guerreiros, caciques, pajés, nosso objetivo aqui em Brasília, no Terra Livre, é lutar pelas demarcações, contra o marco temporal, buscando melhoria para todas as aldeias, todos os parentes, um encontro para lutar pelos nossa existência”. “Na Aldeia Vermelha são 500 famílias, 2,1 mil indígenas plantando feijão, mandioca, cacau, laranja, arroz, diversas roças em nosso território, por isso lutamos pelo direito à nossa terra”.

Da esquerda para a direita, Reinaldo Pataxó, cacique da Aldeia Velha, de Porto Seguro, o vice-cacique Timbira Pataxó da Aldeia Coroa Vermelha, de Santa Cruz Cabrália, Zeca Pataxó, cacique da Aldeia Coroa Vermelha e coordenador do MIBA, Movimento Indígena da Bahia, e Geovane Pataxó, liderança da Aldeia Gurita, TI Comexatibá

Para o vice-cacique Timbira Pataxó da Aldeia Coroa Vermelha, de Santa Cruz Cabrália, local onde os portugueses desembarcaram há 522 anos, onde houve o primeiro encontro e a primeira missa, “a presença dos povos pataxó no Terra Livre foi muito importante para a garantia dos direitos consagrados pela Constituição, a nossa presença é importante, porque somos os donos desta terra. E o apoio da CONAFER é muito bem-vindo, somos 1,2 mil famílias, 5 mil indígenas, nosso povo precisa desta parceria para melhorar nossa produção e na luta contra as ameaças ao nosso território”.

O editor de jornalismo da CONAFER, Wilson Ribeiro, entrevistou as lideranças pataxó durante o Terra Livre

Zeca Pataxó, cacique da Aldeia Coroa Vermelha e coordenador do MIBA, Movimento Indígena da Bahia, estamos aqui com mais de 5 mil indígenas de todo o país, com mais de 300 indígenas da nossa etnia vindos do sul da Bahia, o que é uma satisfação muito grande. Tudo em busca de melhorias, de saúde e educação melhores, estamos reunidos para levar à nossa aldeia uma boa resposta. Em relação ao movimento indígena, nós cuidamos do Norte, Sul, Leste e Oeste do estado da Bahia. Conhecemos a sede da CONAFER, os seus projetos, e nós não podemos ficar de fora. Nosso povo vive da agricultura familiar, trabalho da pesca, do artesanato, das culturas da mandioca e farinha de cuba, do abacaxi, melancia, e também da pecuária, de corte e leite, temos buscado autonomia para trabalhar pela melhoria de todos”.

Ãdxuara Pataxó, artesã na Aldeia Gurita, de Porto Seguro, falou da luta pela demarcação da sua terra

Ãdxuara Pataxó, artesã na Aldeia Gurita, de Porto Seguro, falou da sua participação no Terra Livre: “estou em Brasília pela luta dos direitos e demarcação da nossa terra. Eu faço parte de um grupo de cultura, o nosso artesanato é apresentado nas praias e diversos lugares, e também trabalho com a medicina do nosso povo”.

Outra liderança da comunidade presente no Terra Livre foi Geovane Pataxó, também da Aldeia Gurita, TI Comexatibá. Na suas palavras, “a sua luta é para não tirar nenhum centímetro de terra, porque quem invadiu foram os europeus, e portanto, os povos indígenas vão seguir em sua luta porque somos os verdadeiros donos de nossa terra. Sobre a agricultura familiar, plantamos abacaxi, milho, feijão, aipim, e agora com o relacionamento saudável com a CONAFER, ela chegou para somar com os nossos parentes, teremos bons frutos para nós e para a CONAFER”.

É só ver o que mais se produz no Brasil, e teremos a prova da influência da cultura agrícola indígena: a mandioca, o feijão, o milho, o peixe, as frutas, a caça, o extrativismo, o agroflorestamento, a produção de sementes, a medicina, tudo produzido de forma agroecológica, com rotatividade de terrenos, totalmente sustentável, como é definida a produção agrofamiliar em qualquer parte do mundo.

A CONAFER e o seu compromisso com os agricultores indígenas

A Confederação se dedica diariamente às questões e tradições indígenas, amparados na Lei 11.326 de 2006, que inclui os povos originários como agricultores familiares, portanto, fazendo parte do segmento mais importante do campo, pois integram a força econômica que alimenta mais de 70% das famílias brasileiras todos os dias e garante a nossa segurança alimentar.

Os projetos da Confederação são levados até os territórios, fomentam o desenvolvimento socioeconômico nas aldeias por meio de capacitação técnica para aumento da produção agrícola, estímulo ao empreendedorismo rural, e ao mesmo tempo, com parcerias e ações de resgate das culturas ancestrais, atuando estrategicamente dentro das comunidades, mantendo uma política de fortalecimento das etnias, formando uma rede forte e autônoma dos povos originários.

Assim, a CONAFER atende as demandas das comunidades indígenas, desde o cultivo de diversas culturas até o resgate das expressões linguísticas e formas de arte, na releitura de suas histórias e ancestralidades, promovendo a riqueza da sua culinária sustentável, a medicina curadora da floresta e uma agricultura totalmente sustentável.

Esta é a melhor homenagem aos povos originários: atuar pelo direito das futuras gerações crescerem com total independência, colhendo um tempo de paz e harmonia em seus territórios sagrados.

CULTIVARES CONAFER: a força da batata, a cultura tradicional da agricultura familiar que alimenta bilhões de pessoas no mundo

da Redação

O tubérculo mais usado na cozinha, nasceu na América do Sul e conquistou o mundo. Rica em cálcio, magnésio, ferro e fósforo, mais do que alimentar e fortalecer os ossos, ou equilibrar a pressão arterial e combater a hipertensão, a batata é responsável por uma extensa cadeia produtiva, que vai desde as gôndolas dos supermercados até as cozinhas dos melhores restaurantes do mundo. Mas é na mesa das famílias que ela se torna indispensável, sendo preparada de todas as formas e receitas. Ela é a terceira cultura alimentar mais importante do planeta, e tem uma produção mundial anual estimada em mais de 330 milhões de toneladas para uma área de 18 milhões de hectares. No Brasil, a sua produção atinge anualmente a marca de aproximadamente 3,4 milhões de toneladas, sendo 100 mil hectares como commodity e 30 mil hectares como produto da agricultura familiar. São 30 grandes regiões rurais produtoras em 7 estados brasileiros: Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás e Bahia. Segundo a Embrapa, grande parte da produção nacional é comercializada in natura, sendo apenas 10% do total produzido destinados ao processamento industrial, nas formas pré-frita, congelada, chips e batata palha. Na agricultura familiar, a história de crescimento desta planta e o desenvolvimento de sistemas sustentáveis na sua produção, permitiram o surgimento de um imenso mercado consumidor, transformando esta hortaliça em item essencial à segurança alimentar do mundo

No mundo inteiro existem cerca de 2 mil espécies de batata. O seu cultivo no Brasil antecede à colonização portuguesa, tendo se iniciado, de acordo com historiadores, há 8 mil anos pelos povos originários que habitavam a região da Cordilheira dos Andes, entre a Bolívia e o Peru. A partir de então, esta hortaliça passou a fazer parte da segurança alimentar do Império Inca, o maior da América pré-colombiana, conquistando outros povos da América, incluindo-se os exploradores europeus que desembarcaram por essas regiões em busca de ouro e demais metais preciosos.

Ao longo de milhares de anos, o cultivo da batata se disseminou pelo planeta. Mas é na sua riqueza como alimento regional, que ela ganha mais força na culinária. No Brasil, a hortaliça é produzida pelos agricultores familiares de Norte a Sul, principalmente nos 3 estados sulistas, que aprimoraram o seu cultivo, desenvolvendo métodos próprios de plantio, irrigação e aterramento, aumentando sua produtividade e consolidando este produto como sendo de grande importância socioeconômica para o segmento agrofamiliar.

Sua produção está dividida entre os tubérculos que se destinam ao consumo de mesa e aqueles que podem ser processados e beneficiados pelas agroindústrias. Para as cultivares que chegam às mesas, são exigidas características que atestam a sua qualidade, como a aparência final da hortaliça, película lisa e brilhante, formato alongado, polpa de cor creme ou amarela e resistência ao esverdeamento. Já as batatas a serem transformadas pela indústria, requerem um formato mais adequado aos cortes mais precisos a que servem seu uso final, como as chips ou palito, que devem possuir gemas superficiais e teores adequados de matéria seca.

De acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), realizada no ano de 2021 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cada brasileiro consome em média 4kg de batata por ano, colocando o consumo desta hortaliça à frente de cultivares tradicionais como o inhame, a batata-doce, o cará e a mandioca. Com isso, seu cultivo vive um momento de revitalização em todas as regiões do país, unindo esforços de organizações e entidades de agricultores, instituições de assessorias técnicas e órgãos públicos para a promoção de atividades que assegurem sua produtividade e mantenham sua alta rentabilidade, preservando características históricas de seu cultivo, como o baixo uso de agroquímicos, a não agressão ao meio ambiente e sua propriedade de se adaptar à realidade da agricultura familiar de cada local.

O alto valor nutricional da batata e sua relativa facilidade de cultivo, salvou a vida de milhões de europeus durante a segunda guerra mundial. Outro aspecto curioso deste alimento, é que no passado os cobradores de impostos eram ludibriados pela sua característica de se desenvolver debaixo do solo, o que ajudou para o seu cultivo se espalhar pelo mundo para ganhar outros usos além da culinária. A fécula dessa hortaliça, por exemplo, é usada pela indústria farmacêutica para completar comprimidos, e pela indústria têxtil para a elaboração de uma cola bastante usada em tecidos, enquanto as suas cascas quando fermentadas permitem a produção de etanol, que pode servir de base na composição de bebidas alcoólicas.

A fécula da batata é bastante utilizada pela indústria farmacêutica na elaboração de medicamentos, como por exemplo, para completar a produção das cápsulas de comprimidos

A batata contém quase todas as vitaminas e nutrientes importantes, à exceção das vitaminas A e D, o que a torna um alimento rico em propriedades vitamínicas para a saúde humana, com possibilidade para oferecer até dois gramas de proteína a cada 100g consumida em uma dieta saudável. Por décadas, foram suas características nutricionais que, segundo historiadores, fizeram com que os sábios iluministas incentivassem o consumo e a disseminação do seu plantio, convencendo uma população culturalmente resistente e conservadora em seus hábitos alimentares a adotarem este item.

As variedades de batata mais cultivadas no Brasil têm, em sua grande maioria, origem europeia, tornando o aumento da sua produtividade um desafio para os agricultores, que recorrem a entidades, a exemplo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), para realizar o melhoramento genético dessas cultivares, adaptando-as a fatores como um fotoperíodo mais longo e um período vegetativo menor. Este melhoramento é fundamental para as variedades destinadas a servirem de matéria-prima para as agroindústrias, principalmente quando processadas sob a forma de palitos pré-fritos congelados, cujos padrões mínimos exigidos pelo segmento industrial requer produtividade acima de 40 toneladas por hectare e conteúdo de matéria seca superior a 19%.

Para implementar o cultivo dessa hortaliça, é necessário que a sua semente tenha boa procedência, de modo a garantir sanidade, bom estado fisiológico e brotação adequada da batata. No Brasil, durante as décadas de 70 e 80, o governo incentivou seu plantio por meio de financiamento em bancos, atrelando sua produção pelos agricultores à aquisição de um pacote, que incluía a compra de sementes melhoradas, fertilizantes químicos e veneno, além da imposição da monocultura como regime de produção, fazendo com que ela deixasse de ser rentável às famílias produtoras, que a utilizavam sobretudo para sua subsistência.

Produção agrofamiliar da batata

A crescente demanda das famílias e seu uso diversificado na indústria, ampliou a sua produção no país, o que garantiu plenas condições de desenvolvimento desse cultivar. Segundo informações levantadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) para a Alimentação e Agricultura (FAO), a produtividade brasileira de batatas aumentou 28,1% nos últimos dez anos, principalmente devido à melhoria nas técnicas de cultivo empregadas pelos produtores, associada à introdução de cultivares mais produtivas. O sucesso da hortaliça é tamanho que a FAO admitiu o tubérculo enquanto uma solução possível para o enfrentamento da má nutrição e a pobreza, destacando sua importância nesse sentido ao decretar o ano de 2008 como sendo o Ano Internacional da Batata.

Apesar da escassez de chuvas nos principais estados produtores, reduzindo a produtividade das safras em 2021, a perspectiva é de que em 2022, de acordo com dados divulgados pela HF Brasil, a área total cultivada de batata seja aumentada em 2,4% no país, devido a alta demanda da indústria de pré-fritas e às condições mais favoráveis da safra de águas 2021/22, o que trará mais renda aos agricultores familiares brasileiros.

AGROINDÚSTRIAS CONAFER: agregar valor aos produtos agrofamiliares é fundamental para crescer e empreender na cadeia produtiva

da Redação

Uma unidade produtiva que acrescenta um novo valor aos itens originados na produção agrícola, desde o processamento até sua industrialização, criando produtos originais e comercializáveis. Assim podemos definir a agroindústria. Uma atividade de grande importância para a economia do país. Por meio dela, é possível transformar matérias-primas, a exemplo das frutas, leite e carnes, em polpas, queijos e embutidos, aumentando a vida útil desses produtos e diversificando a produção de alimentos. A infraestrutura da agroindústria familiar está diretamente relacionada à capacidade e à disponibilidade da força de trabalho, capacitação técnica e empreendedorismo das famílias para desempenhar atividades específicas de beneficiamento e processamento dos produtos agrofamiliares. Na CONAFER, é cada vez maior o número de associados que se organizam em forma de cooperativas e associações para desenvolverem a agroindústria familiar e promover a comercialização de seus produtos. Um exemplo é a Cooperativa de Produção e Comercialização Agroindustrial Terra Boa (COOTERRA), com sede no assentamento Zumbi dos Palmares, município paraibano de Mari, a 50 km da capital João Pessoa, e que criou, em setembro do ano passado, uma agroindústria voltada para o beneficiamento e comercialização da mandioca, aumentando os lucros e melhorando a vida de 130 famílias de agricultores familiares. Outra filiada à CONAFER, a Associação de Mulheres Camponesas Filhas da Terra (Filhasdaterra), com sede em Parauapebas, a 720 km da capital paraense, fez da agroindústria a principal fonte de renda de 65 famílias, chefiadas pelas mulheres associadas

O processamento de produtos agropecuários é uma atividade que requer mais recursos da agricultura familiar, e podem ser feitos durante todo o ano pelos agricultores familiares em suas propriedades rurais, a exemplo da fabricação de queijos artesanais, enquanto outros ficam condicionados à disponibilidade da matéria-prima, como os doces, geleias e farinhas, que dependem das safras das frutas e leguminosas utilizadas em sua elaboração. Além de proporcionar mais postos de trabalho e renda para o meio rural, a agroindústria evita o descarte dos excessos agropecuários produzidos e mantém a tradição da cultura agrofamiliar de desenvolver alimentos livres de aditivos químicos de forma agroecológica.

Na foto, a sede da Associação Filhasdaterra, onde agricultoras processam os produtos agrofamiliares transformando em pães, bolos, doces e licores

Para implantar uma agroindústria, é necessário que o produtor agrofamiliar cumpra com todas as exigências necessárias à obtenção das licenças sanitárias, fiscais e previdenciárias, a fim de que seja garantida a procedência e a qualidade dos alimentos que chegam à mesa do consumidor.

No entanto, a criação de agroindústrias familiares no Brasil ainda enfrenta muitas dificuldades para sua implementação, como a falta de orientação e assistência técnica na administração profissional, gestão financeira e marketing, por exemplo, de modo que informações da Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontam para o fato de 70% das empresas rurais de porte menor não chegarem à segunda geração das famílias, e menos de 10% dos negócios familiares alcançarem à terceira geração.

Na foto, agricultoras filiadas à Associação de Mulheres Camponesas Filhas da Terra, em Parauapebas, no estado do Pará, apresentam seus produtos confeccionados artesanalmente na agroindústria da associação

Outros obstáculos como a burocracia excessiva para acesso ao crédito e para a obtenção de registros junto aos órgãos reguladores, as dificuldades de produzir em pequena escala, e a ausência de condições estruturais para contratação de assistência e consultoria técnica, também impedem o pleno desenvolvimento desse nicho, causando a morte prematura de negócios rurais empreendedores. Apesar desses desafios, agricultores familiares de todo o país vêm se organizando sob a forma de associações e cooperativas para criação de agroindústrias em suas pequenas propriedades, trazendo mais valorização aos seus produtos e ganhos econômicos para suas comunidades.

De acordo com informações da Empresa Brasileira de Pesquisa e Agropecuária (Embrapa), a agroindústria tem participação de 5,9% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, por meio do beneficiamento, transformação dos produtos e no processamento de matérias-primas provenientes da agropecuária, promovendo dessa forma maior integração do meio rural com a economia de mercado. Com isso, é importante estimular a sua criação e assegurar a sustentabilidade e a permanência dessa atividade tão importante para o país, com potencial para impulsionar o desenvolvimento socioeconômico das comunidades de forma sustentável e reduzir as desigualdades regionais.

Agroindústrias da CONAFER

A instalação de uma agroindústria requer um planejamento preciso sobre quais produtos serão fabricados, a quantidade e o mercado para o qual se destinam. Um exemplo de como este negócio pode proporcionar bons resultados para os agricultores familiares é a mandioca produzida pela associada à CONAFER COOTERRA, que conta com uma produção anual de 4,2 mil toneladas de mandioca, comercializada em pacotes congelados e embalados a vácuo, e que tem a qualidade da tradição agrofamiliar em todas as etapas do processo produtivo, desde a lavoura, cuidando para que o solo não seja prejudicado durante o seu plantio impactando no seu rendimento, até o processamento em toletes cortados de forma manual pelos cooperados.

O cultivo da macaxeira vendida pela cooperativa e produzida no assentamento é viabilizado pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), operado pelo Banco do Nordeste, e grande parte da produção desenvolvida pelos cooperados é destinada ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A CONAFER, por meio de suas secretarias, tem apoiado seus associados e incentivado a criação de agroindústrias destinadas ao beneficiamento e processamentos de suas produções, auxiliando com assessoramento técnico e orientações para obtenção das licenças necessárias ao seu funcionamento.

Outra filiada à CONAFER, a Associação de Mulheres Camponesas Filhas da Terra (Filhasdaterra), com sede em Parauapebas, a 720 km da capital paraense, fez da agroindústria a principal fonte de renda de 65 famílias, chefiadas pelas mulheres associadas. Dentro da área de proteção ambiental em que se encontra instalada a associação, elas produzem alimentos da agricultura familiar utilizando o Sistema Agroflorestal (SAF), realizando o seu processamento para transformá-los em doces, bolos, geleias, sorvetes, pão, licores e banana chips.

Na foto, a presidente da Associação de Mulheres Camponesas Filhas da Terra, Nubia Gurgueia, durante realização de curso para fabricação de licores artesanais

Desde que iniciaram suas atividades no ano de 2016, e por estarem situadas em uma área de proteção ambiental, os agricultores familiares de Parauapebas utilizam da agroecologia para produzir de forma artesanal, 100% sustentável e orgânico. “Passamos por muitas dificuldades e ainda temos alguns desafios a serem superados, como a falta de transporte para escoar nossa produção, mas conseguimos avançar e trazer mais renda para nossas associadas”, relatou a presidente de Filhasdaterra, Nubia Gurgueia.

Mais informações sobre agroindústria familiar podem ser obtidas na Secretaria de Agricultura e Empreendedorismo Rural (SAER) da CONAFER pelo telefone e WhatsApp: (61)3548-4360.