Mulheres agricultoras têm mais de 80% de participação no PAA

Estudo aponta aumento da participação de mulheres na agricultura familiar; documento elaborado pela Companhia Nacional de Abastecimento tem como base os dados do Programa de Aquisição de Alimentos

Foto: Mundo Coop

Estudo da Conab mostra que o aumento da presença feminina na agricultura familiar brasileira é muito maior do que se imagina. Só no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), a participação das mulheres chegou a 80% em 2019, contra 20% de participação masculina.

O levantamento indica que a região com maior presença feminina é a Sudeste (88%), seguida pelo Nordeste (84%), Centro-Oeste (80%), Norte (67%) e Sul (65%). A participação da mulher é maciça em todos os setores da agricultura familiar, com maior número entre os agricultores com participação no PAA, sendo nas propriedades rurais (2.169), seguida dos assentamentos da reforma agrária (1.538), comunidades quilombolas (475), áreas de agroextrativismo (264), áreas de pesca artesanal (133), comunidades indígenas (113) e comunidades atingidas por barragens (9).

Todos esses dados fazem parte da publicação Agricultura Familiar: Programa de Aquisição de Alimentos – PAA: Resultados das Ações da Conab em 2019.

De acordo com a Conab, os números indicam o fortalecimento da capacidade produtiva e a tendência de uma presença maior das agricultoras nas cooperativas e associações que participam do programa.

Foto: ZUG

Vale ressaltar que o incentivo à maior inclusão feminina no PAA nas políticas públicas voltadas ao pequeno agricultor se intensificou a partir de 2011. À época, foi instituída como critério de priorização na seleção e execução do programa a participação mínima de 40% de mulheres como beneficiárias fornecedoras na modalidade de Compra com Doação Simultânea (CDS) e de 30% na modalidade de Formação de Estoque (CPR-Estoque).

Segundo o censo agropecuário 2017, as mulheres estão presentes em todos os portes de estabelecimentos, desde aqueles com menos de 1 hectare até propriedades de 10 mil hectares. Mas um aspecto importante deve ser ressaltado: os estabelecimentos com faixa de área menor que 1 hectare apresentam uma proporção de gênero mais equilibrada que nas grandes fazendas.

Na maior parte das propriedades rurais que se encaixam no módulo da agricultura familiar, a presença das mulheres é muito marcante. Um dos motivos é que a mão de obra familiar é alicerçada no trabalho do homem e da mulher. Isso mantém os dois na propriedade, de forma que a mulher se torna essencial não só ao trabalho diário, mas no estímulo à manutenção dos vínculos rurais da família.

Agricultoras fazem ato para pedir reforma agrária e cobrar ações do Incra, no Recife

FONTE: G1

Manifestação, parte da programação ligada ao Dia Internacional da Mulher, aconteceu na Zona Norte, na segunda-feira (9).

Um grupo de agricultoras realizou um protesto em frente à sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), na Zona Norte do Recife, na manhã desta segunda-feira (9). Além de defender a reforma agrária e cobrar do órgão ações de assistência, o ato relembrou o Dia Internacional da Mulher, celebrado no domingo (8) (veja vídeo acima).
As mulheres eram de diferentes comunidades rurais e assentamentos da Zona da Mata, Agreste e Sertão do estado, segundo os organizadores. A agricultora Marilene Ferreira, de 53 anos, afirmou que o grupo reivindicou reforma agrária e buscou denunciar a situação das camponesas e a falta de assistência que o Incra deveria prestar a essas mulheres.
“O Incra não funciona. Deixa a desejar em questões de habitação, água, área de assentamento, não tem acompanhamento”, disse Marilene Ferreira, que é Tracunhaém, na Zona da Mata.

Agricultoras fizeram ato para pedir reforça agrária e ações do Incra em Pernambuco — Foto: Reprodução/TV Globo
Agricultoras fizeram ato para pedir reforça agrária e ações do Incra em Pernambuco 

O protesto interditou parte da Avenida Rosa e Silva, em frente à sede do Incra, das 11h30 às 12h. A Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) ficou responsável por organizar o trânsito.
O grupo, acompanhado por integrantes da Comissão Pastoral da Terra (CPT), levou faixas com os dizeres “Se o campo não planta, a cidade não janta” e “Reforma Agrária: direito dos povos, obrigação do Estado”.
Por telefone, a comunicação do Incra em Pernambuco informou que o superintendente estava em agenda externa nesta segunda-feira (9) e, por isso, não recebeu as integrantes do protesto. Como elas não teriam entregue a pauta na sede, o Incra informou que não sabia quais eram as reivindicações.