A CONAFER lembra que cuidar da água é cuidar da vida

22 de Março. Dia Mundial da Água

Instituído em 1992 pela ONU, o Dia Mundial da Água é lembrado sempre para uma reflexão e conscientização sobre o valor do elemento mais rico da natureza, e de vital importância para a sobrevivência de todos os ecossistemas da Terra

Somos 67% água. O planeta é 67% água. Há uma incrível coincidência? Não, este arranjo da natureza é uma condição para a existência da vida humana e de todo o planeta. A água é o recurso biológico que dá vida a tudo que respira, voa, anda, nasce, cresce e se desenvolve em nosso mundo. O mundo vegetal e o mundo animal dependem desta riqueza insubstituível. Por isso, esta data não pode passar em branco. Mas, principalmente, precisa ser lembrada todos os dias.
Hoje, infelizmente de cada 100 pessoas do planeta, 26 não têm acesso à água potável de forma regular. Se nada for feito agora, até 2050 serão 5 bilhões de pessoas sem acesso à água de qualidade para uma população global de 10 bilhões. Estes dados fazem parte do relatório da Organização das Nações Unidas de 2018.

A cidade de Pirapora do Bom Jesus, no interior de SP, sofre com a espuma produzida pelos poluentes que se acumulam no rio | Foto: Rafael Pacheco/Prefeitura de Pirapora do Bom Jesus

Esta escassez vem se agravando desde os anos 80, principalmente com as grandes irrigações das imensas lavouras, a velocidade da industrialização e as perdas dos sistemas de abastecimento das grandes cidades, ou por falta de sistemas de esgotos nas periferias, ou por ausência de uma consciência coletiva sobre o uso da água.

Rio Tietê visto da Ponte das Bandeiras | Foto: William Lucas/SOS Mata Atlântica


Neste mesmo dia, há quase 3 décadas, a ONU lançou a Declaração Universal dos Direitos da Água, que destacam entre as principais normas:

Art. 1º – A água faz parte do patrimônio do planeta.

Art. 2º – A água é a seiva do nosso planeta. Ela é a condição essencial de vida de todo ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura.

Art. 3º – Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados.

Art. 4º – O equilíbrio e o futuro do nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos.

Art. 5º – A água não é somente uma herança dos nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores.

Art. 6º – A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.

Art. 7º – A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada.

Art. 8º – A utilização da água implica respeito à lei.

Art. 9º – A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.

Art. 10º – O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.

Da água que ocupa aproximadamente 70% da superfície do planeta, estima-se que 97,5% seja salgada e não adequada para consumo, nem mesmo para a irrigação de plantações. Dos 2,5% de água doce, a maior parte, 69%, estão nas geleiras, 30% são águas subterrâneas e 1% encontra-se nos rios.

Além disso, a água doce disponível é distribuída de forma desigual pelo mundo e 60% está disponível em apenas 10 países: Brasil, Canadá, China, Colômbia, Congo, EUA, Índia, Indonésia, Peru e Rússia. O Brasil, por exemplo, é um país privilegiado por dispor de mais água doce do que qualquer outro país no mundo, abrigando a maior bacia hidrográfica do planeta, a Bacia do Rio Amazonas. Por isso, devemos ter um compromisso ainda maior com esse bem tão precioso, evitar desperdícios e trabalhar para que todas as pessoas tenham acesso.

A CONAFER destaca o papel fundamental da agricultura familiar no uso sustentável da água para a produção de alimentos, garantindo a segurança alimentar do país e, sobretudo, o uso responsável do recurso. Agindo assim, colabora para a preservação do ambiente natural.

“O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam.”

Foto: Bernardo Dantas

Artigo 4 da “Declaração Universal dos Direitos da Água”

A importância da água para hidratar-se

Em certos períodos do ano, é comum que a temperatura suba no Brasil. Em consequência, transpirar passa a ser um fenômeno natural e torna-se parte da rotina do corpo. Quando o organismo passa a liberar calor e eliminar substâncias, uma medida passa a ser essencial: tomar água. A ordem é universal entre os especialistas da saúde, “hidrate-se”. Mais do que nunca, é importante entender os benefícios da prática e rapidamente, inseri-la no seu dia a dia.

VOCÊ SABIA que a água está presente em 70% do organismo e é a substância que no transporte de nutrientes e oxigênio para as células. Além disso, também tem poder diurético (auxilia o funcionamento do rim), regula a temperatura corporal e pode desintoxicar o corpo. Tudo isso é capaz de contribuir para a perda de peso e gera uma sensação de bem-estar. Portanto, não sofra mais com indisposição, mantenha o corpo saudável e hidrate-se. Veja alguns conselhos abaixo e não deixe de tomar água.

  • 1 copo de água após acordar ajuda a ativar os órgãos internos e cura 95% dos casos de gastrite
  • 1 copo de água 30 minutos antes da refeição ajuda na digestão
  • 1 copo de água antes do banho ajuda a abaixar a pressão sanguínea

O ideal é ingerir cerca de 2,5 litros de água diariamente, os nutricionistas indicam beber um copo a cada uma hora. Você pode ingerir a água pura e também buscá-la em alimentos, como frutas e verduras, por exemplo:

  • Laranja, melão, melancia, alface, brócolis, pepino, abacaxi, tomate, abobrinha, dentre outros alimentos.
    A água contribui para todo o nosso corpo! Seja nas células, no cérebro, no coração, na digestão, nos rins, intestino, músculos e articulações e também melhora o funcionamento do sistema imunológico.
    A ingestão adequada de água pode diminuir o risco de contrair várias doenças, ela é nossa aliada!

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: Vida na água

FONTE: ONU
Os oceanos do planeta – suas temperaturas e vidas marinhas – são responsáveis para garantir que a Terra seja um local habitável. Como gerenciamos esses recursos é vital para a humanidade como um todo, para contrabalancear a mudança global do clima.
Oceanos absorvem mais de 30 por cento do dióxido de carbono produzido por humanos e, atualmente, vemos um aumento de 26 por cento na acidificação dos oceanos, desde o começo da revolução industrial. A poluição marinha está alcançando níveis alarmantes, com aproximadamente 13 mil unidades de lixo plástico encontradas em cada quilômetro quadrado do oceano.
Os ODS garantem o gerenciamento sustentável e a proteção dos ecossistemas marinhos e costeiros, assim como combater os impactos da acidificação dos oceanos. Intensificar a conservação e o uso dos recursos marítimos por meio de leis internacionais também irá colaborar com a mitigação dos desafios para termos oceanos limpos e sustentáveis.

Arsênio é detectado em água da comunidade de Degredo, em Linhares

FONTE: Século Diário
Poços foram contaminados em 2015. Fundação Renova fornece apenas 5 litros de água por pessoa por dia
 
Água com arsênio para tomar banho, lavar roupa, alimentar os animais de criação e estimação, aguar as plantas. Essa é a realidade dos moradores da comunidade quilombola de Degredo, em Linhares, norte do Estado, desde que a lama tóxica de rejeitos de mineração da Samarco/Vale-BHP atingiu o rio Ipiranga.
Um estudo contratado pela Fundação Renova encontrou arsênio em 34 poços da comunidade. Em 16 deles, é impossível retirar o metal pesado e, em 18, o custo do tratamento da água inviabiliza o processo.
O resultado foi divulgado há alguns dias, quando as vigilâncias sanitárias municipal e estadual notificaram as famílias proprietárias dos poços contaminados, para que elas não façam mais uso.
“A gente tomou um choque. Pensamos: será que vamos ter que sair daqui? Demorou tanto tempo pra conseguirmos o que é nosso!”, suplica o estudante de Arquitetura Jadilson Lino de Olveira Gomes, referindo-se ao reconhecimento do Degredo como comunidade quilombola, que só aconteceu em 2016.
A interdição dos poços, no entanto, que seria o correto, ainda não aconteceu porque os moradores afetados não possuem outra fonte de água, já que nem a Prefeitura de Linhares nem a Fundação Renova estão levando água potável para a comunidade. “A Vigilância Sanitária diz que a gente não pode usar a água, mas como não tem outra solução, continuamos fazendo uso dela”, conta Jadilson.
De fato, apenas em agosto de 2018 que a Fundação Renova passou a fornecer cinco litros de água por pessoa por dia. O pedido feito pela Comitê Interfederativo foi de quinze litros, mas ela não cumpriu. A alegação é que só é necessário fornecer água para beber e cozinhar.
“O certo seria o caminhão-pipa abastecer as caixas d’água”, contesta Mônica Silva, moradora que, felizmente, não teve seu poço contaminado.
O sentimento, diz, é de tristeza e de revolta. “Tristeza porque estou vendo os rios e as nascentes mortas, porque mesmo ainda saindo água das nascentes, é uma água morta. E revolta porque eles dizem que não há nexo causal [a Fundação Renova diz que não há provas de que o arsênio encontrado na água de Degredo tenha origem na lama de rejeitos]. E o meu desconforto e a minha saúde como ficam?”, protesta Jadilson, lembrando que não pode mais exercer a primeira profissão, de pescador, devido à contaminação do rio e do mar.
O laboratório contratado pela Renova analisou 80% dos 178 poços do Degredo, a pedido da comunidade, que há muito vinha sentindo mudanças na qualidade da água.
“A água está com cheiro diferente e mais amarelada. E provoca coceira na pele depois de tomar banho ou lavar o rosto. Estou com manchas avermelhadas no rosto”, relata o estudante, lembrando que há muitos moradores com dermatites diversas, que atribuem à contaminação da água pela lama de rejeitos.
Mônica observa que a maioria dos poços mais contaminados estão localizados próximos do Rio Ipiranga, que corta a comunidade, e foi atingido pela lama tóxica através de sua foz. Na época de seca, o mar invadiu a foz, levando os rejeitos da Samarco/Vale-BHP pra dentro do Ipiranga e dos poços dos moradores.
“A insegurança hídrica das pessoas é muito grande. Já apareceram coceiras, dermatites, há muito tempo. E agora, com esse resultado sobre arsênio, o dano psicológico é enorme. Muitas pessoas em desespero, gente querendo ir embora, depois de tanta luta”, lamenta.

Projeto propõe isenção de cobrança pela água para a agricultura familiar

FONTE: Século Diário
Atendendo ao pleito da Agricultura Familiar capixaba, o deputado estadual Adilson Espindula (PTB) apresentou o Projeto de Lei 172/2019, que garante isenção da taxa de cobrança pelo uso da água aos empreendimentos rurais com mão de obra familiar e tamanho de até quatro módulos fiscais.
Para isso, a proposta é alterar o artigo 34 da Lei 10.179/ 2014, que institui a Política Estadual de Recursos Hídricos e o sistema Integrado de Gerenciamento de Recursos Hídricos no Espírito Santo, acrescentando um terceiro parágrafo no texto em vigor.
A reivindicação é feita pela categoria há quase dois anos, envolvendo agricultores familiares de diversos municípios em abaixo-assinados e manifestações junto ao Executivo e Legislativo. A principal alegação é de que a Agricultura Familiar é produtora de água, pois a maioria dos agricultores protege nascentes, áreas de recarga e matas ciliares, e o processo de regularização ambiental está atingindo cada vez mais famílias.
A cobrança pelo uso da água deveria ser aplicada somente aos grandes consumidores, como os produtores rurais de médio e grande porte, as grandes indústrias e a Companhia Espirito-Santense de Saneamento (Cesan), defendem os agricultores familiares.
“A gente entende que tem que haver, sim, um controle do uso da água, mas entende também que os agricultores têm reservas legais em suas propriedades, usam água para abastecer o Espírito Santo e o Brasil com alimentos”, argumentou, há um ano, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STRSMJ) e secretário municipal de Agropecuária de Santa Maria, Egnaldo Andreatta.“O ciclo da água usada pelo agricultor é renovável: parte evapora e vira chuva, parte alimenta o lençol freático, e parte é consumida pela população através dos alimentos”, explicou.
A entidade é uma das que têm pleiteado a isenção junto ao Governo do Estado. Em junho de 2018, o movimento conseguiu uma importante vitória, que foi a retirada, dentro do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (Projeto de Lei nº 129/2018) de 2019, de uma proposta que previa a cobrança a todos os agricultores.
Encabeçando a mobilização, a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Espírito Santo (Fetaes) calcula que 350 mil agricultores seriam atingidos pela cobrança. “Isso é uma luta diária, de todos os sindicatos, cooperativas, associações, movimento sociais. É uma luta que a Federação lidera e que agrega o Estado todo”, declarou, na época, o presidente da Fetaes, Julio Cezar Mendel.
Ainda em 2018, houve pelo menos três debates na Assembleia Legislativas, onde agricultores defenderam a isenção, requerendo apoio dos deputados.
O PL de Adilson Espindula foi encaminhado para as comissões de Justiça, Agricultura e Finanças.

Resíduos de Brumadinho já matam os peixes do rio São Francisco

FONTE: El País

Dados da Fundação S.O.S. Mata Atlântica mostram que alguns trechos do Velho Chico já estão com água imprópria para uso da população. Concentração de ferro, manganês, cromo e cobre está acima dos limites permitidos por lei

Um dos maiores temores dos ambientalistas depois do rompimento da barragem da Vale Córrego do Feijão, em Brumadinho, no dia 25 de janeiro, concretizou-se: os rejeitos da barragem já contaminaram o rio São Francisco. Os dados recolhidos pela Fundação S.O.S. Mata Atlântica —que monitora o impacto ambiental da tragédia através de uma expedição pelo rio Paraopeba (afluente do Velho Chico)— mostram que alguns trechos do Alto São Francisco já estão com água imprópria para uso da população.
No relatório O retrato da qualidade da água nas bacias da Mata Atlântica, publicado nesta sexta-feira, a ONG explica que, entre os dias 8 e 14 de março, recolheu amostras de água em 12 pontos do rio e constatou que nove deles estavam em condição “ruim” e três em situação “regular”. No trecho a partir do Reservatório de Retiro Baixo, entre os municípios de Felixlândia e Pompéu, em Minas Gerais, até o Reservatório de Três Marias, no Alto São Francisco, a turbidez (transparência da água) estava acima dos limites legais definidos pela Resolução 357 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) para a qualidade da água doce superficial. Em alguns locais,
esse indicador chegou a ser verificado entre duas e seis vezes mais que o permitido pela resolução. “Além disso, as concentrações de ferro, manganês, cromo e cobre também estavam acima dos limites máximos permitidos pela lei”, acrescenta em entrevista ao EL PAÍS Malu Ribeiro, assessora da S.O.S. Mata Atlântica especialista em água.
Ribeiro explica que “o medo é que aconteça o mesmo que ocorreu com o rio Doce no desastre de Mariana”: em novembro de 2015, o rompimento de duas barragens da mineradora Samarco gerou um tsunami de rejeitos, matou 19 pessoas e deixou um rastro de destruição ao longo de mais de 600 quilômetros da Bacia do Rio Doce, até o litoral do Espírito Santo. “Depois de percorrer 120 quilômetros no Alto São Francisco com pescadores locais, observamos muitos trechos com perda de fauna aquática. As aves também desapareceram do entorno”, lamenta a pesquisadora.
Os dados da S.O.S Mata Atlântica mostram que o Reservatório de Retiro Baixo está segurando o maior volume dos rejeitos de minério que vem sendo carreados pelo Paraopeba. Mas, apesar das medidas tomadas, os contaminantes mais finos estão ultrapassando o reservatório e descendo o rio. Segundo Ribeiro, apesar de não conter rejeitos de minério pesado, essa pluma contaminante representa um risco para a população. “Como a cor do rio não mudou em alguns trechos, os ribeirinhos podem ter a falsa sensação de segurança em relação à sua qualidade. Os pescadores mais experientes já deixaram de pescar nesses locais, mas os leigos ainda podem consumir a água sem conhecer o perigo. É um conta-gotas de veneno”.
A pesquisadora explica que há possibilidade de limpeza do São Francisco, mas que isso vai depender da capacidade dos reservatórios de Três Marias e Retiro Baixo, que devem funcionar como barreira para conter os rejeitos mais pesados, e de um plano das autoridades para recuperar as nascentes da região. “É um processo que pode levar décadas”, afirma Ribeiro. Ela e companheiros da ONG entregaram o relatório à Câmara dos Deputados e ao Ministério Público na quarta-feira e pretendem retomar a expedição para conversar com os ribeirinhos. “Nosso objetivo é levar respostas e instrumentos para as comunidades que não estão sendo informadas dos riscos que correm”, diz a especialista.

Araraquara: Daae abre inscrição para capacitação em hortas e agroecologia

FONTE: A Cidade On
O Departamento Autônomo de Água e Esgotos de Araraquara (Daae) está com inscrições abertas para Cursos de Capacitação em Hortas Urbanas e Agroecologia, de 9 a 18 de janeiro, das 8h às 16horas. Os cursos são sobre Horta Comunitária, Horta Caseira e Horta Vertical e podem se inscrever moradores dos bairros das zonas norte e sul, acima de 16 anos, beneficiados pelas obras de abastecimento de água do PAC.
Os cursos são parceria com a empresa ATTAS Treinamento & Assessoria e serão ministrados por Arlei Rosa dos Santos, assistente social formado pela Unesp Franca, mestre em Agroecologia e Desenvolvimento Rural pela UFSCar e especialista em Educação Ambiental pela UNIFESP. Arlei é assentado rural há 21 anos na Fazenda Monte Alegre, em Araraquara SP, desenvolvendo agricultura familiar, apicultura, meliponicultura, projetos e pesquisas em Educação Ambiental.
Quem pode participar? 
Cada curso terá o limite de 40 participantes por setor (Setor Norte e Setor Sul). Terão preferência de inscrição nos cursos de Horta Caseira e Horta Vertical as pessoas que participaram de reuniões anteriores do Trabalho Socioambiental, realizado pelo Daae, no ano passado. Já no curso de Horta Comunitária, terão preferência as pessoas que já estão engajadas em projetos comunitários de Hortas Urbanas.
Cada participante assinará um termo de compromisso (entregue no primeiro dia de curso) e terá o direito de ficar com os equipamentos utilizados no curso para dar continuidade às atividades aprendidas em sua própria casa. Os participantes também receberão um certificado de capacitação por curso realizado.
Os documentos necessários para inscrição são RG e comprovante de endereço no nome da pessoa que deseja participar do curso (em caso de menor de idade, comprovante de endereço pode estar no nome dos pais ou responsável).
Os interessados podem se inscrever nos seguintes locais: 

Zona Norte: 
CRAS São Rafael. Rua Cabo PM Benedito Vieira Goes, nº 340 Jd. São Rafael II
CRAS Valle Verde. Av Bercholina C. A. Conceição, nº 919 Valle Verde
Zona Sul: 
CRAS Cecap. R. Amaury Pinto de Castro Monteiro, nº 957 Cecap
Para as inscrições em Horta Comunitária procure os seguintes equipamentos:
Horta Comunitária da Zona Norte (End.: José Luiz Pio – Zona Norte. Telefone:99749-0319. Falar com Flávio)
Associação dos Moradores do Bairro Victório de Santi (End.: R. Manoel Fernandes Cadina, S/N – Victório de Santi)
Local e tempo de realização dos cursos:
Zona Norte
Horta Vertical. Local a definir. Duração total de 4h
Horta Caseira. Local a definir. Duração total de 12h
Horta Comunitária. Horta Comunitária da Zona Norte. Duração total de 16h
Zona Sul
Horta Vertical. Associação dos moradores do Victório de Santi. Duração total de 4h
Horta Caseira Associação dos moradores do Victório de Santi. Duração total de 12h
Horta Comunitária. Associação dos moradores do Victório de Santi. Duração total de 16h

Jovem cria solução para captar água em Caculé e abre chance de reflexões sobre desenvolvimento local

FONTE: G1

Filho dos agricultores Luciana e João e irmão de Henrique, o estudante Sandro Lúcio Nascimento Rocha, 16 anos, está se preparando para sair de sua cidade natal, Caculé, no interior da Bahia, e pegar um avião até Brasília. Será sua primeira viagem aérea. No Distrito Federal, ele vai ser recebido pela equipe da 28ª edição do Prêmio Jovem Cientista , pois foi um dos vencedores na categoria Ensino Médio.

Quando eu soube da premiação e li sobre o projeto defendido por Sandro, fiquei com vontade de conversar com o jovem e trazer aqui algumas de suas reflexões. Já me explico.

É que Sandro, que frequenta as aulas do Ensino Médio no Colégio Estadual Norberto Fernandes e foi orientado pela professora Edjane Alexandre Costa Soares, se deixou parar para pensar num jeito de solucionar o problema de escassez de água na região onde mora – Caculé fica no semiárido e cada vez chove menos por lá. E imaginou uma cisterna. Mas não uma cisterna parecida com as cisternas rurais que são construídas e distribuídas em parceria com o governo e a organização Articulação do Semiárido (ASA). Sandro pensou num jeito mais ecológico de construir um reservatório para reter a água da chuva e poder utilizá-la para plantas , banheiros, lavagem de louças.

Um segundo momento de observação fez Sandro perceber que em sua escola há um enorme uso e descarte de pets. Na área rural de Caculé, onde mora e estuda, o caminhão do lixo não recolhe os descartáveis. Para se livrar do problema, os cidadãos têm o péssimo hábito de juntá-las e queimá-las, o que provoca uma fumaça desagradável e polui o ambiente. Foi aí que Sandro imaginou fazer cisternas, substituindo os tijolos por garrafas pet. Um jeito de solucionar dois problemas de uma só tacada.

Ainda assim, o cimento que teria que ser usado para juntar e colar as pets, como se sabe, produz impactos ambientais relevantes em sua fabricação. Para fugir disso, o rapaz imaginou que poderia utilizar como “liga” em sua cisterna um cimento feito a partir da cinza da fibra de côco, fruto que abunda em sua região.

E dessa forma, juntando o útil ao ecologicamente correto, Sandro também puxou a esteira de outras questões muito relevantes que não devem ficar de fora dos debates sobre mudanças climáticas e a necessidade de se criar novos paradigmas de produção e consumo. O rapaz pensou e resolveu um problema de sua localidade, usando produtos da região. Claro que não pode ser feito em grande escala, mas se o poder público tivesse um olhar cuidadoso para a solução encontrada por Sandro, poderia viabilizar em outras frentes. Por conta da visibilidade que teve seu projeto, o diretor da escola disse que poderá viabilizá-lo. E Sandro sonha: quem sabe empresas também se interessam, ou mesmo algumas casas residenciais da região? São passos que podem ser dados para se conseguir o desenvolvimento local.

Minha conversa com Sandro teve que ser através do whatsapp porque estava chovendo bastante em Caculé, o que dificulta as comunicações por telefone. Sandro é um garoto que se preocupa com as questões ambientais e se ressente de que outros jovens de sua idade não tenham, como ele, foco nas mudanças do clima que, no fim das contas, vão tornar a vida deles mais complicada.

“Às vezes o jovem fica muito acomodado com o que está acontecendo e não tem senso crítico. Acho muito importante para a juventude, como um todo, se unir em prol do meio ambiente”, disse ele.

Quis saber dele como é viver numa cidade tão pequena, de 22 mil habitantes e tão distante dos grandes centros (a cidade fica a mais de 600 quilômetros da capital, Salvador). Sandro gosta de sua cidade, mas queria muito que ela tivesse um recolhimento de lixo adequado, menos poluição. E adoraria poder seguir carreira, continuar estudando perto dos pais e da avó. Mas em Caculé não existe a possibilidade de o rapaz cursar a faculdade de Medicina, como pretende.

“Quero poder estudar os impactos da poluição na saúde humana, fazer projetos paralelos sobre a questão do meio ambiente. Queria poder estudar aqui. Mas vou sempre voltar para as minhas raízes, para onde eu nasci”, disse ele.

Convidei Sandro para refletir e encontrar alguns sites que pensam sobre desenvolvimento local, uma espécie de mudança de paradigma necessária diante de tantas privações provocadas por um sistema econômico que implica diretamente em desigualdade. Há pessoas pensando a respeito, por exemplo, entre os membros da organização “New Economics Foundation”, que prega uma “economia para as pessoas, pelas pessoas”.

As Nações Unidas também têm um programa específico para financiar desenvolvimento local, considerando que mais da metade da população dos 47 países menos desenvolvidos do mundo vive com menos de US $ 1,25 por dia e bilhões de pessoas ainda não têm os serviços e o emprego necessários para desfrutar de uma qualidade de vida decente. Mas ali há problemas de distribuição do financiamento.

O desafio está posto. As mudanças climáticas nos exigem esforços para buscar uma vida mais saudável diante de tantas ameaças, e jovens como Sandro podem transformar o risco em oportunidade. A chance de pensar meios para resistir é não negar o tamanho do problema, é fazer contato com uma realidade que se apresenta mais difícil, mas não impossível.

Espera-se dos líderes de nações uma visão sistêmica para o problema do aquecimento global, estratégias econômicas que visem a pensar o desenvolvimento com outras lentes, para se pavimentar o caminho da mudança para uma vida com menos dependência dos combustíveis fósseis. Espera-se dos líderes empresariais que acompanhem este ritmo e invistam, seriamente, em tecnologias que possam diminuir seu impacto, além de uma revisão dos limites de produção.

Mas se cada região puder ter um olhar mais cuidadoso no sentido de criar soluções para seus próprios problemas, já se conseguirá caminhar bastante no sentido de melhorar a qualidade de vida. Neste sentido, Sandro tem muito a colaborar.

Sem indenização, pescadores lutam para sobreviver três anos após tragédia de Mariana

FONTE: BBC

O pescador Braz Clarindo Filho, de 47 anos, ganhava cerca de R$ 27 mil por mês com seus dois barcos de pesca. Há três anos, porém, o mar de lama e de rejeitos da barragem que se rompeu em Mariana (MG) também passou por cima de sua vida. Hoje, em meses bons, vive com R$ 3.000.

Braz é um dos milhares de pescadores de Minas Gerais e do Espírito Santo afetados pelo desastre que ficou conhecido como tragédia de Mariana.
O acidente ocorreu no dia 5 de novembro de 2015, quando 34 milhões de metros cúbicos de rejeito de minério de ferro jorraram do complexo de mineração operado pela empresa Samarco e percorreram 55 km do rio Gualaxo do Norte e outros 22 km do rio do Carmo até desaguarem no rio Doce. No total, a lama percorreu 663 km até encontrar o mar, no município de Regência (ES). No caminho dela, 19 pessoas morreram.
O impacto ambiental foi gigantesco: além da contaminação da água e soterramento de nascentes, milhares de peixes e outros animais morreram.
Além dos mortos, milhares de outras pessoas foram afetadas pela lama: pescadores, comerciantes, agricultores, empresários e trabalhadores do setor turístico.
A economia local, que vivia da pesca e do turismo às margens do rio, entrou em colapso. Cresceu o desemprego e muitos trabalhadores não conseguiram retomar suas funções na mesma velocidade de antes da tragédia. Até hoje, a maior parte deles não recebeu qualquer indenização pelos prejuízos.
Há 35 anos, Braz pesca camarão na praia de Suá, foz do rio Doce no Espírito Santo, a cerca de 434 km de Mariana. Após a tragédia, viu seu sustento escassear. “Não recebi nada, nenhum centavo. Estou tomando ‘barrigada’ da Samarco até hoje”, diz.
A queda brusca de renda foi acompanhada por cortes no orçamento familiar: cancelou o plano de saúde, TV a cabo e a escola particular dos filhos. Sua mulher voltou a trabalhar. “Minha situação é a pior possível. Hoje, a gente trabalha só para comer”, diz.

Escola municipal de Bento Rodrigues destruída pela lama

“Tenho de ir para outros locais para pescar. E, mesmo assim, em menor quantidade. Hoje, preciso dividir tudo que pesco com meus funcionários, porque senão eles não conseguem viver”, conta Braz.
A primeira parte de sua indenização estava prevista para 16 de outubro deste ano. Mas a Fundação Renova – entidade criada para gerir as ações de reparação – não depositou o valor, nem deu prazo para isso ocorrer.
Em média, os pescadores recebem R$ 100 mil de indenização, mas esse valor pode variar dependendo da categoria. Quem era dono de barco, por exemplo, pode ter direito a uma quantia maior do que os funcionários.
Agnaldo Correia, de 25 anos, é um desses casos. Funcionário de um barco, ele ganhava R$ 4.500 por mês. Hoje, vive com R$ 900. “Estou trabalhando sem parar, cortei tudo pela metade em casa”, conta. Ele vive em Linhares, no Espírito Santo, e pescava camarão na foz do rio Doce.
Correia falou com a reportagem enquanto navegava na divisa do Espírito Santo com a Bahia, distante de seu ponto original. “Temos de vir para bem longe para conseguir pescar, porque na minha área a pesca está proibida”, diz. Porém, há quem ignore a proibição e continue atuando na área interditada, a 20 metros da costa, sob o risco de multas ambientais.
O pescador relata outro problema: as vendas diminuíram pelo estigma que recaiu sobre o camarão do Espírito Santo. “As pessoas acham que nosso produto é contaminado”, diz.
“A gente está pagando pelo crimes deles (Samarco)”, critica Braz.

Pessoas afetadas triplamente

A Fundação Renova afirma que cerca de 7.000 pescadores receberam indenização e auxílio financeiro, totalizando R$ 580 milhões. A entidade afirmou que “está empenhada em finalizar o processo de negociação e pagamento de indenizações o mais rápido possível.”
A Renova afirmou, ainda, que há registros de pessoas que não foram afetadas e estão pedindo indenizações indevidas. “Diante desse cenário, ficou evidente a necessidade de reformulação da política vigente por meio do diálogo e da construção participativa com os órgãos competentes e as comunidades atingidas”, afirmou a fundação.
Segundo Rafael Portella, defensor público do Espírito Santo, o número de requisições de indenização é muito maior do que já foi pago. No total, 51.400 famílias fizeram pedido para receber reparações pelos danos causados pela tragédia. Esse número abrange não só pescadores, mas também comerciantes, agricultores, artesãos, entre outras categorias afetadas.
“A gente entende que é difícil mensurar os danos pela quantidade de categorias de profissionais. Há pessoas afetadas até três vezes, porque eram pescadores, artesãos e comerciantes”, diz o advogado. “Mas há um formalismo excessivo na análise dos casos e cadastros muito mal feitos, o que acaba por atrasar todos os processos.”

Reservatório de Candonga , em Mariana (MG)

Segundo ele, o número de pedidos pode aumentar, pois há moradores de regiões mais pobres que nem sabem que têm direito à reparação. “A Defensoria tem ido a comunidades para explicar às pessoas que elas precisam perseguir o direito delas”, conta.
Outro caso é o do município de Conceição da Barra, no Espírito Santo. Ali, ainda estão em curso estudos para saber se parte da cidade foi ou não afetada pelos rejeitos.
Para Leonardo Amarante, advogado da Federação e das Colônias de Pescadores, entidades que representam mais de 4.500 profissionais, a lentidão dos acordos entre a Renova e os trabalhadores é preocupante. “No início do ano, fazíamos cerca de 100 acordos por semana. Hoje, são cinco ou seis. Nesse ritmo, as indenizações vão demorar décadas para serem pagas na totalidade”, diz.

Processo criminal

Três anos depois da tragédia, o processo criminal contra supostos responsáveis ainda corre na Justiça Federal.
No total, 21 pessoas são acusadas de provocar inundação, desabamento, lesão corporal e homicídio com dolo eventual (quando o réu assume o risco de matar).
Na semana passada, o Ministério Público e as Defensorias de Minas Gerais e do Espírito Santo assinaram um acordo com a Samarco, Vale e BHP Billiton para evitar a prescrição do direito à reparação das vítimas da tragédia, o que, em tese, aconteceria após três anos do desastre.
Há também uma ação coletiva, promovida pelo Ministério Público Federal, no valor de R$ 155 bilhões contra a Samarco – nesse termo, estarão previstas indenizações aos danos ambientais, sociais e econômicos.

Vivendo com pouco

Enquanto os processos correm no ritmo da Justiça, o pescador João Carlos Gomes, de 46 anos, viu sua renda mensal diminuir de R$ 6.000 para R$ 1.000, além de sua carga de trabalho aumentar. “Às vezes, a gente troca trabalho por comida”, explica.
Depois da tragédia, ele criou um sindicato de pescadores do Espírito Santo – o objetivo é orientar os trabalhadores sobre os acordos com a Renova.
Benedito Portela, de 52 anos, recebeu sua indenização em abril, mas nunca voltou a ter o padrão de vida que levava antes de a barragem se romper. “Perdi cheque especial e cartão de crédito. Atrasei prestação do carro”, conta.
Ele ganhava R$ 5.000 por mês e hoje trabalha para viver com R$ 1.200.