Sementes crioulas: aliadas da biodiversidade, da segurança alimentar e das agrofamílias

da Redação

As sementes crioulas são variedades que foram selecionadas, produzidas e adaptadas por gerações de agricultores familiares, em especial os produtores indígenas e quilombolas. Sem alteração genética ou utilização de produtos químicos, essas sementes são sinônimo de alimentação saudável.

Mantidas e selecionadas por várias décadas, as sementes crioulas são produzidas de forma agroecológica: em sistema manual de semeadura e consorciado de plantio. Tradicionalmente, elas são adaptadas ao ambiente e ao modelo de produção local, além de preservarem a cultura dos povos tradicionais e garantirem a autonomia camponesa.

O cultivo dessas sementes protege o meio ambiente e promove a soberania alimentar, preservando e multiplicando riquezas ancestrais e genéticas. Também fomentam a economia nas propriedades rurais, pois produzir a própria semente dá ao agricultor familiar independência e favorece a redução de custos.

Por meio das sementes crioulas, é possível produzir alimentos diversificados. Elas são indicadas pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU), inclusive, como importante contribuição para que sejam alcançados alguns dos objetivos estabelecidos para a Agenda 2030.

Sementes crioulas, sementes tradicionais, sementes da resistência ou sementes da solidariedade, seja por qual nome forem reconhecidas pela comunidade, elas guardam em si a riqueza natural do nosso país e, também por isso, devem ser preservadas e disseminadas. A agricultura familiar exerce papel essencial no cultivo e preservação deste rico material.

A CONAFER está alinhada aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, promovendo e incentivando a cultura das sementes crioulas e o seu desenvolvimento.

Além de colaborarem para a preservação da natureza, as sementes crioulas são mais resistentes e menos dependentes de insumos externos, o que assegura a biodiversidade e a sustentabilidade dos sistemas naturais, os ecossistemas, e dos sistemas cultivados, os agroecossistemas.

O Cerrado que não volta mais: 620 focos de incêndio de abril a junho

da Redação


A SEMAD, Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás, enviou os dados das queimadas no Estado para a CONAFER 
 

O desmatamento e os focos de incêndios não param de crescer em Goiás. Em ação realizada na primeira semana de junho de 2020, pela Secretaria de Meio Ambiente, foram identificadas novas degradações de áreas nativas do Cerrado, totalizando 2,5 mil hectares desmatados no município de Cavalcante, localizado na região da Chapada dos Veadeiros, uma das áreas com maior biodiversidade do mundo. 

Pelos dados da SEMAD, neste ano, de 1º de abril até 30 de junho foram contabilizados 620 focos de queimadas. Em 2019, no mesmo período, foram contabilizados 434 focos. Um dos focos que causa grande preocupação é do desmatamento ilegal de áreas nativas em Cavalcante, na região da Chapada das Mesas, onde a operação foi realizada. 

Uma vez identificado os desmatamentos ilegais são procedidas as lavraturas de autos de infração, embargos e apreensões de equipamentos utilizados na prática das infrações. Operações de fiscalização presenciais também são realizadas para descartar falsos positivos que podem acontecer em face da qualidade das imagens de satélite que são analisadas.

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A Gerência de Monitoramento Ambiental do governo estadual realiza o acompanhamento do desmatamento utilizando técnicas de sensoriamento remoto e geoprocessamento, tendo como insumos os alertas emitidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Inpe, e da plataforma MapBiomas Alerta.

A importância de estar em alerta e agir com o rigor da Lei


Foto: Brasil de Fato


Dados do Inpe demonstram que as áreas de alertas para o estado de Goiás tendo como referência este período do ano, foram 2017/2018: 460km²; 2018/2019: 499km²; 2019/2020: 324km². Os alertas estão sendo validados para viabilizar a tomada das medidas administrativa, como Autos de Infração e Termos de Embargo. Em situações estratégicas, estão sendo realizadas operações, a exemplo da ocorrida no mês passado na região de Cavalcante.

O que vemos pela número de focos de incêndio e queimadas para implementar monoculturas e pecuária extensiva, é uma destruição sistemática do Cerrado, o segundo maior bioma brasileiro, com 3 bacias hidrográficas, estendendo-se por um território de 1,5 milhão de km², abrangendo quatro estados do Brasil Central (Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal), além de Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Tocantins, Bahia, Maranhão e Piauí.

A CONAFER coloca-se em alerta e sempre denunciará as ações que colocam em risco o meio ambiente e as comunidades que vivem nestas regiões de degradação e conflitos agrários.

Capa: Ecodesenvolvimento