Um salve à beleza e à riqueza da Caatinga

da Redação

No dia do bioma mais nordestino do país, vale lembrar da sua importância na economia do segmento agrofamiliar; com 800 mil km², ele corresponde a cerca de 70% da região Nordeste e 11% do território nacional

A data de 29 de abril foi escolhida com o intuito de não apenas homenagear este bioma único, mas também conscientizar as pessoas sobre a importância da sua conservação para o equilíbrio ambiental.

O sol brilha, a terra se ilumina e a natureza floresce na Caatinga, o bioma mais rural do Brasil. Exclusivamente brasileiro, o nome “Caatinga” tem origem tupi-guarani, e significa “floresta branca”. Uma referência à cor predominante da vegetação durante a estação de seca, quando quase todas as plantas perdem as folhas para diminuir a transpiração e evitar a perda da água armazenada. No período das chuvas, as folhas ficam verdes e as flores voltam a brotar.
As características do ecossistema da Caatinga é de mata clara e aberta, com clima semiárido marcado por períodos extensos de seca e poucas nascentes, abrangendo os territórios de oito estados do Nordeste: Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe, além do norte de Minas Gerais. A Caatinga possui cerca de 178 espécies de mamíferos, 591 espécies de aves, 177 espécies de répteis, 79 espécies de anfíbios; 241 espécies de peixes; 221 espécies de abelhas e mais uma imensa diversidade de fauna e flora.

A força econômica da Caatinga e sua sustentabilidade

27 milhões de pessoas habitam a Caatinga. Grande parte delas, cerca de 40%, depende dos recursos do bioma para sobreviver. É a região mais ruralizada do Brasil: 32% dos estabelecimentos agropecuários brasileiros estão localizados aí.

Entretanto, lamentavelmente, a Caatinga é um dos biomas mais degradados, concentrando mais de 60% das áreas propensas à desertificação. Atualmente, as principais causas de desmatamento estão associadas à extração inadequada de mata nativa para a produção de lenha e carvão vegetal. O impacto reflete na fertilidade do solo, na extinção de espécies da fauna e flora e, portanto, na piora da qualidade de vida da população. Essas práticas já levaram à devastação de 45% da área do bioma.

Existem muitas experiências de populações tradicionais e agricultores familiares que vivem na Caatinga e investem em um manejo diferenciado e sustentável do solo. Estas experiências têm demonstrado que é possível a convivência com as características menos favoráveis à agricultura, por meio de um cultivo variado de grãos, legumes e frutas, além de uma agropecuária com tecnologia, pois muitas propriedades já trabalham no melhoramento genético dos seus rebanhos. Assim, a agricultura familiar da Caatinga preserva os recursos naturais, ao mesmo tempo em que ajuda no desenvolvimento deste segmento econômico responsável por 10% do PIB do país.

No Sul do país, agricultura familiar atua na preservação do bioma Pampa

da Redação

No extremo-sul do Brasil, localiza-se o único bioma brasileiro dentro de único estado; o Pampa encontra em suas lavouras e pecuária agrofamiliares uma proteção importante para o equilíbrio dos seus ecossistemas

Aproximadamente dois terços do território do Rio Grande do Sul são ocupados pelo bioma Pampa, uma extensa área de campo natural que avança também pelos territórios do Uruguai e da Argentina, e partes do Chile e do Paraguai.

“Pampa” é um termo de origem quíchua (povo indígena que habita os Andes, na América do Sul) que significa “região plana”. O bioma tem aproximadamente 176 mil km², o que corresponde a 63% da área total do Rio Grande do Sul.

O Pampa, ou Campos Sulinos ou ainda Campos do Sul, como também é chamado, possui um clima predominantemente subtropical, com as quatro estações do ano bem definidas, e vegetação marcada pela presença de gramíneas, plantas rasteiras, arbustos e árvores de pequeno porte. Dados do Ministério do Meio Ambiente estimam que existam mais de 3.000 tipos de plantas, 500 tipos de aves e 100 espécies de mamíferos vivendo no bioma.

Considerando a sua biodiversidade, o Pampa está entre os mais expressivos ecossistemas brasileiros – somando-se aos biomas Mata Atlântica, Amazônia, Cerrado e Caatinga. Um estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) revela que, se levarmos em conta o número de plantas encontradas por metro quadrado, o Pampa é o bioma brasileiro com maior diversidade – foram encontradas 57 espécies diferentes de plantas em 1 m² de campo nativo. O Cerrado vem em segundo lugar, com 35 espécies vegetais por metro quadrado.

Agricultura familiar nos Campos do Sul

Grande parte do aquífero Guarani encontra-se no Pampa e, por isso, o bioma se constitui em boas possibilidades para a agricultura familiar, destacando-se as lavouras de milho, soja, arroz, trigo e de hortifruti, além da pecuária – que é a base do desenvolvimento econômico da região.

A agropecuária familiar é responsável pela maior parte da produção gaúcha de feijão, milho, mandioca e de leite de vaca, produtos que estão na mesa cotidiana de famílias tanto das áreas rurais quanto das cidades do Rio Grande do Sul. O estado também é o maior produtor de arroz orgânico da América Latina, e esse mérito vem totalmente da agricultura familiar – que defende práticas agrícolas sustentáveis, nas quais a segurança alimentar e a preservação dos recursos ambientais são elementos centrais.

A pecuária familiar também é uma forte aliada na preservação do Pampa, com o manejo adequado do campo nativo. A interação entre pecuarista e bioma é benéfica a todas as partes, se trabalhada de modo sustentável, pois o pecuarista familiar está diariamente em contato com o campo nativo, conhecedor de sua fauna e flora, de onde encontra boas oportunidades para a sustentabilidade e conservação dos ambientes naturais.

Bioma menos protegido do país

Mas o Pampa também é o bioma brasileiro com menor percentual de terras dentro de unidades de conservação: apenas 2,7% de sua área. O Cerrado possui 8,3% de sua cobertura original em territórios de preservação ambiental; já a Amazônia, 27,3%. A meta 15 do programa de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU previa que o Brasil delimitasse, até 2020, pelos menos 17% das terras do Pampa como reservas ambientais. O que está longe de ocorrer.

Garantir a preservação do Pampa não significa proibir a atividade produtiva no bioma. É exatamente o oposto. Especialistas defendem que o ideal seria somar a conservação ambiental com a tradicional atividade pecuária, fortalecendo caminhos para uma base sustentável.

Afinal, a grande biodiversidade do Pampa apresenta inclusive inúmeras espécies endêmicas, sendo uma importante fonte de recursos genéticos. Além disso, é responsável por inúmeros serviços ecossistêmicos, como, por exemplo, a substituição do carbono existente na atmosfera pelo oxigênio e o controle da erosão do solo, problema que vem preocupando os produtores e a sociedade em geral no estado.

Caatinga: o bioma mais rural do Brasil

A agricultura familiar é o segmento econômico que mais gera empregos e renda na região; atividade agroecológica atua decisivamente na preservação ambiental de todo o bioma com 32% dos estabelecimentos agropecuários do país

Foto: Rogério Cunha

O bioma mais ruralizado do país ocupa uma área de aproximadamente 800 mil km², que corresponde a cerca de 70% da região Nordeste e 11% do território nacional. Ele é exclusivamente brasileiro, e o nome “Caatinga”, de origem tupi-guarani, significa “floresta branca”. Uma referência à cor predominante da vegetação durante a estação de seca, quando quase todas as plantas perdem as folhas para diminuir a transpiração e evitar a perda da água armazenada. No período das chuvas, as folhas ficam verdes e as flores voltam a brotar.

As características do ecossistema da Caatinga é de mata clara e aberta, com clima semiárido marcado por períodos extensos de seca e poucas nascentes, abrangendo os territórios de oito estados do Nordeste: Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe, além do norte de Minas Gerais. A Caatinga possui cerca de 178 espécies de mamíferos, 591 espécies de aves, 177 espécies de répteis, 79 espécies de anfíbios; 241 espécies de peixes; 221 espécies de abelhas e mais uma imensa diversidade de fauna e flora.

Foto: Wikipédia

27 milhões de pessoas habitam a Caatinga. Grande parte delas, cerca de 40%, depende dos recursos do bioma para sobreviver. É a região mais ruralizada do Brasil: 32% dos estabelecimentos agropecuários brasileiros estão localizados aí.

Entretanto, lamentavelmente, a Caatinga é um dos biomas mais degradados, concentrando mais de 60% das áreas propensas à desertificação. Atualmente, as principais causas de desmatamento estão associadas à extração inadequada de mata nativa para a produção de lenha e carvão vegetal. O impacto reflete na fertilidade do solo, na extinção de espécies da fauna e flora e, portanto, na piora da qualidade de vida da população. Essas práticas já levaram à devastação de 45% da área do bioma.

Agricultura familiar no resgate da Caatinga

Ibaretama-CE: sistema silvipastoril para criação de floresta consorciado com a pecuária. Foto: Rafael Tonucci/Embrapa

Ao todo, há no bioma 1,6 milhão de propriedades, sendo 75% delas de no máximo 20 hectares. A Caatinga é, essencialmente, agricultura familiar: pessoas que vivem de pequenos estabelecimentos e têm a agropecuária como principal atividade. Ao longo do ano, de acordo com as safras, os agricultores também coletam espécies nativas para se alimentar, vender ou processar, com destaque para o umbu e a carnaúba, como forma de complementar a renda.

A resiliência dos povos que habitam a Caatinga tem nas práticas agroecológicas a força para o sustento, e que se reflete também na luta para que os grandes projetos de irrigação não se apropriem de áreas tradicionalmente ocupadas pela agricultura familiar.

No horizonte, Rio São Francisco serve de canal de irrigação para lavouras que se formam na divisa da Bahia com Pernambuco, principalmente na região de Juazeiro e Petrolina. Foto: Fotos: Jonathan Campos/Gazeta do Povo

Existem muitas experiências de populações tradicionais e agricultores familiares que vivem na Caatinga e investem em um manejo diferenciado e sustentável do solo. Estas experiências têm demonstrado que é possível a convivência com as características menos favoráveis à agricultura, por meio de um cultivo variado de grãos, legumes e frutas, além de uma agropecuária com tecnologia, pois muitas propriedades já trabalham no melhoramento genético dos seus rebanhos. Assim, a agricultura familiar da Caatinga preserva os recursos naturais, ao mesmo tempo em que ajuda no desenvolvimento deste segmento econômico responsável por 10% do PIB do país.

Vinho de Pernambuco em meio a Caatinga, parreiras repletas de frutos. Foto: Diário do Turismo