JOGOS INFANTOJUVENIS DA CARAMURU: na aldeia indígena do Sul da Bahia, as crianças Pataxó Hã-Hã-Hãe mostram que o melhor esporte é se divertir

da Redação

A Aldeia Caramuru Catarina Paraguaçu, está localizada no município de Pau Brasil, a 542 km da capital Salvador. Nela vivem, convivem, trabalham e se divertem, os Pataxó Hã-Hã-Hãe, etnia muito afeita às atividades físicas e culturais, como aliás, é algo muito comum, da cultura de milhares de aldeias espalhadas pelo país. Nas aldeias indígenas, todos gostam de brincar e jogar. As crianças podem passar o dia inteiro brincando e inventando atividades. Existem muitas formas de se divertir, mas o objetivo é sempre desfrutar do momento e da companhia dos amigos. Este é o espírito dos Jogos Indígenas Infantojuvenis, que ocorreram no início de outubro, em homenagem às crianças. Mais do que a competição, os jogos ajudam a desenvolver habilidades importantes ao longo da vida. Jogar e brincar também são formas de aprender!

A ancestralidade indígena contém o gene da luta pela vida, da atividade física como exercício de sobrevivência, algo muito presente em todas as atividades nas comunidades. Individual ou coletivamente, o ato de brincar é passado de geração para geração, incluindo os rituais de preparação: todos se pintam, enfeitam seus corpos e constroem seus próprios brinquedos. A cultura indígena é riquíssima, valorizando os ensinamentos e as tradições mantidas pelos anciãos como ações fundamentais. Os Jogos Indígenas Infantojuvenis da Caramuru, é uma forma de incentivar cada indígena desde cedo nas práticas desportivas e culturais, e por meio de vários tipos de modalidades e instrumentos usados no cotidiano do povo Pataxó.

Os Jogos Indígenas Infantojuvenil Pataxó ocorreram no início de deste mês, e foram desenvolvidos e estimulados por professores, em sala de aula e na comunidade. Eles são fundamentais para o incentivo, o fortalecimento e a afirmação da identidade cultural da comunidade Pataxó e outras aldeias da mesma etnia.

Os Jogos Infantojuvenis Pataxó foram destaque e tiveram grande visibilidade na comunidade Caramuru, e também em outras comunidades Pataxó, que já vem participando e também na sociedade não indígenas. Desta forma, os Jogos têm um papel fundamental na formação social e cultural e em todos os aspectos que definem uma criança Pataxó.

Nestes Jogos, as crianças como atletas passam a conhecer e aprimorar as técnicas sobre o uso dos instrumentos usados para cada modalidade e aprendem a se preparar com os professores e os mais velhos que são detentores destes conhecimentos, e os mesmos fazem o possível para que estes conhecimentos se renovem e se transmitam as novas gerações de forma que os mesmos sejam preservados.

Durante os jogos, as crianças da aldeia estavam muito animadas com seus maracás em mãos, que logo em seguida seriam usadas para a corrida. Na corrida com maracás, 10 crianças indígenas percorrem uma distância de 15 metros cada uma, sendo 10 metros de volta, sendo que ao retornar o pequeno guerreiro irá passar o maracá para seu companheiro de equipe que fará o mesmo percurso.

No Cabo de Guerra temos uma corda bem forte, uma marcação no meio dela com uma fita, dois grupos de crianças, a fim de formar duas equipes iguais ou bem equilibradas na força, e muita emoção para a criançada ver qual o grupo será o vencedor. Esta modalidade é muito aceito entre as etnias participantes de todas as edições dos Jogos, é uma grande atração sempre, arrancando forte manifestação da torcida indígena e do público em geral.

No desfile final dos Pataxó Hã-hã-hãe, os jovens atletas indígenas fecharam os Jogos com chave de ouro, juntando-se para o evento final com pinturas corporais e com os seus cocares, sem ganhadores nem perdedores, pois todos aprenderam neste Dias das Crianças que se divertir é o melhor esporte.

Com informações da Seagro, por Greiciane Coelho.

JOGOS INDÍGENAS TERRITÓRIO CARAMURU: os Pataxó Hãhãhãe celebram a união das etnias, e o grande vencedor é o povo indígena

da Redação

O Estádio Indígena Caramuru-Paraguaçu, em Pau Brasil, região sul da Bahia, tem sido palco do grande encontro dos indígenas da TI Caramuru neste momento histórico de união em torno dos valores culturais de suas diversas etnias, como a Baenã, Kamakã, Tupinambá, Kariri-Sapuyá e Gueren, formadoras do englobante grupo étnico Pataxó Hãhãhãe; jogos de futebol, apresentações de tohé e rituais sagrados são também homenagem às lutas ancestrais por autonomia, pelas demarcações e respeito aos direitos constitucionais dos povos originários

Centenas de milhares de indígenas aldeados estão impedidos por força da crise sanitária e econômica de engrossar a massa de quase mil parentes, de 40 povos diferentes, todos presentes em Brasília, participando do Levante Pela Terra, mobilizados contra a aprovação do PL 490, e suas consequências, como a liberação dos territórios indígenas à sanha da exploração econômica, inviabilizando futuras demarcações. Ao celebrar a união dos povos pelo esporte, esta edição dos Jogos Indígenas também simboliza a grande energia que os aldeados enviam aos seus parentes na frente de luta na capital federal.

Desde o dia 16 de junho, os Jogos na TI Caramuru-Paraguaçu vão se desenvolvendo como uma grande gincana do esporte, em que não tem um vencedor, porque todos ganham ao final. Diversas partidas de futebol já deixaram uma amostra da qualidade técnica e física de muitos jogadores, revelando futuros talentos para as aldeias. Ao aliar a prática desportiva com as práticas dos rituais da ancestralidade, estes Jogos transcendem o tempo, e os novos guerreiros podem conhecer suas raízes culturais de um modo lúdico, e ao mesmo tempo, em um envolvimento mais profundo com sua história.

Além das modalidades, acontecem também as oficinas de linguagem indígena, pintura corporal, exposição de adereços Pataxó Hãhãhãe e distribuição de produtos da agricultura familiar. São 6 equipes participantes: Resgate Cultural, Atxuab, Tyihi Xoha, Kamayurá, Hãhãhãe e Angohõ, e que abriram o evento oficialmente apresentando um tohé de forma individual, definido por sorteio e finalizando com um grande ritual coletivo no centro do gramado em clima de alegria pela oportunidade de mostrar a força da união dos Pataxó.

Além do Futebol e do Tohé, os atletas disputam as modalidades de Arremesso de Takape, Corrida de Maracá, Luta Corporal, Arco e Flecha, Luta de Maracá, Lançamento de Zarabatana, Cabo de Guerra e Corrida de Tora.

Jogos mostraram a força das secretarias indígenas da CONAFER

Burain de Jesus Pataxó, secretário de Tradições e Culturas dos Povos Originários concedeu entrevista ao repórter Rômulo Dea da SECOM

À SECOM, Burain de Jesus Pataxó, secretário de Tradições e Culturas dos Povos Originários, afirmou que “ter realizado o evento na Caramuru foi muito importante para fortalecer os povos indígenas neste momento muito difícil da pandemia, nós já perdemos muitos parentes em diversas aldeias de diversos territórios do Brasil, então é momento de união em torno desta celebração do esporte e das nossas tradições”.

Lucas Puri Pataxó, secretário de Políticas, Estratégias e Línguas dos Povos Originários

Já o secretário de Políticas, Estratégias e Línguas dos Povos Originários, Lucas Puri Pataxó, falou que “a viabilização dos Jogos demonstram a força das secretarias indígenas da CONAFER, e aproveitou para agradecer ao presidente Carlos Lopes por não ter medido esforços pela realização do evento que já é um sucesso desde o planejamento até o seu desenvolvimento, premiando a todos os presentes com grandes jogos e apresentações da riqueza cultural dos povos originários.”

Assista aos vídeos abaixo:

CONAFER promove o primeiro Campeonato de Futebol da Terra Indígena Caramuru

 

da Redação


Tudo está sendo preparado para realizar uma grande festa no território indígena do Sul da Bahia

Engana-se quem pensa que nos territórios indígenas não se pratica o futebol. O esporte mais popular do país é tradição nas aldeias e uma oportunidade de promover o encontro entre etnias com seus rituais e tradições. Uma prova do talento para o futebol dos indígenas, é que o único jogador brasileiro comparado a Pelé em sua época, foi o gênio Garrincha, descendente da etnia Fulni-ô, do litoral de Pernambuco. Sim, o multicampeão camisa 7 do Botafogo e da Seleção Brasileira bi-campeã do mundo em 1958 e 62, tem a sua ancestralidade indígena.

A ancestralidade do grande ídolo Mané Garrincha é Fulni-ô

As mesmas características de velocidade e habilidade do famoso Mané Garrincha podem ser vistas em milhares de praticantes do futebol nos campinhos de terra batida das aldeias indígenas. Basta prestar atenção no jeito de correr, na força física e na criatividade dos indígenas no domínio da bola. O que falta para estes jovens é mais oportunidades, campos com estrutura e um incentivo para aprimorar os seus talentos.

O objetivo deste Campeonato não é revelar jogadores de futebol para equipes profissionais como sonham milhões de jovens pelo Brasil. A CONAFER acredita que um povo pode abrir mão de jogadores de futebol, mas não pode abrir mão dos seus agricultores familiares.
Para a CONAFER, o Campeonato de Futebol da Terra Indígena Caramuru, além de unir as comunidades em torno de uma festa do esporte, é uma excelente oportunidade de valorizar as tradições e rituais das etnias e aldeias participantes. 
Por ser o esporte mais popular nas comunidades indígenas, praticado por crianças, jovens e adultos, o futebol é ao mesmo tempo um momento de desenvolver valores importantes, como o cuidado com a saúde, o respeito pelos companheiros de jogo e o espírito de equipe.


O novo campo e a expectativa pelo Campeonato de Futebol da Terra Indígena Caramuru

Com 105 metros de comprimento e 64 metros de largura, o excelente gramado do campo que está sendo construído na aldeia Caramuru já parece dar forma a um futuro estádio, pois teremos além de um belo tapete verde, vestiários para as equipes e banheiros para o público. 

“A realização deste campeonato em nossa aldeia representa alegria e união para a comunidade, pois é algo que já foi incorporado às nossas tradições e vem sendo passado pelos anciãos. É muito gratificante ver todos os parentes reunidos”, conta o Secretário Nacional de Tradições e Cultura dos Povos Originários da Conafer, Burinha Pataxó.

Burinha Pataxó, Secretário Nacional de Tradições e Cultura dos Povos Originários da CONAFER

Para um dos organizadores do evento, Hugo Pataxó, “há uma grande expectativa em torno do Campeonato que já acontece desde os anos 1980, e a ideia é de que a edição deste ano seja a maior que já fizemos”.

Um dos coordenadores do Campeonato, Hugo Pataxó

O campeonato terá 14 equipe e seguirá as regras da FIFA. A composição das tabelas dos jogos e a forma de disputa serão divulgadas assim que haja liberação do espaço para os jogos em função da pandemia. A partir daí, ao assinar o recebimento do regulamento e as fichas de inscrição, as equipes estarão automaticamente se credenciando para a grande disputa. As inscrições serão gratuitas. A CONAFER irá disponibilizar conteúdos das disputas até a decisão, com uma matéria especial sobre os guerreiros do time campeão, tudo nas redes sociais e no site com muitas imagens e informações sobre o Campeonato.

 
Que venham os jogos!