SAFRAS EM RISCO: onda de frio histórica chega no campo e agricultores devem buscar proteção financeira

da Redação

O Sistema Nacional de Meteorologia fez uma previsão nada otimista para o campo em relação ao clima dos próximos dias, e que deve impactar fortemente o segmento agrofamiliar, principalmente a hortifruticultura, em especial, na produção de legumes e verduras responsáveis diretamente pela segurança alimentar do brasileiro. Esta nova e acentuada queda nas temperaturas pode ter recorde negativo em algumas regiões do país, com o Sul naturalmente recebendo a carga maior do volume de massa polar que vai invadir todo o território nacional. Isto porque o ar gelado vai chegar até na Amazônia Legal para se ter uma ideia do impacto climático. É momento de proteger a produção com os recursos disponíveis, ao mesmo tempo, em que para milhões de pequenos produtores é hora de buscar uma proteção financeira, como o Seguro Rural para pessoas físicas ou jurídicas, o Proagro ou o Garantia-Safra, no caso dos produtores de baixa renda

As frentes frias se formam quando uma massa de ar mais frio se move para uma área de ar mais quente no rastro de um ciclone extratropical em desenvolvimento. O ar mais quente interage com a massa de ar mais frio ao longo da fronteira e geralmente produz precipitação. É o que está acontecendo agora em todo o sistema atmosférico desta parte do continente sul-americano. A previsão é de que teremos a maior onda de frio dos últimos 100 anos, o que significa muito frio e prejuízos nas lavouras, tanto por conta das geadas, como pelas chuvas que devem chegar com muito volume pluviométrico em muitas regiões produtoras.

Com a entrada desta robusta onda de frio, as regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e sul da região Norte devem ter queda de temperatura entre os dias 28 de julho e 1° de agosto. Também há previsão de geadas amplas. Com as atualizações dos principais modelos numéricos de previsão do tempo do dia (26) e as análises dos Meteorologistas do Sistema Nacional de Meteorologia (SNM), persiste a previsão de que a partir de hoje (27) as temperaturas entrem em declínio acentuado no Rio Grande do Sul. Com o deslocamento da frente fria, a chuva ainda está prevista para os três estados da Região Sul até amanhã e também deverá atingir o sul do Mato Grosso do Sul; posteriormente no dia 28 (quarta-feira), deverá ocorrer no Sudeste (leste de São Paulo com maiores volumes), sul de Minas Gerais, e na sequência, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Ainda no dia 28, a presença de um ciclone extratropical no Oceano Atlântico, intensificará os ventos no litoral da Região Sul e também favorecerá a incursão de umidade nas serras gaúcha e catarinense. A combinação de umidade com o ar frio poderá favorecer à ocorrência de chuva congelada e/ou queda de neve nas áreas de maior altitude.

Além da Região Sul, o ar frio predominará por toda a Região Sudeste, Centro-Oeste e sudoeste da Amazônia Legal entre os dias 28 e 31/07, ocasionando mais um episódio de Friagem. Já no período de 30/07 a 01/08, o ar frio deverá avançar também pelo sul da Bahia e partes do interior da Região Nordeste (declínios de temperaturas entre 6ºC e 4°C, especialmente nas áreas de maior altitude).

Geadas e chuvas vão cobrir as lavouras em muitas regiões

Já há indícios de ocorrências pontuais na região da Campanha Gaúcha, na fronteira com o Uruguai, na madrugada do dia 27 (terça-feira). Já na madrugada do dia 28 (quarta-feira), há previsão de geadas amplas, que podem chegar à forte intensidade em algumas áreas, em todo interior do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, além do sul e sudoeste do Paraná e, com menores chances, de forma mais pontual e de menor intensidade, entre o noroeste do Paraná e o extremo sul do Mato Grosso do Sul.

No dia 29/07, há previsão de geada ampla em praticamente toda a Região Sul, sul do Mato Grosso do Sul e sudeste de São Paulo (com intensidade variando de moderada a forte). Também não se descarta episódio pontual de chuva congelada nas áreas de maior altitude da Serra da Mantiqueira (divisa entre São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro – região de Itatiaia).

Já no dia 30/07 a previsão de geada se entende para todo o estado de São Paulo, sul, Campo das Vertentes, oeste, Triângulo e Alto Paranaíba em Minas Gerais (área de divisa com São Paulo – Serra da Mantiqueira, poderão ter intensidade moderada a forte). Também poderá ocorrer de forma mais isolada no sul de Goiás.

A previsão de geadas pode ser consultada na Plataforma de Monitoramento de possíveis Geadas no Brasil

As previsões detalhadas e os Avisos Meteorológicos Especiais podem ser acessadas nos seguintes endereços: https://portal.inmet.gov.br/ e http://alert-as.inmet.gov.br/cv/

Proteção financeira contra quebras por fenômeno climático

O Banco do Brasil é o principal agente financeiro na execução dos programas de proteção das safras por quebras em função do clima.

Para 2022, o Seguro Rural foi ampliado, mais que dobrando a área segurada e os produtores atendidos. A subvenção ao Prêmio do Seguro Rural será de R$ 1 bilhão.

O Proagro, Programa de Garantia da Atividade Agropecuária, é um programa que garante o pagamento de financiamentos rurais de custeio agrícola quando a lavoura amparada tiver sua receita reduzida por causa de eventos climáticos ou pragas e doenças sem controle.

O Garantia-Safra é um benefício aos agricultores com renda mensal de até 1 salário mínimo e meio, quando tiverem perdas de produção nos municípios igual ou superior a 50%. O Garantia-Safra prevê o repasse de R$ 850, que tem sido disponibilizado em parcela única, devido à Covid-9. É possível ver a situação da inscrição e da DAP pela internet. Basta acessar os links disponíveis no portal do Ministério da Agricultura e inserir o número do CPF para verificação.

Com informações do Mapa.

Previsão do tempo para o Cerrado é sinal de alerta aos nossos agricultores familiares

da Redação

O Sistema Nacional de Metereologia publicou informações sobre o impacto da escassez de chuvas, de maio até final de setembro, na região central do país: nota técnica indica que a região da Bacia do Paraná, que abrange os estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná, deve passar por estado crítico de falta de água

O ciclo das águas do Cerrado passa por uma transformação que potencializa a crise hídrica. O excesso de calor e a mudança no regime de chuvas são uma realidade. Estudos apontam que o desmatamento de quase metade da área do bioma vem causando impactos. De acordo com o Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), a agricultura mundial consome 70% do montante de toda a água consumida no planeta. No Brasil este número sobe para 72% e cresce à medida que o país é menos desenvolvido.

O Cerrado é uma verdadeira caixa d’água no coração do Brasil. É assim que o Cerrado é visto por especialistas ligados aos recursos hídricos do país. O bioma da região central brasileira possui grande importância estratégica para o abastecimento e manutenção de uma rica biodiversidade. Com grandes reservas subterrâneas de água doce, o Cerrado faz conexões ao norte, com a Amazônia; ao nordeste, com a Caatinga; a sudoeste, com o Pantanal; e a sudeste, com a Mata Atlântica, o que faz com que haja importantes relações ecológicas entre ele e os biomas vizinhos.

De acordo com o Museu do Cerrado, iniciativa da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (FA/UnB), o Cerrado possui 19.864 nascentes, 23,6% de todas as nascentes brasileiras, além de três grandes aquíferos: Guarani, Bambuí e Urucuia. Mas, a riqueza hídrica requer mais cuidados: uma vez que distribui água por todo o país, a escassez na região afeta o Brasil. Na última reportagem da série especial sobre o Cerrado, especialistas advertem quanto às ameaças nascentes e rios da região.

Os estudos do Sistema Nacional de Metereologia indicam uma crise hídrica

Criado em maio, o Sistema é coordenado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), com a participação da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden). As instituições federais atuam de forma conjunta para aprimorar o monitoramento e a elaboração de previsões de eventos meteorológicos extremos, pesquisa, desenvolvimento e inovação no setor.

Arte do Mapa

Estudos realizados pelo SNM de acompanhamento meteorológico para o Setor Elétrico Brasileiro alertam que as perspectivas climáticas para 2021/2022, como informa a nota conjunta:

“O Sistema Nacional de Meteorologia (SNM), coordenado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM), com a participação de todos os órgãos federais ligados à meteorologia, e com e o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN) emitem um Alerta de Emergência Hídrica associado à escassez de precipitação para a região hidrográfica da Bacia do Paraná que abrange os estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná para o período de Junho a Setembro de 2021. O Sistema Nacional de Meteorologia (SNM) é um sistema de atuação conjunta de instituições federais para o aprimoramento do monitoramento e elaboração de previsões de eventos meteorológicos extremos, pesquisa, desenvolvimento e inovação. Estudos realizados pelo SNM de acompanhamento Meteorológico para o Setor Elétrico Brasileiro, alertam que as perspectivas climáticas para 2021/2022 indicam que a maior parte da região central do país, a partir de maio até final de setembro, entra em seu período com menor volume de chuvas (estação seca). A previsão climática elaborada conjuntamente pelo INPE, INMET e FUNCEME indica para o período Junho-JulhoAgosto/2021 a mesma tendência, ou seja, pouco volume de chuva na maior parte da bacia do Rio Paraná. Essa previsão é consistente com a de outros centros internacionais de previsão climática. Total de chuva acumulada nos três primeiros meses de 2021 A análise das chuvas entre outubro de 2019 a abril de 2021 para a bacia do Rio Paraná (Figura 1) indica que, com exceção de alguns meses quando as precipitações ficaram acima da média climatológica (dezembro/2019, agosto/2020 e janeiro/2021), durante a maior parte do período houve predomínio de déficit de precipitação, principalmente a partir de fevereiro/2021. Essa condição se mantém no mês atual, com acumulado parcial de 27 milímetros para a bacia, ou seja, abaixo do acumulado climatológico que é de 98 milímetros. Analisando o índice de precipitação padronizado (SPI), que indica déficit (em vermelho) ou excesso (em azul) de precipitação para diferentes escalas temporais, conclui-se que na maior parte da bacia do Rio Paraná a situação apresenta-se entre moderada e extrema, ou seja, a situação atual de déficit de precipitação é severa.

Racionamentos e rodízios devem voltar na região

Apesar da abundância de água no bioma, a região sofre com períodos de redução de chuvas, tanto que a população do Distrito Federal, por exemplo, precisou conviver com racionamento e rodízio no consumo de água nos anos de 2017 a 2019. Caso a tendência não seja revertida, a população deverá enfrentar, em um futuro próximo, maior escassez de água, tanto para consumo urbano quanto para consumo na área rural. Por isso, a importância dos esforços de proteção das unidades de conservação que protegem os principais mananciais, redução da retirada de água dos poços artesianos e restrição drástica de autorização para a abertura de novos poços.

Com informações do Mapa, da EOS Organização e Sistemas Ltda, do portal Embrapa e do site da Safra Irrigação.

Impacto do clima na agricultura familiar é foco do Bota na Mesa

FONTE: Globo Rural
Projeto promove encontro entre agricultores, empresas e governo para discutir diretrizes à inclusão de pequenos produtores na cadeia de alimentos
Mudanças climáticas, transição agroecológica e juventude na agricultura estão no centro das ações de engajamento deste ano do projeto Bota na mesa – “Diretrizes para a Inclusão da Agricultura Familiar na Cadeia de Alimentos”. Entrando no quarto ano de atuação, o projeto encabeçado pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade (FGVces) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com a Citi e patrocínio da Citi Foundation, busca promover a inclusão da agricultura familiar na cadeia de produção de alimentos e abastecimento de grandes centros urbanos. Os próximos passos do projeto foram apresentados e discutidos na terça-feira (20/02), com agricultores, especialistas dos setores públicos e privados, na sede do FGVces, em São Paulo (SP).
Nos dois primeiros anos de atuação, o projeto buscou entender os desafios, entraves e dificuldades de acesso a determinados mercados para estabelecer estratégias que pudessem apoiar na comercialização dos produtos. Nesse período o Bota na Mesa identificou e acompanhou 14 iniciativas de sucesso encabeçadas agricultores de todas as partes do Brasil por meio de uma chamada pública.

Nesta segunda etapa, o projeto dá visibilidades às questões ambientais e climáticas que impactam na produção da agricultura famíliar. Segundo o você-coordenador do Centro de Estudos em Sustentabilidade (FGVces) da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas, Paulo Branco, o conjunto de conversas envolvendo vários atores busca debater a perspectiva das empresas e governo às questões da agricultura familiar.
“Temos outros exemplos muito concretos de projetos como estes, com conjunto de conversas envolvendo vários atores como a nossa aqui, que se desdobrou em práticas empresariais e lá na ponta provocou agente do governo a criar um instrumento de regulação de mercado. Aqui é onde eles [representantes de empresas e governo] vêem essas diretrizes aqui construídas a muitas mãos, contribuindo para lidar com esses desafios”, diz Branco.

Governo

De acordo com a diretora técnica da Secretaria Estadual do Meio Ambiente de São Paulo, Araci Kamiyama, existe um protocolo institucionalizado das práticas de transição criado pelo órgão que orientam produtores no processo. “É a institucionalização, enquanto governo, junto à sociedade civil, do reconhecimento dessa dificuldade e do tempo que o produtor precisa, orientar, trazer com ele assistência técnica e rural, de que ele está em processo e possa já começar a acessar novos mercados”.
“Ninguém dorme convencional e no outro dia acorda orgânico. Existe todo um caminho que as vezes você não vai transformar em orgânico, mas apenas adotar boas práticas, que não devem ser chamadas de orgânicas porque deveriam ser o básico de uma produção”, ressalta Araci.
Araci ressalta a importância de o governo reconhecer, além dos dados, a agricultura familiar como um ator responsável pela segurança alimentar e suas especificidades. “Antes mesmo de orgânico e agroecológico, a gente está falando de acesso a alimentos frescos, in natura, mais saudáveis. A agricultura orgânica e agroecológica não é apenas viável em pequena escala, mas em pequena escala ela é obrigatória, senão não é viável e ela se relaciona muito mais direto com os recursos naturais, dependente do meio ambiente”, destaca.
Para Araci, só depois de reconhecer efetivamente isso é que o governo irá agir com políticas públicas priorizando a agricultura família. Além disso, muitos projetos criados pelo governo acabam sendo mal sucedidos ou não ganham escala pela ausência uma elaboração não participativa.  “A falta de continuidade de políticas públicas é um problema muito grande, principalmente com a transição de governo. Mas também temos uma dificuldade muito grande, enquanto governo, de fazer o planejamento de uma nova ação ou projeto, de forma participativa e intersetorial”, comenta.

Empresa

Representando o lado empresarial, o engenheiro agrônomo da Walmart, Thiago Fonseca, citou, como um dos pontos desafiadores, a dificuldade de encontrar novos agricultores ou mesmo manter os que já são fornecedores para compra direta de pequenos produtores da empresa. “Hoje nós temos, no Brasil inteiro, uma gama de mais de 200 produtores cadastrados, muitos de pequeno porte para entregar folhagens, por exemplo. E um dos desafios que a gente sempre encontra é a questão da logística, da distância que o produtor está do centro de compra”, explica.
Na questão de logística e infraestrutura e da juventude na agricultura, Fonseca destaca as dificuldades das cooperativas em se manter ou mesmo da criação de novas para viabilizar a venda dos produtos. Dos 200 fornecedores cadastrados para compra direta pela Walmart, apenas 15 são cooperativas.
Um dos pontos citados por ele, linkando com uma das diretrizes de acesso à alimentação saudável à toda população. “Em termos de orgânico, a gente também tem trabalhado bastante em montar espaços exclusivos para isso e a gente vê outras redes fazendo o mesmo. Somos cobrados pelos consumidores e cada vez mais responsáveis pelos produtos que colocamos nas prateleiras”, comenta. Hoje, na média geral da rede Walmart, apenas 2% a 3% das vendas no Walmart correspondem a produtos orgânicos.
A sucessão da gestão das propriedades rurais da agricultura familiar é outra questão abordada nas diretrizes que o engenheiro agrônomo diz ser uma preocupação no varejo. “Muitas vezes, o filho vai estudar na cidade, a família não tem para quem passar o trabalho e a gente perde um fornecedor”, comenta.