Querência é primeiro município a ter plano de agricultura familiar e indígena

FONTE: O Documento

Com uma população de 17 mil moradores e apenas 27 anos de emancipação, a cidade de Querência saiu na frente e se tornou o primeiro município de Mato Grosso a criar o Plano Municipal de Agricultura Familiar e Indígena (PMAFI). Elaborado com a ajuda de técnicos da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf), o PMAFI representa um marco para o segmento de políticas públicas do Estado.
O documento compreende em um mesmo plano, ações que atendem o pequeno produtor e a comunidade indígena. É composto por eixos e estratégias de atuação do governo, sociedade civil e do setor privado. O Plano Municipal é composto ainda por duas cartilhas, que propõem o fortalecimento e desenvolvimento sustentável da agricultura familiar e do povo indígena.
No total, são 259 ações consideradas, organizadas em seis eixos estratégicos: produção sustentável; agregação de valor e comercialização; assistência técnica e extensão rural; regularização ambiental e fundiária; e governança e controle social. Todos esses temas foram definidos por meio de oficinas realizadas em comunidades rurais, assentamentos e aldeias indígenas de Querência, como o Pingos D’água, chacareiros, São Manoel, Canaã, Caiabi, Brasil Novo e Kisêdjê.
Para o superintendente de Agricultura Familiar da Seaf, George Lima, que esteve em Querência participando do lançamento do PMAFI, o documento é inovador na gestão pública e serve como plano piloto para os demais municípios de Mato Grosso. “Dentro do PMAFI de Querência há o passo a passo do que fazer para se criar um plano nos mesmos moldes. Ao auxiliar outras prefeituras sobre o que deve ser feito, o primeiro plano do segmento mostra o quanto é inovador”, comenta o superintendente.
Ele ressalta ainda que o plano de Querência é consequência de um dos eixos do Plano Estadual da Agricultura Familiar, que prevê por parte da Seaf o incentivo e apoio da elaboração de planos municipais da agricultura familiar. “O prefeito que for elaborar os instrumentos de planejamento e orçamento, como plano plurianual e o plano de trabalho anual, vai se basear neste plano municipal, no que tange aos temas que abrangem a agricultura familiar. É um instrumento que de fato retrata as necessidades do município”, comenta George Lima.
Para o secretário de Agricultura de Querência, Luis Vezaro, adotar políticas públicas efetivas, que atendam a real necessidade do pequeno produtor e do indígena, além de gerar renda e movimentar a economia municipal, evita que ocorra o êxodo rural do público jovem. “Muitos jovens acabam indo para cidades maiores em busca de oportunidade de emprego. Nossa preocupação com esse Plano foi também evitar que isso ocorra e fazer com que esse jovem fique na cidade”, comenta Luis Vezaro.
Ainda segundo o secretário de agricultura, 42% da área total de Querência é destinada à comunidade indígena, e, portanto, não seria uma decisão inteligente a nível de gestão pública excluí-los do processo de construção do PMAFI.  Além da Seaf, participaram da elaboração o Conselho de Desenvolvimento Rural Sustentável, a Secretaria Municipal de Agricultura, a Fundação André e Lúcia Maggi e o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM).

Alunos de escola de Vila Rica fazem documentário sobre educação no campo usando celular e ganham prêmio nacional

FONTE: Agência da Notícia
Alunos da Escola Estadual Vila Rica, na agrovila de Santo Antônio da Beleza, em Vila Rica, produziram um documentário para contar a história e mostrar o cotidiano dos estudantes, a estrutura da escola e o envolvimento da comunidade na educação do campo. O projeto denominado “Escola e Comunidade: Vida e Futuro” foi premiado na 4ª edição do Desafio Criativos da Escola.
De acordo com o professor orientador do projeto, Felipe Tamuxi, o documentário conta sobre a vida dos alunos, a história da escola e o conteúdo que aprendem. Além disso, eles finalizam o conteúdo falando das perspectivas que eles têm para o futuro.
“Os alunos são de famílias humildes, que vivem da agricultura familiar. No documentário eles mostram as dificuldades enfrentadas. Eles se levantam às 5h, tiram leite, plantam e colhem. Depois pegam ônibus que, na maioria das vezes, quebra na estrada”, explicou.
Como está localizada a cerca de 45 km do centro urbano, os próprios moradores construíram a escola – que é multisseriada – e lutam para a manutenção dela.
Além das dificuldades, segundo Felipe, os alunos contam no documentário sobre o que aprendem na escola e como ela deve ser valorizada.
“Eles dizem que querem se formar na faculdade e um dia poder voltar na comunidade para trabalhar e ajudar as pessoas. Esse trabalho foi motivador. A escola do campo é muito desvalorizada, mas, mesmo com as condições precárias, a gente pode fazer realizar sonhos”, ressaltou.
O professor conta que o documentário foi gravado com os próprios celulares dos já que a escolar não tem recursos. A edição do curta-metragem também foi editado por meio de aplicativos de celular.
“Foi difícil, mas no final deu tudo certo. Quando apresentamos o resultado para a comunidade, muitos se emocionaram e tanto os alunos quanto a comunidade em geral se sentiram valorizados”, pontuou.
O prêmio
O projeto dos alunos “Escola e Comunidade: Vida e Futuro” foi um dos 11 trabalhos premiados. Mais de 1,6 mil projetos de todo Brasil participou do concurso.
O documentário dos alunos foi o único premiado em Mato Grosso.
No dia 4 de dezembro três alunos e o professor orientador devem ir para Fortaleza (CE) para receber o prêmio que é R$ 1,5 mil para investir no projeto, R$ 500 para o professor, um certificado e um troféu simbólico para a escola.
A escola
A comunidade começou teve início há 11 anos. No entanto, não havia nenhuma escola na região. A comunidade tem aproximadamente 200 famílias que vivem diretamente da agricultura familiar.
De acordo com Felipe, os próprios moradores conseguiram tábuas e, sem nenhum recurso financeiro, eles se reuniram e construíram a escola.
“No documentário os alunos resgataram a história do assentamento e como a educação se desenvolvem na escola”, disse.
Segundo o professor, o governo já iniciou as obras de reforma da escola várias vezes, mas nunca foi finalizada. Mas, após a iniciativa dos alunos e cobrança da comunidade, as obras foram retomadas e uma nova escola já está sendo construída no local.

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