Agricultores familiares são os maiores produtores de hortaliças e frutas do Brasil

da Redação

A produção agrofamiliar é responsável por dois terços da produção de frutas, verduras e legumes da horticultura em todo o país; o segmento representa 67% dos 15 milhões de produtores rurais brasileiros.

Foto: Região dos Vales

Ocupando a terceira posição em maior produção mundial de frutas, o Brasil produz aproximadamente 45 milhões de toneladas ao ano, 65% das quais destinadas a consumidores internos e 35% para o mercado externo.

Na outra ponta, temos uma produção de hortaliças que é altamente diversificada e segmentada, com destaque para seis espécies: batata, tomate, melancia, alface, cebola e cenoura.

O crescimento de consumidores que buscam uma alimentação mais saudável e natural tem encontrado na agricultura familiar a diversidade e a qualidade de produtos para sua dieta. Nos cultivos de morango e pepino, por exemplo, os agricultores familiares produzem 80% da cultura. Alface, batata-doce, pimentão e couve, mais de 60%. Nas lavouras de ciclo longo, seguem liderando o cultivo da uva e do maracujá. Nas temporárias, a mandioca e o abacaxi.

O plantio de frutas e hortaliças tem sido uma opção cada vez mais lucrativa para pequenos agricultores. Isso porque, nas culturas mencionadas, não é necessário uma grande produção para a geração de lucros. Sem contar que o investimento nesse mercado permite que, além da venda direta da fruta, produtos secundários sejam produzidos, como polpas, geléias, conservas, etc.

Muitos agricultores familiares têm investido na produção de polpa a partir das frutas colhidas, pois apenas uma fruta rende em média três polpas. Uma ótima relação custo-benefício.

Esse setor é extremamente atrativo e vantajoso, pois o fato do Brasil ser um país tropical faz com que o clima seja propício para o plantio de diversas espécies, além de já possuir uma grande variedade de árvores frutíferas bem ambientadas.

A produção de hortaliças além da diversificação, tem uma garantia maior de comercialização e consumo em diferentes regiões do país, com destaque para o alface, a batata, a cebola, a cenoura e o tomate. Ainda geram renda as hortaliças orgânicas, que ganham cada vez mais espaço no Brasil e que agregam valor na hora da venda.

A multivariedade de culturas plantadas proporciona segurança aos agricultores. Garante oportunidades durante todo o ano e oferece a possibilidade de conquista de novos consumidores, seja na venda direta ou negociando com mercados locais e feiras.

O Brasil possui uma produção de frutas com destaque no mundo: banana, uva, maracujá, melancia, laranja, mamão, limão, goiaba, jabuticaba, entre muitas outras. O abacaxi também está em alta. Apesar de não ser de cultivo tão fácil, gera um grande retorno após a colheita.

Conheça a importância da agricultura familiar para o país
Foto: Blog da Bel Agro

Frutas incomuns também vêm ganhando cada vez mais espaço. São os casos da pitaya e da lichia. O preço avulso da pitaya, por exemplo, varia de R$ 10 a R$ 25 a unidade na época da safra, com uma colheita que dura em média sete meses (outubro a maio).

Um dos fatores mais importantes da variação na produção de frutas e hortaliças é a possibilidade de colheita de uma variedade em caso de problemas com outra, além do cultivo de produtos que permitem colheitas rápidas.

Além disso, o acompanhamento das tendências de mercado pode gerar muitos lucros para os pequenos proprietários rurais.

Agricultura Organica: Tudo o que você precisa saber

A agricultura organica, também conhecida como produção orgânica, tem por base causar os menores danos possíveis ao biossistema. Esse fundamento ajuda a entender um pouco sobre as técnicas usadas no manejo orgânico, que usa culturas baseadas nos processos biológicos presentes na natureza.

Ou seja, a agricultura orgânica consiste em um processo de plantio o mais natural possível e livre de produtos sintéticos, como fertilizantes ou agrotóxicos. Para isso, são utilizados adubos orgânicos gerados pela compostagem, racionamento de água, entre outros métodos.

Em meados dos anos 20 nasce a primeira definição de Agricultura orgânica através do britânico Albert Howard . Os estudos de Albert frisavam que o ideal de plantação para preservar o solo seria utilizar matéria orgânica. Dentre os vários métodos estudados por ele, foi verificado que essa modalidade é positiva tanto para a natureza quanto ao ser humano, consumidor final de toda a cadeia de produção.

agricultura organica

Na década de 70 ocorreu uma vasta disseminação desse fora de plantar nos Estados Unidos. Por aqui em nosso país essa forma de agricultura só começaria a dar seus passos na década seguinte. A preocupação com a qualidade dos alimentos e consequentemente a qualidade de vida , junto aos princípios de preservação da natureza alavancou o uso da agricultura orgânica em no Brasil.

A princípio, o que era um estilo adotado exclusivamente por produtores de frutas e hortaliças se popularizou pouco a pouco como alternativa sustentável à produção convencional. Por isso, vemos, com mais frequência, a presença de alimentos orgânicos nas prateleiras dos mercados.

Segundo dados do IPEA, a agricultura organica no brasil apresenta números surpreendentes, pois somos os maiores produtores de arroz orgânico de toda a América Latina, produzindo mais de 27 mil toneladas ao ano. Além disso, também lideramos a produção mundial de açúcar orgânico.

Quais são os processos na agricultura organica?

Vimos acima o que é agricultura orgânica e agora vamos compreender mais a respeito de como funciona esse sistema sobre como esse sistema funciona. Uma de suas principais características é que ela adapta sua produção ao clima , relevo e espaço do ambiente em que está situada. Como citado no primeiro tópico, na produção é utilizado adubo natural, dispensando-se o uso de praguicidas ou qualquer outro tipo de produto químico. Outro ponto importante quando falamos em plantio orgânico é a rotação de cultivo, onde varia-se o que é plantado naquela área.

agricultura organica

Alimento convencional e alimento orgânico. Principais diferenças.

Os alimentos orgânicos não contém agrotóxicos e químicas prejudiciais à saúde. Uma das principais vantagens é o fato de terem diferenças nutricionais significativas em sua composição se comparados com alimentos convencionais. Inúmeros estudos foram realizados visando mensurar essas diferenças. Desses estudos, constata-se que houve um aumento considerável de vitaminas e nutrientes.

Economicamente, quem se sai melhor? O alimento convencional ou o alimento orgânico?

Em relação à saúde, os produtos orgânicos dispõem de mais garantia ao consumidor nesse aspecto. Consumidores estes que têm uma preocupação com a ética ambiental, e social daquilo que compram. Consequentemente, devido a toda cadeia de produção diferenciada envolvida, no fim das contas os produtos orgânicos acabam indo para as prateleiras com um valor mais caro em relação aos produtos convencionais. Levando-se em conta essa produção com custo elevado pois depende das mais complexas técnicas , os produtos orgânicos acabam sendo consumidos pelas classes sociais mais abastadas que vivem nos grandes centros urbanos.

Assim, urge a necessidade de novas políticas públicas e regulamentação visando incentivar a produção orgânica. Uma forte legislação que proteja e apoie esses pequenos produtores, resultando em preços mais competitivos em comparação com aqueles praticados pela agricultura tradicional.

Via de regra a agricultura orgânica é praticada por pequenos produtores, entretanto já existem grandes empresas focando na produção de alimentos orgânicos, voltadas a suprir a demanda de um tipo específico de consumidor que faz questão de pagar mais caro por eles e é motivado por questões ideológicas , ambientais e de bem-estar.

Há também nesse mercado a presença cada vez mais constante de empresas ligadas a algum tipo de denominação religiosa. São denominações que possuem crenças voltadas para a preservação do meio ambiente e da saúde humana.

Superfotossíntese pode acelerar agricultura em 40%

FONTE: Super Interessante

A correção de um “engano” genético torna as safras bem mais eficientes.

Não é segredo para ninguém que, por meio da fotossíntese, as plantas produzem seu próprio alimento. Utilizando a luz solar como fonte de energia, elas sintetizam moléculas orgânicas a partir do gás carbônico (CO2) e da água. O subproduto disso é o oxigênio (O2). Mas, nesse processo, há uma falha evolutiva: a enzima que captura o CO2, chamada de RuBisCo, às vezes pega uma molécula de O2 por engano. O resultado é um grande gasto de energia por parte da planta para corrigir o erro.
No passado, isso não era um problema: quando a fotossíntese surgiu, a atmosfera da Terra era rica em CO2 e pobre em O2. Mas esses níveis se inverteram nos últimos 3,4 bilhões de anos, justamente por “culpa” dos seres fotossintetizantes. Hoje, a “fotorrespiração” (nome científico do engano) é tão demandante para os vegetais que reduz a eficiência da fotossíntese em até 50%. “Poderíamos alimentar até 200 milhões de pessoas com essa energia perdida”, diz Donald Ort, da Universidade de Illinois. O time do pesquisador decidiu interferir no processo: usando engenharia genética, criaram um atalho que reduz o gasto energético na correção da fotorrespiração. Sobra mais para a fotossíntese, que bomba o crescimento das safras. Eles conseguiram um ganho de 40% de eficiência em laboratório, e pretendem replicar o método para plantações de soja, tomate, arroz e batata.

Agroecologia Política: imperativo para o século XXI

FONTE: Carta Maior
A Agroecologia como uma nova ciên­cia, nascida na América Latina nos anos 1970, vem se mostrando como um potente enfoque teórico capaz de apoiar processos de transição das agriculturas e dos sistemas agroalimentares insustentáveis, de natureza industrial e dominados pelo merca­do capitalista, para a direção de sistemas mais sustentáveis e mais de acordo com os ideais de sustentabilidade e os princípios da segurança e da soberania alimentar. Como destacou o colega Gliessman, recentemente, a Agroeco­logia nos oferece um conjunto de técnicas e metodologias que permitem “o redesenho dos sistemas agroalimentares do campo à mesa”.
Do ponto de vista prático, temos observado avanços significativos das diferentes experi­ências agroecológicas tanto no mundo, como na América Latina, mas, particularmente no Brasil, onde elas se espalham pelas diferentes regiões do nosso imenso território, respon­dendo às características dos diferentes agro­ecossistemas e sistemas culturais dos grupos sociais implicados. Muitos esforços têm sido realizados para sistematizar e dar visibilidade a essas experiências; no entanto, ainda esta­mos longe de cumprir com essa tarefa.
Não obstante, tem-se observado que mi­lhares de experiências, em geral, se mantêm localizadas, em nível de unidade de produção ou, em poucos casos, abrangendo comunida­des rurais ou territórios. Isso se deve, em mi­nha opinião, principalmente, a três questões: por um lado, a necessidade de ampliar a cons­ciência e a abrangência de produtores e con­sumidores sobre os impactos socioambientais gerados pelo modo atual de produção, distri­buição e consumo. Por outro lado, é cada vez mais evidente a carência absoluta, ou profun­dos retrocessos que têm ocorrido nas poucas políticas públicas de apoio à transição agro­ecológica em nosso país. Em terceiro lugar, observa-se, ainda, a ilusão de que só com a adoção continuada de inovações tecnológicas se conseguirá chegar a uma agricultura sus­tentável. Essa é uma falsa ideia, na medida em que os processos de transição não dependem somente de tecnologias, mas requerem impor­tantes mudanças sociais, econômicas e institu­cionais. O que no âmbito do estado se traduz, também, em políticas públicas.
Também se observa, que do ponto de vista tecnológico, técnicos e agricultores mostram domínio crescente das técnicas e formas de manejo capazes de contribuir para o desenho de agroecossistemas mais sustentáveis ou mes­mo para o desenvolvimento de estratégias de comercialização mais sustentáveis do ponto de vista do consumo de matéria e energia e, por­tanto, mais sustentáveis socioambientalmente, como podem ser os diferentes tipos de circui­tos curtos de comercialização.
O acima exposto indica que o “escalona­mento” das experiências agroecológicas já não depende, propriamente, de conhecimentos técnicos, científicos ou populares, mas está sendo obstaculizado pela carência de um ar­senal apropriado de conhecimentos e institui­ções, capazes de ajudar na compreensão e aná­lise dos elementos de insustentabilidade dos atuais modelos hegemônicos de agricultura industrial e sistemas agroalimentares oligopo­lizados, cuja superação não ocorrerá pelo vo­luntarismo de práticas individuais, senão que depende, fundamentalmente, de ação social coletiva.
Daí, a necessidade imperativa de uma Agro­ecologia Política (AP), que, como campo de estudos do âmbito da Agroecologia, seja capaz de promover um entrelaçamento decisivo en­tre Agroecologia e Política, ou seja, a neces­sidade de uma agroecopolítica, que ponha luz sobre a realidade das crises socioambientais e contribua na direção das lutas sociopolíticas que necessitam ocorrer no ambiente institu­cional.
A Agroecologia Política, assim como sua irmã, a Ecologia Política, se sustenta em dois pilares indissociáveis: os marcos cognitivos (conhecimento, ideologia) e marcos institu­cionais (regras, normas, políticas públicas) que deveriam orientar as condutas e as es­colhas individuais e coletivas. Por um lado, a AP se propõe a oferecer uma ideologia (no 18 Revista Eletrônica do Grupo de Pesquisa Jornalismo e Contemporaneidade – PPGCOM/UFPE | melhor sentido da palavra), ou seja, um con­junto de conhecimentos que possam iluminar caminhos em direção à sustentabilidade, isso é, examinar a partir da análise ecológica os atuais modelos de agriculturas industriais e os sistemas agroalimentares dominantes, mos­trando seus elementos de insustentabilidade. Por outro, oferece um programa de normas, regras e de reformas institucionais de estímu­lo à transição agroecológica. E não se trata de um receituário. Aqui, estamos falando de polí­ticas públicas, taxas ambientais do tipo polui­dor-pagador, impostos verdes, isenção de im­postos para alimentos ecológicos, sobretaxa a produtos quilométricos, sobretaxas a produtos químicos contaminantes (agrotóxicos, fertili­zantes químicos), impostos sobre a emissão de gases de efeito estufa, estímulos à captação de carbono, pagamentos por serviços ambientais e/ou proteção da paisagem, assim como uma infinidade de possibilidades que vêm sendo implementadas em diferentes lugares.
Obviamente, no primeiro caso, os avanços na produção dos conhecimentos que orientem as decisões individuais e coletivas (de produ­tores e consumidores) podem ocorrer em âm­bitos mais restritos, desde laboratórios a gru­pos de produção e consumo. Não obstante, o segundo caso depende de ação social coletiva, o que nos remete diretamente para o campo da política, que é a disciplina ou o campo das relações sociais que se ocupa das inter-rela­ções e dos arranjos institucionais que podem ser capazes de potencializar (ou não) proces­sos de transição agroecológica.
Desse modo, quanto mais ampla e abran­gente for a escala em que ocorrem os proces­sos de transição agroecológica, mais e mais eles dependem da política. Assim, em nível de unidade de produção, como vimos antes, a transição poderia ocorrer a partir da tomada de consciência individual ou familiar sobre a necessidade de mudanças no processo produ­tivo e, a partir daí, se lançaria mão do arsenal disponível de técnicas e formas de manejo ca­pazes de levar a produção da direção de mais sustentabilidade, a partir do redesenho dos agroecossistemas de acordo com as condições ecológicas e socioeconômicas locais. Do mes­mo modo, a partir desse nível de consciência sobre a necessidade de mudanças, consumido­res poderiam fazer suas eleições por formas de apoio aos produtores de alimentos ecológicos, por privilegiar os mercados de proximidade, ou produtos de época, etc, e também eles esta­riam contribuindo para mais sustentabilidade. Ambos os casos já estão ocorrendo no mundo todo.
Entretanto, à medida que a transição amplia sua escala, em nível de comunidade, microba­cias, territórios, municípios, estados, nação ou planeta, passam a emergir novas propriedades para as quais as respostas dependem da ação coletiva e do poder político que cada grupo social ou movimento agroecológico possa ter para defender seus interesses, em diferentes arenas de disputa. Reforçando: estamos falan­do de política, de relações de poder.
Nesse sentido, recolocar o processo de co­evolução socioecológica nos seus trilhos da sustentabilidade não é tarefa apenas indivi­dual ou de pequenos grupos comunitários de produtores e consumidores, senão que depen­de de maiorias sociais, de força política sem a qual não será possível avançar na direção da sustentabilidade da agricultura e dos siste­mas agroalimentares, por mais que tenhamos um arsenal técnico e metodológico adequado. Cabe enfatizar, não seremos somente nós, aca­dêmicos, técnicos e agricultores suficientes para impulsionar esses processos de transição em escalas mais amplas. Ou teremos a parti­cipação ativa de maiorias da cidadania (uma politização do consumo) ou os processos de transição agroecológica serão condenados a permanecer como periféricos, invisibilizados, restritos a guetos e a nichos de produção e consumo de alimentos sadios que não geram as transformações necessárias no sistema ca­pitalista organizador da agricultura e dos sis­temas agroalimentares. Por isso, a Agroeco­logia Política se tornou um imperativo para apoiar a transição agroecológica, ainda possí­vel, no século XXI.