ZARC DO FEIJÃO-CAUPI: zoneamento agrícola do feijão tradicional da agricultura familiar brasielira é publicado pelo Mapa

da Redação

ZARC DO FEIJÃO-CAUPI: zoneamento agrícola do feijão tradicional da agricultura familiar brasielira é publicado pelo Mapa

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  •  Jornal O Foco
  • 29 de abril de 2022
  • Atualizado em: 29 de abril de 2022 11:52

Secom CONAFER

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) publicou, na última quarta-feira, 27 de abril, as portarias de Nº 51 a 72 com informações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para o cultivo do feijão caupi, ano-safra 2022/2023. Foram aprovados os zoneamentos realizados nos estados do Acre, Alagoas, Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão e Distrito Federal. As secas têm sido o principal fator da perda de produtividade das lavouras, já que a cultura desta leguminosa exige um mínimo de precipitação de 300 mm para seu crescimento ao longo do ciclo. O feijão-caupi é uma cultura de ciclo curto, que se adapta bem às condições climáticas com altas temperaturas. Esta leguminosa possui dois períodos bem definidos com relação à escassez hídrica, sendo o primeiro o da semeadura, e o segundo, o do florescimento e desenvolvimento de suas vagens. A publicação da Zarc tem como objetivo auxiliar os agentes envolvidos na cadeia produtiva da leguminosa: produtores rurais, órgãos de assistência técnica, agentes financeiros, seguradoras e demais entidades que fazem uso destas informações para o planejamento agrícola e suas ações

Com origem africana e introduzido no Brasil pelos colonizadores portugueses, o feijão-caupi é um alimento proteico e energético, que tem importante papel na segurança alimentar e nutricional, não apenas para os nordestinos e nortistas, como também para grande parte da população brasileira. Por isso, obter o máximo de produtividade desta leguminosa envolve muitos fatores, entre eles o risco climático. Ao seguirem as recomendações estabelecidas pela Zarc, os agricultores podem se precaver dos riscos climáticos no ciclo produtivo do feijão-caupi, podendo ser beneficiados pelo Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Os dados trazidos na Zarc servem de indicadores aos agentes financeiros, que o utilizam como requisito nas concessões de operações de crédito rural, como a contratação do seguro rural e o crédito de custeio oficial, contemplando os cultivos realizados em áreas zoneadas e o plantio de cultivares indicadas nestas portarias. No Brasil, o feijão-caupi também é conhecido como feijão-de-corda, feijão-fradinho, feijão de praia, feijão miúdo e feijão macaçar.

A Zarc tem como objetivo identificar os municípios que se encontram aptos à produção e os períodos de semeadura para o cultivo desta leguminosa nos estados em que foram feitos os zoneamentos, indicando os períodos de plantio menos arriscados, e relacionando as cultivares mais adaptadas a cada região, utilizando como parâmetro três níveis de risco: 20%, 30% e 40%, sinalizando a probabilidade de 80%, 70% ou 60% de a cultura ser bem-sucedida nas condições e locais indicados.

O cultivo do feijão-caupi é predominante na região semiárida do Nordeste e em pequenas áreas da Amazônia, onde sua produção se constitui um importante gerador de postos de trabalho formal, estimulando a economia dessas comunidades e suprindo uma cadeia produtiva que integra o agricultor familiar ao segmento empresarial, incluindo neste ciclo, até sua chegada à mesa dos consumidores, alguns setores de comércio das pequenas cidades e dos grandes centros urbanos do país.

O Brasil é o quarto maior produtor desta leguminosa, que vem ganhando espaço nas áreas de cerrado das Regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, onde é cultivado na forma de safrinha por médios e grandes produtores, de base empresarial, com o uso da mesma tecnologia empregada no cultivo da soja.

Já na agricultura familiar, o principal desafio de sua produção encontra-se na manutenção da qualidade sanitária das sementes do feijoeiro, pois algumas das doenças que atacam a cultura são transmissíveis por meio dessas, provocando a deterioração delas durante o seu armazenamento.

O feijão-caupi, conhecido como feijão-de-corda, é bastante utilizado na culinária nordestina

Aplicativo Plantio Certo

Produtores rurais podem acessar por meio de tablets e smartphones, de forma mais prática, as informações oficiais do Zarc, facilitando a orientação quanto aos programas de política agrícola do governo federal. O aplicativo móvel Zarc Plantio Certo, desenvolvido pela Embrapa Agricultura Digital (Campinas/SP), está disponível nas lojas de aplicativos: iOS e Android. Os resultados do Zarc também podem ser consultados e baixados por meio da plataforma “Painel de Indicação de Riscos”

Com informações do Mapa.

DICA DE CULTURA: cultivar lentilha no Brasil é excelente alternativa de lucro no mercado interno

da Redação

Já pensou em diversificar o seu plantio de hortaliças cultivando a Lens culinaris, popularmente conhecida por lentilha? Então, comece a considerar esta lucrativa possibilidade. O nosso país pouco produz deste grão conhecido há 7 mil anos pela humanidade por seu sabor e alto valor proteico, portanto muito apreciado pela culinária saudável. Como importamos toda a lentilha que consumimos, e grande parte do maior produtor de lentilha do mundo, o Canadá, abre-se uma oportunidade de mercado: há demanda de consumidores e pouca oferta do produto. Mesmo que esta leguminosa tenha mais facilidade com o clima temperado do Sul, a Embrapa trabalha com a espécie há duas décadas, tendo introduzido o plantio no Centro-Oeste por meio de pesquisas com materiais de diferentes partes do mundo, e agora com os avanços do melhoramento genético das suas sementes, temos a garantia do aumento da produtividade e do retorno financeiro para os pequenos produtores de lentilhas

A lentilha é um vegetal com fibras que auxiliam no controle do colesterol e diminuem a absorção de gorduras. Esta leguminosa de alto valor alimentício, importante fonte de proteínas, de vitaminas e minerais como cálcio e ferro, ajuda na perda de peso e na regulação do nosso sistema digestivo, além de ser fácil de cozinhar e proporcionar uma grande diversidade de cardápios.

Em países produtores e tradicionais consumidores, a lentilha verde também é comercializada enlatada. Flocos de lentilha, com aparência similar à de flocos de aveia, podem ser usados em barras nutritivas ou em cereais matinais com o benefício de ter o dobro do teor de proteínas dos cereais. Lentilhas na forma de purê são um ingrediente para bolos e pães, contribuindo para modificar a textura e adicionar fibras e proteínas à massa.

A lentilha é uma ótima opção para pessoas com restrição alimentar relacionadas ao consumo de proteína animal e da intolerância ao glúten. Os grãos de lentilha têm ganhado importância entre aqueles que valorizam uma alimentação saudável e em mercados gourmet. Existe uma demanda crescente de proteína vegetal por segmentos que buscam alimentos saudáveis bem como ampliar o leque de alternativas para dietas vegetarianas ou pessoas celíacas.
O Brasil tem importado a totalidade da lentilha destinada ao consumo. Em 2019, o país importou cerca de 13,5 mil toneladas no valor de US$ 7,2 milhões, 90% do Canadá. Esta importação ocorre pela pela inexistência de tradição de cultivo por parte de nossos agricultores.

A área cultivada no Brasil é muito pequena, apesar de ser uma boa opção para a agricultura irrigada de inverno, principalmente na região do Cerrado, onde essa cultura alcança produtividades de 1.200 a 1.500 kg/ha. Com estas produtividades e alta eficiência na utilização de insumos, espera-se ter em nosso país custos de produção competitivos com os daqueles países produtores que exportam para o Brasil.
Atualmente, graças aos trabalhos de pesquisa realizados pela Embrapa e instituições parceiras, essa tecnologia está disponível, assim como cultivares promissoras. Os poucos trabalhos de pesquisa realizados no país deixam claro que a produtividade potencial da lentilha no Brasil é elevada quando comparada com a produtividade média mundial.
O melhoramento genético tem sido fortemente dependente do setor público, no entanto estes esforços têm sido frequentemente descontínuos. A continuidade no desenvolvimento de cultivares com adaptabilidade às condições edafoclimáticas do país e com resistências múltiplas a doenças, bom rendimento, qualidades industriais e nutracêuticas, associado a uma melhor tecnologia de produção, podem garantir maiores margens de lucro para os produtores e a competitividade da produção empresarial em nível internacional.

Gerar cultivares de lentilha adaptadas ao centro-sul e ao Cerrado do Brasil, com alta produtividade, precocidade de maturação, baixa deiscência, porte da planta ereto e com alto valor nutricional são alguns dos objetivos de projetos de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa.
Uma alternativa viável, neste caso, seria o plantio de lentilha durante a “safrinha”, não apenas como fonte de renda, mas também como adubo verde, uma vez que a leguminosa fixa nitrogênio através de simbiose com bactérias específicas. A introdução da lentilha nos sistemas de produção contribuiria com o aumento da sustentabilidade dos mesmos, uma vez que é espécie de baixa demanda hídrica, além de ser menos susceptível ao ataque de pragas e patógenos.
O fortalecimento de ações de pesquisa voltadas para o melhoramento genético pode ainda contribuir com a redução da importação, como também consolidar o mercado interno fornecendo alternativas aos agricultores brasileiros e ampliando o leque de potenciais ganhos econômicos e rentabilidade.

Com informações do portal da Embrapa e reprodução de matéria assinada pelo engenheiro agrônomo e pesquisador da entidade, Warley Marcos Nascimento.