HERDEIROS DA TERRA LIVRE: presentes no ATL em Brasília, povo pataxó no litoral baiano simboliza a existência e a cultura originária da terra

da Redação

Grande parte do vocabulário brasileiro, das palavras e expressões da nossa cultura, da rica culinária, dos modos e costumes que praticamos há séculos, foram herdados dos primeiros moradores deste imenso continente: os povos originários sul-americanos. Faz 81 anos que ocorreu o 1º Congresso Indigenista Interamericano, em 19 de abril de 1940, no município de Pátzcuaro, no estado de Michoacán, no México. No Brasil, em 1943, o governo Vargas editou o decreto criando o Dia do Índio, dedicado aos povos indígenas. Existe uma discussão sobre o aspecto pejorativo do substantivo masculino índio, associado ao colonialismo europeu e ao genocídio que ocorreu em toda a América. Por isso, a palavra indígena tem sido utilizada como forma correta para designar os povos autóctones, isto é, nativos, aqueles que aqui viviam antes da sua colonização pelos europeus. Então, indígena é aquele que chegou primeiro, originário, por isso os povos originários. Como os pataxó de Santa Cruz Cabrália e Porto Seguro, agricultores familiares filiados a CONAFER, e que estiveram presentes com mais de 300 representantes da etnia, durante o Acampamento Terra Livre, entre 4 e 14 de abril, na capital federal

No mundo originário, viviam nas Américas algo em torno de 60 milhões de indígenas quando Colombo desembarcou em 1492. Alguns historiadores atestam que este número teria chegado a 100 milhões. 500 anos depois, estima-se que mais da metade destas populações indígenas tenham sido dizimadas por febres, bactérias, vírus, doenças e ações de extermínio de milhares de etnias por parte dos colonizadores.

O Brasil é um dos países onde houve maior diminuição da população indígena. Dos 6 milhões que viviam no território atual do Brasil, antes dos portugueses desembarcarem na tarde de 22 de abril de 1500, quando a esquadra de dez naus, três caravelas e cerca de 1,2 mil homens comandada pelo navegador português Pedro Álvares Cabral atingiu o litoral sul da Bahia, na região da atual cidade de Porto Seguro, 1 milhão de indígenas mais do que resistem, eles existem porque são os nativos da terra, sempre acompanhados pela coragem em manter sua autonomia e sabedoria para enfrentar uma sociedade preconceituosa e injusta que se desenvolveu ao longo de todo este tempo.

Proteger os seus territórios, preservar costumes e tradições, saber dialogar com as instituições do Estado brasileiro, agir para realizar as autodemarcações e buscar o direito à posse dos territórios originalmente ocupados por mais de 3 mil etnias, agora reduzidas a 300, é o desafio das novas gerações.

Em Santa Cruz Cabrália e Porto Seguro, os agricultores familiares originários se filiam à CONAFER

Existem evidências da agricultura indígena existir há 10 mil anos. Hoje, em 2022, produzir em sua própria terra permanece desafiador. Como revela Reinaldo Pataxó, cacique da Aldeia Velha, de Porto Seguro: “estamos juntos todos os guerreiros, caciques, pajés, nosso objetivo aqui em Brasília, no Terra Livre, é lutar pelas demarcações, contra o marco temporal, buscando melhoria para todas as aldeias, todos os parentes, um encontro para lutar pelos nossa existência”. “Na Aldeia Vermelha são 500 famílias, 2,1 mil indígenas plantando feijão, mandioca, cacau, laranja, arroz, diversas roças em nosso território, por isso lutamos pelo direito à nossa terra”.

Da esquerda para a direita, Reinaldo Pataxó, cacique da Aldeia Velha, de Porto Seguro, o vice-cacique Timbira Pataxó da Aldeia Coroa Vermelha, de Santa Cruz Cabrália, Zeca Pataxó, cacique da Aldeia Coroa Vermelha e coordenador do MIBA, Movimento Indígena da Bahia, e Geovane Pataxó, liderança da Aldeia Gurita, TI Comexatibá

Para o vice-cacique Timbira Pataxó da Aldeia Coroa Vermelha, de Santa Cruz Cabrália, local onde os portugueses desembarcaram há 522 anos, onde houve o primeiro encontro e a primeira missa, “a presença dos povos pataxó no Terra Livre foi muito importante para a garantia dos direitos consagrados pela Constituição, a nossa presença é importante, porque somos os donos desta terra. E o apoio da CONAFER é muito bem-vindo, somos 1,2 mil famílias, 5 mil indígenas, nosso povo precisa desta parceria para melhorar nossa produção e na luta contra as ameaças ao nosso território”.

O editor de jornalismo da CONAFER, Wilson Ribeiro, entrevistou as lideranças pataxó durante o Terra Livre

Zeca Pataxó, cacique da Aldeia Coroa Vermelha e coordenador do MIBA, Movimento Indígena da Bahia, estamos aqui com mais de 5 mil indígenas de todo o país, com mais de 300 indígenas da nossa etnia vindos do sul da Bahia, o que é uma satisfação muito grande. Tudo em busca de melhorias, de saúde e educação melhores, estamos reunidos para levar à nossa aldeia uma boa resposta. Em relação ao movimento indígena, nós cuidamos do Norte, Sul, Leste e Oeste do estado da Bahia. Conhecemos a sede da CONAFER, os seus projetos, e nós não podemos ficar de fora. Nosso povo vive da agricultura familiar, trabalho da pesca, do artesanato, das culturas da mandioca e farinha de cuba, do abacaxi, melancia, e também da pecuária, de corte e leite, temos buscado autonomia para trabalhar pela melhoria de todos”.

Ãdxuara Pataxó, artesã na Aldeia Gurita, de Porto Seguro, falou da luta pela demarcação da sua terra

Ãdxuara Pataxó, artesã na Aldeia Gurita, de Porto Seguro, falou da sua participação no Terra Livre: “estou em Brasília pela luta dos direitos e demarcação da nossa terra. Eu faço parte de um grupo de cultura, o nosso artesanato é apresentado nas praias e diversos lugares, e também trabalho com a medicina do nosso povo”.

Outra liderança da comunidade presente no Terra Livre foi Geovane Pataxó, também da Aldeia Gurita, TI Comexatibá. Na suas palavras, “a sua luta é para não tirar nenhum centímetro de terra, porque quem invadiu foram os europeus, e portanto, os povos indígenas vão seguir em sua luta porque somos os verdadeiros donos de nossa terra. Sobre a agricultura familiar, plantamos abacaxi, milho, feijão, aipim, e agora com o relacionamento saudável com a CONAFER, ela chegou para somar com os nossos parentes, teremos bons frutos para nós e para a CONAFER”.

É só ver o que mais se produz no Brasil, e teremos a prova da influência da cultura agrícola indígena: a mandioca, o feijão, o milho, o peixe, as frutas, a caça, o extrativismo, o agroflorestamento, a produção de sementes, a medicina, tudo produzido de forma agroecológica, com rotatividade de terrenos, totalmente sustentável, como é definida a produção agrofamiliar em qualquer parte do mundo.

A CONAFER e o seu compromisso com os agricultores indígenas

A Confederação se dedica diariamente às questões e tradições indígenas, amparados na Lei 11.326 de 2006, que inclui os povos originários como agricultores familiares, portanto, fazendo parte do segmento mais importante do campo, pois integram a força econômica que alimenta mais de 70% das famílias brasileiras todos os dias e garante a nossa segurança alimentar.

Os projetos da Confederação são levados até os territórios, fomentam o desenvolvimento socioeconômico nas aldeias por meio de capacitação técnica para aumento da produção agrícola, estímulo ao empreendedorismo rural, e ao mesmo tempo, com parcerias e ações de resgate das culturas ancestrais, atuando estrategicamente dentro das comunidades, mantendo uma política de fortalecimento das etnias, formando uma rede forte e autônoma dos povos originários.

Assim, a CONAFER atende as demandas das comunidades indígenas, desde o cultivo de diversas culturas até o resgate das expressões linguísticas e formas de arte, na releitura de suas histórias e ancestralidades, promovendo a riqueza da sua culinária sustentável, a medicina curadora da floresta e uma agricultura totalmente sustentável.

Esta é a melhor homenagem aos povos originários: atuar pelo direito das futuras gerações crescerem com total independência, colhendo um tempo de paz e harmonia em seus territórios sagrados.

Somos todos responsáveis pela proteção da vida na Terra

da Redação

Hoje é comemorado o Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio. A data foi escolhida pela Assembleia Geral das Nações Unidas para marcar o dia da assinatura do Protocolo de Montreal, firmado em 1987. O protocolo foi importante para a proteção da camada, já que reduziu a produção e o consumo de produtos que causam seu desgaste. A camada de ozônio é um fino envoltório formado por gás ozônio (O3), que envolve a Terra e protege os organismos vivos da radiação emitida pelo Sol. Sem esta camada, localizada a 25 e 30 km acima da superfície (estratosfera), a vida no nosso planeta como conhecemos hoje deixaria de existir.

Destruição e buraco na camada de ozônio

Infelizmente, substâncias produzidas pelo homem começaram a destruir a camada de ozônio. As primeiras evidências dessa agressão ocorreram em 1977, quando cientistas britânicos observaram um grande buraco na região localizada sobre a Antártida. A partir desse estudo, várias outras pesquisas demonstraram pontos ao redor do mundo onde essa camada tornou-se mais fina.

A diminuição da espessura da camada de ozônio é um problema sério. Nas regiões onde se observou essa diminuição, percebe-se que é maior a incidência de alergias e problemas nos olhos, tais como catarata e cegueira, e na pele, como cânceres. Além disso, a radiação também afeta plantas e outros seres, como é o caso do plâncton.

Sem a proteção do ozônio, surge o efeito estufa

Quando os raios solares atingem a superfície do planeta Terra, parte da energia é refletida para o espaço e a outra parte fica aprisionada na atmosfera em função dos gases nela presentes. Essa capacidade de captar e reciclar a energia emitida pela superfície do planeta é chamada de efeito estufa, causando o aumento da temperatura da Terra pela retenção do calor por certos gases atmosféricos, sendo que a poluição o intensifica e causa o aquecimento global.

3 atitudes importantes que podem reduzir o efeito estufa

  • Faça a reciclagem do lixo, e se possível, a reutilização de insumos.
  • Quando possível, evite utilizar o carro, e prefira a caminhada ou os passeios de bicicleta.
  • Cultive plantas e vegetações, seja dentro de casa ou no próprio quintal.

Quem nos trata como filhos, merece todo o amor e respeito

22 DE ABRIL. DIA DA MÃE TERRA.

da Redação

O Dia da Terra é para lembrar que a luta em defesa da natureza e a sua importância para o desenvolvimento da consciência ambiental são decisivos para a sobrevivência do planeta e dos seus 8 bilhões de habitantes

A mãe Terra com seus seis sextilhões de massa, abriga em toda a sua crosta, bilhões e bilhões de espécies e subspécies de animais e plantas, todos vivendo em perfeito equilíbrio desde a sua formação geológica há 4 bilhões de anos.

Mas apesar de ser o único lugar do nosso sistema solar capaz de nos acolher e nos proteger, o lar onde vivemos, a Terra segue sendo agredida e degradada diariamente em todos os seus ecossistemas, acelerando a chegada do problemas criados a partir do aumento do efeito estufa e as mudanças climáticas decorrentes deste fenômeno causado, em grande parte, pela civilização moderna.

Por isso, a agricultura familiar, como representante maior da produção alimentar agroecológica, tem o dever de dar o exemplo nos cuidados com a biosfera terrestre, protegendo a atmosfera e outros fatores abióticos do planeta, permitindo a proliferação de organismos aeróbicos, bem como a formação de uma camada de ozônio, a qual, em conjunto com o campo magnético terrestre, bloqueia radiação solar prejudicial, permitindo a vida no planeta.

As propriedades físicas do planeta, bem como sua história geológica e órbita, permitiram que a vida persistisse durante este período. Acredita-se que a Terra ainda viverá 1 bilhão de anos até ser pulverizada pela ação do Sol que vai morrer neste tempo, engolindo os planetas rochosos durante sua expansão (o que inclui a Terra, que será devastada no processo).

Enquanto este tempo quase infinito não chega, as próximas gerações precisam ser protegidas e educadas nos cuidados ambientais.

São muitas medidas e ações que precisam ser tomadas diariamente, como:

Economizar água, evitando o seu desperdício.

Substituir as lâmpadas comuns pelas fluorescentes.

Usar a energia com economia.

Deixar o carro de lado e caminhar mais.

Plantar árvores e cultivar plantas.

Separar o lixo orgânico do lixo reciclável.

Diminuir o uso de combustíveis fósseis.

Promover hortas coletivas nas áreas urbanas.

Cuidar dos animais de rua e da fauna silvestre.

Encontrar-se com a natureza.

A agroecologia e sua importância na preservação da Terra

Veja os principais benefícios que o sistema agroecológico pode oferecer buscando a sustentabilidade do planeta

  1. Produção Sustentável
    Nos sistemas agroecológicos o objetivo é trabalhar a terra de modo que ela permaneça sempre produtiva e não que seja usada ao máximo até seu esgotamento. Dessa forma, são considerados todos os recursos envolvidos no ciclo da agricultura: plantas, animais, minerais e microrganismos. A integração desses elementos naturais reduz a dependência de insumos externos, o que reduz os custos econômicos dos produtores. A produção sustentável, portanto, traz resultados permanentes, estáveis e a longo prazo.
  2. Trabalho Justo
    O método de produção agroecológico tem como consequência a promoção de boas condições de trabalho para o trabalhador rural, isso porque não há o manuseio de substâncias químicas perigosas, além de que o conhecimento dessas pessoas em práticas de cultivos tradicionais é um bom aliado nesse sistema, portanto, é valorizado. O fortalecimento da agricultura familiar é um outro aspecto promovido pela agroecologia, que se baseia na mão de obra familiar e em sistemas produtivos complexos, adaptados às condições locais, o que promove a fixação do homem à terra.
  3. Preservação do meio ambiente
    A prática agroecológica promove a manutenção da biodiversidade e a estabilidade natural dos ecossistemas. Também, favorece a reciclagem de nutrientes importantes para a formação dos solos, ou seja, tem a capacidade de recuperar e manter a fertilidade dos solos. Ainda, preserva os recursos naturais através da utilização racional.
  4. Evita o uso de agroquímicos
    Na agroecologia ocorre a substituição de fertilizantes artificiais por adubos naturais, de modo a reduzir a contaminação de solos e águas superficiais e subterrâneas. Também não se utilizam os pesticidas que também podem eliminar organismos vivos do solo e afetar o equilíbrio dos ecossistemas. Ao contrário, no sistema agroecológico tenta-se entender os sistemas complexos e diversos da natureza e aprender com eles para que se obtenha maior produtividade com o mínimo de insumos externos.
  5. Não utiliza transgênicos
    A utilização de sementes transgênicas é insustentável, pois incentiva o uso de insumos externos por serem mais resistentes às substâncias. Os transgênicos também podem provocar a perda de biodiversidade quando da contaminação de sementes transgênicas com as não transgênicas. Também não se sabe ao certo se o uso prolongado de alimentos transgênicos pode causar alterações na saúde humana.

*Fonte: Instituto Jurumi
http://www.institutojurumi.org.br/p/doe.html

Publicadas novas diretrizes para compra de terras por agricultores familiares

da Redação

Inclusão da definição do Programa Nacional de Crédito Fundiário – Terra Brasil e a simplificação do acesso a essa política pública estão entre os principais ajustes apresentados para o financiamento

A Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) publicou o novo Regulamento Operativo do Fundo de Terras e da Reforma Agrária e do Subprograma de Combate à Pobreza Rural.

A Portaria 133/2020 traz a definição de diretrizes gerais do fundo público para o financiamento de compra de terras para camponeses, agricultores familiares e trabalhadores rurais, além de normas para a gestão e a destinação dos recursos.

Entre os principais ajustes apresentados no texto está a inclusão da definição do Programa Nacional de Crédito Fundiário – Terra Brasil e a simplificação do acesso a essa política pública.

O Programa Nacional de Crédito Fundiário – Terra Brasil oferece condições para que os agricultores sem acesso à terra ou com pouca terra possam comprar imóvel rural por meio de um financiamento. Além da terra, os recursos financiados podem ser utilizados na estruturação da propriedade e do projeto produtivo, na contratação de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) e no que mais for necessário.

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Segundo o Mapa, para reduzir o fluxo de tramitação das propostas de financiamento, no âmbito do Terra Brasil, as diversas etapas de controle social, com sindicatos, conselhos municipais e conselho estadual foram transformadas na “Etapa Única de Controle Social no Município”, por meio do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável (CMDRs).

O documento dá maior autonomia ao agricultor, que passa a poder comprovar o seu trabalho na atividade rural por meio de uma autodeclaração de elegibilidade, acompanhada de documentação probatória de experiência, renda e patrimônio.

O novo regulamento também substitui a necessidade de apresentação de uma “Proposta de Financiamento” pela elaboração de um “Projeto Técnico de Financiamento”, contendo viabilidade e capacidade de pagamento com responsável técnico (ART). A mudança visa a redução das etapas de análise e a realização da gestão de riscos agropecuários e climáticos, com a melhoria no planejamento das atividades do produtor e a viabilidade produtiva da propriedade rural.

Essa alteração exigirá maior empenho, horas de trabalho e despesas obrigatórias às empresas de ATER, responsáveis por auxiliar o agricultor na elaboração do novo formato de projeto. Por isso, de acordo com o novo texto, o valor destinado à ATER, passa a ser de até R$10 mil. Desses, até R$ 2.500 podem ser destinados ao pagamento dos custos de apoio à elaboração do projeto técnico de financiamento.

Houve também um aumento no valor para investimentos básicos e produtivos, que, no âmbito do Fundo de Terras, era até R$ 27.500 e agora, pode chegar, por beneficiário, a 50% do valor total do financiamento. Permitindo maior flexibilidade no planejamento das atividades e os investimentos necessários para viabilizar o imóvel rural a ser adquirido com o crédito.

De acordo com o Mapa, as medidas visam ainda ampliar a participação dos governos municipais na execução do Terra Brasil e dar maior autonomia do Mapa na normatização do Programa.

A Portaria 133/2020 traz ainda informações adicionais sobre: regime jurídico do imóvel financiado; detalhamento das competências das instituições públicas e privadas de ATER; previsão de sanções pela não observância dos normativos, de informações falsas e danos ao Fundo de Terras e da Reforma Agrária; e criação de instância recursal: ampla defesa e contraditório.

Informações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Veja a Cartilha da CONAFER com orientação para financiamento

Antes do preconceito do colonizador havia uma terra sem pecado

da Redação


Documentário “Terra sem pecado”, do jornalista Marcelo Costa, mostra que a homossexualidade era vista de forma natural pelos povos originários 

A luta dos indígenas não se dá apenas no campo da proteção dos seus territórios, mas também na defesa da sua diversidade cultural. Em “Terra sem pecado”, documentário sobre a homossexualidade indígena que está gerando importante debate, o jornalista e diretor Marcelo Costa, revela por meio de depoimentos que existe um movimento de resistência contra a homofobia dentro das comunidades e aldeias. E ele está mais forte e mais colorido.

O curta-metragem aborda a vivência de três indígenas LGBTQ e uma antropóloga indígena, que compartilham com o público suas experiências e visões sobre os preconceitos vividos entre o seu próprio povo e o restante da sociedade. 

Braulina Baniwa, antropóloga indígena e pesquisadora da temática LGBTQ indígena na UnB

“Terra sem pecado” foi lançado nas redes sociais e no YouTube há uma semana, e já acumula mais de 45 mil visualizações. A obra cinematográfica é baseada na pesquisa acadêmica “Homossexualidade Indígena e LGBTQfobia no Brasil: duas faces da mesma moeda”, de 2019. 

Fetxawewe Tapuya Guajajara, Liderança jovem do Santuário dos Pajés

O diretor também fala do surgimento do preconceito sexual no Brasil. Na pesquisa realizada para produzir o curta-metragem, foi encontrada a obra intitulada “Viagem ao Norte do Brasil”, escrita pelo padre francês, Yves D’Evroux, da ordem dos Capuchinhos, em expedição que ocorreu entre os anos de 1613 e 1614, onde um indígena tibira (homossexual em Tupi), pode ser considerado a primeira vítima de LGBTQfobia no Brasil.

Danilo Tupinikim, estudante de Ciências Políticas UnB

“Depois de julgado pela inquisição, e condenado à morte por cometer o pecado nefando, o indígena foi amarrado à boca de um canhão e teve o seu corpo partido ao meio”, relata o diretor Marcelo contando um trecho do livro. O caso ocorreu após a vinda de uma embarcação francesa que trouxe quatro missionários da Ordem dos Capuchinhos, tendo esses padres se instalado no litoral maranhense, e executado o indígena tibira poucos meses após a sua chegada na Ilha de São Luís.

Alisson Pankararu, estudante de medicina UnB

A partir dessa discussão, o documentário também abre importante debate sobre como o processo de colonização afetou as relações sociais no Brasil, impondo um modelo de sociedade que categoriza as pessoas e estabelece padrões. 

“Os povos originários habitam há milhares de anos o território brasileiro, então precisamos dar voz a esta rica cultura ancestral, no sentido de contar a verdadeira história, de apresentar os valores autênticos, mostrando que em tempos remotos não havia o preconceito, que a homofobia não é algo natural entre os indígenas, mas sim uma herança dos colonizadores europeus”, finaliza o diretor.

O diretor Marcelo Costa, de camiseta azul, junto com os indígenas no lançamento do filme

Assista aqui ao filme completo:

Terra Sem Pecado, 2020

Relatório da CPT mostra ofensiva ainda mais intensa contra indígenas e relação de conflitos com terra e água, destaca FIAN

FONTE: FIAN
A Comissão Pastoral da Terra (CPT) lançou o relatório Conflitos no Campo Brasil 2019.
A 34ª edição mostra que a violência no campo aumentou em relação a 2018. O número de assassinatos cresceu 14% (de 28 para 32). As tentativas de assassinato passaram de 28 para 30 (crescimento de 7%) e as ameaças de morte subiram de 165 para 201 (mais 22%).
“A publicação registra o número mais elevado de conflitos no campo dos últimos cinco anos e como se agrava a ofensiva contra os direitos dos povos indígenas no Brasil”, alerta a secretária-geral da FIAN Brasil, Valéria Burity. “Todos esses dados nos deixam ainda mais alertas, porque são gravíssimos.”
As sete lideranças indígenas assassinadas em conflitos no campo representam o número mais elevado dos últimos 11 anos, de acordo com o Centro de Documentação Dom Tomás Balduino, da CPT. Outros dois indígenas foram mortos em 2019.
Valéria lembra a estreita relação de parte desses conflitos com sistemas alimentares e a disputa por água e terra que esses sistemas geram. Oitenta e quatro por cento dos assassinatos registrados ocorreram na região amazônica. Os conflitos pela água registraram um salto de 77% em relação aos 276 do ano passado – número que representavam o recorde até então.
“Além disso, vivemos graves retrocessos de garantia de direitos no Brasil, o que inclui o direito à alimentação, e a FIAN vem denunciado como violência e criminalização são instrumentos de contenção das lutas sociais”, acrescenta a representante da entidade.
A publicação abrange os primeiros 12 meses do governo de Jair Bolsonaro (sem partido), período em que ocorreu também o crime socioambiental da Vale em Brumadinho (MG).
A CPT destaca como grandes empresas têm provocado graves violações de direitos humanos. “Apesar disso, crimes como os que ocorreram em Mariana e Brumadinho nos mostram como estas empresas restam impunes”, critica Valéria Burity.
Conflitos no Campo Brasil 2019 relaciona, ainda, a violência constatada com ações e omissões que se deram no primeiro ano do governo Bolsonaro, a exemplo da transferência para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) da responsabilidade pelo processo de demarcação de terras indígenas, que antes era da Fundação Nacional do Índio (Funai).
O relatório capta o contraste entre as ocupações/retomadas e acampamentos, em quantidade reduzida, e as ações de protesto e reivindicação, que totalizaram 1.301, soma recorde para uma década de série histórica. Para a Pastoral, isso traduz não o arrefecimento da luta das comunidades e movimentos sociais do campo, e sim uma tentativa de manter a resistência diante de um cenário fortemente adverso, “marcado pela total paralisação da política de Reforma Agrária e, mais grave, pela classificação institucional – de forma destacada nas palavras do presidente da República – dos  movimentos sociais do campo como ‘criminosos’, ‘terroristas’ e ‘inimigos do Estado’”.

A grande Mãe Terra pede aos seus filhos que a ouçam e a respeitem

O som que vem da Mãe Terra é do grito da floresta queimada, do lamento do mar poluído, da clemência que corre por seus rios turvos da lama dos minérios, da vibração das montanhas de gelo que derretem aquecidas por uma imensa estufa, do triste trinar do pássaro solitário, do rugido forte do leão ferido, do zunido da abelha sem colmeia, do choro da família que se contamina pelos vírus que alertam sobre a sua dor.
Seremos os algozes da nossa própria Mãe, e por consequência, da nossa existência?
Não, temos de protegê-la todos os dias, todas as horas, a cada minuto, com responsabilidade, atitudes conscientes e amor por este lar que nos fornece tudo o que precisamos para viver.
Cabe a nós, filhos conscientes, dar o exemplo e proteger nossa Mãe Terra, respeitando a vida que é gestada em seu seio, que vem da força do seu magnetismo e da leveza do ar que a envolve.

Homenagem da CONAFER pelo Dia da Terra.

A agricultura familiar vai cuidar da sua família IV

QUALIDADE DE VIDA TAMBÉM É A CURA PELA TERRA.
Quando o ser humano esquece da terra, ele esquece das suas origens, pois toda a vida é gerada pela terra. Da terra vem o alimento que o nutre, a energia que o faz se desenvolver e transformar o seu ambiente. É um ciclo, o ciclo da vida. Portanto, ao cuidar da terra, estamos oferecendo o melhor ambiente a semente que fornece bons frutos. Mas cuidar da terra é mais do que prepará-la para o plantio. A terra é o nosso equilíbrio completo, a sintonia com os astros do nosso sistema solar, a força magnética capaz de acelerar o ritmo de tudo que tem movimento sobre ela, a reserva de elementos capazes de curar doenças, com o espaço atmosférico que sopra a vida, cortada por artérias de rios e florestas, e veias que pulsam para manter a nossa existência. A agroecologia está plenamente e harmonicamente envolvida com a terra, portanto, é uma forma de cura de grande parte da sociedade mal alimentada. Por isso, os nossos agricultores familiares são doutores em qualidade de vida.

'Vamos deixar do lado da Mesa', afirma Maia sobre projeto de mineração em terras indígenas

FONTE: O Globo
Presidente da Câmara avalia que proposta enviada por Jair Bolsonaro não é prioridade
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta terça-feira que o projeto enviado pelo governo para liberar a mineração e a geração de energia em terras indígenas não é prioridade. No início do mês, Jair Bolsonaro enviou aos deputados uma proposta neste sentido e, desde então, busca apoio para tornar possível sua votação.
— (O projeto) não terá por parte da Câmara a urgência que alguns gostariam. Vamos aguardar, deixar do lado da Mesa, para que no momento adequado a gente trate esse debate com todo cuidado do mundo. Podemos abrir o debate, sem o projeto, para ver como e por que regulamentar a exploração de mineração em terra indígena. O constituinte tratou dessa possibilidade de mineração em terra indígena. Podemos debater, mas tratar desse tema sema um cuidado muito grande é muito difícil, porque sabemos que o tema do meio ambiente na Amazônia, para o Brasil, é decisivo — disse Maia.
Ao chegar à Câmara na tarde desta terça-feira, Maia disse que o tema é sensível, seja para as novas gerações ou para o crescimento econômico.  Ele argumento que a “pré-condição” para o Brasil atrair investimentos é respeitar o meio ambiente.
Desde que o projeto chegou à Câmara, parlamentares de oposição pedem a Maia que ele devolva a proposta ao Planalto. Ele avalia, no entanto, que esse não seria o procedimento correto.
— Não tenho como devolver, o projeto não é inconstitucional. Não acho que está no momento adequado do debate. Esse é um debate que precisava ser feito de uma outra forma. Primeiro, discutir o tema de uma forma mais ampla, para depois encaminhar um projeto, que (ainda assim) gera muitas dúvidas, muita insegurança para muitas pessoas — afirmou.
Na semana passada, em café da manhã com um grupo de parlamentares da bancada ruralista, Bolsonaro pediu apoio ao projeto.
— (O objetivo do projeto) é que o índio possa ter o mesmo direito do  fazendeiro. Plantar, arrendar, garimpar, usar sua terra para fazer uma PHC (Pequena Central Hidrelétrica) ou uma hidrelétrica. Fazer fazenda de painéis fotovoltaicos. Ou seja, (que) eles se integrem realmente à sociedade. Acredito que agindo dessa maneira nós ajudaremos em muito a diminuir, em especial, o conflito no campo — disse Bolsonaro na reunião.

CANTOS DA TERRA: CROWDFUNDING

FONTE: Benfeitoria

Vamos realizar juntos um documentário sobre os cantos ancestrais indígenas brasileiros? Uma jornada em busca de suas línguas nativas, mitos e arranjos culturais

O projeto foi selecionado pelo BNDS matchfunding, ou seja, a cada R$1 recebido em apoio, o BNDS apoia com mais R$2.

Apoie o projeto você também em: https://benfeitoria.com/cantosdaterra