Governo pretende incentivar empresas a levar 4G para o campo

FONTE: Globo Rural
Falta de internet é um dos maiores entraves para avanços tecnológicos no agronegócio, segundo Ministério da Agricultura
O Ministério da Agricultura (Mapa) está conversando com empresas de telecomunicações para levar a cobertura 4G para o campo, disse, nesta quarta-feira (19/6), Luiz Claudio França, diretor de Inovação da pasta. Segundo o Mapa, contam-se nos dedos as localidades com sinal 4G no interior do país.
“Essa é uma das maiores barreiras para a ampliação do uso da tecnologia nas propriedades rurais”, afirmou França durante o evento Agrotech Conference, sobre oportunidades de inovação no agronegócio, realizado em São Paulo.
França também adiantou que o Ministério está finalizando um mapeamento dos melhores locais para receber torres de telefonia. O estudo, que deve ser concluído daqui a um mês, leva em conta fatores como a topografia. A análise servirá de base para uma nova rodada de conversas com operadoras de celular.
A escassez de linhas de investimento para pesquisa e tecnologia foi destacada como outro entrave para a evolução digital no campo. “O alto custo de sensores, além de equipamentos de hardware e software, também prejudica a inovação”, disse França.
Mesmo assim, há mais de 800 startups do agronegócio em atuação no país. Cerca de 70% está no Sudeste. A maioria se dedica à tecnologia da informação (100 empresas), sistemas de gestão de fazendas (58), plataformas de marketplace e vendas (38), biotecnologia (35), alimentos (31) e fertilizantes (26), de acordo com dados de universidades, centros de pesquisa e do Ministério da Agricultura.

Para incentivar a inovação no setor, o governo pretende realizar ações coordenadas com universidades, prefeituras, instituições de pesquisa e o Ministério da Ciência e Tecnologia. O objetivo é criar polos tecnológicos agropecuários em cidades em que já existe um ambiente de criação direcionado ao agronegócio, como Piracicaba (SP). “Os esforços integrados deverão levar a novos patamares do uso agricultura 4.0, que deverá aumentar a produtividade no campo”, afirmou França.

Especialistas falam da falta de recursos para modernização da agricultura

FONTE: Dourados Agora
A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) debateu em audiência pública, na quarta-feira (12), os impactos negativos da indústria, principalmente da química, no agronegócio.
O debate requerido pelo senador Lasier Martins (Podemos-RS) tratou da necessidade de modernização do agronegócio brasileiro e da possibilidade do uso de agrotóxicos genéricos para baratear os custos da produção nacional.
O presidente da Associação dos Funcionários do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), Saulo da Costa Carvalho, defendeu o uso de agrotóxicos genéricos para reduzir os custos na agricultura.
Segundo ele, apesar dos genéricos serem uma boa opção, há carência de pesquisadores para a aprovação do uso desse tipo de produto.
A inovação tem que ser uma opção, que valham você fazer esse aporte maior, como genérico, como os similares.
Qual é o nosso problema na análise? O número reduzido de pesquisadores, porque ele só pode ser feito por pesquisadores mesmo — avaliou.
O senador Lasier Martins concordou que faltam recursos para o desenvolvimento de novas tecnologias no campo.
Mas temos pouca oportunidade de ingressar no ramo das novas tecnologias por dificuldades que são conhecidas em todos os setores do Brasil. Faltam recursos — admitiu.
Já o representante do Ministério da Agricultura Rafael Mafra rebateu as críticas de que há uso indiscriminado de agrotóxicos no Brasil. Ele ressaltou que esses produtos passam pela aprovação de vários órgãos reguladores antes de serem comercializados.
Não existe o uso indiscriminado. No último exame que a Anvisa fez, em 2015, houve apenas 3% de uso não autorizado de agrotóxico.
A quantidade de agrotóxico presente nos alimentos é segura para o ser humano e para o meio ambiente — argumentou.
Os participantes da audiência também destacaram a necessidade de que sejam tomadas medidas para diminuir a fila de produtos do agronegócio que aguardam pelo registro de patente.

Invenções high-tech estão chegando para agricultura 4.0 e a BASF vai junto.

FONTE: Notícias Agrícolas
Sensores, drones, o UBER para o campo e aceleração de startups estão entre as ações da empresa, visando o desenvolvimento de inovações para a agricultura.
BASF inaugura seu primeiro Centro de Experiências Científicas e Digitais no Brasil
A BASF inaugurou em São Paulo, a sua primeira estrutura de cocriação e desenvolvimento de tecnologias no Brasil. Batizado de onono, o Centro de Experiências Científicas e Digitais funcionará no nono andar do edifício onde está o escritório central da empresa e tem como objetivo conectar e aproximar clientes, fornecedores, startups, colaboradores e universidades. Projetado para responder de maneira ágil às demandas do mercado, o local é equipado com tecnologia de ponta para laboratórios de pesquisa e testes de produtos, conectividade, digitalização de processos e design.

“Com este ambiente estamos nos aproximando ainda mais dos nossos clientes e gerando soluções que agreguem valor aos seus negócios”, comenta Manfredo Rübens, presidente da BASF para a América do Sul.
Inovação e cocriação
Este foi um dos fatores que motivou a BASF criar esse projeto no Brasil. A partir de agora, os laboratórios de aplicação de produtos de home care e limpeza institucional e o de personal care ficam mais próximos dos clientes e em uma estrutura equipada para desenvolver soluções inovadoras e customizadas ao mercado local e realizar testes de performance. No laboratório sensorial climatizado é possível realizar testes instrumentais para diferentes tipos de pele e cabelos sensíveis em ambiente controlado. É nele, inclusive, que está instalado o primeiro equipamento do Brasil específico para avaliação de volume e frizz. O onono inclui ainda um salão de testes para profissionais. Os laboratórios estão conectados com centros de inovações da BASF em todo o mundo, possibilitando a troca de experiências e conteúdos em tempo real.
Em total alinhamento com a estratégia global da BASF, onono é uma das iniciativas da companhia para realizar seu grande objetivo: criar química para um futuro sustentável. “Queremos crescer e liderar mundialmente a indústria química, com rentabilidade, criando valor para nossos clientes, sociedade e meio ambiente”, enfatiza Manfredo.
Para isso, a BASF quer se posicionar ainda mais como uma catalisadora de inovação e agregar interesses de diferentes públicos para chegar a soluções de mercado. “A intenção é proporcionar um local voltado para a geração de negócios, fornecendo soluções digitais e sustentáveis além de conexões com todos os públicos interessados em novas oportunidades e troca de experiências”, acrescenta Fabiano Sant’Ana, Diretor de Digital da BASF na América do Sul.
Entre os projetos de destaque com startups está o programa de aceleração Agrostart, criado em 2016. Atualmente mais de dez startups estão em aceleração, todas com o propósito de gerar otimização ao produtor rural, suportar a tomada de decisão e impactar positivamente o aumento de produtividade da lavoura.
Pegada de carbono
Para reforçar a proposta de que suas atividades de negócios têm impacto positivo na sociedade e no meio ambiente, além de implementar na prática sua estratégia de sustentabilidade, a BASF fará a compensação das emissões de carbono geradas pelo evento de inauguração do onono (cerca de 2,83 toneladas de CO2eq), apoiando a recuperação da Mata Atlântica a fim de combater as mudanças climáticas e conservar a natureza. Para isso, conta com o suporte da Fundação Espaço ECO (FEE), OCIP criada e mantida pela BASF desde 2005 para atuar como consultoria para sustentabilidade, desenvolvendo projetos customizados para organizações medirem e compreenderem impactos ambientais, sociais e econômicos de seus produtos e processos.
Sobre a BASF
Na BASF criamos química para um futuro sustentável. Nós combinamos o sucesso econômico com proteção ambiental e responsabilidade social. O Grupo BASFconta com aproximadamente 122 mil colaboradores que trabalham para contribuir com o sucesso de nossos clientes em quase todos os setores e países do mundo. Nosso portfólio é organizado em 6 segmentos: Químicos, Materiais, Soluções Industriais, Tecnologias de Superfície, Nutrição e Care e Soluções para Agricultura. A BASF registrou vendas de € 63 bilhões em 2018. As ações da BASF são comercializadas no mercado de ações de Frankfurt (BAS) e como American Depositary Receipts (BASFY) nos Estados Unidos.
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Conversas entre EUA e China inibem exportações de soja do Brasil em março

FONTE: Exame
No mesmo período de 2018, país colhia safra recorde e a guerra comercial entre Pequim e Washington começava a ganhar fôlego
As exportações de soja do Brasil podem cair em março ante igual mês do ano passado, em meio a notícias de vendas da oleaginosa dos Estados Unidos à China, pouco interesse de brasileiros em negociar e pela própria produção menor no país, segundo especialistas e dados da programação de navios.
O cenário para março, que pode inibir também os negócios nos próximos meses, segundo especialistas, contrasta com a situação de um ano atrás. Nesta época em 2018, o Brasil colhia uma safra recorde e a guerra comercial, que posteriormente levaria Pequim a recorrer à oleaginosa brasileira em vez da norte-americana, começava a aparecer no radar.
Embora a disputa entre as duas maiores economias do mundo não esteja totalmente resolvida, algumas compras de soja têm sido acertadas entre as partes, enquanto uma trégua comercial foi estabelecida e as negociações continuam.
Há uma semana, a China se comprometeu a comprar mais 10 milhões de toneladas de soja norte-americana, segundo uma autoridade do USDA, o que indica mais competição para o Brasil.
Em janeiro, por exemplo, as importações da commodity norte-americana pelos chineses já quase dobraram ante dezembro, ainda que os volumes tenham continuado relativamente pequenos.
É nesse sentido que o mercado brasileiro passa a considerar impactos em suas exportações da commodity.
“Temos 7,3 milhões de toneladas de soja nos line-ups (de navios no Brasil). Seguramente, já um pouco afetados pelas compras de soja americana (pela China)”, disse Frederico Humberg, presidente da comerciante de grãos Agribrasil.
Caso se confirme, o volume ficaria abaixo dos quase 9 milhões de toneladas de março de 2018, ano em que o Brasil bateu recorde de vendas externas da oleaginosa, com cerca de 84 milhões de toneladas.
Para o presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Mendes, “a preocupação é muito grande… porque agora vamos ter de competir com eles (EUA) no primeiro semestre”.
“Eles estão fechando pequenos acordos com a China, mas estão soltando aos poucos seus estoques. Alguém com quem você nunca disputou no primeiro semestre, agora vai ter de disputar. E esse estoque norte-americano vai ter de sair de algum jeito”, afirmou Mendes.
Em se tratando de vendas de soja, os EUA são geralmente mais fortes no último trimestre do ano, logo após a colheita local. Mas em 2018 comercializaram uma quantidade muito pequena em virtude da guerra comercial com a China, seu tradicional comprador de soja.
Com isso, passaram a deter estoques recordes de soja, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).
“Está todo mundo (nos EUA) esperando a guerra comercial ser finalizada para vender soja… O acordo que vai ser costurado é que vai ser o problema”, comentou o analista Tarso Veloso, da Arc Mercosul, em Chicago, especulando sobre se a negociação levaria em conta os volumes estocados da safra velha.
“Hoje os americanos estão muito confiantes de que vão dar a volta e de que vão sair por cima dos brasileiros.”

Questões internas

Se lá fora a competição com os EUA levanta receios, no Brasil o interesse por vender também atrapalha o escoamento da safra, cuja colheita está bem adiantada na comparação anual.
Fraqueza nas cotações na Bolsa de Chicago e um dólar pouco interessante a negócios têm levado produtores a segurar as vendas já há algumas semanas.
“O pessoal não está vendendo nada. Semana passada o prêmio melhorou e depois caiu. As pessoas que tinham compromisso fizeram (a venda) por necessidade. Ninguém está querendo vender. Esses preços de agora não remuneram a atividade. A colheita está antecipada em 15 dias. (Historicamente) as pessoas não têm vencimentos ainda neste momento”, disse o diretor-presidente da cooperativa Coacen, em Sorriso (MT), Evandro Lermen.
Uma fonte de um grande empreendimento agrícola na região de Nova Mutum, também em Mato Grosso, principal Estado brasileiro produtor de soja, disse que as poucas vendas realizadas têm sido da “mão para a boca”, uma vez que os produtores aguardam melhores momentos.
“Alguns negócios começaram a sair, pois certos produtores não têm como estocar a soja… O produtor que vendeu é o que tem que pagar contas. Estamos com 45 por cento da safra vendida. É o que eu precisava vender. Os 55 por cento que restam eu consigo guardar”, acrescentou a fonte, pedindo anonimato.
Em paralelo, algo que também prejudica as exportações brasileiras de soja, mesmo que pontualmente, é a própria safra menor no país.
Esperava-se que o país colhesse um recorde de mais de 120 milhões de toneladas de soja em 2018/19, mas a seca e as altas temperaturas entre dezembro e janeiro afetaram as lavouras em diversas regiões, sobretudo no Paraná e em Mato Grosso do Sul.
Na mais recente pesquisa da Reuters, consultorias e entidades projetaram uma colheita de 114,6 milhões de toneladas, queda de 4 por cento frente 2017/18.

MINISTRA DA AGRICULTURA TEME QUE PAULO GUEDES LEVE O AGRONEGÓCIO À FALÊNCIA

FONTE: Brasil 247

Com quase 200 startups, Brasil pode brigar por protagonismo na agricultura 4.0

FONTE: Gazeta do Povo
Com uma das indústrias mais desenvolvidas do planeta, Brasil já tem quase 200 startups de agricultura. Mas ainda não é protagonista deste processo de transformação digital
Nas últimas décadas, o Brasil passou de um importador líquido de alimentos para uma potência agrícola. O país é o maior produtor mundial de suco de laranja, café e açúcar, e segundo em soja, etanol e carne bovina. Mas o país ainda não assumiu o protagonismo na nova era de revolução no campo, a da agricultura 4.0.
O número de startups agrícolas no país é metade do encontrado em Israel, país com área 400 vezes menor do que a brasileira — e que só tem 20% do solo arável.
Nas exportações, o país lidera em soja, carne bovina, aves, café, açúcar, etanol, suco de laranja, e vem em segundo lugar no milho. Tudo isso foi resultado de investimentos em ciência e tecnologia, a partir dos anos 1970, com a criação da Embrapa.
Mas o desafio agora é acompanhar a nova revolução tecnológica. Hoje é possível monitorar a umidade do solo, temperatura e umidade relativa do ar por meio de sensores instalados no campo. Com fotos de drones e imagens de satélite de alta resolução, pode-se estimar a produtividade.
Máquinas agrícolas enviam informação em tempo real para um servidor na nuvem e para o smartphone. Combinando essas informações com mão de obra qualificada para interpretar os dados, é possível adiar a adubação de uma plantação antes de uma forte chuva, para evitar o desperdício do adubo que seria levado pelas águas.
A agricultura tem potencial para posicionar o Brasil como protagonista mundial, avaliam especialista do ecossistema de inovação. O país conta com, pelo menos, cinco startups consideradas “unicórnios” , avaliadas em mais de US$ 1 bilhão. Nenhuma delas é da área de agricultura.
“Esse é o movimento mais importante do mundo. Há iniciativas em Israel, Canadá, EUA e União Europeia, mas nenhuma delas está situada num ambiente agrícola complexo como o do Brasil”, analisa Sérgio Marcus Barbosa, gerente executivo da EsalqTec.
Incubadora vinculada à Universidades como a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) de Piracicaba, a EsalqTec já apoiou 111 empresas em três categorias: pré-incubadas (fase da ideia), empresas residentes, e associadas, desde 2006. Dessas, 14 já foram graduadas.A Unesp, de Botucatu; e a USP, de Pirassununga também mantêm programas de apoio às startups agrícolas.
“Temos dois objetivos: colaborar para que o conhecimento gerado na universidade retorne como inovação e apoiar as iniciativas de empreendedorismo da comunidade”, ressalta Barbosa. Ele diz que, no início, o foco era a biotecnologia. A partir de 2013, começou o movimento da agricultura digital, baseado na conectividade dos processos e no uso de plataformas tecnológicas. Das 111 empresas apoiadas, pelo menos 30% são de agricultura digital. Entre as empresas estão @Tech, SmartSensing Brasil, Promip, Agronow, Smartbreeder, Abribela, SmartAgri.
Mapeamento das agtechs
Mapeamento recente da Abstartups encontrou 182 startups especializadas em tecnologia para o agronegócio — chamadas agtechs, agrotechs ou agritechs.
A maior parte (81 empresas, ou 44%) oferece soluções de sistemas para otimização da produção agrícola nos processos e utilização de hardware (drones e sensores) para gestão. Em seguida vêm as plataformas de comercialização (40 startups, ou 22%).
As demais são gestão de dados agrícolas e analytics (15%); plataformas de rastreabilidade e segurança alimentar 9%; ferramentas de comunicação e interação 7%; biomateriais, bioenergia e biotecnologia 3%. A maioria, 76%, atua na modalidade de software como serviços (SaaS); 11% fornecem hardware; 10% atuam como marketplace; e as modalidades de consumer, advertising, e relacionamento representam 1%, cada.
Mas o Brasil ainda precisa evoluir, destaca Tânia Gomes Luz, vice-presidente da Abstartups. Israel é a maior potência em agtechs do mundo, com cerca de 400 startups de tecnologia agrícola, tendo movimentado US$ 97 milhões em 2016. Não por acaso, o país investe 4,3% do PIB em pesquisa e desenvolvimento, ante 1,2% investido pelo Brasil.
O mapeamento mostra que 37% dos estados brasileiros têm mais de três agtechs, mas 30% não possuem nenhuma. Três dos cinco estados com maior representatividade (Paraná, Santa Cataria e Rio Grande do Sul) são da região Sul. Seis estados têm apenas uma agtech. E não foram encontradas startups agrícolas em oito estados Brasileiros.
Grandes empresas envolvidas na inovação
Grandes empresas também focam na inovação do segmento. A Raízen, a Ericsson, a EsalqTec e a Wayra – aceleradora de startups da Vivo – se uniram para desenvolvimento de tecnologias de Internet das Coisas (IoT) no campo. Em janeiro, foram selecionados seis projetos de startups. Elas terão acesso ao espaço compartilhado do Pulse – hub de empreendedorismo da Raízen, em Piracicaba – e a mentoria, workshops, networking, treinamentos.
Também poderão participar do ecossistema da Wayra e receber investimentos no futuro. A EsalqTec auxiliará os selecionados na facilitação acadêmica das tecnologias.
“Criamos o Pulse em agosto de 2017 para posicionar a Raízen – líder na produção de cana-de-açúcar – também na liderança da tecnologia agrícola”, diz Guilherme Lago, coordenador de inovação da Raízen. O Pulse já apoiou 23 startups, das quais 15 fizeram projetos com empresa e cinco foram graduadas.
Internet das coisas
No projeto de parceria, a Raízen atua como a cliente da solução para o desenvolvimento do caso de uso. O teste contará com uma antena em Piracicaba cobrindo uma área de 10 km de extensão. “Se der certo, vamos expandir para todas as áreas agrícolas e até para o Brasil todo, já que não haverá exclusividade”, sinaliza Lago.
A Ericsson vai fornecer a rede de telecomunicações 4G nas frequências de 400 MHz e 700 MHz – com tecnologia LTE Narrow Band IoT –, mais propícias para cobertura no campo. “A ideia é unificar as expertises do setor de TI e Telecom com as da cadeia do agro, para que a nossa capacitação possa ser aproveitada por essas empresas, e que elas possam nos passar conhecimento do setor agrícola”, diz Vinícius Dalben, vice-presidente de estratégia da Ericsson.
Uma das startups selecionadas é a IoTag, de Curitiba, que vai desenvolver um gateway de telemetria para colhedoras e tratores da CNH Industrial, grupo italiano e grande fabricante mundial de equipamentos agrícolas do Grupo Fiat. Esse gateway está coletando mais de mil indicadores do maquinário a uma taxa de leitura de dez vezes por segundo.
A empresa foi criada, em novembro de 2017, por Jorge Leal, Eleandro Gaiski e Ronaldo Rissado, e o Pulse será sua primeira aceleradora. “Já comercializamos vários equipamentos, e nosso objetivo é reduzir o consumo do diesel das máquinas em pelo menos 10%, diz Jorge Leal, CEO da IoTag.
Bayer lança programa próprio
No início de 2018, a Bayer criou o Programa Agrotech. Junto com a Câmara Alemã de Comércio e o Sebrae, realizou algumas iniciativas até optar por um projeto com marca própria. Jean Soares, diretor de TI para o agronegócio da Bayer, diz que a empresa criou conexões com 50 startups e trabalhou, de alguma forma, com 15.
“Realizamos dois eventos reunindo empresas que já fazem inovação aberta, como Samsung, Itaú e Raízen. Nesses eventos, identificamos as empresas com as quais queremos trabalhar com mentoria e provas de conceito nos nossos clientes. Temos o portal de fidelização Bayer Agroservices, e a ideia é colocarmos as startups no portfólio de serviços”, explica Soares.
Investidores de olho no agro
As agtechs também atraem a atenção de fundos de venture capital, que investem em startups. Francisco Jardim, sócio de fundador do SP Ventures, informa que o fundo tem R$ 100 milhões e é o que mais investe no segmento na América Latina com 80% da carteira compostos por agtechs, num total de 13 empresas. “Somos também co-fundadores de uma incubadora em Piracicaba em parceria com a Raízen”, diz Jardim.
Entre as empresas apoiadas pelo fundo, está a Agrosmart, plataforma de agricultura digital criada em 2014, que trabalha com o monitoramento de lavoura, por meio de pluviômetros digitais, previsão do tempo e dados obtidos a partir sensores de clima, solo e plantação instalados no campo e de fotos de satélite. Mariana Vasconcelos, fundadora da empresa ao lado de Raphael Pizzi e Thales Nicoleti, informa que a Agrosmart passou por diversas aceleradoras, como Baita por meio do Startup Brasil, e Google Launchpad. E opera em nove países.
“Além do aporte financeiro e da imersão no Vale do Silício, participamos do programa de aceleração da Thrive, um dos principais no mundo no segmento de Agtech, e do Climate Ventures, programa do governo Barak Obama que visava a fomentar soluções voltadas às mudanças climáticas. Em 2015, recebemos o primeiro investimento por meio do programa Startup Brasil, e, em 2016, o aporte da SPVentures”, Mariana.
Já o Inseed iniciou atividade em 2009 como gestor do Createc I, fundo de investimento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Paulo Tomazela, general partner do Inseed, diz que o fundo era multissetorial e apoiou 36 empresas, das quais oito eram agrícolas.
“Já o Createc III conta com R$ 300 milhões, já tendo aplicado um terço em 12 empresas, sendo duas agtechs. Nosso pipeline tem em análise ainda muitas startups agrícolas. Temos ainda o FIMA, focado em meio ambiente e sustentabilidade, que apoia uma startup agrícola, a Smartbreeder”, diz Tomazela.
Alessandro Machado, sócio da Cedro Capital, informa que a empresa é uma asset de Brasília que opera um fundo FIP regional. O fundo Venture Brasil Central conta com R$ 55 milhões para investimento em empresas de tecnologia nos estados do Centro-Oeste, Tocantins e Minas Gerais. “No ano passado, o Sebrae fez uma chamada para selecionar fundos e fomos selecionados. Investimos em oito empresas, sendo uma agritech, a Gira”, explica Machado.
Big data e bebedouro inteligente
A Smartbreeder,foi criada em 2009 e passou a operar em 2015. A empesa usa é focada em inteligência agronômica digital e usa inteligência artificial, big data, computação cognitiva e dados em nuvem para automatizar a gestão e a tomada de decisão no manejo de culturas agrícolas. “Através de milhões de dados e algoritmos proprietários apontamos onde, quando e como utilizar cada insumo agrícola, definindo a estratégia mais racional, econômica e ambientalmente correta”, diz Eder Antônio, CEO da Smartbreeder.
A Intergado, outra apoiada pelo Inseed, desenvolve soluções de pecuária de precisão. Marcelo Ribas, CEO da Intergado, diz que a empresa oferece dois serviços: monitoração de engorda intensiva para avaliar desempenho; e cochos (dispositivo de alimentação) eletrônicos para avaliação de eficiência alimentar, com a data a hora e o que o animal comeu.
“Os animais contam com boton auricular e nosso equipamento, com antena leitora que identifica o animal. A pesagem é feita por uma plataforma instalada em frente ao bebedouro. O animal é monitorado se bebeu água e se alimentou e qual o mais eficiente para converter o alimento em carne”, explica Ribas.
Também operando com dados, a TBIT surgiu em 2008 para aplicar a visão computacional e inteligência artificial para reconhecer padrões substituir análise de qualidade no agronegócio feita por humanos. “Pegamos testes de qualidade de negociação de grãos e sementes e fazemos as análises por software. Isso traz transparência nas negociações”, diz Igor Chalfoun, CEO.
Riscos na produção agrícola
A Gira (Gestão Integrada de Recebíveis do Agronegócio) é uma startup focada na análise de riscos da produção agrícola. Gianpaolo Zambiazi, CEO da empresa, diz que a solução permite o acompanhamento da produção por meio de análises jurídicas e agronômicas. O objetivo é auxiliar a gestão de recebíveis para agroindústrias, distribuidores de insumos, cooperativas e tradings. A empresa recebeu investimento do Venture Brasil Central, selecionada pelo programa Pontes para Inovação, da Embrapa.
“Temos mil engenheiros agrônomos e 50 advogados que fazem a vistoria in loco. Por meio de um aplicativo celular, as informações são coletadas no campo, de acordo com os indicadores econômicos de cada lavoura. Já temos R$ 1 bilhão de crédito na plataforma”, diz Zambiazi. A empresa desenvolve, atualmente, um método de gestão baseado em blockchain.
Rastreador bovino
A Ecoboi é outra empresa de tecnologia pecuária, fornecendo um rastreador de bovinos em formato de colar que utiliza dados transmitidos via satélite e registrando os locais por que o animal passou durante todo o período de engorda. A tecnologia foi criada por meio de uma parceria entre a startup e a Tracking System e a Globalstar, operadora de satélites.
“Essa é a terceira versão do equipamento, que é homologado pela Anatel e tem bateria para atender todo o ciclo de vida do animal. Normalmente, coloca-se o colar no animal aos dez meses. O período mínimo de engorda é de 18 meses. Depois do abate, o produtor recolhe o colar, que pode ser usado por até três ciclos”; explica Marcos Moraes, diretor da Tracking System.
Por meio da georreferência, é possível monitorar se o animal alimentou-se, hidratou-se, se esteve em áreas de preservação ambiental ou se teve contato com outros rebanhos com casos de contaminação.
Agro e cidades inteligentes
O CPqD, um dos mais antigos centros de inovação brasileiros, teve aprovado pelo BNDES três projetos-pilotos – nas áreas de agronegócio e de cidades inteligentes -, dentro da chamada pública lançada pelo banco em junho do ano passado com recursos de R$ 30 milhões, revela Fabrício Lira Figueiredo, gerente de desenvolvimento de negócios em agronegócio Inteligente do centro.
O “Piloto IoT Grãos e Fibra” para culturas de milho, soja e algodão cujas soluções IoT serão avaliadas nas fazendas localizadas em Diamantino (MT), e em Correntina (BA) da SLC Agrícola. Já o “Piloto IoT Cana-de-Açúcar” vai validar soluções nas usinas do Grupo São Martinho, em Pradópolis, no interior de São Paulo. O terceiro piloto é o” IoT Grãos e Pecuária”, que tem como produtor parceiro a Boa Esperança Agropecuária e será implantado em Lucas do Rio Verde (MT).
Entre as startups do projeto, está a Pluvion criada em 2016. A empresa desenvolveu uma estação meteorológica de baixo custo e conectividade IoT, em parceria com o CPqD, para melhor a assertividade das previsões meteorológicas do local. Segundo Diogo Tolezano, fundador e CEO da Pluvion, a empresa participa de dois projetos de agro: uma plantação de cana-de-açúcar, no interior de São Paulo, e uma fazenda de soja em Mato Grosso.
“Capitamos recursos da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) junto com o Sebrae para aplicar no P&D da estação meteorológica. A solução usa conectividade IoT nos padrões ZigFox, nas cidades, e Lora, no campo, pois são mais baratos que a rede celular. A empresa já passou por acelerações programas da Red Bull, do Google Continue reading

Biotecnologia: Brasil apoia declaração internacional sobre aplicação agrícola

FONTE: ÉPOCA

Segundo o Ministério da Agricultura, assinatura representa o compromisso de apoiar políticas que estimulem a inovação agrícola.

Colheitadeira corta cana-de-açúcar em campo na propriedade do Grupo Moreno em Ribeirão Preto ; safra agrícola ; agricultura ;  (Foto: Nacho Doce/Reuters)
O Ministério da Agricultura informou que o Brasil assinou no início de novembro, em Genebra, a Declaração Internacional sobre Aplicações Agrícolas de Biotecnologia de Precisão.
A declaração foi apresentada ao Comitê de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias da Organização Mundial do Comércio (WTO-SPS, sigla em inglês) pela Argentina, com o copatrocínio da Austrália, Brasil, Canadá, Estados Unidos, Guatemala, Honduras, Paraguai, República Dominicana e Uruguai.
“É um compromisso de apoiar políticas que estimulem a inovação agrícola, incluindo a edição de genoma”, disse a pasta, em nota. De acordo com a Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio do Ministério da Agricultura, a inovação agrícola tem papel importante no aumento dos rendimentos e da produtividade.
“Com essa declaração, os países buscam minimizar as barreiras desnecessárias ao comércio relacionadas à supervisão regulatória de produtos de biotecnologia de precisão”, disse a Agricultura.