Em 2021, CONAFER seguirá forte na atuação pelo segmento agrofamiliar

Em 2020, mesmo em ano de crise econômica e sanitária, segmento agrofamiliar não parou de produzir; para melhorar performance do setor, CONAFER se prepara para lançar produtos e serviços voltados aos associados em 2021

Para muitos é um ano para esquecer. Principalmente as famílias de quase 200 mil brasileiros mortos pela Covid-19. Também muitos brasileiros perderam seus empregos e renda. Foi um ano que surpreendeu a todos pela velocidade dos fatos, um cenário de guerra globalizado.

Mas mesmo em meio a tantos problemas e desafios de sobreviver em ambiente tão inóspito, com lockdowns e quarentenas permanentes nas 5,5 mil cidades do país, não faltaram alimentos na mesa dos brasileiros.

Foto: Região dos Vales

Enquanto o dólar mandava para o exterior grande parte da produção agrícola extensiva, nossos 36 milhões de agricultores seguiram intensivamente no trabalho diário de alimentar 73% da nação brasileira.

Os nossos agricultores uniram forças, foram resilientes nos momentos mais difíceis quando a pandemia exigiu uma série de cuidados na produção, foram criativos e milhares usaram o delivery para escoar seus produtos.

Sem as feiras e as dificuldade para expor os resultados das suas colheitas, muitos chegaram a perder toda a produção mesmo com uma elevada demanda. As dificuldades de logística já conhecidas no segmento ficaram ainda mais expostas.

Foto: Nova Mais

O resultado é que nos momentos mais cruciais, mesmo com todas estas dificuldades, os alimentos da agricultura familiar não deixaram de alimentar o país. Ao contrário, garantiram a nossa segurança alimentar.

CONAFER prepara uma série de ações no ano em que completa uma década

A Confederação vem trabalhando já há algum tempo para atuar em um cenário econômico de dificuldades ainda maiores em 2021. Viramos o ano ainda sob pressão da pandemia e de uma economia que busca investimentos para sair da crise.

A CONAFER tem objetivamente buscado recursos para o setor por meio do fomento do sistema financeiro, lançou em 2020 a sua plataforma digital para conectar agricultores de todo o território nacional, além de ter atuado na criação de uma Frente Parlamentar no Congresso objetivando dar representatividade política ao setor.

Às suas bases, a Confederação levou apoio e ampliou as suas relações com novas associações, por todas as fronteiras, em milhares de propriedades rurais, nas aldeias indígenas e nos quilombos. Uma das ferramentas foi a internet, o que possibilitou a criação de diversos grupos de trabalho, diversificando ainda mais as ações, como a Cultura dos Povos para obtenção de recursos da Lei Aldir Blanc, importante movimento cultural nascido dentro da CONAFER.

Para 2021, a CONAFER irá lançar uma série de produtos e serviços, tanto para os agricultores e associados ativos, como para os associados aposentados.

“Temos claramente o objetivo de levar recursos aos nossos produtores, mas também levar o conhecimento, valorizar ainda mais o empreendedor rural com produtos financeiros e de melhoria da produção, sempre na busca da sua autonomia e do desenvolvimento do país”, como ter afirmado Carlos Lopes, presidente da CONAFER.

A CONAFER ao completar 10 anos em 2021, deseja um tempo de muita fartura no campo, com safras de sucesso para todos os seus associados, e seguirá ao lado dos agricultores e suas famílias para ultrapassar os inúmeros desafios deste novo ano.

Fundamental para a segurança alimentar do Brasil e do mundo, a agricultura familiar ganha terreno em momento de crise

da Redação

A dificuldade de acesso aos alimentos desencadeada pela Covid-19 e a situação da economia no mundo pós-pandêmia são indicativos de uma crise alimentar sem precedentes em escala mundial
Em abril, uma reunião realizada no Chile entre ministros da Agricultura de 34 países das Américas, incluindo o Brasil, destacou a importância da disponibilidade de alimentos a preços convenientes durante o período da pandemia do novo coronavírus e a necessidade de que a produção, distribuição e comercialização de gêneros alimentícios sejam realizadas com o menor risco para a saúde de todas as pessoas que participam da cadeia alimentar.
A inédita reunião hemisférica de ministros e secretários nacionais de Agricultura foi organizada pelo Instituto Interamericano de Cooperação em Agricultura, o IICA, e pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, a FAO. Num contexto de desigualdade já existente, a emergência sanitária desencadeada pelo novo coronavírus está levando o mundo a debater uma possível crise alimentar. O alerta é de um relatório preliminar da FIAN/ONU sobre o impacto da Covid-19 e as medidas tomadas pelos governos para conter a pandemia, e assim garantir a realização do direito humano à alimentação e à nutrição. “As prateleiras dos supermercados permanecem estocadas por enquanto, mas uma prolongada crise pode rapidamente sobrecarregar as cadeias de suprimento de alimentos, uma complexa rede de interações envolvendo agricultores, insumos agrícolas, plantas de processamento, remessas, varejistas e muito mais”, diz o relatório.
Neste cenário, os agricultores do Brasil − um dos maiores produtores de alimentos do mundo − se organizam para enfrentar o problema de forma articulada, com os agricultores familiares empenhando-se para manter o abastecimento do mercado interno. Num primeiro momento, o Ministério da Agricultura editou medidas para diminuir a burocratização na concessão de financiamentos aos produtores rurais. Paralelamente, estados e municípios emitiram decretos complementares aos da esfera federal, considerando o enfrentamento à doença nas suas particularidades geográficas, econômicas, sociais e de saúde. Nesse aspecto, destaca-se a atuação dos Conselhos Estaduais e Municipais de Segurança Alimentar e Nutrição, que agiram como fórum de gerenciamento de crises.

Uma questão importante na estrutura agrícola brasileira é a grande quantidade de produtores localizados nos cinturões verdes localizados em torno das cidades, os quais abastecem os centros urbanos. Neste momento de restrição de circulação de trabalhadores, a utilização de mão de obra familiar viabiliza a produção com menor custo nestas propriedades rurais. Também é oportunidade para que os agricultores familiares busquem maior proximidade com o consumidor final, eliminando a atuação de intermediários e, assim, favorecendo uma diminuição dos preços dos alimentos.
A pandemia do novo coronavírus chama atenção ainda para o impacto dos desequilíbrios ambientais sobre a saúde humana. Há crescentes evidências de que as mudanças ambientais têm papel importante para o surgimento de doenças infecciosas. E o desmatamento tem colaboração decisiva para isso. Assim, é necessária a adoção de normas técnicas, sanitárias e fitossanitárias que dialoguem com a segurança alimentar. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), definidos pelas Nações Unidas, estabelecem que devem ser considerados de forma conjunta a produção de alimentos, a conservação da biodiversidade, a mitigação das mudanças climáticas e a saúde pública.
Políticas públicas que priorizem centrais de abastecimento e políticas de financiamento para os produtores familiares, como o Programa Nacional de Agricultura Familiar, o Pronaf, mostram-se cada vez mais importantes para a viabilização do fornecimento de alimentos às populações urbanas. O cenário está bem definido e pede urgência nas ações da agricultura familiar organizada dos 34 países que estiveram no encontro do Chile. Trata-se, portanto, de uma oportunidade para os pequenos produtores e empreendedores rurais destas nações, assumirem o protagonismo na crise e contribuírem de forma decisiva na garantia da segurança alimentar das Américas e de todo o planeta.