SUSTENTABILIDADE NA AGROPECUÁRIA: Tecnologia consórcio milho e braquiária é contemplada pelo Zoneamento Agrícola 1ª safra 2021/2022

Foram publicadas no DOU as portarias do Zarc, Zoneamento Agrícola de Risco Climático, para cultivo consorciado Milho e Braquiária da 1ª safra 2021/2022; 16 estados foram contemplados: Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Maranhão, Piauí, Acre, Pará, Rondônia, Tocantins, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná

A sustentabilidade na agropecuária brasileira está relacionada com a integração de sistemas de produção, com a integração lavourapecuária (ILP), com a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e agricultura de baixa emissão de carbono (Plano ABC).

O consórcio milho-braquiária é uma tecnologia onde se cultivam as duas espécies juntas, tendo como objetivo a produção de grãos e palha de milho e palha ou pasto de braquiária, com inegáveis benefícios para a sustentabilidade da produção, principalmente se considerada a imprevisibilidade climática, típica da atividade agrícola. É uma tecnologia que permite a consolidação do Sistema Plantio Direto em áreas de Cerrado, com reflexos positivos sobre as culturas subsequentes, como a soja, e a conservação dos recursos naturais.

Tanto a pecuária quanto a agricultura brasileira se desenvolveram em sistemas extrativistas: a pecuária, com espécies forrageiras nativas ou naturalizadas, de baixo valor nutricional ou de baixa capacidade de suporte, como o capim-gordura (Melinis minutiflora P. Beauv.), capim-amargoso (Digitaria insularis (L.) Fedde), capimjaraguá (Hiparrhenia rufa (Nees) Stapf.), entre outros, enquanto a agricultura embasava-se em sistemas de monocultivo com intensa movimentação do solo.

O grande diferencial da braquiária é o de persistir em condições de solos ácidos e com baixa fertilidade, dando a impressão de que, uma vez implantada, duraria “eternamente produtiva”, o que passou a fazer parte da cultura da maioria dos pecuaristas brasileiros. Outro ponto importante das braquiárias foi a convivência com espécies nativas perenes e com os cupins de monte, e não ser atacada por doenças ou pragas, exceto a cigarrinha-das-pastagens (Deois flavopicta Stal) e percevejocastanho (Scaptocoris castanea).

No entanto, a crescente demanda por alimentos e a evolução tecnológica na produção passaram a caracterizar sistemas padronizados e simplificados de monocultivo. Além disso, com a mecanização do solo e o uso de agroquímicos e da irrigação, as atividades agrícolas, pecuárias e florestais passaram a ser realizadas de maneira intensificada, porém independentes e dissociadas, mostrando sinais de fragilidade, em virtude da elevada demanda por energia e recursos naturais.

Mesmo com as vantagens observadas pelos pecuaristas, com o passar do tempo percebeu-se que a maior parte dessas pastagens já nascia degradada e, portanto, não se acreditava mais que os bovinos pudessem engordar somente em sistema de pastejo com braquiária. Assim, novas opções tecnológicas foram surgindo para recuperar a produtividade das pastagens.

Ainda na década de 1960 foram criadas instituições de fomento, como o “Polocentro” (BITTAR, 2011); com isso, deu-se início à abertura da até então inóspita região do Cerrado. Naquela época, muitos produtores rurais, ao formarem suas pastagens com braquiária, notadamente a espécie B. decumbens, consorciavam essa espécie com o arroz de Consórcio Milho-Braquiária 19 sequeiro, pelo fato de que este também era adaptado a solos ácidos e de baixa fertilidade. Dessa forma, a combinação da agricultura com a pecuária foi denominada de integração lavoura-pecuária.

O Zarc indica os períodos de menor risco para o plantio

Com o zoneamento climático, reduz-se a probabilidade de ocorrerem problemas relacionados a eventos climáticos não desejáveis. O cultivo consorciado de plantas produtoras de grãos com forrageiras tropicais tem aumentado significativamente nos últimos anos nas regiões que apresentam inverno seco.

O zoneamento permite ao produtor identificar a melhor época para plantar, levando em conta a região do país, a cultura e os diferentes tipos de solos. O modelo agrometeorológico considera elementos que influenciam diretamente no desenvolvimento da produção agrícola como temperatura, chuvas, umidade relativa do ar, ocorrência de geadas, água disponível nos solos, demanda hídrica das culturas e elementos geográficos (altitude, latitude e longitude).

Os agricultores que seguem as recomendações do Zarc estão menos sujeitos aos riscos climáticos e ainda poderão ser beneficiados pelo Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e pelo Programa de Subvenção ao prêmio do Seguro Rural (PSR). Muitos agentes financeiros só liberam o crédito rural para cultivos em áreas zoneadas.

Aplicativo Plantio Certo

Produtores rurais e outros agentes do agronegócio podem acessar por meio de tablets e smartphones, de forma mais prática, as informações oficiais do Zarc, facilitando a orientação quanto aos programas de política agrícola do governo federal. O aplicativo móvel Zarc Plantio Certo, desenvolvido pela Embrapa Informática Agropecuária (Campinas/SP), está disponível nas lojas de aplicativos: iOS e Android

Os resultados do Zarc também podem ser consultados e baixados por meio da plataforma “Painel de Indicação de Riscos”

Com informações do Mapa

Com informações da Embrapa, publicação Consórcio Milho-Braquiária