Pandemia, dólar alto e juros em elevação desafiam segurança alimentar do país

da Redação

Mais um ano que o segmento agrofamiliar terá a missão de garantir que 212 milhões de brasileiros tenham alimento na mesa todos os dias

2021 segue sem vacinas e com a maior parte dos estados e grandes cidades ampliando medidas restritivas para evitar um colapso no sistema de saúde por conta do vírus mais letal que se tem notícia. Enquanto diversos setores da economia sofrem com um lockdown atrás do outro, o segmento agrofamiliar não para de produzir e milhões de pequenos produtores seguem firmes no trabalho diário de alimentar a população do Brasil. Afinal, é a agricultura familiar que produz mais de 70% da comida que vai para a nossa mesa.

Nesses momentos cruciais da nossa história, mesmo com todas as dificuldades, os produtos da agricultura familiar continuaram alimentando e garantindo a segurança alimentar no Brasil. Agora, com o dólar seguindo em um patamar elevado de valorização, os setores de exportação de commodities seguem ampliando a balança comercial positiva, principalmente com a soja, o milho e os cárneos.

Caberá aos produtores agrofamiliares brasileiros manter o mercado interno abastecido com frutas, hortaliças, legumes, arroz, feijão, milho, mandioca, ovos, carne boniva e suína, frango, leite, peixes, enfim, tudo que o ser humano precisa consumir.

A pandemia da covid-19 causou a suspensão de várias atividades no país em diversos momentos nos últimos doze meses. Esta adversidade levou muitos agricultores familiares a repensarem suas logísticas, explorando o novo momento com base no empreendedorismo familiar. Muitos produtores se uniram para entregar mercadorias na casa dos consumidores e garantir renda. Os agricultores familiares que já ofereciam o serviço de entrega a domicílio viram a procura crescer consideravelmente, e quem ainda não fazia esse tipo de venda viu nela um novo rumo para sua produção.

Produtores da região de Brazlândia e de Planaltina, no Distrito Federal, por exemplo, constataram o aumento de demanda depois da publicação de listas de produtos nas redes sociais e Whatsapp. Pessoas começaram a divulgar as informações para outros grupos, gerando uma cadeia positiva para o setor agrofamiliar.

A agricultura familiar sempre garante a alimentação do povo brasileiro em tempos de crise

Alguns agricultores já conseguiram, inclusive, modificar a forma de fazer a colheita, recebendo as encomendas com 24 horas de antecedência para a entrega. A colheita é feita momentos antes da distribuição, já com tudo organizado, e os alimentos são entregues fresquinhos para os clientes. Para quem compra é um grande ganho no preço e na qualidade dos produtos agroecológicos.

Temos a noção exata de que todos os setores da economia sofreram perdas, resultando numa queda do PIB de 5% desde 2017. Inclusive a agricultura familiar segue com muitas dificuldades de acesso ao crédito, aumento da produção, e principalmente, escoamento da demanda. Mesmo assim, o setor é resiliente e mantém-se na produção de todos os tipos de alimentos em todas as regiões do país.

A CONAFER segue trabalhando em busca de recursos para o setor, por meio de fomento do sistema financeiro. Em 2020, a Confederação lançou a sua plataforma digital para conectar agricultores de todo o território nacional. A conectividade permite aos agricultores familiares o compartilhamento de conhecimento, a realização de parcerias, o desenvolvimento dos empreendimentos, a comercialização dos produtos e o crescimento de todo o segmento agrofamiliar.