Indígenas são internados com suspeita de intoxicação por agrotóxicos

FONTE: Campo Grande News
Crianças, de 1 e 2 anos, e adolescentes, de 17 e 18 anos, tiveram contato com produto. Dois cães morreram.
Quatro crianças, entre 1 e 2 anos, e dois adolescentes, de 17 e 18 anos, indígenas foram internados no Hospital Municipal de Caarapó, município localizado a 283 km de Campo Grande, com suspeita de intoxicação por agrotóxicos.

Os indígenas Guarani Kaiowá podem ter se contaminados com calcário e agrotóxicos utilizados em uma área da fazenda localizada a 50 metros da escola indígena de retomada que compõe a Terra Indígena Guyraroka.
As vítimas foram encaminhadas para o pronto-socorro e já estão em recuperação. As crianças apresentaram asma, tosse seca, falta de ar, vômito, dores no tórax, estômago e também na cabeça. Seis cães também foram intoxicados, apresentando inchaço na barriga. Dois deles morreram.
Como a área é próxima à escola, é comum às crianças irem até a cerca, atraídas pela movimentação dos tratores, que lançam calcário pela terra.
A área é reservada aos indígenas pela Justiça e compõe a demarcação da Terra Indígena Guyraroka, anulada em 2014 pela 2ª Turma do STF (Supremo Tribunal Federal).

Agrovilas devem fomentar agricultura familiar na Capital

FONTE: Correio do Estado

Foco da iniciativa da Sedesc são assentamentos da área rural próximos a cidade

A área rural de Campo Grande soma 24 assentamentos e comunidades povoadas por famílias da agricultura familiar. No total 1.505 propriedades sobrevivem da produção de hortaliças, frutas e produção de leite. Um projeto idealizado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia (Sedesc) e com previsão de funcionamento até 2020 tem objetivo de fomentar a produção deste público, por intermédio do programa ‘Agrovila’.
De acordo com informações da Sedesc, o projeto será um marco na produção de horticultura de Mato Grosso do Sul e está em fase avançada de planejamento. A ideia é selecionar 20 famílias cadastradas no sistema da prefeitura e oferecer um espaço para moradia com todas condições de qualidade de vida como água tratada, energia elétrica e saneamento básico. No local, além do espaço para produção deste grupo será construído um centro de processamento de hortifrútis para absorver a produção dos agricultores familiares e entregar direto para os clientes.
A meta é destinar assistência técnica para os produtores, a fim de desenvolver a técnica de cultivo escalonado, além de outros sistemas de produção. Entre os planos estão atender o comércio local de restaurantes e supermercados, por exemplo. A Sedesc acredita que existem condições de aumentar o abastecimento interno e ainda proporcionar maior lucratividade para agricultura familiar local.
ORGÂNICOS 
Com relação à agricultura orgânica, existem várias iniciativas de produção em andamento na Capital. Porém, para que as propriedades tenham a certificação existem várias exigências que precisam ser atendidas, como, por exemplo, a área plantada. O local escolhido para produção deve estar há pelo menos 15 anos sem uso. Os produtores que optarem pela produção orgânica terão apoio na Agrovila, desde a área até a produção de compostagem.
Atualmente Campo Grande tem seis feiras de orgânicos. As principais acontecem às quartas-feiras na Praça do Rádio Clube e outra no sábado, no estacionamento do Paço Municipal. No entanto, o volume comercializado ainda é baixo e com pouca diversidade. Por isso a meta da prefeitura é focar os esforços para auxiliar estes produtores a aumentarem e incrementarem a produção.
Outro projeto que vem conquistando a população é o ‘Saladão’, uma unidade móvel que leva a produção dos agricultores familiares diretamente para a mesa da população. Iniciado em 2018, os pontos de parada do ônibus de hortifrútis são a Igreja Perpétuo Socorro (quarta-feira), Bairro Estrela Dalva em frente à Incubadora Municipal (quinta-feira) e na Vila Margarida, em frente da Secretaria Municipal de Educação (sexta-feira).
DADOS REGIONAIS
O consumo de hortaliças e frutas orgânicas aumenta a cada ano no País, e conforme dados do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), existem 855 feiras com produtos orgânicos em todo teritório.
Em Mato Grosso do Sul estão regulamentadas 11, isso sem contabilizar as feiras tradicionais, em cidades como Bonito e Nioaque, em que há agricultores com práticas agroecológicas junto aos demais feirantes.
Os dados sobre as feiras existentes em Mato Grosso do Sul são monitorados pela Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer), em razão do atendimento de assistência técnica e extensão rural (Ater) prestado aos produtores rurais. Em Campo Grande, por exemplo, 15 famílias da agricultura familiar cultivam alimentos e comercializam a produção dentro de seis feiras espalhadas pela cidade.

Após 20 anos de produção, juiz manda despejar famílias do acampamento Quilombo Campo Grande

FONTE: Revista Fórum
Com decisão, serão destruídos 1.200 hectares de lavoura de milho, feijão, mandioca e abóbora, 40 hectares de horta agroecológica, 520 hectares de café.
Durante audiência realizada na tarde desta quarta-feira (7), o Juiz Walter Zwicker Esbaille Junior mandou despejar as 450 famílias moradoras da usina falida de Ariadnópolis, em Campo do Meio-MG. Ele deu o prazo de sete dias para desfazer a ocupação.
Com essa decisão serão destruídos 1.200 hectares de lavoura de milho, feijão, mandioca e abóbora, 40 hectares de horta agroecológica, 520 hectares de café. Além disso, centenas de casas, currais e quilômetros de cerca serão derrubados. Essa ordem destruirá tudo o que as pessoas construíram em duas décadas de trabalho.
De acordo com os advogados de defesa das famílias, a decisão é arbitrária e fere princípios constitucionais ao não reconhecer valores de dignidade humana. A audiência aconteceu de maneira atípica. Houve restrição para a entrada da representação das famílias acampadas e impedimento de autoridades que se deslocaram para acompanhar a audiência.
Durante a condução do rito, o juiz solicitou a presença da tropa de choque dentro da sala. Os representantes do latifúndio, junto com a prefeitura local, propuseram alojar as famílias em um ginásio. Por fim, o Juiz sequer leu a sentença, apenas informou rapidamente a decisão.
O MST está recorrendo, diante da decisão arbitrária e injusta. As famílias reafirmam a disposição de seguir a luta e resistir a mais essa investida da velha usina.
É sabido que a veia fascista do projeto eleito ao governo do Brasil vai intensificar o uso de toda máquina do estado para criminalizar e segregar o povo Sem Terra. Assim como o fará nas comunidades urbanas. Mas o povo brasileiro é corajoso e forte. O Movimento enfrentou a ditadura militar desde o nascimento. É com essa história e com essa coragem que as famílias do Quilombo Campo Grande irão resistir e permanecer nas terras de Ariadnópolis. Não vai ser uma liminar de despejo que apagará tantos anos de luta.