Cadastro dos Agricultores Familiares: vamos fortalecer o Sistema Único da CONAFER

Chegou a hora de cadastrar todos os nossos agricultores familiares.

A CRA, Central de Relacionamento com o Afiliado, veio para garantir a organização, as demandas de mercado, a logística e o crescimento coletivo dos agricultores familiares de todo o Brasil.

A CRA acompanha os status de todas as solicitações feitas à CONAFER. Por isso, a partir de agora, só serão atendidas pela Confederação as entidades que estiverem cadastradas no Sistema Único da Conafer

Então, faça o cadastramento de todos os sindicatos, associações e demais entidades afiliados no seu Estado. A CONAFER tem um canal para esclarecer e auxiliar em todo o processo. Se for necessário, uma pessoa vai ligar e conversar para tirar suas dúvidas.

Acesse sistema.conafer.org.br e clique em registrar-se para fazer os cadastros.

Agroecologia: o sistema produtivo que sustenta a agricultura familiar

da Redação

União de saberes, técnicas tradicionais de cultivo e novos conhecimentos geram mais capacidade produtiva sem esgotar o solo, e ainda preservando o meio ambiente

O tema ambiental está no foco das discussões sobre a expansão da agricultura de alto carbono. Enquanto isso, a procura por alimentos agroecológicos têm crescido no Brasil e no mundo. Tornar o cultivo na agricultura familiar totalmente sustentável é uma opção decisiva para proteger a saúde, o planeta e o segmento todo o segmento econômico.

Entre os princípios básicos da agroecologia está o apelo à biodiversidade, ou seja, todas as formas de vida presentes na agricultura são importantes. Desta forma, as plantas, animais, minerais e tudo mais que envolve a produção desde a semeadura até a colheita, são tratados como parte do processo e requerem muita atenção.

Foto: Embrapa

A agroecologia tem por objetivo eliminar o uso de agrotóxicos e adubos químicos solúveis, que, em excesso, podem contaminar os alimentos e também empobrecer o solo. A agroecologia tem meios de aumentar a sua capacidade produtiva sem o uso de defensivos agrícolas. Um desafio que só é possível vencer com o conhecimento da terra e de tudo o que se planta nela.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, a FAO, defende que a agroecologia é a chave para erradicar a fome na América Latina e Caribe, pois permite o desenvolvimento sustentável da agricultura, o progresso em direção a sistemas alimentares inclusivos e eficientes, e a conquista de ciclo virtuoso entre a produção de alimentos saudáveis e a proteção dos recursos naturais.

Isso é possível porque a agroecologia se baseia na união de saberes, integrando técnicas tradicionais de cultivo e novos conhecimentos, novas tecnologias limpas e insumos que são capazes de ofertar maior capacidade produtiva sem o esgotamento do solo. E por ser um cultivo mais preocupado com todos os aspectos que envolvem a vida no campo, a tendência é que a agroecologia passe a ser um conceito cada vez mais discutido e buscado para o cotidiano da agricultura familiar no Brasil e no mundo.

Agroecologia e o desenvolvimento rural

Foto: Eco 4 U

A agroecologia é uma alternativa à agricultura convencional. Por meio dela a produção no campo é aliada à preservação dos recursos naturais e dos ecossistemas, de forma a promover o manejo sustentável com a valorização de sistemas orgânicos de cultivo e do conhecimento tradicional dos trabalhadores rurais.

Os preceitos defendidos pela agroecologia contemplam a sociobiodiversidade, permitindo o reconhecimento da identidade sociocultural, o fortalecimento da organização social, a comercialização da produção e a garantia dos direitos dos povos e comunidades tradicionais e dos assentados. Ou seja, todos os envolvidos no processo são beneficiados nos aspectos sócio-econômicos e culturais.

Sendo assim, a agroecologia é um importante modelo de desenvolvimento rural, já que busca modificar as formas de produzir alimento a partir da adoção de sistemas sustentáveis. O setor agroecológico teve um crescimento de vendas acima de 20% entre 2017 e 2018, segundo pesquisa do Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável (Organis), um fator que deve ser considerado pelos que desejam migrar da agricultura tradicional para um modelo mais sustentável e que entrega alimentos com maior qualidade.

A CONAFER trabalha diariamente por uma agricultura sustentável, em equilíbrio com o meio ambiente. Em todas as sociedades mais evoluídas se discute a importância de cuidar do planeta antes que ele entre em colapso. Adotar as práticas agroecológicas é importante para evoluir em todo o processo de cultivo.

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A diversidade de produtos gera segurança alimentar, a sustentabilidade ambiental valoriza o produto final. A busca pelo aumento da fertilidade do solo, o desafio de reduzir os custos de produção e a demanda mundial por produtos sustentáveis tornam a agroecologia o único caminho viável para milhões de agricultores familiares brasileiros.

Capa: Hisour

Por todo o Brasil, a CONAFER trabalha pela segurança alimentar, sustentabilidade e cultura

da Redação

Empreendimentos familiares empregam 10 milhões de trabalhadores, preservam a biodiversidade e respondem por 10% do PIB; CONAFER trabalha pela autonomia destes agricultores fortalecendo o segmento econômico e seus valores culturais 

Arroz, feijão, milho, mandioca, hortaliças, café, leite, carne, tudo plantado e colhido agroecologicamente. Os agricultores familiares produzem 70% da alimentação saudável que consumimos, mas recebem apenas 25% do orçamento destinado à agricultura no Brasil. 

Cabe, então, ao segmento mudar este paradigma, buscar diariamente a sua autonomia e independência, com metas claras de investimentos e crescimento econômico em cada propriedade rural, para que somando forças, haja um diálogo de igual para igual com o estado e o sistema financeiro. Um desafio sem dúvida. Mas que precisa ser enfrentado, pois o agricultor familiar é o dono da terra. Este é o pensamento da CONAFER, a Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais do Brasil.

A Confederação que completa 10 anos em 2021 nasceu para promover a autonomia econômica e os valores culturais dos camponeses, indígenas, quilombolas, extrativistas, pescadores, posseiros, ribeirinhos, lavradores, assentados e acampados, todos agricultores familiares do rico território brasileiro. Este trabalho não contribui apenas para a segurança alimentar do país, pois ao desenvolver uma agricultura agroecológica em todo o território nacional, adicionamos o valor agregado da sustentabilidade em nossos produtos.

A CONAFER também defende a regularização fundiária como possibilidade importante para corrigir as distorções do campo, onde milhares de famílias sem a posse da terra não podem acessar programas de fomento e se desenvolver como produtores. Estima-se que 300 mil agricultores familiares sejam beneficiados com a regularização fundiária.

A Confederação possui um corpo técnico para atuar diretamente no meio rural e recursos humanos que dão o suporte neste trabalho em diversas cidades do país. Recentemente, foram criados os Espaços CONAFER em Roraima e na Bahia. Um lugar para atender os trabalhadores da ativa e os aposentados da agricultura familiar com previsão de expansão para diversas cidades do país.

A entidade, fundada em 2011, estrutura-se por meio de Secretarias Nacionais, Coordenações Regionais, Sindicatos e Federações, as SAFERS e FAFERS que estão em contato direto com os agricultores familiares filiados. Os sindicatos emitem a DAP, Declaração de Aptidão ao Pronaf, prestam serviços ao aposentados pelo INSS Digital e por meio de convênios, assessoram juridicamente os agricultores e oferecem o apoio técnico da CONAFER.

A CONAFER e a Lei que transformou agricultura familiar em segmento econômico

A história da CONAFER vem desde 2004, quando um grupo de agricultores, os fundadores da entidade, decidiu lutar pela criação de uma lei que os amparasse e os valorizasse dentro do contexto do Estado. Depois de dois anos de trabalho intenso, finalmente em 2006 veio a Lei 11.326, que reconheceu a Agricultura Familiar como categoria e setor econômico, realizando toda a mensuração dos trabalhadores rurais através do primeiro IBGE da Agricultura Familiar. 

Esse censo constatou a distribuição geográfica, classe socioeconômica e importância do setor para o Brasil, visto que os números mostravam 36 milhões de agricultores responsáveis por 70% da produção do consumo interno do país. A atividade faz parte da cultura local e corresponde à base econômica de nove entre cada dez municípios com até 20 mil habitantes. A CONAFER também apoia as políticas de bem estar social nas áreas de saúde, educação, moradia, segurança alimentar e a preservação dos nossos 5 biomas: Amazônia, Amazônia Azul, Cerrado, Mata Atlântica e o Pantanal. 

Uma agricultura que responde por 10% do PIB brasileiro

A agricultura familiar que a CONAFER defende é que mais gera renda e emprego no campo, e a que de fato aumenta o nível de sustentabilidade das atividades no setor agrícola. São 36 milhões de famílias, que no último censo agropecuário realizado em 2017 pelo IBGE, vivem em 3,897 milhões de pequenas propriedades rurais, quase a metade deles localizado na Região Nordeste. Quase 4 milhões de empreendimentos rurais que respondem por 10% do nosso PIB, isto é, toda a riqueza produzida no país. Um segmento econômico tão grande que se fosse um país, seria o 8º maior produtor agrícola do planeta.

Os estabelecimentos da agricultura familiar representam 77% do total de unidades agropecuárias e respondem por 23% do valor da produção, ocupando 23% da área total dos empreendimentos. Em 2017, trabalhavam na agricultura familiar cerca de 10,1 milhões de pessoas, ou seja, 67% da mão de obra empregada nos estabelecimentos agropecuários. O censo também mostrou que 81,3% dos produtores eram homens e 18,7% mulheres, o que demonstra um aumento da participação feminina na atividade agrícola. 

O Censo Agropecuário de 2006 apontava que as mulheres representavam 12,7% da força produtiva total. Os agricultores familiares são responsáveis por produzir cerca de 87% da mandioca, 70% do feijão nacional, 60% do leite, 34% do arroz e por 59% do rebanho suíno, 50% das aves e 30% dos bovinos.

Segmento econômico aliado da biodiversidade e da cultura regional

Para a CONAFER, ao adotar práticas tradicionais de cultivo de baixo impacto ambiental, a agricultura familiar tem sido grande aliada da sustentabilidade e da responsabilidade socioambiental. Exemplo maior disso é produção de alimentos integrada a gestão dos recursos naturais em prol da manutenção da biodiversidade.

A agricultura familiar contribui de forma muito positiva para a soberania alimentar ao preservar a tradição cultural e a produção de alimentos típicos da região em que o empreendimento está inserido. Colabora também para a preservação de hábitos alimentares regionais.

A crise provocada pelo coronavírus tornou ainda mais visível a condição da agricultura familiar de alicerce fundamental da sociedade, por ser responsável pela produção dos alimentos básicos que a população brasileira consome em seu cotidiano.

Projeto ERA, carro-chefe da CONAFER na busca pelo empreendedorismo agroecológico

O projeto ERA, a Estação Empreendedora Rural Agroecológica, cumpre inúmeras demandas: regularização fundiária, escrituração e titularização de terras; fortalecimento do crédito para produção; garantia do comércio com valor agregado; modernização dos processos produtivos; fortalecimento do agricultor como produtor agrícola. 

O projeto oferece um leque de opções de culturas para o produtor implantá-lo em sua propriedade. A ideia é que o agricultor possa consorciar sua produção sempre com outra, animal ou vegetal, garantindo uma renda nos 12 meses do ano. 

A estação ERA trabalha com a capacitação da família produtora em três setores: produção agrícola e animal; mercado e empreendedorismo; e gestão de crédito. Todo esse suporte é oferecido por meio de módulos de produção: Agrofloresta, Piscicultura, Leite Orgânico com criação de bovinos e ovinos, Apicultura, Centro de Capacitação, Culturas Vegetais e Estufa.

Quando ampliamos o ERA, nasce o CONAFER NAS ALDEIAS

O projeto CONAFER NAS ALDEIAS reúne ações da Secretaria de Agricultura e Empreendedorismo Rural, por meio da união do projeto ERA com ações das secretarias dos Povos Originários: Tradições e Culturas e a de Políticas, Estratégias e Línguas. São diversos módulos agroecológicos que se comunicam com ações culturais nas aldeias indígenas.

Contribuição para cumprir a Agenda 2030 da ONU

A CONAFER trabalha pela Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas, cujo objetivo principal é a erradicação da fome e a pobreza no mundo por meio de suas agências PNUD, FAO e OEA. 

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Esta agenda global foi formulada e assinada pelos países-membros da ONU. Como representante de uma grande parcela de agricultores familiares e empreendedores rurais brasileiros, cabe à CONAFER estabelecer parcerias, desenvolver acordos e implementar programas de fomento para o Brasil, e do Brasil com outros países, oportunizando ações orientadas pela Agenda 2030, trabalhando assim por um plano de ação global com 3 pontos principais entre os seus 17 ODS, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: o fim da fome, a luta pela justiça social e a preservação do planeta.

A CONAFER, por ser uma Confederação Nacional pode contribuir muito para esta Agenda, estimulando a agricultura familiar sustentável em um território continental, promovendo a moderna agroecologia, levando alimentação saudável para milhões de pessoas no Brasil, e também para outros países. 

A CONAFER inaugurou uma nova cultura da agricultura familiar brasileira

A Confederação já implantou o CRA, Central de Relacionamento com o Afiliado, do Sistema Único da Conafer, e que vai cultivar em uma mesma plataforma, a organização, as demandas de mercado, a logística e o crescimento coletivo dos agricultores familiares de todo o Brasil.

Em um Sistema Único todas as demandas e conexões

A CRA informa as demandas de mercado, atualiza dados de produção, faz contatos e conexões, tudo para cultivar em um único sistema, a organização, a logística e o crescimento coletivo dos nossos produtores e empreendedores rurais, mostrando toda a dimensão da agricultura familiar brasileira, e melhorar a sua busca por autonomia no desenvolvimento do segmento econômico.

A CRA é a modernização do relacionamento na entrega dos serviços e vantagens de fazer parte da CONAFER. Pela Central de Relacionamento com o Afiliado, o agricultor pode acompanhar os status de todas as solicitações que fizer junto à Confederação. Esta ferramenta é essencial para agilizar o Sistema e ampliar a extensa rede de conexões entre agricultores das 5 regiões do país. 

O Sistema é alimentado com o cadastramento dos agricultores familiares por meio dos sindicatos SAFERs e as federações, FAFERs, para que em breve todos os associados estejam se relacionando pela plataforma. 

Como representante de uma parcela significativa da agricultura familiar brasileira, a CONAFER apoia a agroecologia, as ações de sustentabilidade no campo, a segurança jurídica dos seus associados, o acesso ao crédito e o fortalecimento dos produtores rurais como importantes demandadores de consumo, as ações culturais dos povos originários e tradicionais, contribuindo decisivamente para o fortalecimento sócio-econômico e cultural do país. 

CONAFER ENTREVISTA – Rei Kabiesi Sangokunle: “Brasil e Nigéria acordaram do sono profundo da colonização”

O Rei da Cultura, Tradições e Religiões da África é o mensageiro de uma parceria que inaugura um novo relacionamento entre a Nigéria e o Brasil; CONAFER foi escolhida para esta missão

Nigéria, 190 milhões de habitantes, o país mais populoso da África, com uma produção de riquezas de 500 bilhões de dólares, 37% das terras agricultáveis em um território 8 vezes menor que o brasileiro. 

A Nigéria fica no Golfo da Guiné, com reservas naturais de animais selvagens, como o Parque Nacional do Rio Cross e o Parque Nacional Yankari, com cachoeiras, densas florestas, savanas e habitats de primatas raros. 

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O setor agrícola é em sua maior parte de subsistência, o que dificulta o abastecimento interno para acompanhar o crescimento da população. E a Nigéria, que já foi um grande exportador de alimentos, agora precisa importá-los. 

Este país quer conversar sobre agricultura familiar com o Brasil, e escolheu a CONAFER para abrir este diálogo que ultrapassa as relações comerciais, pois é uma grande celebração da ancestralidade que une os povos afros e originários do Brasil. 

O mensageiro desta boa notícia chama-se Kabiesi Sangokunle Adekunle Alayande Awurela, Rei da Cultura, Tradições e Religiões da África. 

Da esquerda para a direita: Carlos Lopes, Presidente da CONAFER, Rei Kabiesi Sangokunle e Tiago Lopes, Secretário Geral da CONAFER

Kabiesi Sangokunle foi recebido pelo presidente da CONAFER, Carlos Lopes, em Brasília, para selar esta aliança África-Brasil. Depois da reunião, Kabiesi falou com a SECOM sobre as suas ideias e esta parceria com a CONAFER.


SECOM: 

A Nigéria e o Brasil têm muitas semelhanças em termos econômicos e sociais, mas a principal delas é a da herança cultural, da exploração do colonizador e como estes países reagiram a esta dominação. E agora, como eles olham para o futuro?

Kabiese Sangokunle: “Acordando do sono profundo da colonização. É assim que vamos mudar esta história. Para chegar à Europa partindo do Brasil, levamos mais de 8 horas. Do Brasil para Lagos, a maior cidade e o grande centro financeiro da Nigéria, são apenas 4 horas. Por que não mudar este itinerário do colonizador? 
Por que não ampliar a visão e se conectar, pois somos todos de uma mesma raiz, somos irmãos de sangue, estamos unidos também pelas nossas ancestralidades, nossas culturas, nossa música, nosso artesanato, nossos sonhos de liberdade. 
Passamos pelas mesmas formas absurdas de agressão e violência, mas sobrevivemos e nos multiplicamos, e unidos somos muito mais fortes. Esta é a mensagem do meu povo para os brasileiros. Nós escolhemos a CONAFER como parceira nesta missão. Queremos juntos fazer esta aliança de trabalho e desenvolvimento entre os agricultores familiares brasileiros e africanos.”

Kabiesi Sangokunle concedeu entrevista para a SECOM ao lado dos secretários indígenas da CONAFER, Lucas Puri Pataxó da Secretaria Nacional de Políticas, Estratégias e Línguas dos Povos Originários; e Burain de Jesus da Secretaria Nacional de Tradições e Culturas dos Povos Originários




SECOM: 

O senhor representa 16 líderes africanos, conhece muitas culturas globais e o seu conhecimento do Brasil é maior que a maioria dos brasileiros. Como o seu povo enxerga esta aproximação e os projetos de parcerias com a CONAFER?

Kabiese Sangokunle: “Com muita alegria, como é característico dos nossos povos. Vemos a CONAFER como uma ponte segura para trocar nossas experiências e ampliar as relações. A CONAFER pode oferecer o seu conhecimento técnico, sua expertise no assunto agricultura familiar. Mas é a diversidade cultural da CONAFER que fortalece ainda mais esta relação, que nos aproxima e sedimenta um caminho futuro muito produtivo e de confiança em nossas relações.”


Após o encontro na CONAFER, Kabiese Sangokunle foi recebido no Território Indígena Recanto dos Encantados, em Sobradinho/DF

Rei Kabiesi Sangokunle durante encontro no Recanto dos Encantados, em Sobradinho/DF

O Recanto dos Encantados viveu um dia inteiro de festa e muita magia ao som dos atabaques e dos maracás, para receber Sangó Kunlé, o nome do Rei Kabiesi Sangokunle em Iorubá.


O Encontro de Ancestralidades foi promovido pelas Secretarias de Assuntos Indígenas, Culturas e Tradições dos Povos Originários, Promoção e Resgate de Línguas Indígenas, juntamente com a Secretaria LGBT Casa Tibiras da CONAFER – Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Rurais – e também contou com a honrosa presença da Família Ilê Axé Di Oyá, com muito ritual e alegria. Um sinal de que a visita do Rei Kabiesi Sangokunle foi coroada de êxito.

Encontro coroado de êxito e iluminado pelas ancestralidades dos povos africanos e originários do Brasil

Berço da Águas, Cerrado é protegido pela agricultura familiar

da Redação

Resistência dos povos tradicionais que habitam o bioma está cada vez mais relacionada ao emprego de práticas agroecológicas por uma agricultura familiar adaptada ao clima

No dia 11 de setembro foi comemorado o Dia Nacional do Cerrado. Este bioma, que ocupa cerca de 22% do território nacional, abrange todo o estado de Goiás, de Tocantins e o Distrito Federal, além de parte da Bahia, Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Piauí, Rondônia e São Paulo.

O Cerrado é considerado o Berço das Águas, pois a região abriga os três maiores aquíferos que abastecem o Brasil e os países vizinhos: Guarani, Bambuí e Urucuia. Definido como uma das mais ricas savanas do mundo em termos de biodiversidade, reúne uma grande variedade de paisagens e número expressivo de espécies de plantas e animais.

Foto: Mana Ativa

Apesar de ser tão estratégico para a nossa própria sobrevivência, trata-se de um bioma profundamente ameaçado pelo avanço da fronteira agrícola e ainda não devidamente protegido pelo poder público e organismos internacionais. Hoje, o bioma sofre um risco de descaracterização em muitas áreas, onde sua belas árvores tortas dão lugar às monoculturas de soja, algodão, cana, eucalipto ou para pastagens de gado.

Em contraponto ao modelo agropecuário, a resistência dos povos tradicionais que habitam o Cerrado foi possível pelo emprego de práticas agroecológicas. Além de uma agricultura familiar adaptada ao clima do território, no Cerrado a produção familiar também inclui atividades extrativistas. De acordo com as safras, os agricultores coletam espécies nativas para se alimentar, vender ou processar, de modo a complementar sua renda. Destaque para as culturas do pequi, babaçu e baru.

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O bioma é caracterizado pela forte presença de comunidades extrativistas indígenas, quilombolas e extrativistas, e que vêm conservando, de forma efetiva, grandes áreas naturais por gerações e gerações. É preciso perceber e valorizar a pequena produção familiar e o extrativismo como aliados da conservação, como seus verdadeiros guardiões.

Agricultura familiar ajuda a proteger o Cerrado

As produções familiares reduzem expressivamente os impactos ambientais causados pela produção em larga escala. Com áreas menores, a produção familiar tem pouca necessidade de uso de defensivos agrícolas, aproveitando melhor estratégias como a do Manejo Integrado de Pragas (MIP) e fortalecendo a biodiversidade existente.

Foto: Stoodi

O modelo ainda viabiliza a integração de várias atividades agropecuárias, abrindo espaço para investimentos em tecnologia em áreas menores e para aumentar a produção de forma mais sustentável.

O Cerrado nos ensina a resiliência, pois mesmo depois de secas intensas, retorna colorido e potente. São milhões de agricultores desta grande região que aprenderam a entender a natureza e o comportamento do ecossistema, criando raízes profundas por meio da agroecologia, e que ajudam na proteção desse bioma tão exuberante.

Capa: Biologia Total

Abertas as inscrições do Garantia Safra 2020/21

da Redação

Agricultores familiares de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe podem se inscrever

Foram disponibilizados R$ 468 milhões para execução do Garantia Safra 2020/2021. O Ministério da Agricultura informa que os agricultores familiares que se inscreveram nas safras 2018/2019 e 2019/2020 com DAPs, Declaração de Aptidão ao Pronaf, válidas até 04/09/2020, tiveram suas inscrições para safra 2020/2021 migradas de forma automática. Para aqueles que não tiveram a inscrição migrada, será necessário efetuá-la presencialmente nas instituições emissoras de DAP.

Sobre o Garantia Safra

Criado em 2002, o Garantia Safra é um benefício social que garante ao agricultor familiar o recebimento de um auxílio pecuniário, por tempo determinado, caso tenha prejuízos na produção em razão do fenômeno da estiagem ou do excesso hídrico.

O programa é destinado aos agricultores familiares com renda média bruta mensal de um salário mínimo e meio nos 12 meses que antecederam a inscrição, excluídos os benefícios previdenciários rurais.

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Os recursos para o pagamento dos benefícios são oriundos das contribuições dos agricultores (taxa de adesão), dos municípios, dos estados e da União, que, juntas, formam o Fundo Garantia Safra, FGS, administrado pela Caixa Econômica Federal desde outubro de 2003.

O benefício definido para pagamento pelo Comitê Gestor do Garantia Safra aos agricultores nessa edição é de R$ 850. Já os aportes realizados para o Fundo Garantia Safra têm os seguintes valores: R$ 17 de taxa paga pelos agricultores familiares; R$ 51 por agricultor que adere ao benefício, pagos pelos municípios; R$ 102 por agricultor aderido, pagos pelos estados; e R$ 346,66 por cota disponibilizada, de contribuição da União.

Confira o calendário estabelecido pelo Comitê Gestor para as inscrições e adesões dos agricultores familiares abaixo:

Fonte: GOV.BR

Sai lista dos produtos com desconto no PRONAF até 9 de outubro

da Redação

A lista com os produtos e os estados contemplados têm validade de 10 de setembro a 9 de outubro de 2020, conforme Portaria nº 29, da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura

Com base em pesquisa de preços de mercado efetuada pela Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) no mês passado, foi publicada a lista de produtos amparados pela Política de Garantia de Preços para a Agricultura Familiar (PGPAF) com direito a bônus do governo federal no mês de setembro nas operações de crédito pelas instituições financeiras.

Foto: Canal Rural

Em setembro serão contemplados os seguintes produtos: açaí, banana, borracha natural cultivada, cacau (amêndoa), cana-de-açúcar, cará/inhame, castanha de caju, feijão caupi, laranja, mel de abelha, pimenta do reino e raiz de mandioca. Os produtos que registraram queda de preço de mercado terão descontos no momento de amortização ou liquidação do crédito.

Segundo o ministério, para os agricultores que têm operações de investimento sem um produto principal, que é a fonte de renda para pagamento do financiamento, há o bônus da cesta de produtos. Nesses casos, os descontos são calculados por meio de uma composição dos bônus do feijão, leite, mandioca e milho.

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O recebimento de bônus do PGPAF ocorre quando o valor de mercado de algum dos produtos do programa fica abaixo do preço de referência, permitindo ao produtor utilizar o valor como desconto no pagamento ou amortização nas parcelas de financiamento do PRONAF.

Os estados contemplados na lista deste mês são: 

Acre
Alagoas
Amazonas
Bahia
Ceará
Espírito Santo
Mato Grosso
Mato Grosso do Sul
Minas Gerais
Pará
Paraíba
Paraná
Pernambuco
Piauí
Rondônia
Santa Catarina
Tocantins 
Sergipe

Cadastro dos agricultores familiares: a CONAFER fez nascer, você faz crescer

Chegou a hora de cadastrar todos os nossos agricultores familiares.

A CRA, Central de Relacionamento com o Afiliado, veio para garantir a organização, as demandas de mercado, a logística e o crescimento coletivo dos agricultores familiares de todo o Brasil.

A CRA acompanha os status de todas as solicitações feitas à CONAFER. Por isso, a partir de agora, só serão atendidas pela Confederação as entidades que estiverem cadastradas no Sistema Único da Conafer

Então, faça o cadastramento de todos os sindicatos, associações e demais entidades afiliados no seu Estado. A CONAFER tem um canal para esclarecer e auxiliar em todo o processo. Se for necessário, uma pessoa vai ligar e conversar para tirar suas dúvidas.

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A riqueza do açaí mostra a força da agricultura extrativista

da Redação

Cadeia de produção do fruto movimenta mais de R$ 592 milhões por ano no Brasil; país é o maior produtor de açaí no mundo, com produção anual de 1,1 milhão de toneladas

O açaizeiro é uma árvore que pode chegar a 30 metros de altura e que prefere áreas úmidas, fator que faz com que a mesma prefira as margens dos rios para crescer. Por isso, o açaí é produzido a partir do trabalho dos agricultores familiares das comunidades ribeirinhas, através de técnicas próprias de extrativismo. O fruto é uma das mais importantes fontes de alimentação para os habitantes da região amazônica, terra de origem do açaí e onde se concentra a maior parte da produção mundial.

O açaizeiro é uma palmeira de folhas grandes, finamente recortadas em tiras e de coloração verde-escura. As flores são pequenas, agrupadas em grandes cachos pendentes e de coloração amarelada. Aparecem, geralmente, entre setembro e janeiro. Cada palmeira produz de três a quatro cachos por ano, com 3 a 6 kg de frutos que, quando maduros, adquirem uma coloração violácea, quase negra. A produção se intensifica nos meses de julho a dezembro.

Foto: FAPEAM

Do açaizeiro tudo se aproveita: frutos, folhas, raízes, o caule (de onde se obtém o palmito), tronco e cachos. O palmito de açaí é largamente comercializado e um dos mais apreciados na culinária. Já as fibras das folhas são utilizadas para tecer chapéus, esteiras e cestas, e os cachos secos são aproveitados para fazer vassouras. As populações ribeirinhas do rio Amazonas fazem dessa palmeira uma fonte de renda e a base da alimentação de suas famílias ao longo de praticamente todo o ano.

Rico em vitaminas, nutritivo e delicioso

A fruta foi conquistando seu espaço aos pouquinhos e, com o tempo, ganhou diversos adeptos. Hoje, o açaí é uma verdadeira febre em todo Brasil e já está presente em diversos outros países. Para ser apreciado, é necessário que o açaí seja amassado. A polpa é então misturada à água, originando o chamado “vinho do açaí”.

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Em todo Brasil, o açaí é consumido principalmente em forma de creme, batido com guaraná, mas nos estados do Amazonas e do Pará, além dos outros da região amazônica, é consumido acompanhado principalmente de farinha de tapioca, peixes e camarão, além de suco ou vinho. O pirão feito com a fruta também ganha lugar na mesa, assim como a geleia, sorvetes e doces.

Foto: Conquiste Sua Vida

Os benefícios do açaí para a saúde são vários. A fruta é rica em vitaminas dos complexos B e C, além de ter muito ferro, cálcio e potássio, todos elementos essenciais para uma boa saúde. O açaí também é rico em antocianinas, substâncias que ajudam na circulação do sangue pelo organismo.

De acordo com a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (Taco), cada 100 gramas da polpa congelada de açaí possui 0,8g de proteína, 3,9g de lipídios, 6,2g de carboidratos, 2,6g de fibras alimentares e 58 kcal. Corresponde, portanto, a uma alimentação completa.

Um mercado cheio de oportunidades e excelentes perspectivas

A cadeia de produção do açaí movimenta mais de R$ 592 milhões por ano no Brasil, de acordo com boletim publicado pela Companhia Nacional de Abastecimento, a Conab. O país é o maior produtor do fruto no mundo, com mais de 1,1 milhão de toneladas por ano, segundo o IBGE. O mercado desse importante produto da economia amazônica só cresce a cada ano, apresentando uma perspectiva de alta taxa de crescimento para os próximos anos.

Muito valorizado pelas indústrias alimentícias e de cosméticos, o açaí possui uma cadeia de produção que traz importantes benefícios sociais, econômicos e ambientais para a Amazônia. De acordo com o Censo Agropecuário IBGE 2017, a cadeia beneficia aproximadamente 150 mil famílias de extrativistas e agricultores familiares organizados em quase 200 cooperativas e associações de produtores.

Estima-se que 300 mil pessoas estejam envolvidas no processo de produção, entre produtores, batedeiras, indústria, varejo e serviços em geral. Cerca de 60% do açaí produzido no Brasil é consumido no Pará. Outros 30% são consumidos no restante do país, enquanto 10% segue para exportação. Deste percentual, 77% tem como destino os Estados Unidos.

Foto: Visite O Brasil

É difícil provar o verdadeiro açaí fora da região Norte. Depois da colheita, o fruto deve ser batido em até 24 horas para preservar a cor, o cheiro e o sabor e se o açaí não for ingerido em até 72 horas, ele começa a oxidar. Por isso, a polpa precisa ser congelada e industrializada para chegar a outras regiões.

Com peixe ou misturado ao guaraná, servido na cuia ou em uma tigela, com fatias de banana ou com farinha, não existe maneira errada de apreciar o açaí. Escolha a sua maneira preferida e aproveite todos os benefícios dessa fruta especial.

A lenda indígena do açaí, o fruto que chora

A palavra “açaí” tem origem indígena e significa “fruto que chora”. Conta a lenda que há muito tempo atrás, um numeroso grupo Tupi vivia na região onde hoje fica a cidade de Belém, no estado do Pará. E conforme a população aumentava, havia cada vez menos alimentos disponíveis.

Ao ver seu povo passar fome, o chefe Itaki ordenou que toda criança recém-nascida fosse sacrificada para manter a população sob controle, até que uma fonte mais abundante de alimentos fosse encontrada. Ele não abriu qualquer exceção a essa ordem, mesmo quando sua própria filha, Iaçã, ficou grávida e deu à luz uma menina. Iaçã ficou desesperada, chorava todas as noites de saudades de sua filhinha. Ficou por vários dias enclausurada em sua tenda e pediu a Tupã que mostrasse ao pai outra maneira de ajudar seu povo, sem o sacrifício das crianças.

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Certa noite, Iaçã ouviu o choro de uma criança e, ao entrar no mato, viu sua filha sentada ao pé de uma palmeira. Ela estendeu os braços e correu em direção à criança, mas o bebê instantaneamente desapareceu no abraço. Inconsolável, Iaçã caiu sobre a palmeira chorando até desfalecer. No dia seguinte, seu corpo foi encontrado abraçado ao tronco da palmeira. O seu rosto trazia ainda um sorriso de felicidade e seus olhos negros estavam voltados para o alto da árvore, carregada de frutinhos escuros. Itaki então mandou que apanhassem os frutos. Deles, foi obtido um suco avermelhado.

Itaki percebeu que aquela era uma benção de Tupã e batizou a fruta de açaí, palavra originada da pronúncia invertida dos vocábulos existentes em Iaçã, em homenagem a sua filha. A ordem de sacrificar os bebês foi encerrada e a comunidade nunca mais passou fome.

Capa: Agência Pará