Nobel da Paz da ONU mostra que CONAFER está no caminho certo ao apoiar Agenda 2030 contra a fome

da Redação

Programa Mundial de Alimentação da ONU recebe o maior prêmio do planeta, lembrando ao mundo que a paz e a erradicação da fome são inseparáveis

Foto: Liberal

A luta contra a fome no mundo ganha o Nobel da Paz 2020. O Programa Mundial de Alimentação da Organização das Nações Unidas, a ONU, foi o vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 2020, anunciado nesta sexta-feira, dia 9. O programa foi agraciado pelos seus esforços em combater a fome e por sua contribuição para melhorar as condições de paz em territórios em conflito, lutando contra o prática de usar a fome como arma de guerra. 

Este é o maior programa de combate à fome do planeta e busca promover a segurança alimentar. Apenas em 2019, a agência da ONU forneceu assistência para cerca de 100 milhões de pessoas em 88 países. Nos últimos anos, no entanto, a situação vem se agravando, com 135 milhões de pessoas passando fome, aumento aumentado majoritariamente por guerras e conflitos armados. 

Avião C-130 Hercules da ONU transportando alimentos do PMA para a região de Rumbak, no Sudão. Foto: Wikipédia

Esta premiação é um marco na história do mundo pós-moderno, pois as nações enfrentam uma grave crise alimentar no contexto de uma das maiores epidemias da história. A projeção feita pelo programa é que em um ano pode haver até 265 milhões de pessoas ameaçadas pela falta de comida e apela à comunidade internacional para não deixar o Programa Mundial de Alimentos sem fundos. “A necessidade de solidariedade internacional e cooperação multilateral é mais conspícua que nunca”, disse a presidente do Comitê do Nobel, Berit Reiss-Andersen.

A declaração foi interpretada como uma resposta ao surgimento considerado perigoso de um nacionalismo explícito em diferentes partes do mundo e do populismo de governos que vem atacando ações e orientações da ONU nos últimos anos. A entidade se manifestou por meio do twitter: “Agradecemos ao comitê do prêmio por honrar o Programa Mundial de Alimentos com o Nobel da Paz 2020. Esse é um lembrete poderoso para o mundo de que a paz e o combate à fome caminham lado a lado”.

Parceria CONAFER e PNUD busca segurança alimentar por meio da produção agrofamiliar 

Como representante de uma parcela significativa da agricultura familiar brasileira, a CONAFER atua pelo cumprimento das diretrizes globais da Agenda 2030 da ONU, por meio de ações com o PNUD, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, cujo compromisso é erradicar a fome no planeta sem abrir mão da sustentabilidade. 

Com este prêmio, a parceria com o PNUD reforça que estamos no caminho certo na busca da segurança alimentar. A CONAFER busca a efetiva implementação dos 17 objetivos previstos na Agenda 2030 da ONU cujo os objetivos fundamentais são o fim da fome, a luta por justiça social e a preservação do planeta.

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A Confederação tenta de forma ativa contribuir para que a Agenda 2030 encontre êxito no Brasil, estimulando a agricultura familiar sustentável, promovendo a moderna agroecologia, levando alimentação saudável para uma nação inteira mesmo diante de situações de calamidade. Como afirmou a agência da ONU, “até o dia em que tivermos uma vacina médica, a alimentação é a maior vacina contra o caos”.

Capa: Nobel

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: Vida Terrestre

FONTE: ONU

A subsistência da vida humana depende da terra assim como dos oceanos. A vida vegetal responde por 80 por cento da dieta humana e nós dependemos da agricultura como importante fonte econômica e de desenvolvimento. Florestas ocupam cerca de 30 por cento do território do planeta Terra, gerando ambientes vitais para milhões de espécies e importante fonte de água e ar limpos. Esses ambientes também são cruciais para combater a mudança global do clima.

Hoje vemos uma degradação do solo sem precedentes e uma perda de terras cultiváveis de 30 a 35 vezes maior do que a média histórica. Secas e desertificação também aumentam a cada ano, junto com a perda de 12 milhões de hectares, que afetam diretamente comunidades mais pobres de todo o planeta. Das mais de 8300 espécies de animais conhecidas, oito por cento estão extintas e 22 por cento em risco de extinção.

Os ODS buscam conservar e restaurar o uso do ecossistema terrestre, como das florestas, pântanos, zonas secas e montanhas até 2020. Deter o desmatamento também é vital para mitigar o impacto da mudança do clima. Ações urgentes precisam ser tomadas para reduzir a perda de ambientes naturais e biodiversidade, que são parte do nosso patrimônio comum. 

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: Vida na água

FONTE: ONU
Os oceanos do planeta – suas temperaturas e vidas marinhas – são responsáveis para garantir que a Terra seja um local habitável. Como gerenciamos esses recursos é vital para a humanidade como um todo, para contrabalancear a mudança global do clima.
Oceanos absorvem mais de 30 por cento do dióxido de carbono produzido por humanos e, atualmente, vemos um aumento de 26 por cento na acidificação dos oceanos, desde o começo da revolução industrial. A poluição marinha está alcançando níveis alarmantes, com aproximadamente 13 mil unidades de lixo plástico encontradas em cada quilômetro quadrado do oceano.
Os ODS garantem o gerenciamento sustentável e a proteção dos ecossistemas marinhos e costeiros, assim como combater os impactos da acidificação dos oceanos. Intensificar a conservação e o uso dos recursos marítimos por meio de leis internacionais também irá colaborar com a mitigação dos desafios para termos oceanos limpos e sustentáveis.

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: Ação contra a mudança global do clima

FONTE: ONU
Não há país no mundo que não enfrente os efeitos adversos da mudança global do clima. A emissão de gases de efeito estufa continua a crescer, e está 50 por cento maior do que os níveis de 1990. Além disso, o aquecimento global está causando mudanças de longo prazo em nosso clima, com ameaças e consequências irreversíveis se não tomarmos medidas urgentes, agora.
A perda média anual por consequência de terremotos, tsunamis, ciclones tropicais e alagamentos contabiliza centenas de bilhões de dólares, exigindo um investimento de seis bilhões de dólares anuais somente no gerencimento de risco de desastres. O objetivo busca mobilizar 100 bilhões de dólares por ano até 2020 para atender as necessidades de países em desenvolvimento de ajudar a mitigar os desastres relacionados à mudança global do clima.
Ajudar regiões mais vulneráveis, assim como países sem saída para o mar, países menos desenvolvidos e pequenas ilhas em desenvolvimento, a se adaptarem à mudança do clima deve ser compromisso fundamental nos esforços para integrar políticas de redução de desastres em estratégias nacionais. Isso ainda é possível, com coordenação política e apoio da tecnologia, para limitar o aumento da temperatura global do planeta em até 2º Celsius até 2050. E isso requer ações coletivas urgentes.

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: Consumo e Produção responsáveis

FONTE: ONU
Alcançar o crescimento econômico inclusivo e o desenvolvimento sustentável requer a redução urgente da “pegada” ecológica, com a mudança no modo em que produzimos e consumimos bens e recursos. A agricultura é o setor da economia que mais usa água globalmente, e a irrigação consome quase 70 por cento de toda a água potável do planeta.
O gerenciamento eficiente dos nossos recursos naturais compartilhados, e a forma que nós descartamos lixo tóxico e poluentes, são importantes metas para alcançarmos esses objetivos. Estimular indústrias, setor privado e consumidores a reciclar e reduzir o desperdício é igualmente importante, assim como apoiar os países em desenvolvimento a alcançarem uma economia de baixa consumo até 2030.
Grande parte da população mundial consome menos do que o necessário para atender necessidades básicas. Reduzir o desperdício global per capita de alimentos, tanto dos distribuidores como dos consumidores, é importante para criar cadeias de consumo mais eficientes. Isso pode ajudar na segurança alimentar, e garantir uma economia mais sustentável.

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: Cidades e Comunidades sustentáveis

FONTE: ONU
Mais da metade da população do planeta vive em áreas urbanas. Em 2050, esse número chegará a 6,5 bilhões de pessoas – dois terços de toda a humanidade. O desenvolvimento sustentável não pode ser alcançado sem uma transformação significativa na forma de construir e gerenciar os espaços urbanos.
O rápido crescimento das cidades no mundo em desenvolvimento, junto com o aumento da migração rural para a área urbana, levou a uma expansão das cidades. Em 1990, haviam dez megacidades com mais de 10 milhões de habitantes ou mais. Em 2014, já haviam 28 megacidades, que abrigavam mais de 453 milhões de pessoas.
A pobreza extrema é frequentemente concentrada em espaços urbanos e governos nacionais e locais sofrem para acomodar a população crescente nessas áreas. Tornar as cidades mais seguras e sustentáveis significa garantir o acesso à moradias adequadas e a preços acessíveis e melhorar a qualidade de áreas degradadas, principalmente das favelas. Também envolve investimento em transporte público, criação de espaços verdes e melhoria no planejamento urbano e no gerencimento de forma participativa e inclusiva.

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: Redução das desigualdades

FONTE: ONU
Diversos estudos apontam que a renda de desigualdades está aumentando, com os mesmo ricos ganhando até 40 por cento da renda total global. Os 10 por cento mais pobres ganham somente entre dois por cento e sete por cento da renda do planeta. Em países em desenvolvimento, a desigualdade aumentou mais de 111 por cento se levarmos em conta o aumento da população.
Esse aumento das disparidades requer a adoção de políticas para empoderar a camada mais afetada, e promover a inclusão econômica de todas e todos, independente de sexo, religião e etnia.
A desigualdade de renda é um problema global e requer soluções globais. Isso envolve melhorar a regulação e monitorar os mercados financeiros e as instituições, encorajando a assistência ao desenvolvimento e o investimento internacional direto em regiões mais necessitadas. Facilitar a migração segura e a mobilidade de pessoas também é chave para diminuir as desigualdades.

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: Indústria, Inovação e Infraestrutura

FONTE: ONU
Investimentos em infraestrutura e inovação são indutores cruciais do crescimento econômico e do desenvolvimento. Com mais da metade da população global agora vivendo em cidades, transportes de massa e energias renováveis são cada vez mais importantes, assim como o crescimento de novas indústrias e tecnologias de comunicação e informação.
O progresso tecnológico é chave para encontrarmos soluções definitivas para desafios econômicos e ambientais, assim como gerar novos empregos e promover a eficiência energética. Promover indústrias sustentáveis e investir em pesquisa científica e inovação são formas importantes de facilitar o desenvolvimento sustentável.
Mais de quatro bilhões de pessoas ainda não têm acesso à internet, e 90 por cento vivem em países em desenvolvimento. Diminuir essa distância digital é crucial para garantirmos acesso igualitário à informação e ao conhecimento, assim como propiciar a inovação e o empreendedorismo.

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: Trabalho decente e crescimento econômico

FONTE: ONU
Nos últimos 25 anos, o número de trabalhadores vivendo em extrema pobreza caiu drasticamente, apesar do impacto da crise econômica de 2008 e a recessão global. Em países em desenvolvimento, a classe média representa 34 por cento da força de trabalho empregada – um número que praticamente triplicou entre 1991 e 2015.
Entretanto, como a economia global continua a se recuperar com pequenos avanços econômicos, ampliando as desigualdades, não há trabalho suficiente para todas e todas, com o aumento da população. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, mais de 204 milhões de pessoas estavam desempregadas em 2015.
Os ODS promovem o crescimento econômico sustentável, maiores níveis de produção e a inovação tecnológica. O empreendedorismo será fundamental para criarmos vagas de trabalho, assim como medidas efetivas para erradicar o trabalho forçado, a escravidão e o tráfico de humanos. Com essa perspectiva, o objetivo é alcançar o pleno emprego e o trabalho decente para todas as mulheres e homens até 2030.

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: Energia limpa e acessível

FONTE: ONU
Entre 1990 e 2010, o número de pessoas com acesso à eletricidade cresceu 1.7 bilhão, e como a população global continua a crescer, também crescerá a demanda por energia barata. Uma economia global dependente de combustíveis fósseis e o aumento das emissões de gás carbônico está criando drásticas mudanças no clima, o que impacta diretamente todos os continentes.
Esforços para promover o uso de energias limpas garantiram, segundo dados de 2011, que 20 por cento da energia consumida no planeta venha de fontes renováveis. Mas ainda uma em cada sete pessoas no planeta não tem acesso à eletricidade e como a demanda continua a crescer há a necessidade de substancialmente aumentar a produção de energias renováveis.
Garantir o acesso universal à energia e a um preço justo até 2030 significa investir em fontes de energia limpa, como a energia solar, eólica e térmica. Adotar padrões de custos sustentáveis para uma vasta gama de tecnologia também pode reduzir o consumo global de energia em 14 por cento. Isso significa 1300 centrais elétricas a menos no planeta. Expandir a infraestrutura e modernizar a tecnologia para fornecer energia limpa em todos os países em desenvolvimento é um objetivo crucial para que o crescimento econômico colabore com o meio ambiente.