ZARC DO MILHO: sai zoneamento agrícola de um dos produtos mais importantes da agricultura familiar

da Redação

Das quatro culturas agrícolas mais produzidas pelos agricultores familiares, o milho tem um valor especial, pois além da subsistência das famílias e da sua comercialização como fonte de renda aos pequenos produtores, ele é o principal insumo para a produção de aves e suínos, além de sua importância estratégica para a segurança alimentar do brasileiro ao longo das últimas décadas. Por isso, é importante para o setor agrofamiliar se ater às publicações do Zarc, o Zoneamento Agrícola de Risco Climático publicado pelo Ministério da Agricultura e Abastecimento, o Mapa. Nesta quarta 15 de setembro, o Zarc do milho foi publicado com destaque para regiões Norte e Nordeste, orientando as culturas milho de 1ª safra, consórcio milho com braquiária e algodão herbáceo. O zoneamento tem o objetivo de reduzir os riscos relacionados aos problemas climáticos e permite ao produtor identificar a melhor época para plantar, levando em conta a região do país, a cultura e os diferentes tipos de solos

O Zarc utiliza um modelo agrometeorológico considerando elementos que influenciam diretamente no desenvolvimento da produção agrícola, como temperatura, chuvas, umidade relativa do ar, água disponível nos solos, demanda hídrica das culturas e elementos geográficos (altitude, latitude e longitude).

Os agricultores que seguem as recomendações do Zarc estão menos sujeitos aos riscos climáticos e ainda poderão ser beneficiados pelo Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e pelo Programa de Subvenção ao prêmio do Seguro Rural (PSR). Muitos agentes financeiros só liberam o crédito rural para cultivos em áreas zoneadas.

O Zarc foi aprovado para cultivo do milho de 1ª safra em AL, CE, PB, PE, RN, SE, AP, AM, PA e RR; cultivo do consórcio milho com braquiária de 1ª safra em AL, CE, PB, PE, RN, SE e RR; cultivo do algodão herbáceo em AL, CE, PB, PE, RN, SE, AP, PA e RR.

Aplicativo Plantio Certo

Produtores rurais e outros agentes do agronegócio podem acessar por meio de tablets e smartphones, de forma mais prática, as informações oficiais do Zarc, facilitando a orientação quanto aos programas de política agrícola do governo federal. O aplicativo móvel Zarc Plantio Certo, desenvolvido pela Embrapa Informática Agropecuária (Campinas/SP), está disponível nas lojas de aplicativos: iOS e Android.

Os resultados do Zarc também podem ser consultados e baixados por meio da plataforma “Painel de Indicação de Riscos”

O milho e sua importância na agricultura familiar

A maior parte do milho que abastece os municípios brasileiros é produzido pela agricultura familiar. O milho é cultivado em todo o Brasil, tanto na agricultura familiar quanto nas grandes empresas agropecuárias, estando presente em todas as cadeias produtivas de animais.

No início de seu cultivo, o milho era utilizado basicamente para a subsistência humana. Com o decorrer do tempo foi ganhando importância e transformou-se no principal insumo para a produção de aves e suínos, além de sua importância estratégica para a segurança alimentar do brasileiro ao longo das últimas décadas.

A produção do milho representa cerca de 30% do total de grãos produzidos no mundo. Os maiores produtores são os EUA, China, Brasil, União Européia, México e Argentina. No Brasil, os Estados que se destacam na produção do cereal são: Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

A cultura do milho ocupa posição de destaque entre as atividades agropecuárias do Brasil por ser a mais frequente nas propriedades rurais e pelo seu valor de produção, superado apenas pelo da soja. O milho é, ao mesmo tempo, importante fonte de renda para os agricultores e relevante insumo (matéria-prima) para os criadores de aves, suínos, bovinos e outros animais, compondo parcela majoritária das rações.

O milho é produzido do Norte ao Sul do Brasil, com características e sistemas de produção diferentes. Por ser uma cultura que é cultivada em pequenas propriedades, uma parcela importante do milho colhido destina-se ao consumo ou transformações em produtos para consumo na própria fazenda. Porém, o aumento na eficiência dos sistemas de produção de aves e suínos, as características dos produtos demandados pelos consumidores urbanos e as quantidades necessárias para atingir escalas mínimas que compensem o transporte para os centros consumidores, reduziram a capacidade de competição da pequena produção de milho.

A produção de milho, no Brasil, tem-se caracterizado pela divisão em duas épocas de plantio. O plantio de verão, ou primeira safra, é realizado na época tradicional, durante o período chuvoso, que varia entre fins de agosto, na região Sul, até os meses de outubro/novembro, no Sudeste e Centro-Oeste (no Nordeste, esse período ocorre no início do ano).

Mais recentemente, tem aumentado a produção obtida na safrinha ou segunda safra. A safrinha refere-se ao milho de sequeiro, plantado extemporaneamente, em fevereiro ou março, quase sempre depois da soja precoce, predominantemente na região Centro-Oeste e nos estados do Paraná, São Paulo e Minas Gerais. Verifica-se, nas últimas safras, um decréscimo na área plantada no período da primeira safra, que tem sido compensado pelo aumento dos plantios na safrinha e pelo aumento do rendimento agrícola das lavouras de milho.

O milho no contexto da integração lavoura-pecuária (ILP)

Embora realizados em uma condição desfavorável de clima, os sistemas de produção da safrinha têm sido aprimorados e adaptados a essa condição, o que tem contribuído para elevar os rendimentos das lavouras também nessa época. A cultura do milho destaca-se também no contexto da integração lavoura-pecuária (ILP) devido às inúmeras aplicações que o cereal têm dentro da propriedade agrícola na alimentação animal, na forma de grãos ou de forragem verde ou conservada (rolão, silagem) ou na geração de receita, mediante a comercialização da produção excedente.

O ponto importante são as vantagens comparativas do milho em relação a outros cereais ou fibras no que diz respeito ao seu consórcio com capim nos projetos de ILP. Uma dessas vantagens é a competitividade no consórcio, visto que as plantas de milho exercem, depois de estabelecidas, grande pressão de supressão sobre as demais espécies que crescem no mesmo local.

Embora existam várias plantas forrageiras anuais e perenes que servem para a produção de silagem, o milho é uma das culturas mais utilizadas para essa finalidade no Brasil, por apresentar um bom rendimento de matéria verde, excelente qualidade de fermentação e manutenção do valor nutritivo da massa ensilada, conferindo baixo custo operacional de produção, além da boa aceitabilidade por parte dos animais.

O milho é a forragem mais tradicional por apresentar condições ideais para a confecção de uma boa silagem, como o teor de matéria seca por ocasião da ensilagem entre 30% e 35%, mais de 3% de carboidratos solúveis na matéria original e baixo poder tampão.

O cultivo do milho verde é uma atividade praticamente exclusiva de pequenos e médios agricultores. O milho verde pode ser considerado uma hortaliça, em virtude do tempo de sua permanência no campo até o momento da colheita, que é de aproximadamente 90 dias.

Mais recentemente, com a possibilidade de incremento do valor agregado ao produto, a conservação ambiental e a baixa utilização de insumos, a produção orgânica pode se constituir em alternativa viável para o aumento da rentabilidade do setor agrícola. Pequenos e médios agricultores, assentamentos agrícolas, além de outros segmentos da cadeia produtiva, constituem o público que demanda tecnologias adequadas para o desenvolvimento da agricultura orgânica, haja visto que a grande maioria desses agricultores utiliza pouco ou nada de insumos modernos na produção e, por questão até de sobrevivência, praticam a diversificação na produção.

Nesse caso, se aplicam tanto a produção de alimentos consumidos diretamente pelo homem como a produção de alimentos para animais, possibilitando uma ampliação das cadeias produtivas de produtos orgânicos. O milho, pelas razões já expostas, é essencial em sistemas orgânicos de produção pela diversidade de uso e produtos gerados, pelas inúmeras possibilidades de sua participação em sistemas de rotação, sucessão e consorciação de culturas, além de ser essencial como matéria-prima para outras cadeias de produção orgânica, como carne, leite e ovos.

Com informações do Mapa, Wikipedia e fonte Portal da Embrapa com material dos autores: Israel Alexandre Pereira Filho, José Carlos Cruz e João Carlos Garcia.

ZARC DO MARACUJÁ: sai zoneamento agrícola do plantio da cultura em que o Brasil é o maior produtor mundial

da Redação

O país tem a maior produção e o maior consumo mundial da fruta, chegando a 1 milhão de toneladas estimadas anualmente, gerando uma renda no campo de mais de R$ 1 bilhão de reais. O país exporta apenas 1% do que produz, tem uma produtividade média ainda baixa, em torno de 14 t/ha/ano, com potencial para produzir mais de 50 t/ha/ano. Dois fatores principais causam esta baixa produtividade da cultura: primeiro a não adoção de melhoramento genético ao utilizar sementes de origem desconhecida, obtidas de frutos coletados em pomares comerciais e no mercado. O segundo é a não utilização de tecnologias no processo de produção, como a correção da acidez e da fertilidade dos solos, podas de formação, adubações de cobertura, polinização manual, irrigação, controle fitossanitário e o plantio orientado por um zoneamento agrícola correto; a observância das datas de plantio preconizadas pelo Zarc é obrigatória para os produtores que desejam acessar o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e o Programa de Subvenção ao Seguro Rural (PSR)

O Brasil é o maior produtor de maracujá do mundo. A fruta gera renda no campo de R$ 1 bilhão de reais por ano. A maior parte da produção vem dos pequenos produtores que entregam o fruto para as indústrias de sucos, alimentos, farmacêutica e de cosméticos. A área cultivada no país ocupava até recentemente 50 mil hectares, produzindo cerca de 800 mil toneladas anuais (IBGE, 2016). Juntas, as regiões Nordeste e Sudeste do país são responsáveis pela produção de 83% deste total. A cultura do maracujá representa 3,5% do valor total de toda produção de frutíferas do Brasil, que é estimada em R$ 26 bilhões (IBGE, 2015).

A cadeia produtiva do maracujá envolve uma gama enorme de negócios, pois cada parte do fruto é matéria-prima de diferentes indústrias. A flor é usada em chás, a polpa em sucos e alimentos, a semente possui um óleo aplicado em cosméticos, e da parte interna pode-se produzir uma farinha muito nutritiva. Conhecida pelo seu efeito calmante, a fruta possui diversos nutrientes que ajudam o nosso organismo no controle da pressão alta, por isso ela é tão aproveitada pela indústria farmacêutica.

O maracujá é plantado majoritariamente pela agricultura familiar e pode dar frutos o ano inteiro, proporcionando uma renda regular aos produtores. A cultura da fruta gera empregos, precisa de mão de obra para poda e para a polinização, que deve acontecer manualmente.

O novo Zoneamento Agrícola de Risco Climático para a cultura do maracujá

Foi publicado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) nesta quarta-feira 21 no Diário Oficial da União, o Zarc para a cultura do maracujá. Foram considerados para a análise de riscos a disponibilidade hídrica para a cultura, a ocorrência de geadas e a ocorrência de temperaturas muito elevadas no período de florescimento. Cada um desses fatores é avaliado conforme a fase do ciclo da cultura, que pode apresentar maior ou menor sensibilidade aos eventos adversos.

O resultado final do estudo são as indicações das melhores épocas para o plantio do maracujazeiro e os respectivos níveis de risco climático em todos os municípios brasileiros, em sistema sequeiro e irrigado, considerando o clima, os tipos de solos e os ciclos de cultivo recomendados no país. Dessa forma, agricultores e técnicos podem planejar melhor sua produção e o sistema de produção a ser adotado, a fim de evitar que adversidades climáticas coincidam com as fases mais sensíveis da cultura e, assim, minimizando riscos de perdas na produção. O estudo foi realizado pela Embrapa, com apoio do MAPA e Banco Central, e contou com a colaboração de participantes de todo Brasil, incluindo pesquisadores, técnicos e representantes do setor produtivo e instituições com interesse na cultura.

Produção de maracujá no Brasil é sustentada pela agricultura familiar

O maracujá é produzido em todas as regiões brasileiras, tendo limitações apenas nas áreas mal drenadas e nas áreas sujeitas a geadas. A principal espécie cultivada é o maracujá azedo (Passiflora edulis Sims), presente em mais de 90% dos pomares, mais comumente em sistema irrigado. São estimados cerca de 50 mil produtores em todo o País, a maioria de pequeno porte. O Nordeste é a principal região produtora, com destaque para a Bahia, com maiores produção (168,4 mil toneladas) e área colhida (15,6 mil ha). Já o maior rendimento está no Distrito Federal, com 27,68 t/ha.

Zarc Maracujá para sistemas de produção em dois tipos de mudas

A principal inovação no novo Zarc Maracujá é a inclusão do sistema de cultivo baseado no chamado “mudão”, além do sistema tradicional. O método de produção baseado no mudão foi desenvolvido pela Embrapa Cerrados e consiste no uso de mudas mais vigorosas, com altura entre 90 cm e 180 cm e plantadas no campo com idade a partir de 120 dias. Por outro lado, as mudas convencionais têm, em média, menos de 50 cm de altura e são plantadas com idade de 60 dias. As mudas do tipo mudão passam mais tempo no viveiro (120 dias) ou na estufa (70 dias) antes de serem levadas ao campo.

As principais vantagens do mudão são a menor taxa de mortalidade no campo, o menor tempo de exposição às adversidades do campo na fase mais vulnerável do início do desenvolvimento, maior precocidade e maior produtividade, além de maior tolerância a pragas e doenças. De acordo com os resultados do Zarc maracujá em sequeiro (não irrigado), observa-se que o mudão pode ser plantado com menor risco climático, em mais municípios e num período maior do ano agrícola se comparado à muda convencional. Em regiões com clima mais restritivo, como em regiões menos chuvosas do Nordeste, por exemplo, alguns municípios só se viabilizam com o mudão.

Restrições hídricas são o principal fator de risco na maior parte do Brasil. Por isso o sistema irrigado viabiliza a produção em muitas áreas onde o sequeiro é inviável. Na versão do Zarc para o maracujá irrigado, assume-se que a irrigação será responsável pelo suprimento hídrico da planta, excluindo-se qualquer episódio de deficiência hídrica.

Porém, mesmo no sistema irrigado, algumas regiões podem apresentar risco climático elevado onde a temperatura máxima costuma ultrapassar os 39oC durante o período de florescimento. Por isso, mesmo no sistema irrigado, a muda convencional pode apresentar janelas de plantio diferentes das do mudão, em função dos ciclos diferentes nesses dois sistemas e dos riscos que afetam as diferentes fases.

Outra característica do mudão é que, por ter ciclo mais curto que o da muda simples, o mudão possibilita que a cultura escape de geadas no período de florescimento, e apresente produção viável mesmo em regiões sujeitas a inverno frio no Sul e no Sudeste.

De acordo com os coordenadores do estudo, os pesquisadores Fernando Macena (Embrapa Cerrados) e Balbino Evangelista (Embrapa Pesca, Aquicultura e Sistemas Agrícolas), este novo Zarc maracujá apresenta avanços importantes, uma vez que considera os cultivares e sistemas de cultivo mais indicados na atualidade, utilizou modelos mais avançados para estabelecer as demandas da cultura ao longo do seu ciclo, bases de dados atualizadas e melhor ajuste dos indicadores de risco. Tudo isso contribui para resultados que representam melhor a realidade do campo.

Macena e Balbino destacam, ainda, que o produtor controla o preparo do solo, a escolha da cultivar, o manejo de pragas e doenças, a adubação, o espaçamento e a opção de uso da irrigação. Já os fatores climáticos não podem ser controlados. “Não podemos interferir na quantidade de chuvas, na radiação solar, nas temperaturas máximas e mínimas, nas geadas e nas chuvas de granizo. E tudo isso afeta a produtividade final da cultura”, explicou.

Reuniões de validação técnica do Zarc

Uma das etapas do trabalho consistiu na análise dos resultados junto com colaboradores externos. Participam técnicos e especialistas de instituições de pesquisa, universidades, Mapa, Banco Central, Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Seguradoras, empresas de assistência técnica e extensão rural que atuam nos diferentes estados. Mais de 200 participantes de todo o Brasil, puderam tirar dúvidas sobre a metodologia e verificar a coerência dos resultados face ao que conhecem nas suas respectivas regiões.

As informações coletadas permitem à equipe do estudo fazer ajustes imediatos na metodologia do Zarc antes da publicação da versão final pelo MAPA. Também permitem prospectar necessidades para a pesquisa e desenvolvimento cujos resultados se converterão em inovações e aprimoramentos para o Zarc e para a Gestão de Riscos num futuro próximo. Participante das reuniões de validação, o chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Fabio Faleiro, ressaltou o papel dos estudos do Zarc na formulação de políticas públicas e na minimização de riscos na agricultura relacionados aos fenômenos climáticos. “O Brasil é um país continental, com vários biomas e regiões. Imaginem o desafio desse tipo de estudo, que é complexo”. Ele também destacou a importância econômica, social e ambiental da cultura do maracujá. “É uma das poucas frutas plantadas do Rio Grande do Sul até Roraima com sucesso, e assim o Zarc assume uma importância ainda maior”, afirmou, citando diversas tecnologias que podem impulsionar a cultura, como cultivares mais resistentes a doenças, fertirrigação e a produção de mudas do tipo mudão. Segundo, Eduardo Neves, técnico do Programa Assistência Técnica e Gerencial do Senar/MS, “o trabalho do Zarc para maracujá é fundamental para informar o produtor, para que assim ele possa ser mais assertivo em melhores épocas de produção e obter melhores resultados”.

Outro aspecto relevante para o risco de produção mencionado nas Reuniões de Validação foi o vazio sanitário. Em Santa Catarina, por exemplo, o vazio do maracujá compreende o mês de julho em todos os municípios, enquanto outros Estados seguem regras diferentes ou não têm critérios definidos. Os resultados do Zarc são sempre compatibilizados a fim de evitar indicação de plantios em épocas ou locais proibidos pelo vazio sanitário. Há uma necessidade de uniformização dos vazios sanitários para a cultura considerando todo o território nacional.

Os resultados finais, ajustados após as reuniões de validação do Zarc Maracujá são encaminhados ao Departamento de Gestão de Riscos da Secretaria de Política Agrícola, MAPA, responsável pela publicação das portarias de zoneamento.

Disponibilização dos resultados e benefícios do Zarc no Proagro e Seguro Rural

Os estudos de Zarc atendem aos objetivos do Programa Nacional de Zoneamento Agrícola de Risco Climático e ao Programa Agro Gestão Integrada de Riscos do MAPA. A observância das datas de plantio preconizadas pelo Zarc é obrigatória para os produtores que desejam acessar o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e o Programa de Subvenção ao Seguro Rural (PSR). Produtores rurais e outros agentes do agronegócio podem acessar por meio de tablets e smartphones, de forma mais prática, as informações oficiais do Zarc, facilitando a orientação quanto aos programas de política agrícola do governo federal. O aplicativo móvel Zarc Plantio Certo, desenvolvido pela Embrapa Informática Agropecuária (Campinas/SP), está disponível nas lojas de aplicativos: iOS e Android

Os resultados do Zarc também podem ser consultados e baixados por meio da plataforma “Painel de Indicação de Riscos” e nas portarias de Zarc por Estado.
Veja aqui a Portaria nº 294, de 20 de Julho de 2021 do Zarc do Maracujá

Com informações do Mapa, Embrapa e Banco Central.

ZONEAMENTO AGRÍCOLA DA MAMONA: cultura é alternativa de geração de emprego e renda no semiárido nordestino

da Redação

O Diário Oficial da União desta quarta-feira 23, publicou as portarias com o Zoneamento Agrícola de Risco Climático, o Zarc, ano-safra 2021/2022, para a cultura da mamona, oleaginosa com diversas aplicações, como matéria-prima na produção de biodiesel, e até como alternativa econômica na ração do gado; quando os produtores seguem o zoneamento, além de reduzir os riscos ligados às variáveis do clima, eles sabem as melhores épocas dos plantios, e ao seguirem normas científicas e técnicas do Mapa, podem ter benefícios no Pronaf, como no Proagro Mais

O Zarc da mamona inclui cultivares de ciclo mais curto, avaliação do risco de chuva na colheita e ajustes para diminuir os riscos na produção. O estudo foi atualizado em 2020 passando a incluir a atualização dos parâmetros de cultura e ciclos representativos, com extensão do zoneamento da mamona para todos os estados brasileiros, ajuste nos critérios e limites críticos, além da inserção do critério auxiliar de escape para o mofo cinzento em regiões ou épocas chuvosas e da subdivisão do Zarc Mamona Semiárido.

A mamoneira, nome científico Ricinus communis L., apresenta grande tolerância à seca, por isso é excelente alternativa de cultivo no semiárido. Seu plantio não é indicado para regiões com períodos de chuvas muito prolongados, que propiciam o aparecimento de doenças como o mofo cinzento, além de prejudicar a colheita e a qualidade do produto.

A cultura é explorada comercialmente devido ao teor de óleo em suas sementes, com aplicação na área de cosméticos, produtos farmacêuticos, lubrificantes e polímeros. Tradicionalmente cultivada por pequenos produtores no Nordeste brasileiro, expandiu-se no Nordeste e para outras regiões do Brasil devido ao incentivo do Programa Nacional de Biodiesel.

O Zarc

O zoneamento tem o objetivo de reduzir os riscos relacionados aos problemas climáticos e permite ao produtor identificar a melhor época para plantar, levando em conta a região do país, a cultura e os diferentes tipos de solos.

O modelo agrometeorológico considera elementos que influenciam diretamente no desenvolvimento da produção agrícola como temperatura, chuvas, umidade relativa do ar, ocorrência de geadas, água disponível nos solos, demanda hídrica das culturas e elementos geográficos (altitude, latitude e longitude).

Os agricultores que seguem as recomendações do Zarc estão menos sujeitos aos riscos climáticos e ainda poderão ser beneficiados pelo Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e pelo Programa de Subvenção ao prêmio do Seguro Rural (PSR). Muitos agentes financeiros só liberam o crédito rural para cultivos em áreas zoneadas.

Aplicativo Plantio Certo

Produtores rurais e outros agentes do agronegócio podem acessar por meio de tablets e smartphones, de forma mais prática, as informações oficiais do Zarc, facilitando a orientação quanto aos programas de política agrícola do governo federal. O aplicativo móvel Zarc Plantio Certo, desenvolvido pela Embrapa Informática Agropecuária (Campinas/SP), está disponível nas lojas de aplicativos: iOS e Android

Os resultados do Zarc também podem ser consultados e baixados por meio da plataforma “Painel de Indicação de Riscos”.

Com informações do Mapa.

Produtores agrofamiliares já podem planejar o plantio da soja

da Redação

Publicado Zoneamento Agrícola Safra 2021/2022

Os pequenos produtores de soja podem planejar melhor a safra com os dados climáticos divulgados pelo Mapa; método de Zoneamento Agrícola de Risco Climático, ZARC, indica os melhores períodos para início da semeadura

Foram publicadas no Diário Oficial da União desta quarta-feira (12) as portarias de Nº 110 a 125 com o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), ano-safra 2021/2022, para o cultivo da soja.

A definição da melhor época de plantio da soja com base nos dados climáticos é um trabalho da Embrapa e parceiros, aplicado no Brasil oficialmente desde 1996, por meio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, e garante a indicação de datas ou períodos de plantio/semeadura por cultura e por município.

Mesmo que o plantio mais intenso seja nos meses de outubro e novembro, a divulgação antecipada das portarias do Mapa, auxiliam no planejamento da safra.

Nesta publicação, as unidades da federação contempladas foram: Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Maranhão, Piauí, Acre, Pará, Rondônia, Tocantins, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Melhores temperaturas para o plantio da soja

A soja adapta-se melhor a temperaturas do ar entre 20ºC e 30ºC. A temperatura ideal para seu crescimento e desenvolvimento está em torno de 30ºC. A faixa de temperatura do solo adequada para semeadura varia de 20ºC a 30ºC, sendo 25ºC a temperatura ideal para uma emergência rápida e uniforme.

Zarc tem o objetivo de reduzir os riscos dos produtores

Sistema permite ao produtor identificar a melhor época para plantar, levando em conta a região do país, a cultura e os diferentes tipos de solos.

O modelo agrometeorológico considera elementos que influenciam diretamente no desenvolvimento da produção agrícola como temperatura, chuvas, umidade relativa do ar, ocorrência de geadas, água disponível nos solos, demanda hídrica das culturas e elementos geográficos (altitude, latitude e longitude).

Complementarmente, no zoneamento da soja, também é considerado o risco fitossanitário causado pela ferrugem asiática da soja, pois o Zarc leva em conta as recomendações de instituições de pesquisa e órgãos estaduais sobre medidas de manejo que incluem o período de vazio sanitário e o calendário de plantio.

Os agricultores que seguem as recomendações do Zarc estão menos sujeitos aos riscos climáticos e ainda poderão ser beneficiados pelo Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e pelo Programa de Subvenção ao prêmio do Seguro Rural (PSR). Muitos agentes financeiros só liberam o crédito rural para cultivos em áreas zoneadas.

O que é o Proagro?

O Programa de Garantia da Atividade Agropecuária – Proagro é um programa do governo federal que garante o pagamento de financiamentos rurais de custeio agrícola quando a lavoura amparada tiver sua receita reduzida por causa de eventos climáticos ou pragas e doenças sem controle. O Proagro tem como foco principalmente os pequenos e os médios produtores, embora esteja aberto a todos dentro do limite de cobertura estabelecido na regulamentação.

O Proagro possui duas modalidades:

1) o Proagro Mais, que atende aos agricultores familiares do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf);
2) o Proagro, que atende aos demais agricultores. Algumas regras são diferentes em cada uma das modalidades. As instituições financeiras (bancos e cooperativas de crédito) são os agentes do Proagro que fazem funcionar o programa.

São elas as responsáveis por contratar e enquadrar os empreendimentos (lavouras) no programa, receber a comunicação de perdas feita pelo produtor, acionar os peritos para fazer a comprovação de perdas e calcular a indenização.

O Banco Central (BC) é o administrador do Proagro e do Proagro Mais e as normas que regulamentam as duas modalidades são aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). É o BC que faz o pagamento das indenizações, repassando os recursos para os agentes do programa.
Para o agricultor não perder o direito à indenização do Proagro ou do Proagro Mais, ele deve estar atento às regras das duas modalidades. O agricultor terá direito à indenização se cumprir as suas obrigações.

Aplicativo Plantio Certo

Produtores rurais e outros agentes do agronegócio podem acessar por meio de tablets e smartphones, de forma mais prática, as informações oficiais do Zarc, facilitando a orientação quanto aos programas de política agrícola do governo federal.

O aplicativo móvel Zarc Plantio Certo, desenvolvido pela Embrapa Informática Agropecuária (Campinas/SP), está disponível nas lojas de aplicativos: iOS e Android
Os resultados do Zarc também podem ser consultados e baixados por meio da plataforma “Painel de Indicação de Riscos”.

Com informações do Mapa e Banco Central do Brasil.

Tecnologia transforma resíduo agrícola em produto químico de alto valor

FONTE: FAPESP
A biomassa de resíduos agrícolas, como o bagaço da cana ou a palha do trigo, pode dar origem a produtos químicos finos de alto valor que servem de insumo para a fabricação de cosméticos, alimentos, fármacos e diversos outros produtos. Esses compostos de origem vegetal têm potencial para substituir parte do que é produzido hoje pela indústria petroquímica, mas, para que isso aconteça, é preciso desenvolver tecnologias competitivas para sua obtenção.
Um grupo de pesquisadores do Brasil e do Reino Unido avançou nessa direção ao criar uma rota biotecnológica simplificada para transformar tanto o bagaço da cana como a palha do trigo em compostos com aplicação industrial, entre eles o coniferol, cujo preço por grama pode chegar a mais de € 300 (R$ 1.400 aproximadamente). Agora, os cientistas buscam parceiros interessados em tornar a tecnologia viável comercialmente.
A metodologia, desenvolvida com apoio da FAPESP, no âmbito do Programa Pesquisa em Bionergia (BIOEN), foi descrita Green Chemistry.
O trabalho teve a participação de pesquisadores das universidades de Sorocaba (Uniso) e Estadual de Campinas (Unicamp), além das britânicas University of Manchester e University of Warwick.
“Conseguimos desenvolver uma rota biocatalítica por meio da qual é possível produzir aldeídos, como o coniferol, e ácidos aromáticos a partir da biomassa de resíduos agrícolas”, disse Fábio Márcio Squina, professor da Uniso e coordenador do projeto.
O coniferol é usado para sintetizar vários produtos químicos de custo elevado, como o pinoresinol – um agente hipoglicêmico – e a sesamina, que possui propriedades anti-hipertensivas e contribui para diminuir os níveis de colesterol. Além disso, é um precursor de aromas florais. Por isso, tem potencial para ser usado como material de partida para o desenvolvimento de fragrâncias pela indústria de perfumaria e cosméticos.
Na indústria petroquímica, o coniferol é obtido por processos de síntese química que envolvem rotas complexas ou baseadas no uso de reagentes perigosos, como o boroidreto de sódio, além de outros produtos tóxicos, metais de transição ou formulações complexas de catalisadores – substâncias que aceleram a velocidade de reações químicas.
Com o objetivo de desenvolver um processo mais simples e com menos impacto ambiental, os pesquisadores desenvolveram e aplicaram biocatalisadores diretamente nos resíduos agrícolas. Com isso, conseguiram liberar ácido ferúlico da biomassa lignocelulósica e convertê-lo diretamente em coniferol.
“Por meio de uma cascata de três enzimas catalisadoras desenvolvida nos últimos anos, que também têm aplicações para produção de biocombustíveis, conseguimos produzir de forma simplificada o coniferol com até 97% de rendimento de conversão”, afirmou Squina.
Combinação de enzimas
Uma das enzimas catalisadoras usadas no novo processo é uma feruloil esterase (XynZ). Produzida por uma bactéria do gênero Clostridium, a proteína caracterizada pelos pesquisadores brasileiros tem a capacidade de remover da biomassa vegetal o ácido ferúlico – composto aromático que representa cerca de 2% da biomassa lignocelulósica.
Já outra enzima, denominada aldoketo redutase (AKR), produzida pelo cupim de subterrâneo (Coptotermes gestroi) e descoberta pelos cientistas brasileiros, é capaz de catalisar a produção do coniferol. Porém, para produzir o composto a partir do ácido ferúlico proveniente da lignocelulose era necessária uma enzima ácido carboxílico redutase (CAR).
Durante estágio na University of Manchester, realizado com apoio da FAPESP durante o doutorado, Robson Tramontina testou diferentes combinações da AKRs com CARs.
Os resultados indicaram que a melhor combinação era com uma CAR proveniente de uma espécie de bactéria encontrada no solo, a Nocardia iowensis, descrita pelos cientistas ingleses.
Após chegar à combinação ideal, foi desenvolvida uma cepa da bactéria Escherichia coli capaz de produzir os genes recombinantes provenientes do cupim do subterrâneo e da Nocardia iowensis.
Em contato com um material lignocelulósico, como a biomassa de bagaço da cana ou a palha de trigo, a bactéria, juntamente com a enzima feruloil esterase, desencadeia uma cascata de reações químicas que levam à produção de coniferol.
“Essa nova rota permite obter não só o coniferol, mas outros aldeídos e álcoois aromáticos de alto valor, que também têm aplicações em diversos setores industriais”, afirmou Squina.
Novas parcerias
Os pesquisadores trabalham, agora, na intensificação do processo e em estudos de viabilidade econômica.
Os cálculos preliminares indicam que a nova rota biotecnológica permite a valorização dos resíduos da cana e da palha de trigo em até 5 mil vezes, bem como em até 75 vezes o preço do ácido ferúlico, ao transformá-los em coniferol.
“Estamos procurando parceiros industriais interessados em viabilizar a tecnologia e, eventualmente, aprimorá-la para outras matérias-primas ou para produzir outros compostos de interesse comercial”, disse Squina.

Desequilíbrios da política econômica do setor agrícola: a oportunidade da agroecologia brasileira

da Redação

Em 30 de outubro do ano de 2019, portanto muito recentemente, a CRA, Comissão de Agricultura e Reforma Agrária, em sua 33ª reunião, realizou a Terceira Audiência Pública de instrução da avaliação da Política Pública do Comércio Internacional Agropecuário.

Estamos falando de dois vetores fundamentais para a economia do país: exportação e importação de produtos agrícolas.

Foram discutidos e aprofundados diversos temas em atendimento ao Plano de Trabalho aprovado pela Comissão. Convidados, especialistas, técnicos e representantes do setor discutiram em diversas mesas o financiamento da exportação agropecuária, os impactos no setor produtivo e as cadeias do agronegócio. Vejam que em nenhum momento a agroecologia fez parte dos debates. Bancos e multinacionais sempre acabam monopolizando estas discussões, pois o foco é o agrobusiness, o que invariavelmente centraliza as discussões nas questões econômico-financeiras.

Por isso, é importante ampliar a visão e pensar sobre qual modelo de desenvolvimento devemos adotar para o setor agrícola. Mais do que isso, propor, agir, ser criativo e empreender agressivamente, pois há um debate mundial sobre o tema, e naturalmente uma pressão das sociedades mais desenvolvidas para uma guinada em favor da sustentabilidade, isto é, do consumo consciente e da alimentação saudável.

Antes, vamos para uma análise sobre alguns números e desempenhos do comércio exterior para chegar às conclusões sobre como aproveitar o horizonte que surge a partir das distorções endêmicas causadas historicamente pelo agronegócio brasileiro.

BRASIL NO COMÉRCIO AGRÍCOLA MUNDIAL

Pelos dados da consultoria AgroSat a partir de dados da SECEX / ME, Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia, os últimos dez anos da balança comercial brasileira repetem nosso histórico de grandes exportações x pequenas importações. Exportamos de 5 a 7 vezes mais do importamos. Só a economia brasileira tem este existe perfil no comércio agrícola internacional.

No cenário global, as principais economias têm taxas de importação semelhante às taxas de exportação, sendo que EUA, China e União Europeia importam mais do que exportam. Importam muita commodity e exportam produtos com valor agregado. Nossa política de exportação e importação nos reduziu a meros exportadores de grãos e de alguns produtos com bom valor agregado, como bebidas, cárneos e lácteos. Mas se nossa matriz exportadora tem mais de 80 % de grãos, açúcar e outros produtos in natura, estamos na contramão do desenvolvimento econômico de qualquer nação que queira ser protagonista no comércio internacional.

Nossas baixas importações sinalizam uma economia fechada, tarifas elevadas de comércio, barreiras protetivas da economia, ausência de competitividade da indústria, dificuldades de produção em escala e de qualificação do trabalhador para produzir em um ambiente de forte troca de bens e serviços. Em outras palavras, vamos ficar ainda mais pobres com esta política desenvolvimentista baseada na exportação de produtos primários e superávits seguidos da balança comercial.

Quando somos dependentes das exportações de apenas alguns itens do setor do agronegócio, deixamos de investir em outros setores da economia, geramos menos empregos na indústria e a roda do crescimento não gira para fazer o país se desenvolver. Nestas condições, sem trocas de bens e serviços por meio do comércio exterior, nunca elevaremos o padrão de vida da nossa nação.

Os produtos made in Brazil continuam sendo basicamente medidos em toneladas porque não exportamos produtos com valor agregado como os grandes players mundiais. Somos grandes produtores e exportadores de alimentos recheados de agrotóxicos. Criamos uma dependência econômica deste modelo de agricultura à custa das florestas queimadas para o avanço das fronteiras agrícolas, ao sabor da especulação de commodities, o que é decisivo para a destruição da biodiversidade, financiando os ataques às comunidades tradicionais, invadindo áreas dos povos originários e impedindo o avanço dos assentamentos. Uma política desastrosa que ainda agrava o problema social. Nossa triste realidade é esta.

Se compararmos as exportações de 2017 com 2018, as commodities prevalecem à frente na pauta e ainda aumentaram a sua participação. Em 2018, se somarmos a soja em grãos, as carnes, o açúcar, o farelo de soja, o café e o milho, já temos 83% do que foi exportado no ano todo. É impressionante a nossa dependência do agronegócio na balança comercial. Mais de 50% das exportações são para os chineses, europeus e americanos. A China comprou ainda mais do Brasil de 2017 para 2018, sendo o nosso grande e principal parceiro comercial, pois os chineses compram 6 vezes mais que os americanos, o que não poderia ser diferente, pois no comércio agrícola Brasil e EUA são grandes rivais. Mesmo assim, os americanos são o nosso terceiro maior comprador, com a UE aparecendo em segundo lugar.

Outro aspecto que chama atenção é não ter nenhum país sul-americano entre os maiores compradores de produtos brasileiros, revelando uma incapacidade do Brasil em ser protagonista dentro do seu próprio Continente, onde teoricamente, seria sua maior zona de influência política e econômica.

Nosso grande parceiro comercial está do outro lado do planeta, a China. Os chineses compram quase metade de tudo que produzimos. Então, somos basicamente exportadores, e péssimos exportadores se pensarmos estrategicamente em nosso mercado interno, visto que os chineses, europeus e americanos compram nossas commodities para transformá-las em produtos com alto valor, impulsionando as suas indústrias a produzirem os produtos que nós mesmos vamos comprar por um alto valor.

Ano após ano, selamos acordos comerciais, acordos regionais, acordos extrarregionais, acordos de livre comércio, avaliação de acordos, acordos para negociações de tarifas e concessões, acordos de abertura de mercados. Somos os reis dos acordos. E seguimos em desacordo com os avanços da economia globalizada.

O MODELO AGROECOLÓGICO COM INSERÇÃO INTERNACIONAL, A AGRICULTURA FAMILIAR EXPORTADORA E OS DESAFIOS QUE SE APRESENTAM

É possível a partir destas análises buscar soluções para fomentar o desenvolvimento sustentável baseado na exportação de produtos agroecológicos e nas importações de bens e serviços correlacionados, vislumbrando a médio e longo prazos a integração e o equilíbrio entre exportações e importações.

Nosso desafio é desenvolver os recursos humanos e encontrar novas tecnologias para o transporte, a logística e a distribuição em mercados globais. Com a exportação de produtos agroecológicos industrializados de alto valor agregado, teríamos uma nova matriz exportadora, muito mais ampla e diversificada, mais sustentável e moderna, pois há uma demanda reprimida e uma pressão de todas as sociedades no mundo pelo consumo de produtos sustentáveis em escala.

Esta é uma oportunidade de exportar produtos da agricultura familiar brasileira, e a partir daí criar um novo e rico mercado interno, aumentando a oferta de empregos no campo e nas cidades com a produção milhares de produtos agroecológicos.

Propostas para a elaboração de políticas agrícola e agrária para o Brasil

FONTE: Focus
As ideias e sugestões constantes desta Crônica foram discutidas pelo Fórum Nacional de Secretários de Agricultura durante muitos meses e expressam um consenso sobre a necessidade da elaboração de um plano nacional para os setores agrícola e agrário do País. Como presidente do Fórum de Secretários de Agricultura do Nordeste (1995-2002) participei dessas reuniões e fiz as anotações sobre os temas tratados. Reexaminando agora os assuntos analisados então, vejo que as questões formuladas continuam atuais e válidas. Podem servir de rumo para a presente situação do Brasil, que terá no setor rural o seu maior desafio, pois é no campo onde se encontra a maior parcela da pobreza e as maiores oportunidades de emprego nos próximos anos.
Na época em que o assunto foi tratado no Fórum Nacional, entretanto, a abordagem era setorial de políticas agrícola e agrária. Nos últimos anos, por influência de estudos realizados no Banco do Nordeste, Universidade Federal do Ceará, na Secretaria de Desenvolvimento Rural do Ceará e na Universidade de São Paulo, a estratégia para a agricultura tomou uma nova dimensão. Presentemente o foco da questão passou a ser o espaço rural, neste caso contemplando tanto os problemas agrícola e agrária, mas também as demais atividades que compõem o processo produtivo integrado. Assim, a agroindústria, os serviços e as infra-estruturas de apoio a agricultura passaram a integrar a economia do interior rural.Não é correto pensar e planejar o desenvolvimento rural do Brasil de forma globalizada sem levar em consideração as peculiaridades e as características de cada região brasileira. De fato, a regionalização é peça fundamental para o êxito de uma ação de tal envergadura principalmente pela existência de uma agricultura intensamente diversificada como a nacional.
Dessa forma, para consecução de uma política agrícola nacional que leve em consideração essa multiplicidade de práticas agrícolas propõe-se para seu delineamento a seguinte abordagem.
OBJETIVOS
Estabelecer diretrizes para que o Estado exerça a função de planejar determinadamente para o setor público e indicativamente para o setor privado de modo a promover, regular, fiscalizar, controlar, avaliar as atividades agropecuárias, agrárias, agroindustriais, pesqueiras e florestais.  Suprir necessidades, visando assegurar o incremento da produção e da produtividade, um melhor uso da terra, a regularidade do abastecimento interno, especialmente alimentar, uma melhor distribuição de renda e a redução das disparidades entre regiões do País.
Promover a descentralização dos serviços públicos de apoio ao produtor rural, visando a complementaridade de ações com os Estados e os Municípios, cabendo a estes assumirem suas responsabilidades na execução desta Política;
Possibilitar a participação efetiva de todos os segmentos atuantes no setor rural e pesqueiro, a partir de um planejamento participativo que permita definir os rumos das atividades agrícolas e agrárias;
Compatibilizar as ações da política agrícola com as de reforma agrária, proporcionando às áreas reformadas o apoio gerencial e produtivo necessário à implantação de infra-estrutura de produção para possibilitar a auto-sustentação destas unidades de produção;
Difundir a concepção de agricultura sustentável de modo a estimular a recuperação, a conservação, o uso econômico e racional dos recursos naturais e garantir a efetiva proteção do meio ambiente natural;
Compatibilizar os interesses de produtores com consumidores com a real necessidade do Estado de exportar excedentes agrícolas ou importar produtos agrícolas, com vistas a assegurar a estabilidade do mercado interno;
Contribuir decisivamente para o processo de desenvolvimento sustentável do país e das populações do campo que vivem em estado de extrema pobreza, buscando transformações nas relações de trabalho;
Desenvolver atividades não-agrícola no quadro rural, como forma de complementação de renda e criação de emprego familiar no interior.
PRINCÍPIOS
As Políticas Agrícolas e Agrárias devem atender aos seguintes princípios:   As ações agrícolas e agrárias devem ser integradas, regionalizadas, descentralizadas e participativas. Deve-se considerar a função social da terra, relações de trabalho justas e as condições de sustentabilidade da atividade agropecuária;
O setor agrícola deve ser abrangente e constituído per segmentos como: produção, insumos, agroindústria, comércio, abastecimento e afins, os quais respondem diferenciadamente às políticas públicas e as forças do mercado;
O processo de desenvolvimento rural deve proporcionar ao homem do campo a participação efetiva da renda e o acesso aos serviços essenciais de assistência técnica e extensão rural, pesquisa, crédito, saúde, educação, segurança pública, transporte, eletrificação, comunicação, habitação, saneamento e lazer.
AÇÕES E INSTRUMENTOS
Planejamento Agrícola
O Planejamento Agrícola será feito de forma democrática e participativa através dos Planos de Desenvolvimento Agrícola Plurianual, Planos Operativos Anuais e Planos de Safras;
Pesquisa, Assistência Técnica, extensão e Comunicação Rural
As Secretarias de Agricultura serão responsáveis por instituir, coordenar e fiscalizar a nível dos Estados, o Sistema Estadual de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural, podendo manter convênios com a União, Municípios, Universidades, Cooperativas, Sindicatos, Associações e outros organismos com a atuação nos setores de pesquisa e assistência técnica e extensão rural; Há sugestões de que esse sistema seja federalizado em cooperação com os Estados.
Proteção do Meio Ambiente
Integrar a nível de Governo Estadual, os municípios e as comunidades na preservação do meio ambiente e na conservação dos recursos naturais;
Disciplinar e fiscalizar o uso racional do solo, da água, da fauna e da flora, em articulação com o Governo Federal e Municipal;
Realizar zoneamento agroecológico que permita estabelecer critérios para o disciplinamento e o rodenamento da ocupação especial pelas atividades produtivas;
Promover a recuperação e conservação das áreas que estejam degradas, em processo de desertificação ou que sejam de interesse ambiental;
Defesa Agropecuária
Estabelecer um sistema de prevenção das pragas e doenças buscando uma convivência produtiva e resguardando o equilíbrio do meio ambiente;
Informação agrícola e de mercado, comercialização e armazenagem
As Secretarias de Agricultura organizarão um banco de dados sobre o setor agrícola com o apoio de órgãos ou entidades da Administração Pública Federal, Estadual e Municipal e entidades representativas dos setores produtivos e será responsável na manutenção do fluxo de informação para ampla divulgação de previsão de safra para os Estados, incluindo estimativas de áreas cultivadas e colhidas, produção e rendimentos;
Preços recebidos e pagos pelo produtor com a composição dos primeiros até o mercado atacadista; valores e preços de exportação FOB;
Valores e preços de importação CIF; balanço de oferta de demanda dos produtos agropecuários.
Seus resíduos de valor econômico, bem como produtos agrícolas destinados ao consumo e à industrialização para o mercado interno e externo visando não só o padrão de higiene, mas o de melhor qualidade e competitividade; serão estabelecidos, em caráter obrigatório, os cadastros estaduais das unidades armazenadoras de produtos agrícolas.
Associativismo e Cooperativismo
O poder Público Federal, Estadual e Municipal apoiará e estimulará os produtores rurais a se organizarem nas suas diferentes formas de associações, cooperativas e condomínios, incentivando: a inclusão nos currículos de 1º e 2º graus de matérias e atividades voltadas para o associativismo e cooperativismo; a promoção de atividades e eventos relativos à motivação, organização, legislação e educação cooperativista e associativista;
Investimentos Públicos
O Poder Público Estadual deverá implantar obras que tenham como objetivos o bem-estar social e econômico das comunidades rurais e pesqueiras, compreendendo entre outras:
Barragens, açudes, poços profundos, diques e comportas para projeto de irrigação, retificação de curso d’água, drenagem de áreas de alagadiças e canais de irrigação;
Armazéns comunitários, mercado de produtoras; estradas; escolas e postos de saúde;
Energia; saneamento básico; habitação; entrepostos de pesca e fábrica de gelo;
Equipamentos e instalações de comunicação, lazer e capacitação de recursos humanos.
Crédito Rural
O Crédito Rural, instrumento de financiamento da atividade agrícola, será suprido por todos os agentes financeiros sem discriminação entre eles, mediante a aplicação compulsórios livres, dotações das operações oficiais de crédito fundados e quaisquer outros recursos com os seguintes objetivos:
Irrigação e drenagem
A política de irrigação e drenagem será executada em todo Estado de acordo com a Constituição e com prioridade para áreas de comprovada aptidão para irrigação, áreas de assentamento e projetos públicos de irrigação.
Habitação Rural
A Política Estadual de Habitação Rural será definida pelo Governo do Estado, ouvindo o Conselho Estadual de Política Agrícola, onde é dada preferência, na aplicação dos recursos financeiros da habitação, aos pequenos produtores rurais e suas formas associativas e, em especial, aos assentados em áreas de reforma agrária.
Agroenergia e Energização Rural
A política de agroenergia e energização rural abrange o reflorestamento energético, a produção de combustíveis a partir de culturas, das biomassas e dos resíduos e as diversas formas de energia rural, qualquer que seja a sua fonte de geração.
Mecanização Agrícola
Preservar e ampliar o parque estadual de máquina agrícola e incentivar a formação de patrulhas mecanizadas, a nível estadual e municipal, preferencialmente com o objetivo de prestação de serviços mecanizados à agricultura diretamente a seus produtores ou através de associações ou cooperativas.

PLANO SAFRA 2019 E A POLÍTICA AGRÍCOLA NO BRASIL

FONTE: Notícias Agrícolas
A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, disse que o Plano Safra 2019/2020, previsto para ser lançado no dia 12 de junho, deverá ser feito nos mesmos moldes dos anos anteriores. “Vai ser igual aos outros. É um plano safra muito parecido”, afirmou durante a Bahia Farm Show, na cidade de Luís Eduardo Magalhães, na última sexta-feira (31)
A ministra defendeu que o país tenha uma política agrícola definida, sendo essencial que o produtor rural tenha previsibilidade na hora de tomar crédito. “O Brasil e o agronegócio brasileiro ficaram tão grandes que a gente tem que ter uma política agrícola definida, sem ter que todo ano o produtor ficar preocupado se o juro vai subir, se vai cair, se vai ter a subvenção, se vai ter o seguro”.

Tereza Cristina tranquilizou os produtores presentes com relação ao Plano Safra deste ano. “Fiquem tranquilos. Não vamos ter ainda o plano safra que desejávamos, mas vamos ter uma programação que o produtor vai poder ter, com novas ferramentas”. Ela falu também da necessidade da aprovação no Congresso Nacional do projeto de crédito suplementar (PLN 4/19), que inclui R$ 10 bilhões em recursos para equalização dos financiamentos do Plano Safra.

“Neste ano, com esse orçamento super apertado, precisamos da votação urgente do PLN 4 para que o governo tenha esses recursos do orçamento do ano passado à disposição e possa fazer plano safra e colocar dinheiro na educação, na saúde, enfim, onde tem obrigação de investir”, disse.
A boa fase pela qual passa o setor agropecuário brasileiro foi comemorado pela ministra, ressaltandoe que o presidente Jair Bolsonaro é um “grande amigo” do setor. “Vivemos hoje um grande momento para essa classe produtora que foi massacrada durante muito tempo e que nos colocou contra a classe urbana, que acha que somos transgressores. E não somos, somos produtores colocando alimento barato e seguro no prato do brasileiro e ainda gerando excedente para alimentar 1 bilhão de pessoas no mundo todo ano.”
Tereza Cristina anunciou que o governo vai editar uma medida provisória para rever instrumentos como a Cédula de Produto Rural (CPR) e os títulos do agronegócio – como LCA, LDCA e CRA. O objetivo, segundo ela, é melhorar o acesso do setor ao financiamento dos bancos privados. A ministra disse que a medida vai ajudar o produtor tomar empréstimo no mercado interno e também no exterior.
“Vamos poder tomar dinheiro em dólar lá fora muito mais barato para financiar a nossa safra. Tudo está nessa nova Medida Provisória que estamos escrevendo e vamos mandar ao Congresso Nacional em breve”. Para a ministra, é importante que o custo do dinheiro seja menor para o produtor.
“Temos de reduzir o custo do dinheiro para o produtor, temos de reduzir os sócios ocultos da agricultura, temos que acabar com venda casada, acabar com uma série de coisas que deixam o dinheiro dito oficial cada vez mais caro”, disse.

Sistema CNA entrega propostas para o Plano Agrícola e Pecuário 2019/2020 para ministra da Agricultura

FONTE: Notícias Agrícolas
Documento apresenta 10 medidas prioritárias para o desenvolvimento da próxima safra
O presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins, entregou um documento com 10 propostas prioritárias para o Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2019/2020 para a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, na quinta (25), em Brasília.
As medidas apresentadas foram divididas em ações de curto prazo e estruturantes para a agropecuária brasileira. O documento está organizado em cinco eixos: propostas para recompor o volume de recursos para o financiamento da atividade, para desburocratizar e reduzir o custo de observância, crédito rural, gestão de riscos da atividade agropecuária e comercialização.
“A CNA, que representa todos os produtores brasileiros, dos mais diversos segmentos, traz para o Ministério da Agricultura uma proposta que está muito próxima do que o Ministério pensa. Agora vamos pegar as duas propostas juntas e vamos ao Ministério da Economia para fecharmos o próximo plano safra do Brasil”, disse Tereza Cristina.
O presidente da CNA destacou que as sugestões foram elaboradas “ouvindo as bases”, por meio de reuniões com os produtores em todas as regiões do Brasil. Para João Martins, é um instrumento oferecido pela entidade para que a ministra tenha condições de negociar com o Ministério da Economia.
“Ela já disse que deveremos ter um aumento substancial no seguro, algo em torno de R$ 1 bilhão. Os produtores estão muito esperançosos de termos um Brasil com crescimento de produção e sabendo como colocar essa produção, que é o mais importante”, afirmou João Martins.
Uma das prioridades é restabelecer os níveis de exigibilidade sobre a poupança rural em 74% e sobre os depósitos à vista em 34%. Outra solicitação é eliminar a tributação sobre ganhos de capital decorrentes de variação cambial em Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) e Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) emitidos em moeda estrangeira e flexibilizar os investimentos estrangeiros no mercado de capitais brasileiros.
A CNA também sugere negociar com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a edição de uma instrução normativa que crie um Fundo de Investimento para o setor agropecuário.
Em relação ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), o documento solicita a concretização da implementação de sistema para concessão direta da subvenção aos produtores e não por meio das seguradoras.
A entrega também contou com a presença do superintendente técnico da CNA, Bruno Lucchi, da superintendente de Relações Internacionais da CNA, Lígia Dutra, da assessora técnica da Comissão Nacional de Política Agrícola da CNA, Fernanda Schwantes, e do diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Daniel Carrara.
Confira as outras prioridades colocadas no documento:
– Anunciar o volume de recursos programados para aplicação em crédito rural condizente com a real disponibilidade de recursos das instituições financeiras e com a capacidade de equalização de taxa de juros pelo Tesouro Nacional;
– Priorizar recursos para o crédito de custeio;
– Priorizar os programas de investimento para construção de armazéns (PCA), adequação das propriedades à legislação ambiental (ABC) e investimentos necessários à incorporação de inovações tecnológicas nas propriedades rurais (Inovagro);
– Manter o diferencial de taxa de juros para médios produtores nos programas PCA e ABC, conforme estabelecido na safra 2018/2019;
– Revogar a norma que autoriza as instituições financeiras a excluir linearmente R$ 200 milhões de suas exigibilidades;
– Estender o mecanismo de equalização de taxa de juros e outros encargos financeiros aos bancos privados e às confederações de cooperativas de crédito rural;
– Definir políticas estruturantes para a gestão de riscos agropecuários, por meio da subvenção ao prêmio do seguro rural e às opções de venda de produtos agropecuários, revisão do Zoneamento Agrícola de Risco Climático e apoio à comercialização;
– Retornar o financiamento da assistência técnica com recursos do crédito rural oficial.

Agricultura revisa o valor da produção

FONTE: Estadão

Apesar do impacto dos baixos preços da soja, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento revisou para cima suas projeções

Apesar do impacto dos baixos preços da soja, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento revisou para cima suas projeções, prevendo agora que o Valor Bruto da Produção (VBP) some R$ 588,8 bilhões neste ano (R$ 392,4 bilhões da agricultura e R$ 196,4 bilhões da pecuária), 0,8% mais que em 2018 (R$ 584,4 bilhões). Esse porcentual de crescimento é diminuto, mas significativo, uma vez que os técnicos do setor temiam que o VBP de 2019 viesse a diminuir em relação ao ano passado.
O ajuste no cálculo do VBP total, que ficou R$ 15,4 bilhões acima do estimado em março, foi resultado de uma nova avaliação de produtividade de algumas culturas, principalmente do milho, do algodão e da cana-de-açúcar.
Para o VBP do milho, o Ministério passou a prever um total de R$ 56,8 bilhões, R$ 1,6 bilhão mais que a projeção anterior. Este valor é 17,7% superior ao de 2018, graças especialmente à segunda safra do produto.

Já o algodão alcançou o maior valor da série histórica da agricultura, devendo render R$ 40 bilhões, duas vezes mais que a produção de café, que apresentou redução de 19,6%, como nota José Gasques, coordenador de estudos e análises da pasta. A soja, que é o carro-chefe da produção agrícola brasileira, teve o VBP reduzido em 12,2%, mas, apesar de tudo, deve carrear R$ 128 bilhões neste ano.
A cana-de-açúcar também experimentou melhora, prevendo-se um VBP de R$ 58,5 bilhões, com aumento de 1,7% em relação à projeção de março, mas ainda 6,3% inferior ao valor obtido no ano passado.
Para a maior parte das lavouras, os preços reais estão acima dos do ano passado, mostrando alguma recuperação. Outros apresentam queda, mas, na média, o valor total da produção agrícola permaneceu relativamente estável. A produção pecuária teve aumento de 2,6%, em razão da alta das cotações do frango e da carne bovina. Já os preços de produtos suínos, leite e ovos declinaram em relação a 2018.
Alguns produtos importantes para a mesa do brasileiro apresentaram aumentos reais de valor, com forte influência no custo de vida. É o caso do feijão, cujos preços dispararam 104,1% em 2019, e da batata-inglesa, com crescimento de 98,4%. A expectativa é de que os preços desses produtos venham a cair com a entrada de novas colheitas.