CONAFER participa da comemoração dos 50 anos do Conselho Regional Indígena do Cauca, na Colômbia

O Conselho Regional Indígena do Cauca realizou a comemoração dos 50 anos de existência, luta e resistência. A CONAFER esteve presente no evento que ocorreu entre os dias 19 e 24 de fevereiro.

O Conselho Regional Indígena do Cauca (CRIC) é uma organização social colombiana criada em 1971 com a finalidade de lutar pelos direitos das comunidades indígenas do Estado do Cauca. Os princípios fundamentais da luta do CRIC são a Unidade, a Terra, a Cultura e a Autonomia. Em 1999 o CRIC é reconhecido como Autoridade tradicional indígena do Cauca e como uma entidade pública de carater especial que reconhece 10 povos tradicionais indígenas: Nasa, Yanakunas, Totoroez, Kokonukos, Eperaras, Ambalueños, Quishú, Polindara, Ingas e Misak. Localizados em 32 municípios do Estado do Cauca. Organizados em nove zonas: Norte, Oriente, Nororiente, occidente, Centro, Sur, Tierraadentro, costa pacífica e reasentamientos. Nos dias do 19 até 24 de fevereiro o CRIC realizou a comemoração dos 50 anos de existência, luta e resistência na Colômbia.

Como tem resistido nestes 50 anos? 

i) Através do fortalecimento dos princípios organizativos (Unidade, a Terra, a Cultura e a Autonomia) e da plataforma de luta 

ii) pela luta e defesa da vida e dos direitos dos povos indígenas 

iii) na procura permanente da autonomia territorial, ambiental, política, econômica, social e o direito próprio, 

iv) implementação dos planos de vida de cada comunidade na procura sempre do Bem viver

v) na consolidação dos sistemas próprios Sistema Indígena de Salud Propio Intercultural (SISPI) , Sistema Educativo Indígena Propio (SEIP) , Autoridad Territorial Económico Ambiental (ATEA) , jurisdicción especial indígena (JEI) , Sistema General de Participaciones (SPGP)

vi) a resistência à imposição de modelos que afetem a vida social, econômica e política

vii) na permanência e exigência de ter sementes próprias e alimentação própria

viii) consolidação de ações de resistência como a Guardia indígena, o empoderamento das mulheres e dos jovens

ix) reconhecendo e caminhando a palavra das e dos maiores. A CONAFER esteve presente na comemoração dos 50 anos do CRIC através de uma mensagem em vídeo enviada pelo Secretário de Comunicação da CONAFER e que foi apresentada no palco principal no dia 23 de fevereiro, e pela participação de Ana María Rivera no ato comemorativo como parte da equipe de comunicação. 

A participação de Ana María foi coordenada pela mesma equipe de comunicadores do CRIC, porém, ela ajudava nas tarefas que eram designadas. A função principal nos quatro dias que Ana María esteve acompanhando a comemoração ajudou na realização de registro fotográfico das diversas atividades que se desenvolveram no percurso da comemoração.

 Em termos gerais, foram quatro atividades macro que se desenvolveram em cada dia: 

Diálogos de saberes, um olhar interno e externo: Nesta atividade, cada dia se apresentavam duas ou três palestras que apresentassem um panorama geral temáticas sobre 

Percurso pela espiral do tempo: Neste percurso se apresentava a história dos 50 anos do CRIC em 5 casas de pensamento. Cada casa representa uma década e nela se conta o acontecido nesses dez anos, os ganhos, os erros, as mortes, os avanços e os interesses, através de registros fotográficos, material jornalísticos, áudios, vídeos e pinturas. 

Exposição permanente gastronômica, artística e de artesanato: Espaços destinados à mostra de produtos e produções próprias.

Cada dia se faziam apresentações culturais de música e dança onde cada povo e região mostrava as riquezas culturais e ancestrais que os identificavam.

 Dados importantes: 

– O evento contou com a presença de aproximadamente 8 mil pessoas 

– Os produtos e produções ofertados, tanto alimentos, bebidas, artesanato e mostras artísticas, devem ser exclusivos das comunidades indígenas. Não era permitida a venda de produtos alimentícios ou artesanato externo, nem a apresentação de grupos que não fossem da região.

Finalmente, é importante dizer que além de ser uma comemoração, foi um ato político, um espaço de memória e de fortalecimento da importância de continuar a luta e a resistência na procura dos direitos e de políticas claras que permitam o reconhecimento e garantias para as comunidades indígenas.