Agricultores familiares recorrem à tecnologia para garantir vendas durante pandemia

da Redação
Trabalhadores rurais se reinventam para atender às demandas de alimentos 
Produtores rurais de todo o país estão utilizando a internet para vender seus produtos e assegurar o escoamento dos alimentos durante a pandemia da Covid-19. Esse comportamento revela que os agricultores familiares estão se adaptando rapidamente aos novos hábitos do consumidor.
Aplicativos, redes sociais e sites estão entre os novos canais usados pelos produtores rurais para chegar até o consumidor, já que feiras, bares e restaurantes estão fechados em função do novo coronavírus.
Chegar às soluções nesse momento de crise, também requer enxergar novas possibilidades no mercado, o que inclui a realização de parcerias com associações, serviço de entregas (delivery) e ampliação do mix de produtos ofertados.

Emater apresenta tecnologia pioneira de criação de pirarucu para empresários

FONTE: Agência Pará

Peixes são cultivados em tanques suspensos. Carne é vendida para restaurantes de Belém e couro segue para exportação

A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) realizou, no último final de semana, intercâmbio com piscicultores e empresários do setor pesqueiro do município de Capitão Poço, nordeste paraense, e de alguns municípios da região metropolitana, sobre projeto de criação de pirarucu em tanque suspenso. O projeto modelo da Emater está instalado na propriedade do piscicultor Eduardo Arima, em Benevides, onde possui cerca de 2.500 pirarucus em 10 tanques.
Foto: Newton Rosa / Emater
Arima comercializa a carne do pirarucu para restaurantes da capital e o couro está sendo testado, em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), para, depois de curtido, abastecer o mercado europeu de alta-costura, constituindo bolsas, cintos e sapatos. O material é disputado no estilismo de luxo pelo caráter exótico, reciclado, ecológico e biodegradável.

“O Arima procurou a Emater pedindo ajuda para sua produção, hoje a condição dele é outra, já exporta para outros países e é exemplo para outros produtores do Estado, tanto é que muitos vão até a sua propriedade para conhecer o projeto de perto. Essa integração com o produtor é muito importante para a Emater e tem feito a diferença no dia a dia de quem produz” – Cleide Amorim, presidente da Emater.

Na propriedade de Arima, são abatidos cerca de 20 peixes por semana, o que totaliza 30 toneladas por ano. O Projeto da Emater tem o apoio da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) e Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme).
Para o engenheiro de pesca da Emater e coordenador do projeto, Tiago Catuxo, a empresa trabalha com um pacote tecnológico durante os encontros para que os interessados adquiram conhecimento e divulguem a iniciativa para outras pessoas. “A criação de pirarucu em tanque suspenso tem boas perspectivas de negócios, tanto é que recebemos 40 produtores no encontro”, comenta.
O cultivo de pirarucu em tanque é regido por normas governamentais de segurança e registro. São necessários, por exemplo, licença simplificada, conforme resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), e Cadastro Técnico Federal (CTF) emitido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Além disso, a propriedade precisa de Cadastro Ambiental Rural (CAR) e outorga de água.
A produtora Elisângela Pereira, de Capitão Poço, aprovou o encontro. “Como tenho curso técnico em agronegócio, me interessei pela piscicultura, quero investir, muito em breve pretendo ter minha própria produção”. Pereira já trabalha com pimenta do reino e criação de galinhas em sistema semi-intensivo, inclusive com o apoio técnico da Emater. “Recebo orientação desde o começo e, agora, com o projeto do pirarucu, também vai me apoiar”, afirma.
Projeto – O projeto-piloto de Benevides envolve vários aspectos e municípios da agricultura familiar. O produtor Eduardo Arima Arima adquire alevinos de fornecedores de Abaetetuba e ração de São Miguel do Guamá; o couro é enviado para curtimento artesanal em uma comunidade de Bragança.
Os tanques possuem 6m de diâmetro e 28 m³ de profundidade, com 180 peixes em cada, sendo esse considerado um adensamento condizente com a performance típica da espécie em seu habitat natural. Os peixes são abatidos em um ano, quando atingem 10 quilos.

CONAFER cria Secretaria da Tecnologia da Informação (SETI) e amplia a conexão com o agricultor familiar

da Redação

A SECOM recebeu Gabriel Nonato, o novo Secretário, para falar dos objetivos da SETI e da importância da conectividade entre a CONAFER e seus milhares de associados em todo o país

Redação CONAFER: Qual a sua formação e quais ideias pretende implementar no comando da SETI?

Gabriel Nonato: A minha formação é em telecomunicação, e me defino como um apaixonado pela conexão entre pessoas. Foi este sentimento que me fez seguir pelo caminho da Tecnologia da Informação. Sempre trabalhei unindo grupos de trabalho, associações e empresas por meio do mundo digital. Agora, o desafio será criar uma conectividade instantânea entre todos os associados da CONAFER, e a partir daí gerar benefícios para todos os trabalhadores conectados ao sistema.

RC: E qual será o modelo de negócios deste novo processo de conexão entre os associados da CONAFER?

GN: Tudo será realizado dentro de uma única e inovadora multiplataforma, onde vamos categorizar todos os tipos de produtos para fazer um escoamento de alta performance da produção, ampliando os negócios dos pequenos agricultores e empreendedores rurais. Todo o processo entre a produção e a sua distribuição será muito mais ágil e com informação precisa, tudo para que o agricultor entregue o melhor produto para o seu cliente.

RC: Qual a previsão para que esta multiplataforma entre em funcionamento e quais as demandas a partir de agora?

GN: A ideia é começar imediatamente a unificação do sistema com a criação de um banco de dados que futuramente será alimentado pelos próprios associados. A nova equipe de trabalho da SETI já vai iniciar o desenvolvimento da multiplataforma, criar o banco, alimentá-lo com informações, trabalhar com a estatística, testar tudo na prática, sem falhas de segurança ou vulnerabilidade. Vamos conectar o agricultor com a multiplataforma, o seu perfil e a sua conta no próprio celular, IOS ou Android, podendo ele mesmo alimentar o sistema com a sua produção, desenvolvendo um logística moderna para o mercado interno e de exportação, e que transforma-se em uma grande oportunidade para todos da CONAFER.

A mulher e a agricultura 4.0

FONTE: AgroMulher
A mulher tem um senso de autocrítica e de inclusão muito grande. E por isso tem um papel de extrema contribuição no contexto da agricultura 4.0 e de todas as mudanças que esse conceito provoca no campo
O crescimento do espaço econômico-social da mulher no campo aumentou em todo o país. Em 2006, elas representavam cerca de 12% dos produtores rurais e, em 2017, chegaram a 18% do total. A informação vem do Censo Agropecuário 2017, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cujos dados finais foram divulgados em outubro e mostram claramente a maior participação das mulheres na produção e condução dos negócios no agro, revertendo uma situação histórica de baixa visibilidade feminina.
De acordo com o Censo, 650 mil propriedades são geridas exclusivamente por mulheres, enquanto 1,06 milhão tem sua administração dividida entre o casal. Números que mostram a mulher como protagonista ou parceira na gestão de 1,7 milhão de unidades de produção, ou seja, 34% dos cinco milhões de estabelecimentos rurais existentes no país. Com um aspecto bastante relevante, apontado pelo Censo: a maioria dessas mulheres que tocam as propriedades, sozinhas ou em parceria, tem idade entre 24 e 45 anos.

A agricultura 4.0

São jovens e ascendentes, na perspectiva do ciclo profissional das pessoas, e seu fortalecimento no campo ocorre em momento de profunda transformação tecnológica, com a chegada da agricultura 4.0 e suas oportunidades de inteligência artificial e automação.
Um novo cenário evolutivo do agro, que encontra cadeias produtivas de alta competitividade internacional, mas também uma realidade social em que pessoas analfabetas e que não terminaram o ensino fundamental ainda representam 66% da população envolvida na produção rural – este também um dado do Censo Agropecuário.
Sabe-se que a tecnologia muitas vezes altera padrões organizacionais e sociais, gerando novos desafios de gestão com o papel de harmonizar o máximo possível a transição entre duas realidades produtivas. O que não é bem novidade por aqui, pois historicamente o agro brasileiro já teve que se reinventar várias vezes por conta do impacto de tecnologias disruptivas.
Dos fundamentos da Revolução Verde nos anos 1970 à edição genética que incorpora resistência a doenças, por exemplo, o setor já conviveu um bocado de vezes com a desconstrução criadora típica da ciência.
A mulher tem um senso de autocrítica e de inclusão muito grande. E por isso pode ter um papel de extrema contribuição nesse contexto demandante de reinvenção das pessoas, que vem junto com a tecnologia 4.0 e sua potência de mudar o modo como fazemos as coisas, em profundidade, provocando impactos sociais concretos.
Hora de dar boas-vindas a essa ascensão das mulheres ao design e construção das relações com o capital humano rural – seu engajamento e direcionamento evolutivo. Isso tem a ver com futuro e vale pensar como se pode criar mecanismos, ferramentas e processos que estimulem a participação da mulher gestora do campo na formatação e harmonização desse agro em turbilhão tecnológico.

Sem terras nem mão de obra, Japão revoluciona agricultura com robôs, polímeros e drones

FONTE: BBC

As frutas e verduras cultivadas pelo japonês Yuichi Mori não estão no chão nem precisam de terra. Em vez disso, as raízes das plantações estão fincadas em um dispositivo que servia originalmente para tratamento médico de rins humanos.

Mori faz seu cultivo em uma película de polímero transparente e permeável, à base de hidrogel, que ajuda a armazenar líquidos e nutrientes. As plantas crescem em cima do filme, e as raízes se desenvolvem para o lado. Além de permitir que os vegetais cresçam em qualquer ambiente, a técnica consome 90% menos água do que a agricultura tradicional e dispensa pesticidas, já que os poros do polímero bloqueiam vírus e bactérias.

“Adaptei os materiais para filtrar o sangue na diálise renal e o meio de crescimento de vegetais”, explica o pesquisador.

Sua empresa, Mebiol, tem patentes da invenção registradas em quase 120 países (inclusive no Brasil, onde há empresas interessadas na tecnologia) e evidencia uma revolução agrícola em curso no Japão: campos de cultivo estão sendo convertidos em centros de tecnologia, com a ajuda da Inteligência Artificial (IA), da Internet das Coisas (IoT) e de conhecimentos saídos dos laboratórios.

Em um país com escassez de terras cultiváveis e de mão de obra, a agrotecnologia tem aumentado a precisão no monitoramento e na manutenção da lavoura, mesmo sem uso de terra ou então em áreas com acesso limitado à água, uma preocupação crescente em todo o mundo.

O Relatório Mundial da ONU sobre Desenvolvimento dos Recursos Hídricos deste ano estima que 40% da produção de grãos e 45% do Produto Interno Bruto global estarão comprometidos em 2050 se a degradação do ambiente e os recursos hídricos continuarem nas taxas

Plantação de tomates que dispensa terrasMétodo de produção por películas possibilita a agricultura em qualquer lugar do planeta

“Discriminação, exclusão, marginalização, desequilíbrios de poder arraigados e desigualdades materiais estão entre os principais obstáculos para a realização dos direitos humanos à água potável e ao saneamento seguros para todos”, conclui o documento de 2019.

O cultivo em polímeros como o de Yuichi Mori supera fronteiras e já é praticado em mais de 150 locais dentro do Japão e regiões como o deserto dos Emirados Árabes, no Oriente Médio. O método também está sendo empregado na reconstrução de áreas agrícolas do nordeste japonês, contaminadas por substâncias levadas pelo tsunami que se seguiu ao grande terremoto de março de 2011.

Trator robô

Com o aumento projetado na população mundial (de 7,6 bilhões para 9,8 bilhões em 2050), empresas apostam em grandes oportunidades de negócios e demanda global por alimento, além de um mercado em potencial para maquinários.

O governo japonês subsidia atualmente o desenvolvimento de 20 tipos de robôs, capazes de ajudar em várias etapas do plantio até a colheita em vários cultivos.

Em parceria com a Universidade de Hokkaido, a empresa Yanmar desenvolveu um trator robô que está sendo testado no campo. Uma só pessoa consegue operar dois tratores ao mesmo tempo, graças a um sensor integrado que identifica os obstáculos e impede colisões.

Já a montadora Nissan lançou neste ano um robô equipado com GPS, conexão WiFi e movido a energia solar. Batizado de Pato, o equipamento com o formato de uma caixa percorre campos alagados de arroz para ajudar na oxigenação da água, reduzindo o uso de pesticidas e seu impacto ambiental.

Lavoura sem gente

Com a tecnologia, o governo busca atrair para o campo jovens que têm pouco interesse em trabalhar diretamente na lavoura, mas com afinidade por tecnologia, em uma tentativa de reanimar um setor com cada vez menos gente.

Em quase uma década, o número de produtores agrícolas japoneses caiu de 2,2 milhões para 1,7 milhão, com média de idade de 67 anos. Somente 7% da população economicamente ativa do Japão está empregada no campo, e grande parcela dos agricultores trabalha apenas meio período.

A topografia limita muito a agricultura do Japão, que consegue produzir somente 40% dos alimentos de que precisa. Cerca de 85% do território é ocupado por montanhas e a maior parte do que resta de área agricultável é dedicada ao arroz, cultivado em tanques intensamente irrigados.

Esse grão sempre foi o alimento básico dos japoneses. O governo fornece subsídios para os rizicultores manterem a produção em minifúndios de 1 hectare, mas a mudança dos hábitos alimentares tiraram o brilho do arroz nas tigelas dos japoneses.

Com a queda de consumo anual per capita de 118 kg em 1962 para menos de 60kg de arroz nos últimos anos, o Japão passou a incentivar a diversificação no campo. Sem gente e para continuar sustentando as plantações, os agricultores recorreram a maquinários e pesquisa biotecnológica. Cada vez mais drones estão sendo usados em tarefas como a pulverização, realizando em meia hora o trabalho que consumiria um dia de um trabalhador.

A alta tecnologia tem permitido a expansão da área cultivável sem uso de terra. Através da produção em estufas e hidroponia, o Japão conseguiu expandir a produção de frutas e hortaliças.

A empresa Mirai Group, na província de Chiba, é uma das pioneiras na produção de alimentos em prateleiras que vão do chão ao teto, e atualmente colhe cerca de 10 mil cabeças de alface por dia. A produtividade é cem vezes maior em comparação ao método convencional. Através de um dispositivo com sensores, a empresa faz o controle da luz artificial, nutriente líquido, dióxido de carbono e temperatura da cultura hidropônica.

A luz artificial faz com que as plantas cresçam rápido, e o manejo controlado elimina perdas por doenças. Apesar do alto custo de energia que o método representa, o número de fábricas de plantas no Japão triplicou em uma década, chegando às atuais 200 instalações.

Produção japonesa de tomate em DubaiTecnologia japonesa permite produção de tomate no meio do deserto, como este em Dubai

O mercado da hidroponia cresce no mundo todo e representa atualmente pouco mais de US$ 1,5 bilhão em negócios. E segundo previsão da Allied Market Research, ele deverá mais que quadruplicar até 2023, atingindo a marca de US$ 6,4 bilhões.

Transferência de tecnologia

Com o apoio da tecnologia, o Japão também se comprometeu a ajudars países do continente africano a duplicar a produção anual de arroz para 50 milhões de toneladas até 2030. Projetos específicos já são realizados na África.

No Senegal, por exemplo, os japoneses investiram na formação de técnicos agrícolas e transferência de tecnologia principalmente de irrigação. Como resultado, a produtividade subiu de 4 para 7 toneladas de arroz por hectare e os rendimentos dos produtores aumentaram cerca de 20%.

A estratégia japonesa é promover investimentos privados e ampliar o comércio de maquinários para a agricultura sustentável em todo o continente africano. No período de 15 anos, o PIB da África expandiu 3,4 vezes, de US$ 632 bilhões em 2001 para US$ 2,1 trilhões em 2016, e o mercado consumidor continuará crescendo até o final do século, quando a população africana deverá representar 25% do total global (hoje é de 17%).

Com a intenção de ajudar na redução da perda pós-colheita, revitalizar a indústria de alimentos e aumentar a renda rural, em 2014 o Ministério da Agricultura, Silvicultura e Pesca do Japão formulou a Estratégia Global da Cadeia de Valor Alimentar para aplicar nos países em desenvolvimento, como Vietnã, Mianmar e Brasil.

A presença do Japão na agricultura brasileira se confunde com a história de 111 anos da imigração nipônica no país. De todos os projetos já realizados envolvendo os dois países, o de maior porte continua sendo o Prodecer (Programa de Cooperação Nipo-Brasileiro para o Desenvolvimento dos Cerrados), idealizado na década de 1970. Para resolver problema de abastecimento japonês, foram incorporadas extensas áreas do Cerrado para o desenvolvimento de tecnologia para a produção de grãos, principalmente milho, soja e trigo em uma terra que o Brasil considerava infértil.

Agora, os negócios se voltam a novas fronteiras. Em 2016, Brasil e Japão assinaram acordo de cooperação de investimentos na região do Matopiba (municípios dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Os brasileiros buscam inovações em conectividade nas áreas rurais, agricultura de precisão, rastreabilidade e automatização desenvolvidas pelos japoneses.

Irrigação compartilhada promete aumentar a produtividade de agricultores familiares

FONTE: Agrolink
Assentamento Santa Rita pode ser a primeira área a contar com essa tecnologia na Bahia
Aliados da agricultura empresarial, os pivôs centrais viabilizam a produção em grandes áreas cultivadas. O que poucos sabem é que eles também já são utilizados na agricultura familiar. Em alguns países da África, por exemplo, o compartilhamento desses equipamentos entre pequenos agricultores tem contribuído para o fortalecimento da atividade, rendendo mais produtividade aos pequenos produtores que cultivam sob o pivô e, consequentemente, proporcionando transformação social  para a categoria.
Esse modelo de agricultura pode ser adotado no Oeste da Bahia. Técnicos da Aiba e do Iaiba, acompanhados de pesquisadores da Ufob e UFV e representantes do Incra e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Barreiras, visitaram o Assentamento Santa Rita, para estudarem a viabilidade de instalar um pivô central na comunidade agrícola. A ideia é que o equipamento sirva aos pequenos produtores de lá, de forma compartilhada. O objetivo da experiência é que, com um sistema eficiente e inteligente de irrigação, eles passem a produzir mais, aumentando, assim, a sua competitividade no mercado.
O projeto é visto com bons olhos pelos assentados. O pequeno agricultor Adenilson Santos, do Sítio Sucupira, se alegrou com a possibilidade. “Quanto mais frente de trabalho conseguirem para as famílias estaremos ajudando a amenizar o sofrimento de muitos que buscam tirar o sustento da terra, mas que não têm condições de investir em tecnologia. Esses pivôs seriam de grande salvação”, pontua.

Com dedicação à agricultura de pequeno porte, a presidente da Associação do Assentamento, Maria da Conceição, entende que os pivôs centrais só agregariam ao negócio familiar, uma vez que daria viabilidade à atividade durante todo o ano, aumentando a produtividade sem aumentar a área cultivado. “Sem essa tecnologia, temos produzido pouco e, com isso, os lucros têm sido pequenos, o que nos leva a recorrer a outras atividades para complementar o nosso sustento. Isso interferiu no desempenho da própria agricultura, colocando em risco a nossa principal atividade. No caso da minha família, por exemplo, tínhamos também uma criação de porcos, mas, com a falta de recursos, perdemos muitos animais e acabamos abrindo mão para trabalhar fora e garantir o sustento”, observa.
“O acesso às tecnologias disponíveis para o desenvolvimento agrícola da região deve chegar aos pequenos produtores como forma de fortalecer a agricultura familiar. Durante nossa visita ao Assentamento Santa Rita foi possível constatar a existência de ações já desenvolvidas pela CERB, mas que requerem continuidade e disponibilidade de apoio técnico para fixação das famílias assentadas e, consequentemente, possibilitar geração de renda. Destaca-se a possibilidade de compartilhamento do equipamento e aprimoramento de técnicas para o uso de maneira sustentável dos recursos hídricos existentes no local, viabilizado pela utilização de tecnologia compatível com os interesses daquela comunidade”, enfatizou Jacques Miranda, professor e vice-reitor da Ufob.
A possibilidade de ampliar sua produção animou a pequena agricultora Maria de Fátima Perim, que vê na irrigação compartilhada a solução mais eficiente para o seu cultivo de morangos e maracujás. “Não se trata apenas de aumentar a produtividade, mas a renda e as perspectivas das famílias. Se na África está dando certo aqui também dará. Onde há tecnologia há desenvolvimento social”, defende.

Governo pretende incentivar empresas a levar 4G para o campo

FONTE: Globo Rural
Falta de internet é um dos maiores entraves para avanços tecnológicos no agronegócio, segundo Ministério da Agricultura
O Ministério da Agricultura (Mapa) está conversando com empresas de telecomunicações para levar a cobertura 4G para o campo, disse, nesta quarta-feira (19/6), Luiz Claudio França, diretor de Inovação da pasta. Segundo o Mapa, contam-se nos dedos as localidades com sinal 4G no interior do país.
“Essa é uma das maiores barreiras para a ampliação do uso da tecnologia nas propriedades rurais”, afirmou França durante o evento Agrotech Conference, sobre oportunidades de inovação no agronegócio, realizado em São Paulo.
França também adiantou que o Ministério está finalizando um mapeamento dos melhores locais para receber torres de telefonia. O estudo, que deve ser concluído daqui a um mês, leva em conta fatores como a topografia. A análise servirá de base para uma nova rodada de conversas com operadoras de celular.
A escassez de linhas de investimento para pesquisa e tecnologia foi destacada como outro entrave para a evolução digital no campo. “O alto custo de sensores, além de equipamentos de hardware e software, também prejudica a inovação”, disse França.
Mesmo assim, há mais de 800 startups do agronegócio em atuação no país. Cerca de 70% está no Sudeste. A maioria se dedica à tecnologia da informação (100 empresas), sistemas de gestão de fazendas (58), plataformas de marketplace e vendas (38), biotecnologia (35), alimentos (31) e fertilizantes (26), de acordo com dados de universidades, centros de pesquisa e do Ministério da Agricultura.

Para incentivar a inovação no setor, o governo pretende realizar ações coordenadas com universidades, prefeituras, instituições de pesquisa e o Ministério da Ciência e Tecnologia. O objetivo é criar polos tecnológicos agropecuários em cidades em que já existe um ambiente de criação direcionado ao agronegócio, como Piracicaba (SP). “Os esforços integrados deverão levar a novos patamares do uso agricultura 4.0, que deverá aumentar a produtividade no campo”, afirmou França.

Brasil e China terão grupo de trabalho para inovação

FONTE: IstoÉ
O Ministério da Agricultura informou que o Brasil vai formar um grupo de trabalho com a China para tratar de assuntos relacionados à ciência, tecnologia e inovação no campo. O secretário de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação do Ministério da Agricultura, Fernando Camargo, representou o Brasil na subcomissão setorial sobre agricultura durante a Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban) e disse que Brasil e China têm características complementares. O objetivo é que o GT resulte em convênios com universidades e centros de pesquisas entre os dois países, disse a pasta.
Segundo a Agricultura, Camargo também se reuniu com diretores da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica), para tratar de novos projetos de inovação e tecnologia no campo.

Avanço da tecnologia desafia agricultura a conectar dados de diferentes máquinas e softwares

FONTE: GauchaZh

Digitalização exige interconexão de informações geradas no campo por inúmeros equipamentos

Produtor de grãos em Cruz Alta, no noroeste do Rio Grande do Sul, Maurício De Bortoli trabalha com sete marcas de máquinas e implementos agrícolas na lavoura de quase 9 mil hectares. Em Capão Bonito, na região sudoeste de São Paulo, o agricultor Sidney Fujivara cultiva 3,2 mil hectares com a ajuda de equipamentos de cinco fabricantes. No Sul e no Sudeste, De Bortoli e Fujivara enfrentam desafio comum a produtores de todo o país diante do avanço da digitalização: conectar em plataformas comuns informações geradas por inúmeras máquinas, sensores e softwares.

Embora já existam sistemas para integrar bancos de dados que usam linguagens de programação distintos – a chamada Interface de Programação de Aplicativos (do inglês Application Programming Interface – API), na prática muitos produtores se sentem perdidos no meio de sistemas distintos.
— Muitos dados são gerados em formatos diferentes, o que dificulta a comparação – relata De Bortoli, gerente-técnico da Sementes Aurora.
No total, a propriedade soma quase 50 máquinas e equipamentos — entre tratores, colheitadeiras, pulverizadores, plantadeiras e aplicadores de fertilizantes. A escolha por diferentes máquinas, em vez de uma marca única e com sistemas compatíveis, se dá pela oportunidade de negócio e pela opção de investir na melhor tecnologia disponível,

conforme o equipamento.
— O mercado percebeu essa lacuna e passou a oferecer programas específicos para gerenciamento de dados. Mesmo assim, tem muitas informações que precisamos analisar separadamente – relata De Bortoli, que durante a 26ª Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), buscou máquinas que tenham a opção de conectividade.

O mesmo dilema é vivido pelo produtor Fujivara no interior de São Paulo. Com equipamentos de marcas distintas operando nas lavouras de grãos, o produtor se vê diante de plataformas diferentes de geração de indicadores – algumas incompatíveis.
— Sou um fã da agricultura digital. Mas me sinto perdido em meio a soluções tão variadas. Diante de tanta informação em torno da agricultura 4.0, algumas caem em descrédito —avalia Fujivara.

Na tentativa de simplificar a interpretação de milhares de parâmetros gerados diariamente no campo, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq) lançou durante a Agrishow o Banco de Dados Colaborativo do Agricultor. A iniciativa é encabeçada inicialmente por sete empresas brasileiras, que pretendem sensibilizar fabricantes multinacionais a aderirem ao projeto.
— Hoje, o que vemos é cada empresa querendo que o produtor gere seus dados na sua plataforma. Mas o dado é do produtor, é ele quem planta, pulveriza e colhe. Por isso decidimos criar um sistema independente — explica João Alfredo Delgado, diretor-executivo de Tecnologia da Abimaq, entidade que garantirá a segurança do modelo compartilhado.
O sistema, com dados parametrizados, foi desenvolvido pela Faculdade de Tecnologia do Estado (Fatec) Shunji Nishimura, em Pompeia (SP). O primeiro ano do projeto será de adesão de empresas e agricultores, que precisam autorizar o compartilhamento.
— Somente o produtor terá a chave de acesso. É ele que decidirá com quem dividir as informações — explica Cristiano Pontelli, gerente de negócios de agricultura de precisão da Jacto, uma das participantes.

Indicadores agronômicos são prioridade das fabricantes

As indústrias poderão compartilhar parte ou totalidade do que é gerado para armazenamento nesse banco.
— A prioridade são dados agronômicos, comuns a todas as empresas. Com isso, informações antes soltas serão visualizadas de maneira unificada — exemplifica Cinthia Dal Vesco, gerente de marketing da Stara, participante da iniciativa.
Durante a feira, pelo menos outras 10 empresas manifestaram interesse em integrar o projeto. Uma delas é a americana Trimble, empresa de tecnologia de agricultura de precisão, que já tem acordos com diversas fabricantes de máquinas para compartilhamento.

Banco de Dados Colaborativo do Agricultor
  • É uma plataforma multimarcas criada com o propósito de integrar informações agronômicas, como rendimento por talhões, gerados por equipamentos, sensores e softwares de diferentes fabricantes.
  • A liberação para compartilhamento de informações para o sistema depende da adesão das empresas ao projeto e da autorização do produtor.
  • Os dados unificados na plataforma são do agricultor, que tem autonomia para autorizar o acesso.
  • A Abimaq será responsável pelo sistema, garantindo a segurança das informações geradas.

Na mesma feira onde indústrias brasileiras lançaram o banco de dados colaborativo do agricultor – a Agrishow –, uma ferramenta europeia foi apresentada. O Agrirouter, criado há cinco anos, reúne 14 fabricantes de máquinas agrícolas, além de outros fornecedores de software e hardware. O conceito é praticamente o mesmo do lançado no Brasil: uma plataforma universal multimarcas.
— Na prática, é o compartilhamento de informações entre máquinas e os aplicativos usados na lavoura, para que se tornem simples e amigáveis para interpretação do produtor —explicou o francês Christian Adler, gerente de eletrônica e soluções digitais do Grupo Kuhn, participante do projeto no continente europeu.

Segundo o especialista, o Agrirouter também reduz o esforço administrativo das propriedades, além de aumentar a confiabilidade nas operações.
— A plataforma universal resolve um problema central na agricultura digital moderna — acrescenta Adler.
Um dos vice-presidentes da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Alexandre Bernardes afirma que a tendência mundial é de plataformas cada vez mais conectadas, especialmente em equipamentos multimarcas:
— As barreiras tendem a caírem, por uma necessidade do próprio produtor — disse Bernardes, prevendo que o modelo também deverá prosperar no Brasil, a partir da adesão de novas empresas ao projeto da Abimaq.

AGRICULTURA FAMILIAR: Fórum debate tecnologia para pequenos agricultores

FONTE: Paraná Cooperativo
Para debater como as inovações tecnológicas podem ajudar o agricultor familiar, o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) promove na segunda-feira (06/05) o I Fórum de Tecnologia para a Agricultura. O evento, que será realizado no Câmpus CIC, em Curitiba, é voltado para pequenos produtores, cooperativas, especialistas e startups de agrotecnologia.
Inclusão no mercado – O diretor de Indústria e Inovação do Tecpar, Rafael Rodrigues, explica que o fórum busca promover o acesso de pequenos produtores às novas tecnologias e, assim, contribuir para agregar valor, diminuir custos e ampliar participação deles no mercado.
Diagnóstico – “Vamos conectar agricultores familiares com as empresas e suas tecnologias e também ouvir quais as necessidades deles para identificar como a tecnologia pode ajudá-los a resolver os problemas do dia a dia, tanto em relação à produção quanto à qualidade de vida”, destaca Rodrigues.
Iniciativas – O diretor explica que a realização do fórum está relacionada a outras iniciativas do Tecpar para fortalecer o uso da tecnologia e inovação no agronegócio. Uma delas é o projeto experimental que prevê a exploração do conceito de Smart Farm (fazenda inteligente), aplicado à agricultura familiar. O empreendimento será implantado no câmpus do instituto em Araucária, em parceria com o Sebrae-PR e a prefeitura do município.
Ampliação – “O Governo do Estado está investindo fortemente para que o Paraná seja competitivo na área de tecnologia para o agronegócio, e é fundamental que estes avanços também cheguem aos pequenos agricultores, que representam uma grande fatia da produção agrícola no Estado”, afirmou o diretor-presidente do Tecpar, Fábio Cammarota.
Maioria – Conforme a média dos últimos censos agropecuários, aproximadamente 84% das propriedades rurais no Paraná são da agricultura familiar. No total, são 305,1 mil. Dessas, cerca de 259 mil são de produtores familiares.
Programação – O fórum terá apresentações do Núcleo de Inovação Tecnológica para a Agricultura Familiar (Nita), de Santa Catarina, do Instituto Emater e da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). Também serão palestrantes os empresários Frederico Apollo Brito, diretor executivo  da Elysios Agricultura Inteligente startup gaúcha; e Alexandre Lerípio, diretor executivo da Sumá, startup catarinense com sede em Balneário Camboriú.
Serviço:
I Fórum de Tecnologia para a Agricultura
Data: 06 de maio (segunda-feira)
Horário: 14h
Local: Auditório do Tecpar
Rua Professor Algacyr Munhoz Mader, 3775 – CIC – Curitiba