DIA NACIONAL DO IDOSO: agricultores da terceira idade formam 23% da força econômica agrofamiliar

da Redação

Na última década, enquanto os jovens diminuíram a sua participação nas atividades agrofamiliares, os mais velhos aumentaram a sua presença, principalmente os idosos, saltando de 17% para 23% de atuação na produção rural. Se a expectativa de vida no país não passava dos 50 anos na metade do século passado, hoje ela é estimada em quase 77 anos. Portanto, um grande contingente de agricultores familiares já idosos permanece no campo, produzindo em todas as culturas, preservando os saberes e o conhecimento do meio, qualificando ainda mais os processos em toda a cadeia produtiva. A CONAFER tem projetos para a terceira idade e atende aos agricultores familiares aposentados pelo INSS, atuando ativamente neste novo ciclo em suas vidas. A melhor idade é a hora certa de concretizar muitos sonhos e colher os bons frutos de uma vida de trabalho

A data de 27 de setembro como Dia Nacional do Idoso surgiu em 1999, e foi estabelecida pela Comissão de Educação do Senado Federal. No Brasil, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), existem hoje cerca de 13,5 milhões de idosos, contingente que representa 8% da população do país. O Estatuto do Idoso, de iniciativa do governo federal, é de setembro de 2003, e destina-se a assegurar os direitos de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos.

A luta pelos direitos dos idosos no Brasil ganhou uma importante e histórica aliada: a Constituição de 1988, um marco na implementação e ampliação da proteção social aos idosos. O Regime Especial da Previdência Rural foi uma das garantias instituída com a Carta Magna, reconhecendo o direito à previdência rural ao grupo de trabalhadores rurais informais, isto é, em regime familiar – agricultores, pescadores e garimpeiros. Diante disso, algumas análises foram realizadas em torno do processo de conquista dos idosos do meio rural, ao direito previdenciário, bem como a participação das entidades representativas dos trabalhadores rurais nesse processo de transformação social.

A Política Nacional do Idoso (PNI), pela Lei 8.842/94 e regulamentada pelo Decreto 1948/96, estabelece direitos sociais, garantia da autonomia, integração e participação dos idosos na sociedade, como instrumento de direito próprio de cidadania, sendo considerada população idosa o conjunto de indivíduos com 60 anos ou mais.

A Lei nº 8.842/94 criou o Conselho Nacional do Idoso, responsável pela viabilização do convívio, integração e ocupação do idoso na sociedade, através, inclusive, da sua participação na formulação das políticas públicas, projetos e planos destinados à sua faixa etária. Suas diretrizes priorizam o atendimento domiciliar; o estímulo à capacitação dos médicos na área da Gerontologia; a descentralização político-administrativa e a divulgação de estudos e pesquisas sobre aspectos relacionados à terceira idade.

Nas últimas décadas, a população brasileira manteve a tendência de envelhecimento e ganhou 4,8 milhões de idosos desde 2012, superando a marca dos 30,2 milhões em 2017, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – Características dos Moradores e Domicílios do IBGE.

Em 2012, a população com 60 anos ou mais era de 25,4 milhões. Os 4,8 milhões de novos idosos em cinco anos correspondem a um crescimento de 18% desse grupo etário, que tem se tornado cada vez mais representativo no Brasil. As mulheres são maioria expressiva nesse grupo, com 16,9 milhões (56% dos idosos), enquanto os homens idosos são 13,3 milhões (44% do grupo).

Entre 2012 e 2017, a quantidade de idosos cresceu em todas as unidades da federação, sendo os estados com maior proporção de idosos o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul, ambas com 18,6% de suas populações dentro do grupo de 60 anos ou mais. O Amapá, por sua vez, é o estado com menor percentual de idosos, com apenas 7,2% da população.

A CONAFER oferece serviços aos aposentados e INSS Digital

A Confederação atende as demandas dos agricultores da terceira idade por meio de cooperação técnica para assessoria jurídica e administrativa na regularização do INSS Digital, realizando trâmites, processos e entregando serviços aos beneficiários. A assessoria da CONAFER atua no acesso às políticas sociais, processos e direitos junto ao INSS, conduzindo os aposentados até o final dos procedimentos de acesso aos benefícios.

Além de garantir benefícios sociais aos aposentados, a CONAFER oferece convênios com farmácias, agências de viagens e o comércio em geral. Outra ação é estimular o investimento em sonhos engavetados, estimulando a busca de novos conhecimentos em cursos, ou até mesmo na graduação, levando o idoso a investir em uma habilidade artística ou desenvolver um projeto inédito de produção agroecológica. Como o Projeto Replantar, criado para a integração de idosos e jovens nas atividades sustentáveis com o meio ambiente, reintegrando os idosos ao sistema produtivo por meio de ações sustentáveis.

OS DONOS DA TERRA: desistência da Vale de explorar territórios indígenas é vitória contra o marco temporal

da Redação

São décadas de luta pelo direito às terras dos povos originários, dos seus líderes, das articulações com grupos sociais e da união de todas as etnias, como ficou demonstrado nos acampamentos e marchas de setembro em Brasília, sempre na busca da liberdade em decidir pelo próprio desenvolvimento e o direito de exercer a autodeterminação. Em comunicado recente, a mineradora Vale, a gigante multinacional brasileira com valor de mercado próximo de 1 trilhão de reais, desistiu de todos os processos de lavra em terras indígenas no Brasil, ao reconhecer que estas atividades só podem ocorrer mediante o Consentimento Livre, Prévio e Informado (CLPI) dos próprios indígenas. No momento que se decide o futuro dos territórios em julgamento de repercussão geral no STF, a decisão da Vale demonstra que as práticas de ESG, as ações positivas nas áreas ambiental, social e de governança, fazem obrigatoriamente parte da sua gestão. E isso é decisivo hoje no mercado de ações, na obtenção de investimentos e no relacionamento comercial com o mundo globalizado, sem a perda dos ativos e preservando o valor da sua marca

A Vale S.A. é uma das maiores empresas de mineração do mundo e também a maior produtora de minério de ferro, de pelotas (usadas na fabricação do aço) e de níquel. A empresa também produz manganês, ferroliga, cobre, bauxita, potássio, caulim, alumina e alumínio. Analistas apostam que o preço das ações da mineradora, que já é considerada a empresa mais valiosa da América Latina, tem potencial para avançar até 43% ainda em 2021. Portanto, a Vale tem muito a perder caso insista numa política que já causou enormes danos à sua imagem.


A Vale S.A. é a maior empresa da América Latina e uma das maiores mineradoras do mundo, avaliada em quase 1 trilhão de reais em valores de mercado

Como nos dois casos de rompimento de barragens, Mariana, em 2015, e Brumadinho, em 2019, causando centenas de mortos, arrasando comunidades e deixando um rastro de destruição ambiental, incluindo a morte de rios e o fim da atividade econômica de milhares de ribeirinhos, entre eles, milhares de indígenas.

Rompimento de barragens, Mariana, em 2015, e Brumadinho, em 2019, causaram centenas de mortos, arrasando comunidades e deixando um rastro de destruição ambiental

Só no caso de Brumadinho, a Vale fechou acordo na Justiça de Minas Gerais para pagar indenização ao poder público de R$ 37,68 bilhões. A cifra não inclui ações individuais. Os dois episódios também mexeram com a confiança de investidores estrangeiros que têm se pautado pela agenda ESG. Por isso, a multinacional brasileira quer retomar a confiança dos donos do capital financeiro focados em ESG (em inglês Environmental, Social and Governance, isto é, um conjunto de atitudes e ações de responsabilidades Ambiental, Social e de Governança).

Decisão da Vale é sinal claro da derrota do marco temporal

Quando uma empresa do tamanho da Vale toma uma decisão, antes ela já realizou um estudo prévio profundo para traçar o seu planejamento, desenhando um cenário futuro com base em dados econômicos e políticos. Logicamente os seus gestores sabem que o marco temporal será derrotado, um projeto de lesa-pátria que nasce derrotado.

Desde junho deste ano, Brasília já recebeu mais de 10 mil indígenas, de 170 etnias diferentes, de TIs de todo o país para defenderem os seus direitos constitucionais, todos colocados em risco pelo PL 490, que na prática anula todas as demarcações de territórios indígenas a partir de 1988, criando o pernicioso marco temporal, além de permitir o uso das terras para exploração do Estado sem permissão dos donos da terra, e outras anomalias jurídicas capazes de retirar de uma hora para outra os territórios reconquistados à custa da morte de centenas de lideranças e nações inteiras, como os Xokleng, uma etnia quase dizimada no século passado, e que segue na luta por sua existência em Santa Catarina, agora alvo de uma decisão no julgamento da Terra Indígena Ibirama La-Klãnõ pelo STF, de quem se espera um ato de justiça com a história deste povo, e consequentemente, criando uma jurisprudência capaz de derrubar qualquer tentativa de avanço do famigerado PL 490 no Congresso Nacional.

É por isso que este novo posicionamento da Vale precisa ser comemorado por todas as populações indígenas. Ele é uma garantia de esperança para 231 processos demarcatórios paralisados, com 536 pedidos indígenas de constituição de grupos de trabalho para identificação de terras tradicionais. A paralisação dos processos de demarcação na FUNAI decorre de ações judiciais propostas por ocupantes não-indígenas, e que pleiteiam a posse da terra indígena que já ocupam ilegalmente. Só com o término do julgamento no STF, estes processos podem avançar sem o marco temporal, que levaria milhares de indígenas a uma condição de miséria econômica e perda de identidade cultural longe dos seus territórios ancestrais.

Na nota que a Vale distribuiu à imprensa comunicando a desistência na lavra de territórios indígenas, só faltou acrescentar as palavras do ministro do STF, Edson Fachin, ao pronunciar o seu voto em favor dos povos originários, e contra a perniciosa, criminosa e inconstitucional ideia do marco temporal: “os direitos das comunidades indígenas consistem em direitos fundamentais, que garantem a manutenção das condições de existência e vida digna. A terra para os indígenas não têm valor comercial, como no sentido privado de posse. Trata-se de uma relação de identidade, espiritualidade e de existência”.

AGRICULTURA +SAÚDE FAMILIAR: CONAFER e ITT firmam parceria para levar saúde no campo

da Redação

Entidades voltadas aos interesses dos agricultores familiares unem expertises para levar saúde ao segmento. Projeto piloto será lançado no Rio Grande do Norte. O Agricultura +Saúde Familiar atenderá todas as categorias de pequenos produtores: pescadores, pecuaristas, lavouristas, extrativistas, artesãos, indígenas, assentados, acampados, ribeirinhos e quilombolas. A principal característica do projeto é a sua mobilidade. O atendimento médico será por meio de uma Carreta Médica Móvel, que se deslocará para 52 municípios inicialmente. Pelo mapeamento feito pela CONAFER e o ITT, a estimativa é atender 20 mil agricultores familiares. Um destaque para o futuro do programa é o uso da telemedicina em diagnósticos e procedimentos, ampliando ainda mais as vantagens do +Saúde Familiar


As duas entidades se uniram para criar o Agricultura +Saúde Familiar

As carências sociais no meio rural ainda são obstáculos ao desenvolvimento de uma grande parcela do segmento agrofamiliar brasileiro. São estes agricultores e suas famílias a parte mais vulnerável da sociedade rural, e por isso, precisam ser assistidos. Saúde custa caro, exatamente por esta razão que a saúde preventiva é fundamental. Assim, com a soma de cada diagnóstico preventivo realizado, o Agricultura +Saúde Familiar estará contribuindo para a saúde de todo o meio rural.

A mobilidade do atendimento será viabilizada pela Carreta Médica Móvel

Com base na mobilidade, o espaço físico do projeto será a carreta médica móvel, de fácil acesso à população. Os locais de atendimento terão o fluxo direcionado e bem estruturado para evitar aglomerações, com distanciamento mínimo de dois metros, áreas de desinfecção e higienização, devido à pandemia da Covid-19.

Por que é tão importante levar saúde preventiva aos agricultores

Os agricultores e agricultoras durante as atividades laborais, estão expostos a uma série de riscos: acidentes ocupacionais, como intoxicações e exposição ao sol, que dependem em maior ou menor grau do tipo de atividades na lavoura e equipamentos utilizados. O melhor caminho para melhorar a qualidade de vida dos produtores rurais é a prevenção dos malefícios à saúde ocasionados pelo próprio trabalho.

O Agricultura +Saúde Familiar será realizado em regiões com carências no acesso à saúde, principalmente pelos idosos, permitindo a a todos os agricultores envolvidos, uma melhor prevenção da saúde com atendimento médico nas especialidades de clínica geral, cardiologia e odontologia, com a realização do exame de sangue (hemograma completo), conforme prevê o projeto.

Estas são as 52 cidades do Rio Grande do Norte que fazem parte do projeto piloto de lançamento do Agricultura +Saúde Familiar:

1- Natal

A capital potiguar faz parte das cidades que serão atendidas pelo projeto

2- Rio do Fogo
3- Maxaranguape
4- Taipú
5- Ceará Mirim
6- Nova Cruz
7- Passa e Fica
8- Montanhas
9- Pedro Velho
10- Baia Famosa
11- Extremoz
12- Cangu
13- Santa Maria
14- Canguaretama
15- Vila Flor
16- Tibau do Sul
17- Lelmo Marinho
18- São Gonçalo de Amarante
19- Santo Antônio
20- Serrinha
21- Macaíba
22- São pedro
23- Boa Saúde
24- Nísia Floresta
25- São Paulo de Potengi
26- Lagoa Salgada
27- Parnamirim
28- Monte Alegre
29- Lagoa de Pedras
30- Tângara
31- Jandaria
32- São José do Campestre
33- Bom Jesus
34- Santa Cruz
35- Senador Elói de Souza
36- Serra Caiada
37- São José do Mipipú
38- Coronel Ezequiel
39- Vera Cruz
40- Jaçanã
41- Lagoa d´Anta
42- Japi
43- Monte das Gameleiras
44- Serra de São Bento
45- Pedro Avelino
46- Brejinho
47- Espírito Santo
48- Várzea
49- Arês
50- Goianinha
51- Senador G. Avelino
52- São Bento do Trairí

Sobre as especialidades oferecidas pelo Agricultura +Saúde Familiar

De acordo com projeto, teremos um tripé de especialidades no atendimento: o clínico geral, para identificar sintomas, pedir e analisar exames, prescrever medicamentos, encaminhar pacientes para especialistas adequados e tratar doenças que não necessitam de intervenções cirúrgicas; um cardiologista, para realizar e solicitar exames para avaliação do sistema cardíaco; e um dentista para avaliar e tratar a saúde bucal dos agricultores. Exames de sangue (hemograma completo) fazem parte do projeto, e são importantes para a prevenção e identificação de possíveis doenças existentes, dando aos agricultores e empreendedores familiares rurais, mais e melhores condições de ter uma vida saudável e de qualidade.

Mobilidade é estrada para implantar a Telemedicina no +Saúde Familiar

Por utilizar o meio online em seus diagnósticos e procedimentos, a telemedicina será um importante aliado do projeto no futuro. Este processo avançado de monitoramento de pacientes, troca de informações médicas e análise digital de resultados de diferentes exames, é apoio importante para a medicina tradicional.

A teleconsulta utiliza um sistema com tecnologia de ponta para garantir a segurança dos dados repassados entre profissionais da saúde, e entre paciente e médico, além do armazenamento seguro das informações, pois os procedimentos são liberados apenas após a assinatura digital do médico.

De acordo com Censo Agropecuário 2017 do IBGE, dos mais de 63 mil estabelecimentos agropecuários, mais de 50 mil (80%) eram agrofamiliares. Ou seja, de cada 100 estabelecimentos recenseados, 80 são administrados por pequenos produtores e suas famílias, representando a maioria absoluta das propriedades existentes. Esta enorme demanda por saúde, é portanto, mais uma razão para efetivar o projeto no estado potiguar, para depois levá-lo aos agricultores familiares de todo o país.

DIA DE DEFESA DA FAUNA: os animais nascem livres, livres devem viver

da Redação

O Dia de Defesa da Fauna nos lembra que a liberdade dos animais é fundamental na preservação da natureza. Exatamente porque eles dão vida aos ecossistemas e biomas. Na terra, no mar ou no ar, a fauna brasileira é a mais diversa do mundo. São mais de 120 mil espécies de invertebrados e outras 8,9 mil de vertebrados. Mas as atividades humanas ameaçam a vida selvagem. A primeira lista de animais da fauna brasileira ameaçados de extinção foi publicada em 1968. Pela Lei Federal nº 5.197, “animais de qualquer espécie, em qualquer fase do seu desenvolvimento e que vivem naturalmente fora do cativeiro, constituindo a fauna silvestre, bem como seus ninhos, abrigos e criadouros naturais, são propriedade do Estado, sendo proibida sua utilização, perseguição, destruição, caça ou apanha”. Apontado como a terceira maior atividade ilícita no mundo, depois das armas e das drogas, o tráfico de animais movimenta entre US$ 10 e 20 bilhões por ano. O Brasil abriga grande parte das espécies traficadas, segundo o “Relatório Nacional sobre o Tráfico de Fauna Silvestre”, feito pela Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas)

Biomas degradados ameaçam a fauna silvestre

Segundo dados de 2014 do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), há mais de mil espécies de animais em risco de extinção no Brasil. Entre as causas do desaparecimento de espécies estão o tráfico de animais, desmatamento, queimadas, caça predatória e poluição, que influenciam diretamente os animais e/ou seus habitats.

A perda e degradação do ambiente natural, principalmente em decorrência da expansão agrícola e urbana, bem como da instalação de grandes empreendimentos, como hidrelétricas, portos e mineração, é a mais importante ameaça para as espécies continentais. Para as espécies marinhas, a pesca excessiva, seja direcionada ou incidental, é a ameaça que mais se destaca.

Em 2018, o ICMBio e o Ministério do Meio Ambiente (MMA) lançaram o Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. A publicação contou com a participação de 1.270 pesquisadores e contabiliza 1.173 espécies da fauna sob risco de extinção. Outras 318, apesar de não estarem perto de desaparecer, também têm a existência ameaçada.

A busca pela convivência pacífica entre espécies vem se tornando pauta cada vez mais frequente, no entanto a realidade está longe do ideal. De acordo com relatório da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES), da Organização das Nações Unidas (ONU), quase um milhão de espécies de animais e plantas correm risco de extinção nas próximas décadas, caso não ocorram mudanças radicais em medidas de conservação dos recursos da Terra.

A ONU incluiu a proteção animal nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), com 17 objetivos e 169 metas na área ambiental que devem ser alcançadas pelos países até 2030. Entre eles, estão previstos a conservação e uso sustentável dos oceanos, mares e recursos marinhos; e a proteção, recuperação e promoção do uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gestão sustentável das florestas, combate à desertificação, a interrupção e reversão da degradação da terra e da perda de biodiversidade.

Focos de incêndios abreviam o futuro de milhares de espécies

Imagens de animais mortos e feridos em decorrência de focos de incêndios florestais no Brasil, infelizmente são veiculadas com normalidade na mídia internacional. De acordo com informações registradas pelo Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe), de 1º de janeiro a 12 de setembro deste ano, foram contabilizadas 125.031 queimadas no país, o maior registro para o período desde 2010, quando 182.170 focos de calor foram mapeados no mesmo intervalo.

No comparativo com o ano passado, o número de incêndios nas florestas brasileiras já aumentou 10%, em 2020. O crescimento mais preocupante é no Pantanal. Em relação ao período entre 1º de janeiro e 12 de setembro de 2019, a quantidade de queimadas no bioma saltou 210% de 4.660 para 14.489 ocorrências, neste ano.

A Mata Atlântica é o bioma com mais espécies ameaçadas, tanto em números absolutos (1.989) quanto proporcionalmente (25%). Em seguida vêm o Cerrado, com 1.061 espécies ameaçadas, 19,7% do total de espécies do bioma, e a Caatinga (366 espécies ou 18,2%). O Pampa tem194 espécies ameaçadas, o que equivale a 14,5%. Já o Pantanal e a Amazônia têm as maiores proporções de espécies na categoria menos preocupante (88,7% e 84,3%, respectivamente) e também o menor percentual de espécies consideradas ameaçadas (3,8% e 4,7%, respectivamente). Em números absolutos, são 54 espécies ameaçadas no Pantanal e 278 na Amazônia.

Colorful tucan in the aviary

Fauna e Direito Ambiental

(por Roberto Langanke do blog Conservação)

De acordo com a lei número 5.197, de 1967, que foi renomeada, modificada e novamente promulgada em 1988 com o nome de Lei de Proteção à Fauna, “Os animais de qualquer espécie, em qualquer fase do seu desenvolvimento e que vivem naturalmente fora do cativeiro constituindo a fauna silvestre, bem como seus ninhos, abrigos e criadouros naturais, são propriedade do Estado, sendo proibida a sua utilização, perseguição, destruição, caça ou apanha”.

Desse modo, é possível dizer, atualmente, que todo animal é protegido por Lei. A grande evolução proposta no conjunto de Leis de 1988 é a de que a proteção sobre a fauna não só recai somente nos crimes de
caça predatória, tráfico de animais e comércio de peles (fauna silvestre); a lei agora se preocupa em defender o meio ambiente, o habitat em que o animal está inserido e do qual faz parte (ninhos, abrigos e criadouros naturais).

Interessante notar que, assim como no caso da flora , o animal que está em propriedade privada também é protegido por lei. Assim, a prática inadequada de atividades econômicas (como agropecuária, agricultura e silvicultura) que venha prejudicar o habitat de animais, é considerada crime contra a fauna. No que diz respeito à caça, dois tipos de mecanismos legais são adotados. A caça profissional está totalmente proibida em território nacional, sem exceções.

A caça desportiva também é proibida, podendo ser executada somente em casos onde peculiaridades regionais permitam o exercício da caça; além disso, é necessária uma autorização do poder público. Devido a essas peculiaridades regionais, os estados podem legislar individualmente sobre a caça desportiva. O Estado de São Paulo, por exemplo, tem toda e qualquer forma de caça desportiva proibida; já no caso do Mato Grosso ou Rio Grande do Sul, ela pode ser executada mediante certas circunstâncias.

No caso de comunidades indígenas, a caça é livre; essa legitimidade da caça é dada ao indivíduo da comunidade indígena e não ao seu território. Assim, pessoas que adentrem terras indígenas para caçar estão cometendo infração. A pesca, segundo a lei, pode ser considerada uma forma de caça, portanto é regida pelas mesmas leis e mecanismos citados acima.

Assim como na flora, a legislação sobre fauna é dada pela União, Estados e Distrito Federal; a implementação das leis deve ser feita pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios. As penas aplicáveis a crimes contra a fauna foram abrandadas pela Lei dos Crimes contra o Meio Ambiente, de 1998. Antes dessa lei, as penas podiam variar entre prisão de dois a cinco anos. Os crimes eram inafiançáveis. Hoje, a reclusão pode ser de seis meses a um ano, afiançáveis e com multa. Essas mudanças foram feitas no sentido de adequar a penalidade ao tipo de cidadão que a praticava, pois muitas vezes eram pessoas ignorantes da proibição, que caçavam para subsistência. Por outro lado, houve um afrouxamento na proteção aos animais e um certo retrocesso em nosso sistema legislativo no que diz respeito à fauna.

DIA DA ÁRVORE: quem cuida de uma árvore, preserva a floresta inteira

da Redação

É da soma dos cuidados de cada um que vamos proteger o símbolo da vida na terra. Todos os dias acabamos destruindo muitas árvores com nossas ações civilizatórias. Um exemplo: uma família que consome 400 watts de energia elétrica por mês, locomove-se de carro diariamente por 20 km e produz 800 g de lixo por dia, precisa plantar anualmente 12 árvores para equilibrar estas ações poluidoras. Quem de nós está fazendo a sua parte? Governos, organizações civis e os cidadãos, todos precisam fazer sua parte. Em tempos de não ao marco temporal, de recordes de queimadas e das exportações ilegais de árvores, esta necessidade de cuidar é ainda mais dramática. A cada dia, menos árvores existem para sequestrar o carbono e devolver o oxigênio para a natureza. E só existe um jeito de mudar isso: integrando-se com o meio ambiente, respeitando os ecossistemas e preservando nossas florestas. Exatamente como fazem nossos povos indígenas há milhares de anos

O poeta Haroldo de Campos escreveu um dia: “A natureza é sábia e justa. O vento sacode as árvores, move os galhos, para que todas as folhas tenham o seu momento de ver o sol”. A inteligência de uma árvore vai muito mais do que imaginamos. Quando suas folhas estão secas, é porque a árvore fez migrar a água para o seu caule lenhoso e suas raízes. Assim ela não morre, e quando chover novamente, poderá ter suas folhas irrigadas e verdejantes. É assim que elas sobrevivem em pleno cerrado, ou na caatinga.  

Em média, uma árvore gera 117 kg de oxigênio anualmente. Duas árvores maduras geram oxigênio para uma família de 4 membros por 1 ano. Assim, o carbono estocado por árvore resulta em aproximadamente 130 kg CO2-eq para as árvores na Mata Atlântica e 222 kg CO2-eq para as árvores da Floresta Amazônica. O CO2 equivalente (CO2-eq), ou dióxido de carbono equivalente, é o resultado da multiplicação das toneladas emitidas de gases de efeito estufa pelo seu potencial de aquecimento global. Por exemplo, o potencial de aquecimento global do gás metano é 21 vezes maior do que o potencial do gás carbônico (CO2).

A cada 7 árvores, é possível sequestrar 1 tonelada de carbono nos seus primeiros 20 anos de idade. Com base nesta média é determinada a quantidade de árvores que serão necessárias para neutralizar as emissões dos Gases de Efeito Estufa (GEE). A produção de oxigênio por meio do processo de fotossíntese faz aumentar a umidade do ar graças à transpiração das folhas. As árvores evitam erosões, reduzem a temperatura e fornecem sombra e abrigo, contribuindo para a biodiversidade e para a redução da poluição do ar. As suas flores e frutos servem para alimentação humana e produção de remédios. E suas estruturas de caules, galhos e folhas são as casas de milhares de espécies de animais.

Não ao desmatamento e não às queimadas!

A expansão urbana e a falta de proteção em áreas rurais, faz com que as árvores sejam constantemente exterminadas, o que resulta em grandes áreas desmatadas, seja por meio do corte ou das queimadas. O desmatamento e as queimadas afetam diretamente a vida de toda a população, que passa a enfrentar erosões, assoreamento de rios, redução do regime de chuvas e da umidade relativa do ar, desertificação e perda de biodiversidade.

Esse dia é muito mais do que o ato simbólico de plantar uma árvore, portanto deve ser encarado como um momento de mudança de atitude e conscientização de que nossos atos afetam as gerações futuras. É importante também haver conscientização a respeito da importância política de se colocar o meio ambiente como prioridade, e assim desenvolver ações de Estado para combater a exploração ilegal e proteger nossas matas, florestas e bosques urbanos.

As árvores-símbolo de cada região do país

Castanheira, a árvore-símbolo da região Norte.

A castanheira-do-Brasil (Bertholletia excelsa), também conhecida como castanheira-do-Pará, é uma árvore alta e bela, nativa da Amazônia. Ela pode ser encontrada em florestas às margens de grandes rios, como o Amazonas, o Negro, o Orinoco e o Araguaia, mas está ameaçada de extinção. Apesar de estar presente em todos os nove países amazônicos (Brasil, Peru, Colômbia, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname, Venezuela e Guiana Francesa), atualmente só é abundante na Bolívia e no Suriname.

A castanheira é considerada vulnerável pela União Mundial para a Natureza (IUCN) e, no Brasil, aparece na lista de espécies ameaçadas do Ministério do Meio Ambiente. A principal causa para o risco de extinção é o desmatamento. No Brasil, castanhais são derrubados para a construção de estradas e barragens, para assentamentos de reforma agrária e para a criação de gado.

Normalmente atingem entre 30m e 50m de altura e de 1m a 2m de diâmetro, seu tronco é reto e os galhos se concentram na parte mais alta da árvore. A casca é acinzentada, e as folhas, que ficam acima da copa das outras árvores, têm de 20cm a 35cm de comprimento. O fruto da castanha leva mais de um ano para amadurecer, é mais ou menos do tamanho de um coco e pode pesar 2kg. A casca é muito dura e abriga entre 8 e 24 sementes, que são as apreciadas castanhas.

Carnaúba, a árvore símbolo da região Nordeste.

A carnaúba (nome científico Copernicia prunifera) é a palmeira sertaneja do Nordeste. Seu nome é derivado do tupi e significa árvore que arranha, por conta da camada de espinhos que cobre a parte inferior do caule. A planta nasce em solos arenosos, alagadiços, várzeas ou margens dos rios. O tom das folhas é verde, levemente azulado, em virtude da cobertura de cera. Estudos indicam que a cera natural é uma proteção da carnaúba para evitar a perda de água e, assim, adaptar-se bem as regiões secas, como a Caatinga.

A carnaúba chega a alcançar até 15 metros de altura. Seu caule reto e cilíndrico tem um diâmetro que varia de 10 a 20 centímetros. A árvore dá frutos no período que vai de novembro a março. São esverdeados quando jovens e ficam roxos quando amadurecem. Seus frutos são bem aproveitados para alimentar animais de criação. Já a polpa serve para a produção de farinha e extração de um líquido leitoso. A sua amêndoa também é usada em substituição ao pó de café. Para isso, basta ser torrada e moída. As folhas servem para fazer telhados de casas e as fibras viram sacos, cestos, redes.

Ipê-amarelo, a árvore símbolo da região Centro-Oeste.

O ipê-amarelo é encontrado em todas as regiões do Brasil e sempre chamou a atenção de naturalistas, poetas, escritores e até de políticos. Em 1961, o então presidente Jânio Quadros declarou o ipê-amarelo, da espécie Tabebuia vellosoi, como a Flor Nacional. Desde então o ipê-amarelo é a flor símbolo de nosso país.

As árvores denominadas ipê, são na verdade, várias espécies com características mais ou menos semelhantes, com flores brancas, amarelas ou roxas. Não há região do país onde não exista pelo menos uma espécie dele. As variedades de pequeno e médio porte são ideais para o paisagismo e a arborização urbana. A coloração das flores produz um belíssimo efeito tanto na copa da árvore como no chão das ruas, formando um tapete de flores contrastantes com o cinza das cidades.

Conhecidos pela sua resistência e durabilidade de sua madeira, os ipês foram muito usados na construção de telhados de igrejas dos séculos XVII e XVIII, que, se não fosse pelos ipês, muitas dessas construções teriam se perdido com o tempo. Sendo uma espécie caducifólia, o período da queda das folhas coincide com a floração que se inicia no final do inverno. Quanto mais frio e seco for o inverno, maior será a intensidade da florada do ipê amarelo. As flores desta espécie atraem abelhas e pássaros, principalmente beija-flores que são importantes agentes polinizadores.

Pau-brasil, a árvore símbolo da região Sudeste.

A árvore Pau-Brasil cujo nome científico é Caesalpinia echinata, é uma espécie nativa das florestas tropicais brasileiras, presente no bioma da Mata Atlântica, se estendendo desde o litoral do Rio Grande do Norte até o Rio de Janeiro. Também é conhecido por outros nomes populares como: ibirapitanga, paubrasilia, orabutã, brasileto, ibirapiranga, ibirapita, muirapiranga, pau-rosado, pau-de-pernambuco.

A espécie foi a primeira madeira a ser considerada de lei no Brasil como uma tentativa de impedir que ela fosse contrabandeada por navios espanhóis, franceses e ingleses que aportavam na costa do país durante o período de colonização. Era muito utilizado na fabricação de móveis, violinos, construção civil e naval, pelo seu aspecto ser bem duro e resistente, e de possuir uma coloração avermelhada, que chamava muito a atenção dos europeus fazendo com que possuísse alto valor de mercado. 

O corante avermelhado era extraído no interior do tronco da árvore para o uso de tintura de roupas e acessórios da nobreza da época da exploração. Essa tintura era semelhante a um produto encontrado apenas na Ásia Oriental na época das navegações. Com isso, a exploração foi muito intensa, gerando muita riqueza ao reino, o que caracterizou um período econômico da história do país, influenciando a adoção do nome “Brasil” e a nomeação de “árvore símbolo” dos brasileiros.

No passado, algumas espécies alcançaram até 30 metros de altura, mas atualmente, as árvores remanescentes podem ser encontradas com 8 até 12 metros de altura, com tronco de 40 a 70 centímetros de diâmetro que possui uma casca escamosa e por baixo uma cor alaranjada, suas flores são amarelas, mas essa não é sua principal característica. Sua madeira é muito pesada, dura, compacta e muito resistente ao ataque de fungos e insetos. Em 2004 essa espécie entrou oficialmente na lista de árvores ameaçadas de extinção. Hoje, o pau-brasil encontra-se protegido por lei e não pode ser cortado para fins de florestas comerciais.

Araucária, a árvore símbolo da região Sul.

A araucária (Araucaria angustifolia) é uma espécie arbórea de gimnosperma pertencente à família Araucariaceae que é encontrada na região Sudeste (Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo) e Sul (Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina) do Brasil. Apresenta outros nomes populares, sendo conhecida também como pinheiro-do-paraná, curi, pinheiro-brasileiro e pinho-do-paraná.

A Araucária pode atingir uma altura de até 50 metros e, quando adulta, apresenta uma copa que possui formato semelhante a uma taça. Seu tronco é reto e com ramificações apenas na região do topo. As folhas do tipo agulha (acículas) apresentam coloração verde-escura e não caem durante o inverno. Além disso, essa espécie detém cones, que são espécies de flores dessas plantas. O cone feminino recebe o nome de pinha, que é onde se desenvolvem as sementes.

Essa espécie vive cerca de 200 anos, sendo que a produção de sementes inicia-se após o vigésimo ano em habitat natural. Essa árvore nativa do Brasil foi, por muitos anos, alvo da exploração indiscriminada e, por isso, hoje é considerada uma espécie ameaçada de extinção. A planta pode ser usada para variados fins, incluindo-se o artesanato e o uso medicinal. A semente, também conhecida por pinhão, é uma rica reserva energética, constituída principalmente por amido, proteínas e lipídios. Ela é muito usada na alimentação, tanto de homens quanto de alguns animais silvestres e domésticos, como porcos. Além disso, ela é usada tradicionalmente no combate à azia e anemia. As folhas e a casca também são utilizadas na medicina popular.

Em todo o mundo, assim como no Brasil, a chegada da primavera nos traz esperança. É nesse período em que a natureza troca suas cores, quando passa a predominar o verde vivo das folhas e os variados coloridos das flores. Com entidade defensora da sustentabilidade, a CONAFER reforça a importância da conscientização para proteger cada árvore em toda a sua biodiversidade, o que é decisivo para que as próximas gerações possam herdar um planeta preservado e em equilíbrio.

BIOECONOMIA: programa do Mapa já beneficiou 180 mil agricultores familiares em 2 anos

da Redação

Uma ideia baseada em ações para estruturação de sistemas produtivos com o uso sustentável dos recursos da sociobiodiversidade e do extrativismo. Assim funciona o programa Bioeconomia Brasil – Sociobiodiversidade, levando capacitação e inovação para agricultores familiares desde 2019, atendendo em média 90 mil agricultores familiares anualmente. Os investimentos ultrapassam R$ 100 milhões em integração com outras políticas direcionadas aos arranjos de bioeconomia para a agricultura familiar. O Ministério da Agricultura investiu R$ 15 milhões diretamente. O programa apoia iniciativas da Embrapa, que envolvem 21,6 mil agricultores em mais de 10 cadeias produtivas da bioeconomia. Um dos projetos destinou R$ 2 milhões no ano passado ao desenvolvimento de tecnologias para açaí, castanha do Brasil, pirarucu de manejo, mel de abelhas nativas, mandioca, cupuaçu, baunilhas do Brasil, sistemas agroflorestais e piaçava

Por meio do programa federal, em 2019 e 2020, foram celebrados oito convênios com Consórcios Intermunicipais nos estados da Bahia, de Minas Gerais, do Rio de Janeiro, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. A iniciativa conta com R$ 5 milhões para a implementação do Roteiros da Sociobiodiversidade, que prevê a capacitação de agricultores e a gestão dos empreendimentos, agregação de valor aos produtos, resgate de saberes e da cultura alimentar e reconhecimento e valorização dos sistemas agrícolas tradicionais. A meta é atender mais de 14 mil pequenos produtores.

Inovação e pesquisa

Não existe bioeconomia sem a busca do conhecimento pela pesquisa, que se alia ao ato de inovar durante a cadeia produtiva da agricultura familiar. Um bom exemplo é a parceria do Mapa com o Governo do Amazonas, e que resultou no InovaSocioBio para introduzir inovação ao longo das cadeias da sociobiodiversidade, como no apoio às cadeias produtivas do pirarucu, da castanha do Brasil e do guaraná.
No ano passado, foram aportados R$ 2,2 milhões para oferta de qualificação a cerca de 7 mil empreendedores da agricultura familiar e povos e comunidades tradicionais, além da promoção de acesso a novos mercados e desenvolvimento de soluções tecnológicas para os processos produtivos (máquinas, equipamentos, aplicativos e outros).

Plantas Medicinais

Outra parceria é o projeto “Inovações nas Cadeias de Plantas Medicinais e Bioativas como Estratégia de Diversificação do Cultivo do Tabaco – Projeto Piloto no Vale do Rio Pardo/RS”, intitulado de Valeef. Foi destinado quase R$ 1 milhão para a iniciativa, conduzida pela a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), com o objetivo de fortalecer a agricultura familiar da região, implantando cadeias de plantas aromáticas, medicinais e seus derivados como alternativa ao tabaco.
Em relação às plantas bioativas, o Mapa iniciou, em 2020, a terceira etapa do projeto ArticulaFito, com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que aportará mais de R$ 3 milhões nos próximos dois anos. A iniciativa tem o propósito de inserir os agricultores familiares nas cadeias de valores das plantas medicinais, aromáticas e condimentares. No último ano, apesar da pandemia, mais de 300 agricultores, técnicos e gestores participaram de oficinas virtuais de capacitação sobre processos produtivos e gestão.

Pronaf Bioeconomia

Criada e disponibilizada no Plano Safra 2020/2021, após articulações no âmbito do programa Bioeconomia Brasil – Sociobiodiversidade, a linha de crédito Pronaf Bioeconomia contabilizou mais de 1,3 mil acessos ao crédito rural até junho deste ano. Os recursos ultrapassam R$ 88,9 milhões e podem ser usados pelos produtores familiares em implementação de energia renovável na propriedade, atividades de extrativismo, na adequação ambiental das propriedades, em implantação de sistemas agroflorestais, entre outros.
No âmbito da Política de Garantia de Preços Mínimos para produtos da Sociobiodiversidade (PGPMBio), subvenção financeira operacionalizada pela Conab, foram beneficiados 20 mil agricultores, entre 2019 e 2020, com aplicação superior a R$ 40 milhões. A subvenção é concedida diretamente aos agricultores familiares, sendo a maioria extrativistas, ribeirinhos e moradores de unidades de conservação.

Biocombustível

Nos últimos dois anos, o Mapa também modernizou as regras do Selo Biocombustível Social e proporcionou que mais de 60 mil famílias de agricultores familiares fossem incluídas, anualmente, nos arranjos produtivos das empresas produtoras de biodiesel, resultando em mais de R$ 5 bilhões por ano em aquisição de matéria-prima deste segmento.

Sistemas agroflorestais

Outra estratégia para inserir os agricultores familiares nas cadeias produtivas de biocombustíveis é a utilização da inovação como ferramenta. Em articulação com a Embrapa Agroenergia, foram destinados R$ 900 mil para a pesquisa e desenvolvimento de sistemas agroflorestais envolvendo a macaúba, espécie nativa do Cerrado. A iniciativa pretende incentivar a cultura da macaúba e extração do óleo como matéria-prima para a produção de um novo biocombustível com potencial de uso em aviação civil.

A bioeconomia das “Apanhadoras de Flores Sempre Vivas da Serra do Espinhaço”

A bioeconomia também está presente na valorização dos potenciais da agrobiodiversidade do país. Em 2020, o Mapa viabilizou o reconhecimento do primeiro Sistema Agrícola Tradicional (SATs) brasileiro. As “Apanhadoras de Flores Sempre Vivas da Serra do Espinhaço”, em Minas Gerais, integram hoje os mais de 40 Sistemas de Importância do Patrimônio Agrícola Mundial (SIPAM) reconhecidos pela FAO em todo o mundo, com reconhecimento internacional como patrimônio agrícola mundial pela FAO. Este SAT está localizado na porção meridional da Serra do Espinhaço do estado mineiro.

O SAT dos Apanhadores e Apanhadoras de Flores Sempre-vivas é um sistema agrícola único, fruto do processo de coevolução entre as comunidades tradicionais e seu ambiente natural. As comunidades tradicionais desenvolveram um profundo conhecimento acerca dos ciclos naturais e processos ecossistêmicos e do manejo da flora nativa, possibilitando a utilização dos recursos naturais em harmonia com a conservação da biodiversidade.

O SAT compreende diversas atividades produtivas realizadas em uma região montanhosa, entre 600 metros e 1400 metros de altitude, fornecendo um mosaico de ecossistemas e paisagens. A agricultura, a criação de animais, o extrativismo de recursos naturais, em especial a colheita das flores sempre-vivas, e o uso das espécies nativas do cerrado caracterizam o modo de vida das comunidades tradicionais de apanhadores e apanhadoras de flores.

A importância da bioeconomia

Combate o aquecimento global ao utilizar as fontes limpas de energia; estimula a produção sustentável de alimentos para grandes populações; preserva a flora e fauna, protegendo os ecossistemas; evita o esgotamento de recursos naturais, como a água; reaproveita os resíduos para gerar novos insumos ou energia; contribui para a diminuição drástica da quantidade de lixo na natureza; insere os agricultores agrofamiliares na cadeia produtiva com ganhos socioeconômicos, e principalmente, é fundamental para avançar na segurança alimentar com produtos saudáveis, fruto da sustentabilidade bioeconômica.

FRENTE PARLAMENTAR DO SEMIÁRIDO: encontro na CONAFER debateu formas de ampliar a matriz energética no sertão nordestino

da Redação

Após o Acordo de Cooperação Técnica (ACT) assinado entre a Frente Parlamentar Mista do Semiárido e a Confederação, deputados e senadores, estiveram na CONAFER nesta última quinta-feira 16 de setembro, para um encontro onde foram apresentadas as questões de infraestrutura, mais especificamente a geração de energia limpa no semiárido, uma das balizas do Pentágono da Segurança, o sistema que vai orientar as ações da Frente: da segurança alimentar à jurídica, da segurança econômica à energética, da segurança na saúde à segurança logística, da segurança educacional à econômica, e que se dividem em 5 temas: infraestrutura, social, pública, jurídica e alimentar. O objetivo é mudar o cenário desta região historicamente marcada pelo fenômeno da seca, levando investimentos, programas de produção e ampliação da geração de energia. O impacto da inovação na matriz energética, impulsionando a geração de energia eólica e solar, é fundamental para efetivar transformações socieconômicas e ambientais profundas, capazes de fazer a diferença na vida de milhares de agricultores familiares

Na foto, da esquerda para a direita: Tiago Lopes, secretário-geral e vice-presidente da CONAFER; General Girão, deputado federal e presidente da Frente Parlamentar Mista em Prol do Semiárido; deputada federal Aline Sleutjes; senador Eduardo Girão; senador Elmano Férrer e Humberto Pereira, diretor de Projetos da CONAFER

A palavra de ordem neste debate sobre infraestrutura para o semiárido, é a independência econômica do homem do campo. E ela só é possível quando estes agricultores podem gerar a sua própria energia, com custo muito menor e totalmente limpa. Assim, temos a garantia da produção e um produto mais competitivo na hora de ser comercializado, um dos gargalos na vida dos pequenos produtores.

Também esteve presente nesta reunião, o deputado federal e ministro da Cidadania, João Roma. Depois de ouvir algumas colocações do General Girão, deputado federal e presidente da Frente Parlamentar Mista em Prol do Semiárido, o ministro Roma lembrou que este verdadeiro impulso econômico para o semiárido está em sintonia com o movimento global pela energia sustentável, que acelerar esta transformação é uma necessidade urgente. Em seu entender, o que está sendo esperado para daqui 40 anos, precisa ser conquistado em uma década.

Primeiro à esquerda da foto, o deputado federal e ministro da Cidadania, João Roma, fez aos parlamentares da Frente do Semiárido, uma exposição sobre o potencial de uso das energias eólica e solar

O deputado federal General Girão, como presidente da Frente, reafirmou que a segurança é um conceito de grande amplitude, e que se constitui em alicerce imprescindível para o desenvolvimento socioeconômico sustentável de qualquer grupo populacional. Girão revelou que a lista de apoio de parlamentares já tem 170 nomes, o que é muito significativo, pois será o suporte deste movimento que busca aproveitar todo o potencial na produção de energia do semiárido, gerando segurança na sua infraestrutura energética.

O deputado General Girão, presidente da Frente Parlamentar Mista em Prol do Semiárido, falou sobre o Pentágono da Segurança, em especial do tema segurança da infraestrutura

Depois de uma apresentação da CONAFER e das colocações de outros parlamentares, foi mostrado um sistema de internet móvel que pode ser instalado em qualquer parte do território brasileiro, com a grande vantagem de possuir baterias solares, viabilizando a sua operacionalidade, tudo para estabelecer uma nova conexão com o semiárido nordestino.

Um sistema de internet móvel com baterias solares foi apresentado aos parlamentares

Conheça a proposta do Pentágono da Segurança da Frente Parlamentar Mista em Prol do Semiárido

Segurança de Infraestrutura: comunicação, transporte, logística e energia.

O desenvolvimento da infraestrutura do Brasil é uma prioridade a ser resolvida de forma urgente para nos desenvolvermos economicamente e atrairmos investidores. Comunicação, transporte, logística e energia estão dentro dessa área da segurança. Na área de comunicação, é importante que sejam instaladas mais torres de celulares em toda a região, evitando o isolamento de municípios e pequenas comunidades. A região Nordeste precisa de investimento também em energia. Um exemplo é o Rio Grande do Norte, um dos estados com maior potencial eólico do país. Outro problema que enfrentamos é a falta de mercado consumidor nas regiões produtoras desse tipo de energia. Precisamos atrair investidores para a energia renovável, ampliando as linhas de transmissão e subestações coletoras. A produção de energia fotovoltaica também tem enorme potencial de crescimento em todo o Semiárido. No setor de transportes, estamos mapeando as estradas que precisam de recuperação, auxiliando no trabalho do DNIT.

Segurança Social: emprego e renda, saneamento, educação e saúde.

A Frente vai trabalhar pelo emprego e renda, saneamento, educação e saúde dos brasileiros do Semiárido, fatores essenciais para as pessoas produzirem e progredirem. E atuar para mudar uma triste realidade que condena o povo brasileiro ao subdesenvolvimento. A segurança social ganha muito com saneamento, construção civil e moradia popular. Apoiamos programas de capacitação nos bolsões de desemprego das grandes cidades, ações para auxiliar na redução do endividamento de famílias e empresas, e promover diversas ações direcionadas aos empreendedores. Já o saneamento, uma das demandas é buscar, identificar, quais são os municípios que estão em situação complicada de abastecimento de água e tratamento de esgoto para que estes possam ser atendidos por meio de nossas emendas parlamentares.

Segurança Pública: enfrentamento do crime e proteção à vida da população.

É preciso haver planos de segurança pública, elaborados por especialistas na área, que envolvam: a modernização do sistema penitenciário; o combate integrado, entre estados e Governo Federal, às organizações criminosas; políticas de redução do feminicídio e violência contra a mulher; medidas para a diminuição de homicídios dolosos; e o combate integrado ao tráfico de drogas e armas. A segurança pública é compreendida como proteção da existência do Estado Democrático de Direito, agindo na segurança externa e interna do país.

Segurança Jurídica: vital para própria existência do estado democrático de direito e segurança no Semiárido.

A segurança jurídica é decisiva para a segurança da sociedade rural. Principalmente na titulação da terra, em especial para as populações do Semiárido. Sem a regularização fundiária, o pequeno produtor não tem acesso a financiamentos e tampouco pode concretizar contratos. Essa deve ser uma das prioridades das autoridades envolvidas. É na segurança jurídica que vamos assegurar a todos os cidadãos que as leis serão cumpridas, inclusive pelo próprio Estado.

Segurança Hídrica e Alimentar: água para todos e produção para acabar com a insegurança alimentar.

A transposição do Rio São Francisco trará água ao Semiárido, a partir do investimento já feito nas obras de transposição. A produção de alimentos pode ser alavancada significativamente com tecnologias adequadas. Vamos acompanhar e fiscalizar as políticas públicas voltadas ao desenvolvimento do Semiárido brasileiro; organizar e coordenar reuniões, seminários e eventos afins, destinados ao estudo e ao debate de temas que possam contribuir para o desenvolvimento socioeconômico sustentável da região; intermediar e contribuir para o diálogo entre o Congresso Nacional, órgãos públicos, entidades civis e cidadãos sobre assuntos relacionados ao Semiárido, com vistas ao seu desenvolvimento econômico e social; promover o aperfeiçoamento da legislação referente ao seu desenvolvimento, influindo no processo legislativo, a partir das comissões temáticas nas duas Casas do Congresso Nacional.

Somos todos responsáveis pela proteção da vida na Terra

da Redação

Hoje é comemorado o Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio. A data foi escolhida pela Assembleia Geral das Nações Unidas para marcar o dia da assinatura do Protocolo de Montreal, firmado em 1987. O protocolo foi importante para a proteção da camada, já que reduziu a produção e o consumo de produtos que causam seu desgaste. A camada de ozônio é um fino envoltório formado por gás ozônio (O3), que envolve a Terra e protege os organismos vivos da radiação emitida pelo Sol. Sem esta camada, localizada a 25 e 30 km acima da superfície (estratosfera), a vida no nosso planeta como conhecemos hoje deixaria de existir.

Destruição e buraco na camada de ozônio

Infelizmente, substâncias produzidas pelo homem começaram a destruir a camada de ozônio. As primeiras evidências dessa agressão ocorreram em 1977, quando cientistas britânicos observaram um grande buraco na região localizada sobre a Antártida. A partir desse estudo, várias outras pesquisas demonstraram pontos ao redor do mundo onde essa camada tornou-se mais fina.

A diminuição da espessura da camada de ozônio é um problema sério. Nas regiões onde se observou essa diminuição, percebe-se que é maior a incidência de alergias e problemas nos olhos, tais como catarata e cegueira, e na pele, como cânceres. Além disso, a radiação também afeta plantas e outros seres, como é o caso do plâncton.

Sem a proteção do ozônio, surge o efeito estufa

Quando os raios solares atingem a superfície do planeta Terra, parte da energia é refletida para o espaço e a outra parte fica aprisionada na atmosfera em função dos gases nela presentes. Essa capacidade de captar e reciclar a energia emitida pela superfície do planeta é chamada de efeito estufa, causando o aumento da temperatura da Terra pela retenção do calor por certos gases atmosféricos, sendo que a poluição o intensifica e causa o aquecimento global.

3 atitudes importantes que podem reduzir o efeito estufa

  • Faça a reciclagem do lixo, e se possível, a reutilização de insumos.
  • Quando possível, evite utilizar o carro, e prefira a caminhada ou os passeios de bicicleta.
  • Cultive plantas e vegetações, seja dentro de casa ou no próprio quintal.

CONAFER e CURSOS CPT: instituição atuante há 35 anos na educação profissional vai oferecer desconto de 30% em 800 cursos

da Redação

Em reunião realizada no mês de agosto, entre a CONAFER, representada pela sua Secretaria Nacional de Agroecologia, Políticas Agrárias e Meio Ambiente, a SEAGRO, e o Cursos CPT, foi firmada uma parceria para que a respeitada instituição educacional, uma das marcas mais importantes do país na formação profissional por meio de EAD, possa disponibilizar os seus 800 cursos aos colaboradores e associados da Confederação. Além do abatimento de 30% em cada curso, os combos profissionalizantes (combos de cursos online) terão 50% de desconto

O Cursos CPT está há mais de 3 décadas atuando em alto nível no ensino técnico-profissionalizante, com ênfase no setor de agronomia e agroecologia. Em parceria com grandes universidades e centros de pesquisas, desenvolve cursos assinados por especialistas, mestres e doutores. Todos os cursos são 100% online, e hoje já são mais de 1,4 milhão de alunos certificados.

Desde o início, nas primeiras conversas, houve uma grande receptividade e interesse do CPT em selar uma parceria com a CONAFER. Como sugestão, os parceiros estão desenhando um código de desconto para os colaboradores e filiados. Todos poderão acessar a plataforma de cursos disponível através do site www.cpt.com.br, e ao finalizar a compra do curso escolhido, bastará inserir o cupom para receber um desconto exclusivo.

Jéssica Camargo, secretária da SEAGRO, diz que “diante desta parceria, podemos incentivar nossos colaboradores e filiados a buscar pela educação e aprimoramento nas mais diversas áreas profissionalizantes, e ao mesmo tempo ampliar a atuação do CPT, alavancando o número de alunos e a procura pelos seus cursos. O CPT já está desenvolvendo a mecânica da parceria para implantar o cupom com código de desconto, e daí poderemos divulgar e iniciar os trabalhos o quanto antes para garantir mais educação e capacitação ao nosso segmento”.

Sobre o CPT

Diante das novas tecnologias de ensino e capacitação profissional à distância, o Curso CPT se destaca dentre os demais formatos por ser inédito, objetivo, prático e eficiente, além de oferecer grande número de informação em um curto espaço de tempo. Atualmente o CPT possui em seu acervo mais de 800 cursos de capacitação profissional, nas mais diversas áreas de atuação.

O CPT tem como missão levar a formação pessoal e profissional aos brasileiros, sistematizando informações, mostrando a prática em linguagem acessível, oferecendo uma excelente capacitação à distância, superando a expectativa do aluno, com o objetivo de melhorar a sua qualidade de vida e o meio ambiente.

Em sua visão, o CPT trabalha para ser a melhor instituição educacional na promoção e excelência do ensino profissional, atuando diretamente e fazendo a diferença no crescimento pessoal de seus alunos. Por isso, o slogan: Realizando Sonhos e Construindo Histórias de Sucesso.

ZARC DO MILHO: sai zoneamento agrícola de um dos produtos mais importantes da agricultura familiar

da Redação

Das quatro culturas agrícolas mais produzidas pelos agricultores familiares, o milho tem um valor especial, pois além da subsistência das famílias e da sua comercialização como fonte de renda aos pequenos produtores, ele é o principal insumo para a produção de aves e suínos, além de sua importância estratégica para a segurança alimentar do brasileiro ao longo das últimas décadas. Por isso, é importante para o setor agrofamiliar se ater às publicações do Zarc, o Zoneamento Agrícola de Risco Climático publicado pelo Ministério da Agricultura e Abastecimento, o Mapa. Nesta quarta 15 de setembro, o Zarc do milho foi publicado com destaque para regiões Norte e Nordeste, orientando as culturas milho de 1ª safra, consórcio milho com braquiária e algodão herbáceo. O zoneamento tem o objetivo de reduzir os riscos relacionados aos problemas climáticos e permite ao produtor identificar a melhor época para plantar, levando em conta a região do país, a cultura e os diferentes tipos de solos

O Zarc utiliza um modelo agrometeorológico considerando elementos que influenciam diretamente no desenvolvimento da produção agrícola, como temperatura, chuvas, umidade relativa do ar, água disponível nos solos, demanda hídrica das culturas e elementos geográficos (altitude, latitude e longitude).

Os agricultores que seguem as recomendações do Zarc estão menos sujeitos aos riscos climáticos e ainda poderão ser beneficiados pelo Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e pelo Programa de Subvenção ao prêmio do Seguro Rural (PSR). Muitos agentes financeiros só liberam o crédito rural para cultivos em áreas zoneadas.

O Zarc foi aprovado para cultivo do milho de 1ª safra em AL, CE, PB, PE, RN, SE, AP, AM, PA e RR; cultivo do consórcio milho com braquiária de 1ª safra em AL, CE, PB, PE, RN, SE e RR; cultivo do algodão herbáceo em AL, CE, PB, PE, RN, SE, AP, PA e RR.

Aplicativo Plantio Certo

Produtores rurais e outros agentes do agronegócio podem acessar por meio de tablets e smartphones, de forma mais prática, as informações oficiais do Zarc, facilitando a orientação quanto aos programas de política agrícola do governo federal. O aplicativo móvel Zarc Plantio Certo, desenvolvido pela Embrapa Informática Agropecuária (Campinas/SP), está disponível nas lojas de aplicativos: iOS e Android.

Os resultados do Zarc também podem ser consultados e baixados por meio da plataforma “Painel de Indicação de Riscos”

O milho e sua importância na agricultura familiar

A maior parte do milho que abastece os municípios brasileiros é produzido pela agricultura familiar. O milho é cultivado em todo o Brasil, tanto na agricultura familiar quanto nas grandes empresas agropecuárias, estando presente em todas as cadeias produtivas de animais.

No início de seu cultivo, o milho era utilizado basicamente para a subsistência humana. Com o decorrer do tempo foi ganhando importância e transformou-se no principal insumo para a produção de aves e suínos, além de sua importância estratégica para a segurança alimentar do brasileiro ao longo das últimas décadas.

A produção do milho representa cerca de 30% do total de grãos produzidos no mundo. Os maiores produtores são os EUA, China, Brasil, União Européia, México e Argentina. No Brasil, os Estados que se destacam na produção do cereal são: Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

A cultura do milho ocupa posição de destaque entre as atividades agropecuárias do Brasil por ser a mais frequente nas propriedades rurais e pelo seu valor de produção, superado apenas pelo da soja. O milho é, ao mesmo tempo, importante fonte de renda para os agricultores e relevante insumo (matéria-prima) para os criadores de aves, suínos, bovinos e outros animais, compondo parcela majoritária das rações.

O milho é produzido do Norte ao Sul do Brasil, com características e sistemas de produção diferentes. Por ser uma cultura que é cultivada em pequenas propriedades, uma parcela importante do milho colhido destina-se ao consumo ou transformações em produtos para consumo na própria fazenda. Porém, o aumento na eficiência dos sistemas de produção de aves e suínos, as características dos produtos demandados pelos consumidores urbanos e as quantidades necessárias para atingir escalas mínimas que compensem o transporte para os centros consumidores, reduziram a capacidade de competição da pequena produção de milho.

A produção de milho, no Brasil, tem-se caracterizado pela divisão em duas épocas de plantio. O plantio de verão, ou primeira safra, é realizado na época tradicional, durante o período chuvoso, que varia entre fins de agosto, na região Sul, até os meses de outubro/novembro, no Sudeste e Centro-Oeste (no Nordeste, esse período ocorre no início do ano).

Mais recentemente, tem aumentado a produção obtida na safrinha ou segunda safra. A safrinha refere-se ao milho de sequeiro, plantado extemporaneamente, em fevereiro ou março, quase sempre depois da soja precoce, predominantemente na região Centro-Oeste e nos estados do Paraná, São Paulo e Minas Gerais. Verifica-se, nas últimas safras, um decréscimo na área plantada no período da primeira safra, que tem sido compensado pelo aumento dos plantios na safrinha e pelo aumento do rendimento agrícola das lavouras de milho.

O milho no contexto da integração lavoura-pecuária (ILP)

Embora realizados em uma condição desfavorável de clima, os sistemas de produção da safrinha têm sido aprimorados e adaptados a essa condição, o que tem contribuído para elevar os rendimentos das lavouras também nessa época. A cultura do milho destaca-se também no contexto da integração lavoura-pecuária (ILP) devido às inúmeras aplicações que o cereal têm dentro da propriedade agrícola na alimentação animal, na forma de grãos ou de forragem verde ou conservada (rolão, silagem) ou na geração de receita, mediante a comercialização da produção excedente.

O ponto importante são as vantagens comparativas do milho em relação a outros cereais ou fibras no que diz respeito ao seu consórcio com capim nos projetos de ILP. Uma dessas vantagens é a competitividade no consórcio, visto que as plantas de milho exercem, depois de estabelecidas, grande pressão de supressão sobre as demais espécies que crescem no mesmo local.

Embora existam várias plantas forrageiras anuais e perenes que servem para a produção de silagem, o milho é uma das culturas mais utilizadas para essa finalidade no Brasil, por apresentar um bom rendimento de matéria verde, excelente qualidade de fermentação e manutenção do valor nutritivo da massa ensilada, conferindo baixo custo operacional de produção, além da boa aceitabilidade por parte dos animais.

O milho é a forragem mais tradicional por apresentar condições ideais para a confecção de uma boa silagem, como o teor de matéria seca por ocasião da ensilagem entre 30% e 35%, mais de 3% de carboidratos solúveis na matéria original e baixo poder tampão.

O cultivo do milho verde é uma atividade praticamente exclusiva de pequenos e médios agricultores. O milho verde pode ser considerado uma hortaliça, em virtude do tempo de sua permanência no campo até o momento da colheita, que é de aproximadamente 90 dias.

Mais recentemente, com a possibilidade de incremento do valor agregado ao produto, a conservação ambiental e a baixa utilização de insumos, a produção orgânica pode se constituir em alternativa viável para o aumento da rentabilidade do setor agrícola. Pequenos e médios agricultores, assentamentos agrícolas, além de outros segmentos da cadeia produtiva, constituem o público que demanda tecnologias adequadas para o desenvolvimento da agricultura orgânica, haja visto que a grande maioria desses agricultores utiliza pouco ou nada de insumos modernos na produção e, por questão até de sobrevivência, praticam a diversificação na produção.

Nesse caso, se aplicam tanto a produção de alimentos consumidos diretamente pelo homem como a produção de alimentos para animais, possibilitando uma ampliação das cadeias produtivas de produtos orgânicos. O milho, pelas razões já expostas, é essencial em sistemas orgânicos de produção pela diversidade de uso e produtos gerados, pelas inúmeras possibilidades de sua participação em sistemas de rotação, sucessão e consorciação de culturas, além de ser essencial como matéria-prima para outras cadeias de produção orgânica, como carne, leite e ovos.

Com informações do Mapa, Wikipedia e fonte Portal da Embrapa com material dos autores: Israel Alexandre Pereira Filho, José Carlos Cruz e João Carlos Garcia.