CONAFER e CURSOS CPT: instituição atuante há 35 anos na educação profissional vai oferecer desconto de 30% em 800 cursos

da Redação

Em reunião realizada no mês de agosto, entre a CONAFER, representada pela sua Secretaria Nacional de Agroecologia, Políticas Agrárias e Meio Ambiente, a SEAGRO, e o Cursos CPT, foi firmada uma parceria para que a respeitada instituição educacional, uma das marcas mais importantes do país na formação profissional por meio de EAD, possa disponibilizar os seus 800 cursos aos colaboradores e associados da Confederação. Além do abatimento de 30% em cada curso, os combos profissionalizantes (combos de cursos online) terão 50% de desconto

O Cursos CPT está há mais de 3 décadas atuando em alto nível no ensino técnico-profissionalizante, com ênfase no setor de agronomia e agroecologia. Em parceria com grandes universidades e centros de pesquisas, desenvolve cursos assinados por especialistas, mestres e doutores. Todos os cursos são 100% online, e hoje já são mais de 1,4 milhão de alunos certificados.

Desde o início, nas primeiras conversas, houve uma grande receptividade e interesse do CPT em selar uma parceria com a CONAFER. Como sugestão, os parceiros estão desenhando um código de desconto para os colaboradores e filiados. Todos poderão acessar a plataforma de cursos disponível através do site www.cpt.com.br, e ao finalizar a compra do curso escolhido, bastará inserir o cupom para receber um desconto exclusivo.

Jéssica Camargo, secretária da SEAGRO, diz que “diante desta parceria, podemos incentivar nossos colaboradores e filiados a buscar pela educação e aprimoramento nas mais diversas áreas profissionalizantes, e ao mesmo tempo ampliar a atuação do CPT, alavancando o número de alunos e a procura pelos seus cursos. O CPT já está desenvolvendo a mecânica da parceria para implantar o cupom com código de desconto, e daí poderemos divulgar e iniciar os trabalhos o quanto antes para garantir mais educação e capacitação ao nosso segmento”.

Sobre o CPT

Diante das novas tecnologias de ensino e capacitação profissional à distância, o Curso CPT se destaca dentre os demais formatos por ser inédito, objetivo, prático e eficiente, além de oferecer grande número de informação em um curto espaço de tempo. Atualmente o CPT possui em seu acervo mais de 800 cursos de capacitação profissional, nas mais diversas áreas de atuação.

O CPT tem como missão levar a formação pessoal e profissional aos brasileiros, sistematizando informações, mostrando a prática em linguagem acessível, oferecendo uma excelente capacitação à distância, superando a expectativa do aluno, com o objetivo de melhorar a sua qualidade de vida e o meio ambiente.

Em sua visão, o CPT trabalha para ser a melhor instituição educacional na promoção e excelência do ensino profissional, atuando diretamente e fazendo a diferença no crescimento pessoal de seus alunos. Por isso, o slogan: Realizando Sonhos e Construindo Histórias de Sucesso.

CERTIFICAÇÃO FITOSSANITÁRIA INTERNACIONAL: Portaria nº 177 do Mapa estabelece os procedimentos de exportação e importação de vegetais

Certificado é um passaporte no comércio exterior de vegetais, partes vegetais e produtos de origem vegetal, definindo critérios fitossanitários baseados em diretrizes internacionais atualizadas, instituídas no âmbito da Convenção Internacional de Proteção dos Vegetais (CIPV), supervisionada pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO); documento não será emitido para produto de origem vegetal industrializado, conforme categorização de risco fitossanitário estabelecido em norma específica

O Mapa, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento publicou nesta terça-feira (22), no Diário Oficial da União, a Portaria nº 177 que estabelece os novos procedimentos e critérios para emissão do Certificado Fitossanitário na exportação e na importação de vegetais, partes vegetais, produtos de origem vegetal e outros artigos regulamentados para o Brasil.

Com a atualização, a norma passa a permitir o atendimento das mais diversas exigências estabelecidas por países importadores. Entre as novidades, tem-se a adoção de procedimentos relativos à exportação de produtos vegetais que envolvam transbordo em países vizinhos. Esses procedimentos visam atender a demanda de exportadores brasileiros e sul-americanos que utilizam a Bacia do Prata para escoar a produção de grãos e cereais.

Outra novidade na nova norma trata-se das disposições relacionadas à Certificação Fitossanitária na importação de produtos vegetais, estabelecendo formas e limites para comprovar que as exigências brasileiras foram cumpridas integralmente pelos países exportadores.

Veja o Capítulo II que trata da Exigência e Uso do Certificado Fitossanitário, o CF:

Art. 4º O CF será emitido observando o requisito fitossanitário estabelecido pela ONPF do país importador, para atestar a conformidade fitossanitária do envio de vegetais, partes de vegetais, produtos de origem vegetal e outros artigos regulamentados exportados pelo Brasil.
§ 1º Os requisitos fitossanitários de exportação, quando conhecidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, serão disponibilizados em sua página eletrônica oficial.
§ 2º Na ausência de informações sobre os requisitos fitossanitários do país importador, poderá ser emitido o Certificado Fitossanitário, sem declaração adicional, obedecidas as demais exigências desta Portaria.
§ 3º A emissão do CF nas condições previstas no § 2º é condicionada à comprovação, pelo exportador, que houve consulta à ONPF do país importador há pelo menos 05 (cinco) dias antes da solicitação da certificação fitossanitária do envio, eximindo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento de responsabilidade sobre qualquer medida fitossanitária implementada pelo país importador decorrente da insuficiência da certificação fitossanitária.
§ 4º O não atendimento das condições previstas no caput e nos § 2º e § 3º deste artigo impedirá a emissão do CF.

Art. 5º Não será emitido CF para o produto de origem vegetal industrializado ou que, devido ao processamento a que foi submetido, não ofereça risco de veicular praga, conforme categorização de risco fitossanitário estabelecido em norma específica.
Parágrafo único. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento poderá autorizar a emissão de CF para os produtos constantes do caput quando houver requisito fitossanitário da ONPF do país importador, desde que o requisito fitossanitário possa ser atendido, sem prejuízo do disposto no art. 4º desta Portaria.

Art. 6º Os requisitos fitossanitários estabelecidos pela ONPF do país importador serão contemplados no campo ‘Declaração Adicional’ do CF, atestando a conformidade fitossanitária do envio.

Art. 7º A inspeção visual realizada pelo Auditor Fiscal Federal Agropecuário autorizado será suficiente para declarar a conformidade com os requisitos fitossanitários estabelecidos pela ONPF do país importador.

Art. 8º A fiscalização federal poderá solicitar, para fundamentar o atendimento do requisito fitossanitário relacionado com o campo de produção, tratamento fitossanitário com fins quarentenários ou diagnóstico fitossanitário, a seguinte documentação adicional:
I – Permissão de Trânsito de Vegetais (PTV), quando o requisito fitossanitário para a praga estiver relacionado com a área de produção do produto que compõe o envio;
II – Certificado Fitossanitário de Origem (CFO) ou Certificado Fitossanitário de Origem Consolidado (CFOC), quando o requisito fitossanitário para a praga estiver relacionado com a área de produção do produto que compõe o envio, nos casos em que a emissão do CF for realizada na mesma unidade federativa de produção ou quando autorizado pelo Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento;
III – Certificado de tratamento, emitido por empresa credenciada junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento;
IV – Laudo laboratorial, constando dados que permitam a identificação do envio, emitido por Laboratório Federal de Defesa Agropecuária ou laboratório de diagnóstico fitossanitário público ou privado credenciado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; e
V – Declaração emitida pelo Responsável Técnico, inscrito no Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem), para requisito fitossanitário relacionado com a produção e tratamento de sementes e mudas.
Parágrafo único. Os custos decorrentes da análise laboratorial, realizada por Laboratório Federal de Defesa Agropecuária ou laboratório de diagnóstico fitossanitário público ou privado credenciado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, do tratamento fitossanitário com fins quarentenários ou de outra medida fitossanitária prescrita pela fiscalização federal é de responsabilidade do interessado.

Veja a Portaria nº 177 completa e saiba mais sobre a Certificação Fitossanitária Internacional.

Com informações do Mapa.

Quem nos trata como filhos, merece todo o amor e respeito

22 DE ABRIL. DIA DA MÃE TERRA.

da Redação

O Dia da Terra é para lembrar que a luta em defesa da natureza e a sua importância para o desenvolvimento da consciência ambiental são decisivos para a sobrevivência do planeta e dos seus 8 bilhões de habitantes

A mãe Terra com seus seis sextilhões de massa, abriga em toda a sua crosta, bilhões e bilhões de espécies e subspécies de animais e plantas, todos vivendo em perfeito equilíbrio desde a sua formação geológica há 4 bilhões de anos.

Mas apesar de ser o único lugar do nosso sistema solar capaz de nos acolher e nos proteger, o lar onde vivemos, a Terra segue sendo agredida e degradada diariamente em todos os seus ecossistemas, acelerando a chegada do problemas criados a partir do aumento do efeito estufa e as mudanças climáticas decorrentes deste fenômeno causado, em grande parte, pela civilização moderna.

Por isso, a agricultura familiar, como representante maior da produção alimentar agroecológica, tem o dever de dar o exemplo nos cuidados com a biosfera terrestre, protegendo a atmosfera e outros fatores abióticos do planeta, permitindo a proliferação de organismos aeróbicos, bem como a formação de uma camada de ozônio, a qual, em conjunto com o campo magnético terrestre, bloqueia radiação solar prejudicial, permitindo a vida no planeta.

As propriedades físicas do planeta, bem como sua história geológica e órbita, permitiram que a vida persistisse durante este período. Acredita-se que a Terra ainda viverá 1 bilhão de anos até ser pulverizada pela ação do Sol que vai morrer neste tempo, engolindo os planetas rochosos durante sua expansão (o que inclui a Terra, que será devastada no processo).

Enquanto este tempo quase infinito não chega, as próximas gerações precisam ser protegidas e educadas nos cuidados ambientais.

São muitas medidas e ações que precisam ser tomadas diariamente, como:

Economizar água, evitando o seu desperdício.

Substituir as lâmpadas comuns pelas fluorescentes.

Usar a energia com economia.

Deixar o carro de lado e caminhar mais.

Plantar árvores e cultivar plantas.

Separar o lixo orgânico do lixo reciclável.

Diminuir o uso de combustíveis fósseis.

Promover hortas coletivas nas áreas urbanas.

Cuidar dos animais de rua e da fauna silvestre.

Encontrar-se com a natureza.

A agroecologia e sua importância na preservação da Terra

Veja os principais benefícios que o sistema agroecológico pode oferecer buscando a sustentabilidade do planeta

  1. Produção Sustentável
    Nos sistemas agroecológicos o objetivo é trabalhar a terra de modo que ela permaneça sempre produtiva e não que seja usada ao máximo até seu esgotamento. Dessa forma, são considerados todos os recursos envolvidos no ciclo da agricultura: plantas, animais, minerais e microrganismos. A integração desses elementos naturais reduz a dependência de insumos externos, o que reduz os custos econômicos dos produtores. A produção sustentável, portanto, traz resultados permanentes, estáveis e a longo prazo.
  2. Trabalho Justo
    O método de produção agroecológico tem como consequência a promoção de boas condições de trabalho para o trabalhador rural, isso porque não há o manuseio de substâncias químicas perigosas, além de que o conhecimento dessas pessoas em práticas de cultivos tradicionais é um bom aliado nesse sistema, portanto, é valorizado. O fortalecimento da agricultura familiar é um outro aspecto promovido pela agroecologia, que se baseia na mão de obra familiar e em sistemas produtivos complexos, adaptados às condições locais, o que promove a fixação do homem à terra.
  3. Preservação do meio ambiente
    A prática agroecológica promove a manutenção da biodiversidade e a estabilidade natural dos ecossistemas. Também, favorece a reciclagem de nutrientes importantes para a formação dos solos, ou seja, tem a capacidade de recuperar e manter a fertilidade dos solos. Ainda, preserva os recursos naturais através da utilização racional.
  4. Evita o uso de agroquímicos
    Na agroecologia ocorre a substituição de fertilizantes artificiais por adubos naturais, de modo a reduzir a contaminação de solos e águas superficiais e subterrâneas. Também não se utilizam os pesticidas que também podem eliminar organismos vivos do solo e afetar o equilíbrio dos ecossistemas. Ao contrário, no sistema agroecológico tenta-se entender os sistemas complexos e diversos da natureza e aprender com eles para que se obtenha maior produtividade com o mínimo de insumos externos.
  5. Não utiliza transgênicos
    A utilização de sementes transgênicas é insustentável, pois incentiva o uso de insumos externos por serem mais resistentes às substâncias. Os transgênicos também podem provocar a perda de biodiversidade quando da contaminação de sementes transgênicas com as não transgênicas. Também não se sabe ao certo se o uso prolongado de alimentos transgênicos pode causar alterações na saúde humana.

*Fonte: Instituto Jurumi
http://www.institutojurumi.org.br/p/doe.html

Suinocultura sustentável, mais uma atividade agroecológica dominada pela agricultura familiar

da Redação

O último Censo Agropecuário de 2017 mostra que 51,4% da produção brasileira de suínos pertencem ao setor agrofamiliar; cadeia produtiva da suinocultura nas pequenas propriedades é de alta sustentabilidade.

A suinocultura é um sistema produtivo e reprodutivo que exige muita disciplina de cada produtor. É um trabalho duro, de muito conhecimento técnico, da nutrição à saúde dos animais, sempre na busca da melhor qualidade da produção.
O sistema de integração suinícola se organiza com o envolvimento de outros atores da sustentabilidade: a atividade exige pouca área de terra, ajuda na produção leiteira pelo uso dos dejetos dessa produção, contribui na adubação do pasto e na produção de grãos. O resultado é a ausência de impacto ambiental da suinocultura familiar.
O resultado é a ausência de impacto ambiental na suinocultura familiar, um diferencial que pode resultar em maior renda para os produtores e na oferta ao mercado de um produto totalmente agroecológico.

Diferente do sistema convencional intensivo ou industrial, a produção familiar não permite a mistura de leitões de diferentes fêmeas, o que gera menos estresse para os animais, além de melhor sanidade e bem-estar para eles, reduzindo perdas na produção.

Utilizando técnicas como a da cama sobreposta, também conhecida por “deep bedding” – desenvolvida pela Embrapa Suínos e Aves -, a produção de suínos torna-se mais econômica para o pequeno produtor, pois evita a compra de remédios usados em tratamentos preventivos e proporciona maior conforto aos animais.

A suinocultura permite aos pequenos agricultores a diversificação da produção, diminuindo os riscos de se ter apenas uma atividade como principal fonte de renda. Por este prisma, o agricultor familiar toma iniciativas práticas sobre todo o processo apoiado também em culturas consorciadas, aumentando as chances de sucesso econômico.

Na última década, a suinocultura brasileira teve um crescimento significativo em volume de exportações, participação no mercado mundial, número de empregos diretos e indiretos, entre outros. Atualmente, o consumo de carne suína por pessoa é de 15 quilos ao ano no Brasil, enquanto na Europa a média passa dos 40 quilos per capita. Ou seja, potencialmente a atividade ainda tem muito para crescer no país. E os agricultores familiares são os protagonistas desta evolução.

CONAFER realizará o webinário “O poder do feminino na agroecologia” para celebrar o mês da mulher

De 8 a 10 de março, das 19h as 20h, acontecerá, no canal da TV CONAFER no Youtube, o webinário “O poder do feminino na agroecologia”. O evento tem por finalidade debater o trabalho das mulheres na agroecologia e o sagrado feminino – através de saberes ancestrais compartilhados pelas convidadas dos painéis.

O evento conta com 3 painéis. O primeiro painel, no dia 08 de março abordará “Os ciclos da natureza e do sagrado feminino”. No dia 09, o segundo painel é das “Guardiãs de sementes dos biomas do Brasil”. Pra fechar, no último dia, 10 de março, o painel abordará “A força da mulher e os ODS”.

Confira abaixo a nossa programação:

Mata Atlântica. A segunda maior floresta em extensão do Brasil

da Redação

Um dos biomas mais ricos do planeta e o mais ameaçado do país, é formado por planaltos e serras, e sua área corresponde a 15% do território brasileiro

Cerca de 70% da população brasileira vive em áreas de Mata Atlântica. Também por isso o bioma é muito importante tanto em termos econômicos quanto ecológicos. As formações florestais encontradas na Mata Atlântica ajudam, por exemplo, na regulação do clima e na proteção do solo.

O bioma abriga sete das nove maiores bacias hidrográficas brasileiras e diversos ecossistemas associados, como manguezais, restingas, campos de altitude e brejos interioranos. Essa variedade é resultado das variações climáticas e de relevo verificadas ao longo do extenso litoral.

A Mata Atlântica está localizada ao longo de toda a costa litorânea que vai do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, abrangendo todo o território dos estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro e de Santa Catarina, além de parte do território de Alagoas, Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, São Paulo e Sergipe.

Porém, esse é também o bioma mais devastado do nosso país e, por isso, atualmente sua vegetação corresponde a apenas 12,4% da mata original, segundo a Fundação SOS Mata Atlântica – sendo que cerca de 80% da área preservada está localizada em propriedades privadas.

Com diferentes formações vegetais e ecossistemas associados, que se destacam por sua grande biodiversidade, o bioma inclui várias espécies que só são vistas ali, como o mico-leão-dourado. Contudo, essa biodiversidade corre extremo risco, pois a maior parte dos animais ameaçados de extinção vive na Mata Atlântica.

Agroecologia familiar atua pela sobrevivência do bioma

Existem diversas iniciativas em andamento para recuperação da Mata Atlântica. Um exemplo é o da criação de Áreas de Preservação Ambiental (APAs) dentro de pequenas propriedades de agricultores familiares. Essas áreas são apoiadas por uma legislação rígida e fiscalização intensiva dos cidadãos. Desta forma, a agricultura familiar se apresenta como fator fundamental para promoção da segurança alimentar e nutricional e, ao mesmo tempo, da gestão dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável.

A Constituição Federal de 1988 estabelece a Mata Atlântica como patrimônio nacional, em conjunto com a Floresta Amazônica brasileira, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a zona costeira. A derrubada da mata primária é proibida.

Outro modelo que tem contribuído para a recuperação do bioma é o dos sistemas agroflorestais (SAF), que associam culturas agrícolas com espécies arbóreas e de diferentes extratos para arranjos produtivos mais compatíveis com a conservação do ambiente natural. Sistemas agroflorestais possibilitam produzir alimentos e, ao mesmo tempo, melhorar as condições do solo, reduzir as perdas de água no processo produtivo, contribuir para o controle de pragas e doenças, promover paisagens mais heterogêneas e processos produtivos mais sustentáveis

Um estudo sobre a percepção das comunidades rurais quanto ao uso econômico de espécies da Mata Atlântica mostrou que mesmo as espécies mais amplamente conhecidas não são vistas como fontes de renda. No entanto, uma análise da CEDAGRO – Centro de Desenvolvimento do Agronegócio, de 2018 sobre o potencial para comercialização das espécies frutíferas da Mata Atlântica evidenciou demanda de consumo estimada em 5.525.981 kg de frutos in natura por ano.

Apesar do amplo potencial de uso das espécies nas indústrias alimentícia, farmacêutica e de cosméticos, poucas têm sido utilizadas na agricultura. Isso pode estar relacionado com a falta de conhecimento técnico de manejo e do mercado de espécies nativas. Por outro lado, a inclusão de espécies nativas em SAF está diretamente relacionada com a sua viabilidade financeira.

Outros usos econômicos da Mata Atlântica estão no turismo ecológico e nas plantas medicinais como espinheira-santa e caixeta. Além da exploração de árvores e frutas nativas do bioma, como: jabuticabeira, goiaba, araçá, pitanga, caju, cambuci, erva-mate, pau-brasil, juçara, bromélias, orquídeas, pinheiro-do-paraná, jatobá, gabiroba e palmiteiro.

A preservação do bioma está diretamente relacionada com o resgate e preservação da cultura das comunidades tradicionais e dos povos indígenas, entre os quais estão: Wassu, Pataxó, Tupiniquim, Gerén, Guarani, Krenak, Kaiowa, Nandeva, Terena, Kadiweu, Potiguara, Kaingang, guarani M’Bya e Tangang.

Caatinga: o bioma mais rural do Brasil

A agricultura familiar é o segmento econômico que mais gera empregos e renda na região; atividade agroecológica atua decisivamente na preservação ambiental de todo o bioma com 32% dos estabelecimentos agropecuários do país

Foto: Rogério Cunha

O bioma mais ruralizado do país ocupa uma área de aproximadamente 800 mil km², que corresponde a cerca de 70% da região Nordeste e 11% do território nacional. Ele é exclusivamente brasileiro, e o nome “Caatinga”, de origem tupi-guarani, significa “floresta branca”. Uma referência à cor predominante da vegetação durante a estação de seca, quando quase todas as plantas perdem as folhas para diminuir a transpiração e evitar a perda da água armazenada. No período das chuvas, as folhas ficam verdes e as flores voltam a brotar.

As características do ecossistema da Caatinga é de mata clara e aberta, com clima semiárido marcado por períodos extensos de seca e poucas nascentes, abrangendo os territórios de oito estados do Nordeste: Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe, além do norte de Minas Gerais. A Caatinga possui cerca de 178 espécies de mamíferos, 591 espécies de aves, 177 espécies de répteis, 79 espécies de anfíbios; 241 espécies de peixes; 221 espécies de abelhas e mais uma imensa diversidade de fauna e flora.

Foto: Wikipédia

27 milhões de pessoas habitam a Caatinga. Grande parte delas, cerca de 40%, depende dos recursos do bioma para sobreviver. É a região mais ruralizada do Brasil: 32% dos estabelecimentos agropecuários brasileiros estão localizados aí.

Entretanto, lamentavelmente, a Caatinga é um dos biomas mais degradados, concentrando mais de 60% das áreas propensas à desertificação. Atualmente, as principais causas de desmatamento estão associadas à extração inadequada de mata nativa para a produção de lenha e carvão vegetal. O impacto reflete na fertilidade do solo, na extinção de espécies da fauna e flora e, portanto, na piora da qualidade de vida da população. Essas práticas já levaram à devastação de 45% da área do bioma.

Agricultura familiar no resgate da Caatinga

Ibaretama-CE: sistema silvipastoril para criação de floresta consorciado com a pecuária. Foto: Rafael Tonucci/Embrapa

Ao todo, há no bioma 1,6 milhão de propriedades, sendo 75% delas de no máximo 20 hectares. A Caatinga é, essencialmente, agricultura familiar: pessoas que vivem de pequenos estabelecimentos e têm a agropecuária como principal atividade. Ao longo do ano, de acordo com as safras, os agricultores também coletam espécies nativas para se alimentar, vender ou processar, com destaque para o umbu e a carnaúba, como forma de complementar a renda.

A resiliência dos povos que habitam a Caatinga tem nas práticas agroecológicas a força para o sustento, e que se reflete também na luta para que os grandes projetos de irrigação não se apropriem de áreas tradicionalmente ocupadas pela agricultura familiar.

No horizonte, Rio São Francisco serve de canal de irrigação para lavouras que se formam na divisa da Bahia com Pernambuco, principalmente na região de Juazeiro e Petrolina. Foto: Fotos: Jonathan Campos/Gazeta do Povo

Existem muitas experiências de populações tradicionais e agricultores familiares que vivem na Caatinga e investem em um manejo diferenciado e sustentável do solo. Estas experiências têm demonstrado que é possível a convivência com as características menos favoráveis à agricultura, por meio de um cultivo variado de grãos, legumes e frutas, além de uma agropecuária com tecnologia, pois muitas propriedades já trabalham no melhoramento genético dos seus rebanhos. Assim, a agricultura familiar da Caatinga preserva os recursos naturais, ao mesmo tempo em que ajuda no desenvolvimento deste segmento econômico responsável por 10% do PIB do país.

Vinho de Pernambuco em meio a Caatinga, parreiras repletas de frutos. Foto: Diário do Turismo

Secretário de Comunicação da CONAFER participa de Live com grupo de agroecologia do IFPR

No dia 1 de dezembro, o Secretário de Comunicação da CONAFER, Lucas Titon, participou de uma live no Instagram do @agroeco_vida_ifpr, uma página de um grupo de pesquisadores e estudantes de Agroecologia do Instituto Federal do Paraná. Entre os temas abordados na conversa, o secretário fala um pouco sobre o trabalho da confederação, agricultura familiar e relação com o poder público.

Confira abaixo: