CARBONO ZERO: estoques de carbono nos solos brasileiros serão mapeados em programa da Embrapa

da Redação

Foram lançados nesta quarta-feira (27), no âmbito do Programa Nacional de Levantamento e Interpretação de Solos do Brasil (PronaSolos), os novos mapas de estoque de carbono orgânico dos solos brasileiros. O material é uma importante ferramenta para subsidiar políticas públicas relacionadas às mudanças climáticas e à diminuição da emissão dos Gases de Efeito Estufa (GEEs), com gestão eficiente dos recursos naturais. Conhecer a distribuição do carbono nos solos do Brasil, nas diferentes regiões, estados, municípios, biomas e nas fronteiras agrícolas é fundamental para a definição de estratégias e direcionamento de políticas públicas, principalmente aquelas cuja temática está ligada à descarbonização da agricultura e recarbonização do solo, como o Plano ABC+ e o programa Águas do Agro, ambos do Mapa

Por meio desse trabalho, desenvolvido pela equipe de pesquisadores da Embrapa Solos, em parceria com a Embrapa Agricultura Digital, será possível identificar quais são as áreas potenciais no Brasil para a prática de economia verde, o que impactará positivamente no cumprimento dos compromissos brasileiros para a mitigação das mudanças climáticas.

O secretário adjunto de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação do Mapa e representante da coordenação do Comitê Estratégico do PronaSolos, Cleber Soares, destacou a importância dos solos para a agropecuária. “O maior patrimônio do produtor rural chama-se o solo que ele é responsável. É por meio dos nossos solos que produzimos alimentos, fibras, energia e outras funcionalidades derivadas da agricultura. Neste momento, é oportuno apresentarmos e disponibilizarmos esses mapas, porque é o momento em que o mundo discute e clama, cada vez mais, por uma agenda de sustentabilidade. E os solos são um dos maiores reservatórios de carbono da natureza. Então, nós precisamos conhecer mais e de forma profunda os nossos solos”.

Ao aproximar os mapas de Estoque de Carbono do Solo do Brasil de 2017 e de 2020 é possível perceber a melhoria na qualidade da imagem, o que otimizará a utilização dos dados

Os novos mapas apresentam informações inéditas no país ao fornecerem um retrato detalhado do carbono orgânico estocado no solo brasileiro até a profundidade de 2 metros, na resolução espacial de 90 metros (escala equivalente entre 1:250.000 e 1:100.000). Além disso, as informações de carbono até 1 metro de profundidade estão destrinchadas em cinco camadas: 0-5 cm; 5-15 cm; 15-30 cm; 30-60 cm; e 60-100 cm de profundidade. Esse detalhamento mostra a evolução do levantamento com relação aos mapas anteriores, divulgados em 2017, cuja análise foi realizada a 0-30 cm de profundidade, na resolução de 1 km.

Dentre as variáveis utilizadas para geração dos mapas estão as de relevo, como índice de fundo de vale plano, elevação e índice de rugosidade do terreno, e também as de clima, como precipitação média anual, temperatura do quadrimestre mais frio e radiação solar.

Os novos conjuntos de mapas estão disponíveis para consulta e download no Portal de Dados do PronaSolos (SigWeb). O ambiente virtual reúne, em um sistema de informações geográficas, mapas e dados de solos produzidos pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e permite o cruzamento entre alguns desses produtos, a partir das seleções solicitadas pelo usuário. 

 >> Clique aqui para acessar o Portal de Dados do PronaSolos (SigWeb)

Segundo a chefe-geral da Embrapa Solos, Maria de Lourdes Brefin, os solos têm um papel decisivo nas mudanças climáticas. “Esses mapas têm muito a ver com essa linha de base, com esse conhecimento dos

Especialmente para esse momento tão importante antes da COP 26 e onde os solos agrícolas devem ser parte da solução de mitigação das mudanças climáticas”.

De acordo com Brefin, os solos funcionam tanto como fonte quanto como sumidouro de carbono. “São fonte de CO² quando são mal manejados e quando transmitem para a atmosfera Gases de Efeito Estufa. E o seu papel mais importante é como sumidouro, é sequestrar esse carbono da atmosfera e estabilizá-lo na matéria orgânica do solo”, disse Brefin.

O solo é um dos cinco reservatórios de carbono do ecossistema terrestre, juntamente com a biota, oceanos, atmosfera e formações geológicas. “Se você somar biota e atmosfera, o solo tem mais carbono do que esses dois juntos. Na verdade, 2/3 de todo o pool de carbono estão no solo. Então, cabe a nós pesquisadores, aos agricultores e aos tomadores de decisão gerar ações e políticas públicas que possam manter e aumentar a matéria orgânica do solo e manter no solo esse carbono”, ressaltou a chefe-geral da Embrapa Solos.

Distribuição

A distribuição espacial do estoque de carbono no solo pode variar de acordo com o tipo de solo, o clima, o material geológico que formou o solo e, especialmente, em função do uso e manejo do solo. Quanto maior o conteúdo de matéria orgânica de um solo, maior o seu poder de sequestrar o carbono.

Os mapas foram gerados com o uso de metodologia de Mapeamento Digital de Solos e computação de alto desempenho a partir de dados organizados pela equipe de projeto da Embrapa Solos intitulado “Mapas Nacionais de Atributos do Solo: Contribuição ao PronaSolos, GlobalSoilMap e Aliança Mundial pelo Solo”.

De acordo com os mapas apresentados pelo chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Solos, Gustavo Vasques, a região da Amazônia e o Sul do Brasil possuem uma maior quantidade de estoque de carbono. “Tem um grande bolsão nas serras do Sul, onde tem solos formados com material mais rico, formado de basalto, e solos formados em altitude, em locais planos e de altitude. Esse ambiente propicia o acúmulo de carbono, porque a degradação é mais lenta, por causa do frio, e, ao mesmo tempo, tem uma boa produção de massa vegetal. Na Amazônia, a produção de massa vegetal e a produtividade primária são muito grandes. Então, apesar de ter um clima quente e com muita chuva, que promove a degradação, a ciclagem de nutrientes é muito grande, o que faz o carbono acumular”.

Em contraponto, a concentração de carbono é menor nos solos do Pantanal e da Caatinga. “O Pantanal tem solos mais arenosos. Então, apesar de ter uma quantidade de solos alagados, esses solos acumulam muito pouco, porque não têm material argiloso onde esse carbono pode ficar retido, onde a matéria orgânica é retida. Então, ela é perdida nas chuvas. A Caatinga é outro exemplo onde você tem estoques baixos, porque com pouca chuva você produz pouca vegetação. Como você não tem vegetação aportando carbono e matéria orgânica, esses solos, ao longo de milhares de anos, acumularam pouco carbono”, disse Vasques.

Ao comparar os mapas de estoque de carbono de 2017 e 2021, a 0-30 cm, o chefe de pesquisa da Embrapa Solos avaliou que o Brasil está no caminho certo. “Me chama a atenção o fato de que o estoque total, de mais ou menos 36 bilhões de toneladas de carbono, é bastante similar entre 1 km e 90 m. O que nos traz uma consciência de que estamos acertando no alvo, pelo menos de uma forma global. Esse estoque é 5% do estoque global de carbono de 0-30 cm e o Brasil é o país tropical de destaque, pelo seu tamanho, entre os países do mundo, contribuindo para o estoque global”.

O PronaSolos é o maior programa de investigação do solo brasileiro, que visa consolidar a integração de dados e colaborar com o avanço do conhecimento dos solos no país. Sua criação teve início em 2015, quando foi constituído um grupo de trabalho coordenado pela Embrapa Solos e composto por pesquisadores de outras unidades da Embrapa, do Mapa, do IBGE, da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (SBCS), da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), da Universidade Federal do Piauí (UFPI), da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e da Universidade Federal de Lavras (UFLA), que formularam o documento base para a criação do programa.

O PronaSolos foi oficializado com a assinatura do Decreto nº 9.414, de 19 de junho de 2018, e a sua estrutura de governança, que possui comitês Estratégico e Executivo, foi instituída pelo Decreto nº 10.269, de 6 de março de 2020. Por um período de 30 anos, o programa tem a missão de fomentar o conhecimento sobre os solos brasileiros, a partir do mapeamento de todo o território nacional, envolvendo instituições parceiras dedicadas à investigação, documentação, formação de profissionais, sistematização das informações de ciências do solo, incremento na realização de inventários e interpretação dos dados de solos brasileiros. O objetivo é mapear os solos de 1,3 milhão de km² do país nos primeiros dez anos e mais 6,9 milhões de km² até 2048.

Atualmente, o PronaSolos conta com a cooperação de mais de 40 instituições públicas e privadas que se uniram em um desafio continental para uma melhor gestão dos solos do Brasil. A partir do detalhado conhecimento sobre os solos, disponibilizados em uma única plataforma tecnológica, a iniciativa busca proporcionar o aumento da usabilidade dos dados e informações, aprimorando a aplicação dos conhecimentos.

As informações levantadas pelo PronaSolos contribuirão para a potencialização da produtividade agrícola, otimização da expansão urbana, prevenção de riscos e catástrofes, valorização de terras e concessão de crédito agrícola. Especialmente para a agricultura, os resultados do programa poderão permitir que se conheça onde estão as áreas mais aptas para o crescimento sustentável da produção agrícola e pecuária no território nacional. Com informações do Mapa e da Embrapa.

Embrapa Pesca e Aquicultura lança plataforma inédita para integrar todo o segmento

da Redação

Em comemoração aos seus 12 anos, a Embrapa Pesca e Aquicultura, oficializa nesta sexta-feira 13, a entrega em evento virtual do GeoWeb do SITE Aquicultura, uma plataforma de dados que vai integrar todo o país em um mesmo sistema, o que é uma revolução no acesso às informações geográficas, pois permite visualizar, sobre o mapa do Brasil, centenas de dados sobre o segmento: associações de aquicultores, laboratórios de formas jovens, fábricas de ração e de gelo, empresas de consultoria na área, de produtos para sanidade, de equipamentos, unidades de beneficiamento e até instituições de ensino com cursos na área. “Trata-se de um sistema inédito, não existem informações georreferenciadas, padronizadas e organizadas sobre aquicultura no Brasil. Não há nenhum banco que compile essas informações”, explicou a geógrafa Marta Ummus, da Embrapa Pesca e Aquicultura, que lidera o projeto

O SITE Aquicultura reúne dados de 12 instituições, como IBGE, ANA e Ministério da Agricultura, além de secretarias estaduais do Meio Ambiente. Eles estão dispostos em 296 camadas de informação em seis quadros.

A geóloga Lucíola Magalhães, chefe-adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Territorial, conta que o projeto do SITE Aquicultura surgiu para resolver um problema: a ausência de dados estruturados sobre o setor.

O GeoWeb do SITE Aquicultura será lançado durante evento virtual de comemoração dos 12 anos da Embrapa Pesca e Aquicultura, que será transmitido no perfil da Embrapa no YouTube a partir das 10h de 13 de agosto. O site apresenta dados de produção de 24 espécies aquícolas. O usuário vai poder consultar os números nacionais ou de uma unidade da federação e visualizá-los no mapa. “Será possível analisar as informações considerando todas as variáveis desses diferentes quadros que contribuem ou não para o desenvolvimento da atividade”, complementa Marta Ummus.

Acompanhe aqui o lançamento do GeoWeb do SITE Aquicultura


Aquicultura e suas diversas culturas de produção

A aquicultura consiste no cultivo de organismos cujo ciclo de vida em condições naturais se dá total ou parcialmente na água, ou seja, é o cultivo de pescado em ambientes propícios. Pode ser tanto continental (água doce) como marinha (água salgada), esta chamada de maricultura.

A atividade abrange as seguintes especialidades: iscicultura (criação de peixes, em água doce e marinha) e malacocultura (produção de moluscos, como ostras, mexilhões, caramujos e vieiras). A criação de ostras é conhecida por ostreicultura e a criação de mexilhões, por miticultura; carcinicultura (criação de camarão em viveiros); algicultura (cultivo de macro ou microalgas); ranicultura (criação de rãs); e criação de jacarés.

Maricultura

A Maricultura é uma ramificação da aquicultura que consiste no cultivo de organismos marinhos (algas, crustáceos, peixes, moluscos, etc) em água salgada, ou seja, no mar. Ela envolve as seguintes especialidades: ostreicultura (cultivo de ostras) e miticultura (cultivo de mexilhões).

Espécies mais cultivadas em cada região: Norte – Tambaqui e pirarucu; Nordeste- Camarão e tilápia; Sudeste- Tilápia, truta, moluscos bivalves; Centro-Oeste- Tambaqui, surubim, pacu e pintado; Sul – Carpas, tilápia e moluscos bivalves.

Com 12% da água doce disponível do planeta, um litoral de mais de oito mil quilômetros e ainda uma faixa marítima, ou seja, uma Zona Econômica Exclusiva (ZEE), equivalente ao tamanho da Amazônia, o Brasil possui enorme potencial para a aquicultura.

Águas da União

A aquicultura em Águas da União, ou seja, em águas que banham mais de um estado da federação, fazem divisa com algum outro estado ou fronteira com outros países, depende de uma cessão de uso das águas. Ela é necessária porque a água é um recurso natural de domínio público, de valor econômico, essencial à vida. Para que todos tenham acesso à água e a usem de forma sustentável, cabe ao Poder Público a regulação desse bem, tanto em águas continentais, marinhas e nos estabelecimentos rurais.

Com informações do Canal Rural e do Mapa.

PESQUISA EMBRAPA: milho doce ganha armadilha biológica para o agricultor não amargar perdas com mosca-da-espiga

da Redação

Pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo, de Sete Lagoas, em Minas Gerais, utilizaram uma técnica inovadora na cultura do milho doce para controlar uma das piores pragas dessa espécie: a mosca-da-espiga. Neste processo de controle ecológico, eles utilizaram armadilhas nas lavouras para atrair as fêmeas adultas do inseto, impedindo a sua reprodução; o milho doce tem excelente mercado no Brasil, e dos cerca de 36 mil hectares cultivados, praticamente 100% da produção é destinada ao processamento industrial para consumo humano, especialmente para fabricação de milho enlatado, com movimentação em torno de R$ 550 milhões por ano

O milho doce é uma variedade de milho com alto teor de açúcar, resultado de uma mutação recessiva que ocorre naturalmente nos genes que controlam a conversão de açúcar em amido dentro do endosperma do caroço de milho. Enquanto o milho verde normal tem em torno de 3% de açúcar e 60 a 70% de amido, o milho doce tem de 9 a 14% de açúcar e de 30 a 35% de amido.

Com alta demanda industrial, o milho doce pode ser comprado enlatado no mercado, usado muitas vezes com a ervilha no preparo de diferentes receitas, como acompanhamento em diferentes pratos, em um simples cachorro-quente, e no preparo de outros ingredientes, como pastas e patês. Por esta versatilidade é muito utilizado na culinária. Portanto, o milho doce tem bastante mercado, mas assim como toda cultura, controlar as pragas e doenças, torna-se sempre fator decisivo entre o lucro ou o prejuízo. E o controle biológico é aliado fundamental neste resultado final em que se deseja um produto lucrativo e 100% agroecológico.

Técnica de controle ecológico mostra bom resultado contra praga do milho doce

O método consiste em utilizar armadilhas McPhail nas lavouras para atrair as fêmeas adultas da mosca, impedindo a sua reprodução. Já é usado com sucesso no monitoramento da mosca-da-fruta. As pesquisas na Embrapa Milho e Sorgo, de Minas Gerais, comprovaram que a tecnologia é uma alternativa viável de controle de pragas do milho, pois a cultura é muito suscetível aos insetos fitófagos (que se nutrem de matérias vegetais) em praticamente todas as fases de desenvolvimento, incluindo os grãos na espiga, um local de difícil acesso aos métodos tradicionais de controle no milho convencional.

Danos causados em produção de milho doce pelo ataque da mosca-da-espiga.

Se não houver controle, em menos de uma semana, as larvas eclodem e imediatamente começam a se desenvolver, inicialmente nos estilo-estigmas. Depois, as larvas passam a se alimentar do grão em formação, permanecendo nesse local até a colheita da espiga. Os danos nos estilo-estigmas podem impedir a fertilização, provocando falhas e reduzindo o número de grãos. E os danos diretos nos grãos reduzem a produtividade e a qualidade dos produtos. Quando associados aos ocasionados por microrganismos fitopatogênicos, são as principais causas de depreciação do produto, especialmente para a agroindústria.

Nenhum método de controle de pragas, seja biológico ou químico, era eficaz no combate à mosca-da-espiga. Com esta tecnologia, temos a sustentabilidade como valor principal agregado à produção industrial. No caso do controle por pesticidas, o engenheiro-agrônomo e analista do setor de Transferência de Tecnologia da Embrapa Milho e Sorgo, Sinval Lopes, afirma que “o problema da mosca-da espiga é agravado quando ocorrem várias tentativas de controlar a praga com inseticidas químicos. O alto número de pulverizações aumenta a concentração de resíduos químicos no produto final. E resíduos de pesticidas acima dos limites máximos permitidos por lei constituem uma barreira às exportações de alimentos processados”.

Armadilhas usam atraente alimentar para capturar os insetos

A pesquisa foi realizada em uma lavoura de milho doce, irrigada por pivô central, na Embrapa Milho e Sorgo. Foram utilizadas 12 armadilhas McPhail contendo como atraente alimentar uma proteína hidrolisada de milho. As armadilhas foram distribuídas em uma área aproximada de 8 mil metros quadrados cultivados com milho doce. As fêmeas são então atraídas em busca do alimento e não conseguem sair da emboscada.

Técnica de controle biológico da mosca-da-espiga que usa armadilhas McPhail nas lavouras para atrair as fêmeas adultas da mosca, impedindo a sua reprodução

Em estudo prévio, foi observada a existência de duas espécies de mosca, Euxesta eluta e Euxesta mazorca (esta citada pela primeira vez no Brasil), e ambas, especialmente as fêmeas, são atraídas para as armadilhas McPhail, bem antes da presença de estilo-estigmas no milho, o local preferido para a postura.

Experimento bem-sucedido: fêmeas na armadilha e poucos danos aos grãos

Na área do experimento com o uso da armadilha McPhail, o controle de pragas foi realizado também para as lagartas Spodoptera frugiperda e Helicoverpa. A presença delas na espiga pode atrair a mosca-da-espiga, mostrando relação de infestação entre diferentes pragas.

Todas as armadilhas receberam atrativos alimentares. Em seguida, foram realizados os tratamentos e as coletas necessários para análise. A cada 10 dias, todos os insetos capturados eram contados e separados por espécie e sexo. Apenas as moscas Euxesta eluta e Euxesta mazorca foram encontradas.

Segundo o engenheiro-agrônomo, a ocorrência de machos das duas espécies nas armadilhas foi insignificante em todas as épocas de avaliação, comparado com o número de fêmeas. Tal fato pode ser explicado pela necessidade de alimentação da fêmea antes da oviposição.

Diante dos bons resultados obtidos pela pesquisa, a armadilha McPhail, contendo atrativos alimentares, é uma alternativa viável para controlar a mosca-da-espiga. A inovação da pesquisa com o uso da armadilha McPhail mostrou eficácia no controle biológico de fêmeas adultas da Euxesta e, por isso, tem potencial para suprir a falta de métodos adequados para controlar os danos causados à cultura do milho doce.

Com informações do portal da Embrapa

AGROPECUÁRIA SUSTENTÁVEL: bioinsumos tem curso gratuito à distância com inscrições até 27 de julho

da Redação

De agosto a setembro de 2021, acontece o primeiro curso sobre produção e controle de qualidade de bioinsumos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o Mapa. As aulas acontecerão de forma 100% online, as vagas são ilimitadas e os participantes receberão certificado; bioinsumos ou insumos biológicos, são produtos feitos a partir de microrganismos vegetais, orgânicos ou naturais, aplicados no combate às pragas e doenças, melhorando a fertilidade e nutrição das plantas, e por isso são a nova aposta da agropecuária sustentável em um cenário de crescente busca por processos agroecológicos acompanhados de ganhos de produtividade

O controle biológico na agropecuária do século XXI consiste na potencialização do uso de organismos ou de substâncias de ocorrência natural para prevenir, reduzir ou erradicar a infestação de pragas e doenças nas plantações. É a agropecuária sustentável, produtiva e ambientalmente equilibrada, apoiando-se em práticas que promovam a biodiversidade e os processos biológicos naturais. Por esta razão, o interesse pelos bioinsumos tem se tornado cada vez maior e deve garantir ao Brasil a liderança mundial no setor.
Os principais bioinsumos são à base de microrganismos (vírus, bactérias e fungos), mas também existem vários macro-organismos (insetos benéficos, predadores, parasitóides, ácaros predadores etc), semioquímicos (feromônios) e bioquímicos, todos muito interessantes na busca por uma produção agrícola mais dinâmica e 100% sustentável. O controle biológico no século XXI consiste na potencialização do uso de organismos ou de substâncias de ocorrência natural para prevenir, reduzir ou erradicar a infestação de pragas e doenças nas plantações.

O que são os bioinsumos?

Segundo o decreto N° 10.375, em que foi criado o Programa Nacional de Bioinsumos, o PNB, são considerados bioinsumos, quaisquer produtos, processos ou tecnologias de origem vegetal, animal ou microbiana destinados à produção, armazenamento e beneficiamento de produtos agropecuários, abrangendo os sistemas de:

Produção agrícola;
Pecuária;
Aquícola;
Florestas.

Esses produtos proporcionam melhor crescimento, desenvolvimento e mecanismos de respostas no metabolismo dos animais, plantas e microrganismos. Com isso, temos uma diversidade de produtos que podem ser conhecidos como bioinsumos, como por exemplo:

Inoculantes;
Promotores de crescimento de plantas;
Biofertilizantes;
Produtos para nutrição vegetal e animal;
Defensivos biológicos;
Produtos fitoterápicos, entre outros.

Sobre o setor de bioinsumos

Enquanto no exterior o setor cresce a uma taxa de 15% ao ano, no Brasil o mercado já apresenta taxa anual de 28% de crescimento em bioinsumos no segmento de proteção de plantas. O setor movimenta R$ 1 bilhão no país e tem grande potencial de expansão no uso para os próximos anos.

Curso tem parceria Mapa e Embrapa

O Mapa desenvolveu o curso em parceria com a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia como parte de um dos Objetivos do Conselho Estratégico do Programa Nacional de Bioinsumos. Serão 20h de capacitação com o objetivo atender a uma crescente demanda por profissionais capacitados em boas práticas de produção de bioinsumos no país.
O curso é disponibilizado via plataforma de ensino da Escola Nacional de Gestão Agropecuária (Enagro) e atende a diferentes perfis, como técnicos, extensionistas, alunos de graduação e pós-graduação, produtores rurais. Durante a capacitação, o aluno compreenda os conceitos relacionados a controle biológico, será capaz de identificar as diferentes bactérias do gênero Bacillus utilizadas em controle de pragas e doenças agrícolas, conhecerá os passos para produzir e formular bioinsumos a base de bactérias do gênero bacillus e as metodologias para garantir o seu controle de qualidade.

Faça aqui a sua inscrição

Com informações do Mapa.

NO PIAUÍ, SAFER DE JOSÉ DE FREITAS INVESTE NA SOBERANIA ALIMENTAR COM O PREMIADO SISTEMINHA

da Redação
 
O Sisteminha Embrapa – Sistema de Produção Integrada Alternativa de Alimentos -, projeto ganhador do Prêmio Innovagro 2014, da Rede de Gestão de Inovação do Setor Agroalimentício – Rede Innovagro, no México, tem agora mais uma comunidade brasileira se beneficiando das suas vantagens. Júlio Cesar Chaves, coordenador da CONAFER e presidente da FAFER no Piauí, falou que a proposta de implantar o Sisteminha Embrapa em José de Freitas, 48km de Teresina, é uma grande vitória na busca permanente pelo desenvolvimento sustentável da agricultura familiar da região.

 
O projeto que o SAFER de José de Freitas implantou é o primeiro desta modalidade no Nordeste, e foi realizado a partir do Pronaf com 20 famílias da Comunidade Jacaré. “Foi um trabalho em parceria com o IFPI, Instituto Federal do Piauí, que ajudou na elaboração do projeto e ensinou aos agricultores como fazer o Sisteminha. Além da contribuição da EMATER que ajudou na emissão do DAP”, afirmou Júlio Chaves.
Sobre o Sisteminha de José de Freitas, cada tanque de peixe tem 10 mil litros de água ao custo de 700 reais por família. Com este valor, compra-se a bomba para fazer a filtragem da água e a oxigenação dos peixes, além do material para a sua construção: areia, brita e cimento. A mão de obra fica por conta da Comunidade. A capacidade de cada tanque é de 150 peixes, e em 4 meses os peixes já atingem uma média de 400g. Na época do verão com a escassez de água, o Sisteminha oferece as condições para uma alimentação de toda a família e a água do tanque é aproveitada para irrigar as plantas pela sua riqueza orgânica.

Com esta conquista, o SAFER de José de Freitas contribui para a soberania alimentar de toda a Comunidade Jacaré, cumprindo mais uma das atribuições da CONAFER no fomento da agricultura familiar no Brasil.

Ministério da Agricultura quer privatizar e conceder mais de 100 imóveis

FONTE: Canal Rural
Por lei, o dinheiro arrecadado iria para o Tesouro Nacional, mas a ministra Tereza Cristina quer que pelo menos 40% do valor fique na pasta

Mais de cem propriedades do Ministério da Agricultura serão privatizadas, concedidas ou doadas. Entre elas, o terreno da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), fazendas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e armazéns da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A negociação está nas mãos do Ministério da Economia e, por lei, o dinheiro arrecadado deve ser destinado ao Tesouro Nacional, mas a ministra Tereza Cristina quer que pelo menos 40% do valor fique na pasta. A decisão fica a cargo do Congresso. O comentarista Miguel Daoud responde se isso é um bom negócio e se pode trazer benefício aos cofres públicos.

Embrapa lança plataforma pioneira e firma parcerias para impulsionar a agricultura digital

FONTE: Cafeicultura

Uma plataforma pioneira no Brasil vai disponibilizar informações e modelos gerados pela Embrapa que poderão ser utilizados por empresas e startups para a criação de softwares e aplicativos móveis para o setor agropecuário, com redução de custo e de tempo.

A AgroAPI Embrapa foi lançada no dia 29 de abril, durante a 26ª edição da Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação – Agrishow, em Ribeirão Preto (SP). Além do lançamento da plataforma, foram assinadas novas parcerias com a iniciativa privada que visam alavancar o mercado de tecnologias em agricultura digital e contribuir para a oferta de novos produtos para o agronegócio.
Presente no evento, o presidente da Embrapa, Sebastião Barbosa, exaltou o papel fundamental dos parceiros na tarefa de levar ao usuário final os resultados da pesquisa da Empresa. A solenidade aconteceu no primeiro dia da Agrishow, considerada a maior feira de tecnologia agrícola do Brasil, e contou ainda com a participação do deputado federal Arnaldo Jardim. “Tudo aquilo que se festeja na Agrishow hoje deve muito, deve sempre à Embrapa, ao nosso investimento em pesquisa e à capacidade de inovação”, ressaltou ele. Além de parabenizar pelas novas parcerias na área de agricultura digital, o deputado destacou as iniciativas de cooperação entre as Unidades da Embrapa e os institutos paulistas de pesquisa.
A plataforma AgroAPI contempla desde informações sobre cultivares e produtividade até zoneamentos agrícolas, úteis em soluções para o planejamento e monitoramento da produção e a gestão do risco agrícola. Os dados são acessados de forma totalmente virtual por meio de APIs (Interface de Programação de Aplicativos, na tradução do inglês) – um conjunto de padrões e linguagens de programação que possibilitam, de maneira automatizada, a comunicação entre sistemas diferentes. Elas são responsáveis pelo funcionamento de diversos recursos utilizados no dia a dia, como por exemplo em aplicativos de mobilidade, sites de comércio eletrônico e redes sociais.
Segundo Silvia Massruhá, chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária (Campinas, SP), Unidade responsável pela tecnologia, a AgroAPI tem potencial para ser uma plataforma de compartilhamento de dados, informações e modelos sobre a agricultura brasileira, capaz de envolver todo o setor produtivo. “Estados Unidos, França e Austrália já possuem modelos colaborativos de inovação como esse. A AgroAPI Embrapa é mais uma oportunidade concreta para impulsionar a agricultura digital no País, agregando mais valor à produção agropecuária brasileira”. O acesso à plataforma poderá ser gratuito, para uma versão degustação, ou pago de acordo com volume de requisições de APIs. O endereço é www.embrapa.br/agroapi.
Crédito inteligente
Uma das primeiras empresas a utilizar a plataforma AgroAPI, a startup GIRA – Gestão Integrada de Recebíveis do Agronegócio assinou um acordo de cooperação técnica com a Embrapa com o objetivo de aprimorar um aplicativo de celular que vai apoiar operações do mercado de crédito agrícola. Por meio da AgroAPI, a empresa terá acesso a modelos de produtividade para as culturas da soja, milho, arroz, feijão e trigo, além de uma série temporal de dados orbitais para monitoramento da vegetação. Essas informações vão servir para aperfeiçoar as análises de produtividade das lavouras financiadas e as previsões de safra geradas pelo sistema criado pela startup, auxiliando no processo de tomada de decisão na concessão e acompanhamento do crédito rural.
Gianpaolo Zambiazi, diretor da GIRA, explicou que a tecnologia busca individualizar a área de produção para oferecer crédito inteligente, que tenha por fim aumentar a produtividade. “O que vamos fazer é transformar os dados disponibilizados pela Embrapa em aplicação. Isso não seria possível sem uma base de informações confiável”, completou. A GIRA foi uma das empresas selecionadas, em 2018, pelo programa Pontes para Inovação, uma iniciativa da Embrapa e Cedro Capital de fomento ao empreendedorismo, voltada para startups que almejam crescer com a adoção de tecnologias da Embrapa.
Conectividade no campo
A Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP), o Instituto de Pesquisas Eldorado e a Claro S/A assinaram a formalização de um termo de cooperação que visa estabelecer parceria entre as três empresas para viabilizar modelos de conectividade, tecnologias e plataformas para atender demandas da produção agropecuária. A ação visa estruturar meios para a execução de projetos de pesquisa com diversas culturas anuais e perenes em áreas do campo experimental da Embrapa em Jaguariúna (SP), no sentido de desenvolver tecnologias, testes, metodologias e soluções de inovação para a captação de diferentes parceiros, com ênfase em bioeconomia e internet das coisas (IoT). Esse novo modelo de negócio foi denominado “Condomínio Inovar”.
O termo foi assinado pelo superintendente do Instituto Eldorado, Roberto Stephanes Soboll, pelo diretor de IoT da Claro S/A, Eduardo Polidoro de Souza, pelos chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, Marcelo Morandi, e pela chefe-adjunta de Transferência de Tecnologia, Ana Paula Packer. Morandi explica que serão implementadas soluções de conectividade que vão transformar o campo experimental da Embrapa em um laboratório onde diversos parceiros terão oportunidade de desenvolver novas tecnologias em agricultura digital. “O Condomínio Inovar será um ambiente aberto para aprimoramento e colocação de novos produtos no mercado, a fim de trazer competitividade para o agronegócio”, completou.
Ressonância Magnética Nuclear
A Agrishow também marcou a assinatura da parceria entre a Embrapa Instrumentação (São Carlos, SP) e a empresa Fine Instrument Technology (FIT), envolvendo o desenvolvimento de equipamento e método para análise de frutas, carnes, sementes e produtos industrializados por meio de ressonância magnética nuclear (RMN). Juntas, as duas instituições estão associando o emprego de metodologias de RMN ao desenvolvimento de aparelhos com diferentes aplicações na agropecuária.
Durante a Agrishow, serão demonstradas no estande da Embrapa análises em tempo real da qualidade de grãos que fazem parte de importantes cadeias produtivas, como a soja e o amendoim. Sem destruir a amostra, é possível, por exemplo, conhecer o teor de óleo desses grãos em segundos. No amendoim, também serão realizadas análises da umidade, proteína e teor de óleo oleico, conhecido como ômega 9, fundamental na síntese dos hormônios. De acordo com o chefe-geral da Embrapa Instrumentação, João Naime, o desenvolvimento do equipamento é um excelente exemplo de como o conhecimento em ciência básica evoluiu para uma inovação. Participaram da solenidade de assinatura da parceria, além do chefe da Embrapa, os sócios da FIT Daniel Consalter e Silvia de Azevedo.

Ministério da Agricultura cria grupo para melhorar meteorologia agrícola

FONTE: Canal Rural

A equipe foi criada para formular políticas agrícolas de seguro rural, garantia de safra e zoneamento agrícola de riscos climáticos

O Ministério da Agricultura criou um grupo de trabalho para diagnosticar e propor o aprimoramento da atuação dos seus serviços de meteorologia agrícola. A equipe foi criada no âmbito da Secretaria de Política Agrícola e será composto por membros da própria secretaria, do Instituto Nacional de Meteorologia, da Embrapa, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), da Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenaseg) e da Federação Nacional das Empresas de Resseguros.

Na portaria, assinada pelo secretário de Política Agrícola, Eduardo Sampaio Marques, é citado que o grupo de trabalho poderá convidar representantes de outros órgãos ou entidades públicas ou privadas para participar das reuniões.

“A coordenação do grupo de trabalho será realizada pelos representantes da Secretaria de Política Agrícola e do Instituto Nacional de Meteorologia”, diz o texto publicado no Diário Oficial da União (DOU).

O grupo terá um prazo de 75 dias para apresentar propostas que servirão a vários setores, como a formulação de políticas agrícolas, de seguro rural, agricultura familiar, financiamento de safra, garantia de safra, zoneamento agrícola de riscos climáticos, entre outros.