ZARC DO MILHO SEGUNDA SAFRA: consórcio com braquiária tem novo zoneamento de risco climático

da Redação

O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a cultura de milho segunda safra foi publicado nesta quarta-feira (18) no Diário Oficial da União pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Fundamentais para uma condução eficiente das lavouras brasileiras no campo, um desses zoneamentos recém-elaborados é do cultivo consorciado de milho segunda safra com braquiária.A produção de milho no Brasil se caracteriza pela divisão em duas épocas de plantio. O plantio de verão, ou primeira safra, é realizado na época tradicional, durante o período chuvoso, que varia entre fins de agosto, na região Sul, até os meses de outubro/novembro, no Sudeste e Centro-Oeste (no Nordeste, esse período ocorre no início do ano). Mais recentemente, tem aumentado a produção obtida na safrinha ou segunda safra. A safrinha refere-se ao milho de sequeiro, plantado extemporaneamente, em fevereiro ou março, quase sempre depois da soja precoce, predominantemente na região Centro-Oeste e nos estados do Paraná, São Paulo e Minas Gerais. Verifica-se, nas últimas safras, um decréscimo na área plantada no período da primeira safra, que tem sido compensado pelo aumento dos plantios na safrinha e pelo aumento do rendimento agrícola das lavouras de milho

Foi feito um ajuste do ciclo de cultivo do milho em função da variação das temperaturas neste período de segunda safra. “O ajuste do ciclo de cultivo do milho em função da variação das temperaturas neste período de segunda safra pode ser considerado o principal aperfeiçoamento deste estudo, especialmente para os estados das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul (PR), onde se concentram as maiores produções”, afirma Balbino Evangelista, geógrafo e analista de Pesquisa da Embrapa no Tocantins. Ele é um dos líderes dos trabalhos com Zarc na empresa.

O geógrafo explica que, por conta do grande efeito da temperatura no alongamento do ciclo do milho safrinha, foram realizadas avaliações de riscos para ciclos variáveis, com duração de 100 até 180 dias. No estudo anterior, essa análise estava restrita a ciclos de 100 até 120 dias. Como consequência, aumentou a quantidade de municípios contemplados dentro de níveis de riscos aceitáveis e foi possível ajustar as janelas de plantio em regiões críticas, seja para maior ou para menor período. Alguns municípios situados em regiões mais frias do Sul e do Sudeste do país tiveram a janela reduzida.

Entre 22 e 24 de setembro, aconteceram reuniões virtuais de validação junto a diferentes agentes da cadeia produtiva de valor de quatro estados: Paraná; Mato Grosso do Sul; Minas Gerais; e São Paulo. Profissionais como técnicos da extensão rural, consultores, produtores, pesquisadores e agentes financeiros tiveram acesso aos resultados do zoneamento que, após discussões técnicas, foram validados com pequenos ajustes.

Zarc 50% não será implementado

Com o atraso de plantio do milho segunda safra na última safra, plantada a partir de janeiro de 2020, diversas instituições solicitaram ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento uma prorrogação da data de plantio da cultura. Por se tratar de instrumento técnico-científico, não havia como flexibilizar datas sem prévio estudo da Embrapa.
No entanto, visando demonstrar quais munícipios do Brasil poderiam ter mais um decêndio de plantio no milho de segunda safra com uma nova classe de risco de 50%, a Embrapa, a pedido do Mapa, desenvolveu as pesquisas, que foram apresentadas às instituições demandantes, que declinaram da criação do Zarc de 50%.

Havia riscos de não atender muitos dos municípios que apresentaram atraso de plantio em 2020, ou seja, a maioria da regiões apresentou risco de insucesso superior a 50% quando acrescentado um decêndio (dez dias) a mais de período de plantio. Além disso, uma possível exposição de um risco muito alto de perdas por problemas climáticos e representaria uma elevação dos custos do sistema de seguro rural e Proagro.

Para que serve o Zarc?

O zoneamento tem o objetivo de reduzir os riscos relacionados aos problemas climáticos e permite ao produtor identificar a melhor época para plantar, levando em conta a região do país, a cultura e os diferentes tipos de solos.

O modelo agrometeorológico considera elementos que influenciam diretamente no desenvolvimento da produção agrícola como temperatura, chuvas, umidade relativa do ar, ocorrência de geadas, água disponível nos solos, demanda hídrica das culturas e elementos geográficos (altitude, latitude e longitude).
Os agricultores que seguem as recomendações do Zarc estão menos sujeitos aos riscos climáticos e ainda poderão ser beneficiados pelo Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e pelo Programa de Subvenção ao prêmio do Seguro Rural (PSR). Muitos agentes financeiros só liberam o crédito rural para cultivos em áreas zoneadas.

Aplicativo Plantio Certo

Produtores rurais e outros agentes do agronegócio podem acessar por meio de tablets e smartphones, de forma mais prática, as informações oficiais do Zarc, facilitando a orientação quanto aos programas de política agrícola do governo federal. O aplicativo móvel Zarc Plantio Certo, desenvolvido pela Embrapa Informática Agropecuária (Campinas/SP), está disponível nas lojas de aplicativos: iOS e Android
Os resultados do Zarc também podem ser consultados e baixados por meio da plataforma “Painel de Indicação de Riscos”

Com informações do Mapa.

ZARC DO MILHO: sai zoneamento agrícola de um dos produtos mais importantes da agricultura familiar

da Redação

Das quatro culturas agrícolas mais produzidas pelos agricultores familiares, o milho tem um valor especial, pois além da subsistência das famílias e da sua comercialização como fonte de renda aos pequenos produtores, ele é o principal insumo para a produção de aves e suínos, além de sua importância estratégica para a segurança alimentar do brasileiro ao longo das últimas décadas. Por isso, é importante para o setor agrofamiliar se ater às publicações do Zarc, o Zoneamento Agrícola de Risco Climático publicado pelo Ministério da Agricultura e Abastecimento, o Mapa. Nesta quarta 15 de setembro, o Zarc do milho foi publicado com destaque para regiões Norte e Nordeste, orientando as culturas milho de 1ª safra, consórcio milho com braquiária e algodão herbáceo. O zoneamento tem o objetivo de reduzir os riscos relacionados aos problemas climáticos e permite ao produtor identificar a melhor época para plantar, levando em conta a região do país, a cultura e os diferentes tipos de solos

O Zarc utiliza um modelo agrometeorológico considerando elementos que influenciam diretamente no desenvolvimento da produção agrícola, como temperatura, chuvas, umidade relativa do ar, água disponível nos solos, demanda hídrica das culturas e elementos geográficos (altitude, latitude e longitude).

Os agricultores que seguem as recomendações do Zarc estão menos sujeitos aos riscos climáticos e ainda poderão ser beneficiados pelo Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e pelo Programa de Subvenção ao prêmio do Seguro Rural (PSR). Muitos agentes financeiros só liberam o crédito rural para cultivos em áreas zoneadas.

O Zarc foi aprovado para cultivo do milho de 1ª safra em AL, CE, PB, PE, RN, SE, AP, AM, PA e RR; cultivo do consórcio milho com braquiária de 1ª safra em AL, CE, PB, PE, RN, SE e RR; cultivo do algodão herbáceo em AL, CE, PB, PE, RN, SE, AP, PA e RR.

Aplicativo Plantio Certo

Produtores rurais e outros agentes do agronegócio podem acessar por meio de tablets e smartphones, de forma mais prática, as informações oficiais do Zarc, facilitando a orientação quanto aos programas de política agrícola do governo federal. O aplicativo móvel Zarc Plantio Certo, desenvolvido pela Embrapa Informática Agropecuária (Campinas/SP), está disponível nas lojas de aplicativos: iOS e Android.

Os resultados do Zarc também podem ser consultados e baixados por meio da plataforma “Painel de Indicação de Riscos”

O milho e sua importância na agricultura familiar

A maior parte do milho que abastece os municípios brasileiros é produzido pela agricultura familiar. O milho é cultivado em todo o Brasil, tanto na agricultura familiar quanto nas grandes empresas agropecuárias, estando presente em todas as cadeias produtivas de animais.

No início de seu cultivo, o milho era utilizado basicamente para a subsistência humana. Com o decorrer do tempo foi ganhando importância e transformou-se no principal insumo para a produção de aves e suínos, além de sua importância estratégica para a segurança alimentar do brasileiro ao longo das últimas décadas.

A produção do milho representa cerca de 30% do total de grãos produzidos no mundo. Os maiores produtores são os EUA, China, Brasil, União Européia, México e Argentina. No Brasil, os Estados que se destacam na produção do cereal são: Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

A cultura do milho ocupa posição de destaque entre as atividades agropecuárias do Brasil por ser a mais frequente nas propriedades rurais e pelo seu valor de produção, superado apenas pelo da soja. O milho é, ao mesmo tempo, importante fonte de renda para os agricultores e relevante insumo (matéria-prima) para os criadores de aves, suínos, bovinos e outros animais, compondo parcela majoritária das rações.

O milho é produzido do Norte ao Sul do Brasil, com características e sistemas de produção diferentes. Por ser uma cultura que é cultivada em pequenas propriedades, uma parcela importante do milho colhido destina-se ao consumo ou transformações em produtos para consumo na própria fazenda. Porém, o aumento na eficiência dos sistemas de produção de aves e suínos, as características dos produtos demandados pelos consumidores urbanos e as quantidades necessárias para atingir escalas mínimas que compensem o transporte para os centros consumidores, reduziram a capacidade de competição da pequena produção de milho.

A produção de milho, no Brasil, tem-se caracterizado pela divisão em duas épocas de plantio. O plantio de verão, ou primeira safra, é realizado na época tradicional, durante o período chuvoso, que varia entre fins de agosto, na região Sul, até os meses de outubro/novembro, no Sudeste e Centro-Oeste (no Nordeste, esse período ocorre no início do ano).

Mais recentemente, tem aumentado a produção obtida na safrinha ou segunda safra. A safrinha refere-se ao milho de sequeiro, plantado extemporaneamente, em fevereiro ou março, quase sempre depois da soja precoce, predominantemente na região Centro-Oeste e nos estados do Paraná, São Paulo e Minas Gerais. Verifica-se, nas últimas safras, um decréscimo na área plantada no período da primeira safra, que tem sido compensado pelo aumento dos plantios na safrinha e pelo aumento do rendimento agrícola das lavouras de milho.

O milho no contexto da integração lavoura-pecuária (ILP)

Embora realizados em uma condição desfavorável de clima, os sistemas de produção da safrinha têm sido aprimorados e adaptados a essa condição, o que tem contribuído para elevar os rendimentos das lavouras também nessa época. A cultura do milho destaca-se também no contexto da integração lavoura-pecuária (ILP) devido às inúmeras aplicações que o cereal têm dentro da propriedade agrícola na alimentação animal, na forma de grãos ou de forragem verde ou conservada (rolão, silagem) ou na geração de receita, mediante a comercialização da produção excedente.

O ponto importante são as vantagens comparativas do milho em relação a outros cereais ou fibras no que diz respeito ao seu consórcio com capim nos projetos de ILP. Uma dessas vantagens é a competitividade no consórcio, visto que as plantas de milho exercem, depois de estabelecidas, grande pressão de supressão sobre as demais espécies que crescem no mesmo local.

Embora existam várias plantas forrageiras anuais e perenes que servem para a produção de silagem, o milho é uma das culturas mais utilizadas para essa finalidade no Brasil, por apresentar um bom rendimento de matéria verde, excelente qualidade de fermentação e manutenção do valor nutritivo da massa ensilada, conferindo baixo custo operacional de produção, além da boa aceitabilidade por parte dos animais.

O milho é a forragem mais tradicional por apresentar condições ideais para a confecção de uma boa silagem, como o teor de matéria seca por ocasião da ensilagem entre 30% e 35%, mais de 3% de carboidratos solúveis na matéria original e baixo poder tampão.

O cultivo do milho verde é uma atividade praticamente exclusiva de pequenos e médios agricultores. O milho verde pode ser considerado uma hortaliça, em virtude do tempo de sua permanência no campo até o momento da colheita, que é de aproximadamente 90 dias.

Mais recentemente, com a possibilidade de incremento do valor agregado ao produto, a conservação ambiental e a baixa utilização de insumos, a produção orgânica pode se constituir em alternativa viável para o aumento da rentabilidade do setor agrícola. Pequenos e médios agricultores, assentamentos agrícolas, além de outros segmentos da cadeia produtiva, constituem o público que demanda tecnologias adequadas para o desenvolvimento da agricultura orgânica, haja visto que a grande maioria desses agricultores utiliza pouco ou nada de insumos modernos na produção e, por questão até de sobrevivência, praticam a diversificação na produção.

Nesse caso, se aplicam tanto a produção de alimentos consumidos diretamente pelo homem como a produção de alimentos para animais, possibilitando uma ampliação das cadeias produtivas de produtos orgânicos. O milho, pelas razões já expostas, é essencial em sistemas orgânicos de produção pela diversidade de uso e produtos gerados, pelas inúmeras possibilidades de sua participação em sistemas de rotação, sucessão e consorciação de culturas, além de ser essencial como matéria-prima para outras cadeias de produção orgânica, como carne, leite e ovos.

Com informações do Mapa, Wikipedia e fonte Portal da Embrapa com material dos autores: Israel Alexandre Pereira Filho, José Carlos Cruz e João Carlos Garcia.

Zoneamento agrícola do milho 1ª safra 2021/2022 contempla 17 estados

da Redação

Foram publicadas no Diário Oficial da União desta quarta-feira (9) as portarias 159 a 175, com o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), ano-safra 2021/2022, para o cultivo do milho de 1ª safra. Nesta publicação as unidades da federação contempladas foram: Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Maranhão, Piauí, Acre, Rondônia, Tocantins, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina

Segundo relatório da Embrapa, o milho está entre as principais culturas produzidas pelos núcleos de agricultura familiar do Brasil, sendo a participação do segmento agrofamiliar na produção em grãos de 12%, e se considerarmos as suas várias formas de cultura, como o milho verde, esta participação chega a 40%; cumprir as recomendações do Zoneamento Agrícola é obrigatório para o produtor ter acesso aos benefícios do seguro rural e Proagro.

O milho é a principal fonte de energia tanto para a alimentação humana e animal, sendo o principal componente da maioria das rações. A maior parte do milho verde que abastece os municípios brasileiros é produzido pela agricultura familiar. Vários fatores contribuem para a produtividade do milho (Zea mays L.), sendo os mais importantes a disponibilidade de água, a interceptação de radiação solar pelo dossel, a eficiência metabólica e de translocação de fotossintatos para os grãos.
Para a obtenção de boas produtividades a cultura do milho necessita de precipitação entre 500 a 800 mm de água, bem distribuídos durante o ciclo fenológico; temperatura média diária superior a 15ºC, livres de geadas, temperatura média noturna acima de 12,8ºC e abaixo de 25ºC; temperatura no período próximo e durante o florescimento, entre 15ºC a 30ºC e ausência de déficit hídrico.

Para que serve o ZARC, o Zoneamento Agrícola de Risco Climático?

O método de Zoneamento Agrícola de Risco Climático, o ZARC, desenvolvido pela Embrapa e parceiros, aplicado no Brasil oficialmente desde 1996, por meio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, proporciona a indicação de datas ou períodos de plantio/semeadura por cultura e por município, considerando as características do clima, o tipo de solo e ciclo de cultivares, de forma a evitar que adversidades climáticas coincidam com as fases mais sensíveis das culturas, minimizando as perdas agrícolas.

A tecnologia constitui-se, portanto, em uma ferramenta crucial para o apoio à tomada de decisão para o planejamento e a execução de atividades agrícolas, para políticas públicas e, notadamente, à seguridade agrícola. O zoneamento tem o objetivo de reduzir os riscos relacionados aos problemas climáticos e permite ao produtor identificar a melhor época para plantar, levando em conta a região do país, a cultura e os diferentes tipos de solos.

O modelo agrometeorológico considera elementos que influenciam diretamente no desenvolvimento da produção agrícola como temperatura, chuvas, umidade relativa do ar, ocorrência de geadas, água disponível nos solos, demanda hídrica das culturas e elementos geográficos (altitude, latitude e longitude).
Os agricultores que seguem as recomendações do ZARC estão menos sujeitos aos riscos climáticos e ainda poderão ser beneficiados pelo Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Além disso, muitos agentes financeiros só liberam o crédito rural para cultivos em áreas zoneadas.

Aplicativo Plantio Certo

Produtores rurais e outros agentes do agronegócio podem acessar por meio de tablets e smartphones, de forma mais prática, as informações oficiais do ZARC, facilitando a orientação quanto aos programas de política agrícola do governo federal. O aplicativo móvel ZARC Plantio Certo, desenvolvido pela Embrapa Informática Agropecuária (Campinas/SP), está disponível nas lojas de aplicativos: iOS e Android.

Os resultados do ZARC também podem ser consultados e baixados por meio da plataforma “Painel de Indicação de Riscos”

Veja aqui capacitação no ZARC Confira as portarias 159 e 175 publicadas no Diário Oficial da União desta quarta-feira, 9 de junho.

Com informações do Mapa e Embrapa.

SUSTENTABILIDADE NA AGROPECUÁRIA: Tecnologia consórcio milho e braquiária é contemplada pelo Zoneamento Agrícola 1ª safra 2021/2022

Foram publicadas no DOU as portarias do Zarc, Zoneamento Agrícola de Risco Climático, para cultivo consorciado Milho e Braquiária da 1ª safra 2021/2022; 16 estados foram contemplados: Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Maranhão, Piauí, Acre, Pará, Rondônia, Tocantins, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná

A sustentabilidade na agropecuária brasileira está relacionada com a integração de sistemas de produção, com a integração lavourapecuária (ILP), com a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e agricultura de baixa emissão de carbono (Plano ABC).

O consórcio milho-braquiária é uma tecnologia onde se cultivam as duas espécies juntas, tendo como objetivo a produção de grãos e palha de milho e palha ou pasto de braquiária, com inegáveis benefícios para a sustentabilidade da produção, principalmente se considerada a imprevisibilidade climática, típica da atividade agrícola. É uma tecnologia que permite a consolidação do Sistema Plantio Direto em áreas de Cerrado, com reflexos positivos sobre as culturas subsequentes, como a soja, e a conservação dos recursos naturais.

Tanto a pecuária quanto a agricultura brasileira se desenvolveram em sistemas extrativistas: a pecuária, com espécies forrageiras nativas ou naturalizadas, de baixo valor nutricional ou de baixa capacidade de suporte, como o capim-gordura (Melinis minutiflora P. Beauv.), capim-amargoso (Digitaria insularis (L.) Fedde), capimjaraguá (Hiparrhenia rufa (Nees) Stapf.), entre outros, enquanto a agricultura embasava-se em sistemas de monocultivo com intensa movimentação do solo.

O grande diferencial da braquiária é o de persistir em condições de solos ácidos e com baixa fertilidade, dando a impressão de que, uma vez implantada, duraria “eternamente produtiva”, o que passou a fazer parte da cultura da maioria dos pecuaristas brasileiros. Outro ponto importante das braquiárias foi a convivência com espécies nativas perenes e com os cupins de monte, e não ser atacada por doenças ou pragas, exceto a cigarrinha-das-pastagens (Deois flavopicta Stal) e percevejocastanho (Scaptocoris castanea).

No entanto, a crescente demanda por alimentos e a evolução tecnológica na produção passaram a caracterizar sistemas padronizados e simplificados de monocultivo. Além disso, com a mecanização do solo e o uso de agroquímicos e da irrigação, as atividades agrícolas, pecuárias e florestais passaram a ser realizadas de maneira intensificada, porém independentes e dissociadas, mostrando sinais de fragilidade, em virtude da elevada demanda por energia e recursos naturais.

Mesmo com as vantagens observadas pelos pecuaristas, com o passar do tempo percebeu-se que a maior parte dessas pastagens já nascia degradada e, portanto, não se acreditava mais que os bovinos pudessem engordar somente em sistema de pastejo com braquiária. Assim, novas opções tecnológicas foram surgindo para recuperar a produtividade das pastagens.

Ainda na década de 1960 foram criadas instituições de fomento, como o “Polocentro” (BITTAR, 2011); com isso, deu-se início à abertura da até então inóspita região do Cerrado. Naquela época, muitos produtores rurais, ao formarem suas pastagens com braquiária, notadamente a espécie B. decumbens, consorciavam essa espécie com o arroz de Consórcio Milho-Braquiária 19 sequeiro, pelo fato de que este também era adaptado a solos ácidos e de baixa fertilidade. Dessa forma, a combinação da agricultura com a pecuária foi denominada de integração lavoura-pecuária.

O Zarc indica os períodos de menor risco para o plantio

Com o zoneamento climático, reduz-se a probabilidade de ocorrerem problemas relacionados a eventos climáticos não desejáveis. O cultivo consorciado de plantas produtoras de grãos com forrageiras tropicais tem aumentado significativamente nos últimos anos nas regiões que apresentam inverno seco.

O zoneamento permite ao produtor identificar a melhor época para plantar, levando em conta a região do país, a cultura e os diferentes tipos de solos. O modelo agrometeorológico considera elementos que influenciam diretamente no desenvolvimento da produção agrícola como temperatura, chuvas, umidade relativa do ar, ocorrência de geadas, água disponível nos solos, demanda hídrica das culturas e elementos geográficos (altitude, latitude e longitude).

Os agricultores que seguem as recomendações do Zarc estão menos sujeitos aos riscos climáticos e ainda poderão ser beneficiados pelo Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e pelo Programa de Subvenção ao prêmio do Seguro Rural (PSR). Muitos agentes financeiros só liberam o crédito rural para cultivos em áreas zoneadas.

Aplicativo Plantio Certo

Produtores rurais e outros agentes do agronegócio podem acessar por meio de tablets e smartphones, de forma mais prática, as informações oficiais do Zarc, facilitando a orientação quanto aos programas de política agrícola do governo federal. O aplicativo móvel Zarc Plantio Certo, desenvolvido pela Embrapa Informática Agropecuária (Campinas/SP), está disponível nas lojas de aplicativos: iOS e Android

Os resultados do Zarc também podem ser consultados e baixados por meio da plataforma “Painel de Indicação de Riscos”

Com informações do Mapa

Com informações da Embrapa, publicação Consórcio Milho-Braquiária

Milho, a força do grão que alimenta a economia da agricultura familiar

da Redação

Metade da produção do milho brasileiro vem das propriedades de mais de 1 milhão de pequenos produtores; o país é o terceiro produtor mundial depois dos EUA e China

O milho é uma cultura fundamental para a agricultura familiar brasileira. Não à toa é uma das culturas que mais acessa créditos para investimento de custeio pelo  PRONAF, o Programa Nacional da Agricultura Familiar, além de ficar com boa parte do Seguro da Agricultura Familiar e também do seguro Garantia-Safra.

Atualmente o cultivo do grão está presente em todos os continentes, sendo os maiores produtores mundiais os EUA, China e Brasil. De acordo com o Conselho Internacional de Grãos – IGC, a produção mundial de milho em 2018/2019 foi de 1,126 bilhão de toneladas.
No Brasil, para além da produção em larga escala, o milho está presente na mesa, na cultura e nas plantações dos pequenos produtores rurais de Norte a Sul. 

Segundo o relatório do Crédito Rural no âmbito do Programa Nacional da Agricultura Familiar – Pronaf, divulgado pela Controladoria Geral da União – CGU, em janeiro de 2020, a agricultura familiar, que representa 90% da economia dos municípios brasileiros com até 20 mil habitantes e 40% da população economicamente ativa do país, é também responsável por 46% do milho produzido no Brasil.

A importância econômica do milho caracteriza-se pelas várias formas de consumo, desde a alimentação, a ração  animal até a indústria de alta tecnologia. O uso do milho em grão como ração representa a maior parte do consumo desse cereal, ou seja, aproximadamente 70% no mundo. 

Semente ancestral e principal fonte nutricional dos Povos Originários das Américas

O milho contribui para a segurança alimentar da humanidade há cerca de 7 mil anos. Seja em forma de grãos, cozido, assado, como farinha ou mingau, este importante alimento faz parte da história de subsistência e do desenvolvimento cultural da nossa civilização.

Os primeiros registros dão conta de seu cultivo em algumas ilhas próximas ao litoral do México e rapidamente se propagou por todo o país, tornando-se o principal ingrediente da culinária mexicana. Logo depois da chegada dos espanhóis e portugueses na América, no período das grandes navegações, o milho foi levado para a Europa, onde era plantado em jardins, até que seu valor alimentício foi reconhecido.

Existem diversas espécies de milho que variam de formato, cor e textura e que são classificados em cinco tipos: duro, doce, pipoca, dentado e mole. Em cada tipo de milho estão classificadas ainda variedades desse tipo. Cada um possui características próprias em seu grão, que é composto por um tecido rico em amido, podendo ser mole ou duro.

Da mesa às festas populares, um alimento sempre presente no dia a dia do brasileiro

O milho é considerado um dos alimentos mais nutritivos que existem e também muito versátil para consumir. Em forma de grãos secos é um cereal, fresco é considerado legume. E é justamente por causa dessa mutabilidade, que o milho protagoniza alguns dos principais pratos da culinária brasileira.

Em festas populares o milho é sempre um dos alimentos mais procurados, seja como curau, pamonha, canjica ou bolo de fubá. Ele também é encontrado em subprodutos, como óleos, xaropes e bebidas.

Rico em fibras, proteínas, vitamina A, vitaminas do complexo B, ferro, potássio, fósforo, cálcio e celulose, o milho é também utilizado na fabricação de pães, por ser uma boa fonte de carboidratos, ou seja, energia.

Devido a boa quantidade de fibras, estimula a melhora na função intestinal, além de ser uma ótima alternativa para pacientes celíacos, por não conter glúten, e para pacientes portadores de diabetes tipo 1 ou 2, por causa do seu baixo nível glicêmico.

A importância dos Povos Indígenas para a chegada do milho no Brasil

Seu nome, de origem indígena caribenha, significa “sustento da vida”, constituindo-se como a alimentação básica de várias civilizações importantes ao longo dos séculos, como os Maias, Incas, Astecas e Olmecas, que reverenciavam o cereal na arte e em seus rituais sagrados.

Durante muito tempo, acreditou-se que ele saiu do México completamente transformado. Mas uma investigação publicada na revista Science revela que o alimento chegou à Amazônia semidomesticado.

No Brasil, a difusão do milho aconteceu por meio diversos grupos étnicos, dada a experiência dos Povos Indígenas da Amazônia com o manejo de plantas, uma vez que já cultivavam abóbora, feijão e mandioca. Mas foram principalmente os Guarani os responsáveis pela cultura do “abati”, nome do milho em Tupi-Guarani, e que significa “cabelos dourados”.

O apoio da CONAFER para o crescimento da produção nas pequenas propriedades

Além de possibilitar o acesso ao crédito com a emissão de DAPs e garantir certificações de qualidade aos pequenos agricultores, a  Confederação tem levado e implantado por todo o Brasil o projeto ERA, a Estação Empreendedora Rural Agroecológica, elaborado pela SAER, a Secretaria Nacional de Agricultura e Empreendedorismo Rural. 

O projeto busca a regularização fundiária, escrituração e titularização de terras; fortalecimento do crédito para produção; garantia do comércio com valor agregado; modernização dos processos produtivos; fortalecimento do agricultor como produtor agrícola. O ERA oferece um leque de opções de culturas para o produtor implantar os módulos de produção, os Módulos ERA: Agrofloresta, Piscicultura, Leite Orgânico com criação de bovinos e ovinos, Apicultura, Centro de Capacitação, Culturas Vegetais e Estufa. Por meio do ERA, muitas propriedades têm desenvolvido projetos para a cultura do milho, melhorando a produção, aumentando os lucros, beneficiando a segurança alimentar e a economia do país.

Fotos ilustrativas de fontes desconhecidas

Contaminação recorde por agrotóxicos no Paraná atinge mais de 50 crianças

FONTE: Reporter Brasil
Nuvem de Paraquate, potencialmente fatal, intoxicou 96 pessoas, a maioria crianças que estavam em escola vizinha à área de plantação
Quase cem pessoas foram intoxicadas no início de novembro no município de Espigão Alto do Iguaçu com PARAQUATE, um agrotóxico que está proibido na Europa desde 2007. O pequeno município, de 5 mil habitantes, fica no centro-oeste paranaense, 356 quilômetros da capital, Curitiba.
Trata-se do caso com mais vítimas na história recente do estado, responsável por 17% da produção nacional de grãos como soja e milho, numa área correspondente a pouco mais de 2% do território brasileiro. Dos 96 afetados, 52 são crianças, a maioria alunos de uma escola rural que funciona colada à área agrícola onde o veneno estava sendo aplicado.
A médica Lilimar Regina Naldony Mori, chefe da Divisão de Vigilância em Saúde da Secretaria da Saúde do Paraná, responsável pelo atendimento, classificou os casos como intoxicação leve e aguda – qualquer efeito à saúde resultante da exposição a um agrotóxico dentro de 48 horas, segundo a Organização Mundial da Saúde.
Crianças e adultos que entraram em contato com a nuvem de PARAQUATE relataram sintomas como fortes dores de cabeça, estômago e barriga, tonturas e vômitos. Todos condizentes com os de intoxicação aguda pelo agrotóxico, segundo o pesquisador Luiz Cláudio Meirelles, especialista em agrotóxicos da Fiocruz e gerente-geral de Toxicologia da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de 1999 e 2012. “Essas são reações bem típicas de intoxicação aguda por PARAQUATE, que também pode causar irritações de pele e lesões, principalmente na mucosa e na língua”, diz.
De acordo com Lilimar, não houve necessidade de internação e os sintomas desapareceram em até dez dias.