DIA DA ÁRVORE: quem cuida de uma árvore, preserva a floresta inteira

da Redação

É da soma dos cuidados de cada um que vamos proteger o símbolo da vida na terra. Todos os dias acabamos destruindo muitas árvores com nossas ações civilizatórias. Um exemplo: uma família que consome 400 watts de energia elétrica por mês, locomove-se de carro diariamente por 20 km e produz 800 g de lixo por dia, precisa plantar anualmente 12 árvores para equilibrar estas ações poluidoras. Quem de nós está fazendo a sua parte? Governos, organizações civis e os cidadãos, todos precisam fazer sua parte. Em tempos de não ao marco temporal, de recordes de queimadas e das exportações ilegais de árvores, esta necessidade de cuidar é ainda mais dramática. A cada dia, menos árvores existem para sequestrar o carbono e devolver o oxigênio para a natureza. E só existe um jeito de mudar isso: integrando-se com o meio ambiente, respeitando os ecossistemas e preservando nossas florestas. Exatamente como fazem nossos povos indígenas há milhares de anos

O poeta Haroldo de Campos escreveu um dia: “A natureza é sábia e justa. O vento sacode as árvores, move os galhos, para que todas as folhas tenham o seu momento de ver o sol”. A inteligência de uma árvore vai muito mais do que imaginamos. Quando suas folhas estão secas, é porque a árvore fez migrar a água para o seu caule lenhoso e suas raízes. Assim ela não morre, e quando chover novamente, poderá ter suas folhas irrigadas e verdejantes. É assim que elas sobrevivem em pleno cerrado, ou na caatinga.  

Em média, uma árvore gera 117 kg de oxigênio anualmente. Duas árvores maduras geram oxigênio para uma família de 4 membros por 1 ano. Assim, o carbono estocado por árvore resulta em aproximadamente 130 kg CO2-eq para as árvores na Mata Atlântica e 222 kg CO2-eq para as árvores da Floresta Amazônica. O CO2 equivalente (CO2-eq), ou dióxido de carbono equivalente, é o resultado da multiplicação das toneladas emitidas de gases de efeito estufa pelo seu potencial de aquecimento global. Por exemplo, o potencial de aquecimento global do gás metano é 21 vezes maior do que o potencial do gás carbônico (CO2).

A cada 7 árvores, é possível sequestrar 1 tonelada de carbono nos seus primeiros 20 anos de idade. Com base nesta média é determinada a quantidade de árvores que serão necessárias para neutralizar as emissões dos Gases de Efeito Estufa (GEE). A produção de oxigênio por meio do processo de fotossíntese faz aumentar a umidade do ar graças à transpiração das folhas. As árvores evitam erosões, reduzem a temperatura e fornecem sombra e abrigo, contribuindo para a biodiversidade e para a redução da poluição do ar. As suas flores e frutos servem para alimentação humana e produção de remédios. E suas estruturas de caules, galhos e folhas são as casas de milhares de espécies de animais.

Não ao desmatamento e não às queimadas!

A expansão urbana e a falta de proteção em áreas rurais, faz com que as árvores sejam constantemente exterminadas, o que resulta em grandes áreas desmatadas, seja por meio do corte ou das queimadas. O desmatamento e as queimadas afetam diretamente a vida de toda a população, que passa a enfrentar erosões, assoreamento de rios, redução do regime de chuvas e da umidade relativa do ar, desertificação e perda de biodiversidade.

Esse dia é muito mais do que o ato simbólico de plantar uma árvore, portanto deve ser encarado como um momento de mudança de atitude e conscientização de que nossos atos afetam as gerações futuras. É importante também haver conscientização a respeito da importância política de se colocar o meio ambiente como prioridade, e assim desenvolver ações de Estado para combater a exploração ilegal e proteger nossas matas, florestas e bosques urbanos.

As árvores-símbolo de cada região do país

Castanheira, a árvore-símbolo da região Norte.

A castanheira-do-Brasil (Bertholletia excelsa), também conhecida como castanheira-do-Pará, é uma árvore alta e bela, nativa da Amazônia. Ela pode ser encontrada em florestas às margens de grandes rios, como o Amazonas, o Negro, o Orinoco e o Araguaia, mas está ameaçada de extinção. Apesar de estar presente em todos os nove países amazônicos (Brasil, Peru, Colômbia, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname, Venezuela e Guiana Francesa), atualmente só é abundante na Bolívia e no Suriname.

A castanheira é considerada vulnerável pela União Mundial para a Natureza (IUCN) e, no Brasil, aparece na lista de espécies ameaçadas do Ministério do Meio Ambiente. A principal causa para o risco de extinção é o desmatamento. No Brasil, castanhais são derrubados para a construção de estradas e barragens, para assentamentos de reforma agrária e para a criação de gado.

Normalmente atingem entre 30m e 50m de altura e de 1m a 2m de diâmetro, seu tronco é reto e os galhos se concentram na parte mais alta da árvore. A casca é acinzentada, e as folhas, que ficam acima da copa das outras árvores, têm de 20cm a 35cm de comprimento. O fruto da castanha leva mais de um ano para amadurecer, é mais ou menos do tamanho de um coco e pode pesar 2kg. A casca é muito dura e abriga entre 8 e 24 sementes, que são as apreciadas castanhas.

Carnaúba, a árvore símbolo da região Nordeste.

A carnaúba (nome científico Copernicia prunifera) é a palmeira sertaneja do Nordeste. Seu nome é derivado do tupi e significa árvore que arranha, por conta da camada de espinhos que cobre a parte inferior do caule. A planta nasce em solos arenosos, alagadiços, várzeas ou margens dos rios. O tom das folhas é verde, levemente azulado, em virtude da cobertura de cera. Estudos indicam que a cera natural é uma proteção da carnaúba para evitar a perda de água e, assim, adaptar-se bem as regiões secas, como a Caatinga.

A carnaúba chega a alcançar até 15 metros de altura. Seu caule reto e cilíndrico tem um diâmetro que varia de 10 a 20 centímetros. A árvore dá frutos no período que vai de novembro a março. São esverdeados quando jovens e ficam roxos quando amadurecem. Seus frutos são bem aproveitados para alimentar animais de criação. Já a polpa serve para a produção de farinha e extração de um líquido leitoso. A sua amêndoa também é usada em substituição ao pó de café. Para isso, basta ser torrada e moída. As folhas servem para fazer telhados de casas e as fibras viram sacos, cestos, redes.

Ipê-amarelo, a árvore símbolo da região Centro-Oeste.

O ipê-amarelo é encontrado em todas as regiões do Brasil e sempre chamou a atenção de naturalistas, poetas, escritores e até de políticos. Em 1961, o então presidente Jânio Quadros declarou o ipê-amarelo, da espécie Tabebuia vellosoi, como a Flor Nacional. Desde então o ipê-amarelo é a flor símbolo de nosso país.

As árvores denominadas ipê, são na verdade, várias espécies com características mais ou menos semelhantes, com flores brancas, amarelas ou roxas. Não há região do país onde não exista pelo menos uma espécie dele. As variedades de pequeno e médio porte são ideais para o paisagismo e a arborização urbana. A coloração das flores produz um belíssimo efeito tanto na copa da árvore como no chão das ruas, formando um tapete de flores contrastantes com o cinza das cidades.

Conhecidos pela sua resistência e durabilidade de sua madeira, os ipês foram muito usados na construção de telhados de igrejas dos séculos XVII e XVIII, que, se não fosse pelos ipês, muitas dessas construções teriam se perdido com o tempo. Sendo uma espécie caducifólia, o período da queda das folhas coincide com a floração que se inicia no final do inverno. Quanto mais frio e seco for o inverno, maior será a intensidade da florada do ipê amarelo. As flores desta espécie atraem abelhas e pássaros, principalmente beija-flores que são importantes agentes polinizadores.

Pau-brasil, a árvore símbolo da região Sudeste.

A árvore Pau-Brasil cujo nome científico é Caesalpinia echinata, é uma espécie nativa das florestas tropicais brasileiras, presente no bioma da Mata Atlântica, se estendendo desde o litoral do Rio Grande do Norte até o Rio de Janeiro. Também é conhecido por outros nomes populares como: ibirapitanga, paubrasilia, orabutã, brasileto, ibirapiranga, ibirapita, muirapiranga, pau-rosado, pau-de-pernambuco.

A espécie foi a primeira madeira a ser considerada de lei no Brasil como uma tentativa de impedir que ela fosse contrabandeada por navios espanhóis, franceses e ingleses que aportavam na costa do país durante o período de colonização. Era muito utilizado na fabricação de móveis, violinos, construção civil e naval, pelo seu aspecto ser bem duro e resistente, e de possuir uma coloração avermelhada, que chamava muito a atenção dos europeus fazendo com que possuísse alto valor de mercado. 

O corante avermelhado era extraído no interior do tronco da árvore para o uso de tintura de roupas e acessórios da nobreza da época da exploração. Essa tintura era semelhante a um produto encontrado apenas na Ásia Oriental na época das navegações. Com isso, a exploração foi muito intensa, gerando muita riqueza ao reino, o que caracterizou um período econômico da história do país, influenciando a adoção do nome “Brasil” e a nomeação de “árvore símbolo” dos brasileiros.

No passado, algumas espécies alcançaram até 30 metros de altura, mas atualmente, as árvores remanescentes podem ser encontradas com 8 até 12 metros de altura, com tronco de 40 a 70 centímetros de diâmetro que possui uma casca escamosa e por baixo uma cor alaranjada, suas flores são amarelas, mas essa não é sua principal característica. Sua madeira é muito pesada, dura, compacta e muito resistente ao ataque de fungos e insetos. Em 2004 essa espécie entrou oficialmente na lista de árvores ameaçadas de extinção. Hoje, o pau-brasil encontra-se protegido por lei e não pode ser cortado para fins de florestas comerciais.

Araucária, a árvore símbolo da região Sul.

A araucária (Araucaria angustifolia) é uma espécie arbórea de gimnosperma pertencente à família Araucariaceae que é encontrada na região Sudeste (Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo) e Sul (Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina) do Brasil. Apresenta outros nomes populares, sendo conhecida também como pinheiro-do-paraná, curi, pinheiro-brasileiro e pinho-do-paraná.

A Araucária pode atingir uma altura de até 50 metros e, quando adulta, apresenta uma copa que possui formato semelhante a uma taça. Seu tronco é reto e com ramificações apenas na região do topo. As folhas do tipo agulha (acículas) apresentam coloração verde-escura e não caem durante o inverno. Além disso, essa espécie detém cones, que são espécies de flores dessas plantas. O cone feminino recebe o nome de pinha, que é onde se desenvolvem as sementes.

Essa espécie vive cerca de 200 anos, sendo que a produção de sementes inicia-se após o vigésimo ano em habitat natural. Essa árvore nativa do Brasil foi, por muitos anos, alvo da exploração indiscriminada e, por isso, hoje é considerada uma espécie ameaçada de extinção. A planta pode ser usada para variados fins, incluindo-se o artesanato e o uso medicinal. A semente, também conhecida por pinhão, é uma rica reserva energética, constituída principalmente por amido, proteínas e lipídios. Ela é muito usada na alimentação, tanto de homens quanto de alguns animais silvestres e domésticos, como porcos. Além disso, ela é usada tradicionalmente no combate à azia e anemia. As folhas e a casca também são utilizadas na medicina popular.

Em todo o mundo, assim como no Brasil, a chegada da primavera nos traz esperança. É nesse período em que a natureza troca suas cores, quando passa a predominar o verde vivo das folhas e os variados coloridos das flores. Com entidade defensora da sustentabilidade, a CONAFER reforça a importância da conscientização para proteger cada árvore em toda a sua biodiversidade, o que é decisivo para que as próximas gerações possam herdar um planeta preservado e em equilíbrio.

DIA DO FEIRANTE: parabéns aos homens e mulheres que trabalham todos os dias pela segurança alimentar do Brasil

da Redação

Todo feirante tem uma história de luta para garantir que toda manhã, ao iniciar a feira, os consumidores encontrem sua barraca bem bonita e organizada, cheia de frutas, verduras e legumes bem fresquinhos. É uma vida dura, e que começa toda madrugada, bem antes do sol nascer. A criação do Dia do Feirante nesta data, é uma homenagem à primeira feira livre do Brasil, no ano de 1914, no Largo General Osório, na cidade de São Paulo. O feirante é um profissional que trabalha com produtos da agricultura, levando os alimentos até nossas mesas. A maioria são agricultores familiares, pequenos produtores que comercializam os produtos da terra em feiras livres por todo o país. Muitos pertencem às novas gerações, mostrando a força econômica e a importância dos feirantes na cultura, na economia e na segurança alimentar dos brasileiros

A responsabilidade de comercializar em suas barracas, diariamente, uma grande quantidade de produtos de qualidade e procedência, torna a profissão de feirante muito mais complexa do que se pensa. Desde a escolha das frutas, legumes e verduras, o contrato para a sua organização, o tipo de barraca e a infraestrutura do lugar, toda a logística e divulgação necessárias, e sempre com pouca margem de lucro no final. Em tempos de inflação, os riscos ainda aumentam na lucratividade final.


A vida na feira é muito rica nas relações com as pessoas, com os espaços das cidades e a concorrência dos outros feirantes. Cada feirante tem um apelo visual ou verbal, convidando os clientes para que se aproximem dos seus pontos de venda, sempre por meio de gestos e frases engraçadas, como verdadeiros artistas num grande palco com todos os tipos de iguarias, e transformam os ambientes de milhares de feiras, em todas as cidades do Brasil, num grande show diário a céu aberto.


Ser feirante é uma cultura que vai passando de geração em geração. Do plantio à colheita, e depois na comercialização dos produtos que garantem a economia da família, este trabalho é a força-motriz de uma atividade importante na geração de empregos, decisiva no crescimento econômico e na segurança alimentar do país.

SOMOS TODOS PARENTES

9 de Agosto. Dia Internacional dos Povos Indígenas

A ONU, Organização das Nações Unidas, instituiu esta data na primeira reunião do Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre Populações Indígenas, realizada em Genebra, em 1982, com a ideia de que o mundo sempre faça uma reflexão sobre o respeito aos direitos e garantias dos povos indígenas. Lideranças nativas de todo o globo terrestre discutiram pautas exigindo respeito às suas culturas, às distintas línguas e à preservação de seus costumes. Nasce, então, a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas (veja no final da matéria). O Brasil é um dos países onde houve maior diminuição da população indígena no mundo. Dos 6 milhões que viviam no território atual, antes da tarde de 22 de abril de 1500, quando uma esquadra de dez naus, três caravelas e cerca de 1,2 mil portugueses, comandada pelo navegador Pedro Álvares Cabral, atingiu o litoral sul da Bahia, na região da atual cidade de Porto Seguro, desde aquele momento, a população nativa foi reduzida para 960 mil indígenas, que mais do que pela resistência, mantêm sua luta pela existência

Indígena é aquele que chegou primeiro, originário, por isso os povos originários. No mundo originário das Américas, viviam mais de 60 milhões de indígenas quando Colombo desembarcou em 1492. Para alguns historiadores, este número teria chegado a 100 milhões. 500 anos depois, estima-se que mais da metade destas populações indígenas tenham sido dizimadas por febres, bactérias, vírus, doenças e ações de extermínio de milhares de etnias por parte dos colonizadores.

A coragem em manter sua autonomia e a sabedoria para enfrentar uma sociedade genocida, preconceituosa e injusta, foram sempre as armas dos povos indígenas. Como verdadeiros guardiões dos cerrados, das florestas e das matas, dos rios e mares, protegem os seus territórios, preservam costumes e tradições da ciência da natureza.

Porém, é preciso que os poderes do Estado intervenham no respeito à Constituição e no diálogo com a sociedade brasileira, agindo para realizar as demarcações e garantir o direito à posse dos territórios originalmente ocupados por mais de 3 mil etnias, agora reduzidas a 300. Este é o desafio das novas gerações de indígenas.

A luta dos indígenas é pela existência, mais do que resistência

Indígenas em todo o planeta têm buscado a reparação histórica pelos danos e atrocidades cometidos contra os nativos de todos os continentes. É preciso desarmar o espírito da derrota para armá-lo com a energia dos vencedores, dos cantos das florestas e dos rituais da celebração de um pacto de cooperação entre todos os indígenas, estes sim poderosos instrumentos de sabedoria e força política para avançar no reconhecimento da autonomia pelos estados nacionais e organismos internacionais.

A CONAFER e o seu compromisso com os povos indígenas

A Confederação tem 3 secretarias dedicadas diariamente às questões e tradições indígenas, amparados na Lei 11.326 de 2006, que os inclui como agricultores familiares, portanto, fazendo parte do segmento mais importante do campo, pois integram a força econômica que alimenta mais de 70% das famílias brasileiras todos os dias e garante a nossa segurança alimentar.

As secretarias levam os projetos da Confederação até os territórios, fomentam o desenvolvimento socioeconômico nas aldeias por meio de capacitação técnica para aumento da produção agrícola, estímulo ao empreendedorismo rural, e ao mesmo tempo, com parcerias e ações de resgate das culturas ancestrais, atuando estrategicamente dentro das comunidades, mantendo uma política de fortalecimento das etnias, formando uma rede forte e autônoma dos povos originários.

Assim, a CONAFER atende as demandas das comunidades indígenas, desde o cultivo de diversas culturas até o resgate das expressões linguísticas e formas de arte, na releitura de suas histórias e ancestralidades, promovendo a riqueza da sua culinária sustentável e a medicina curadora da floresta, trabalhando pela existência do povo nativo, de quem chegou primeiro, de quem sempre cuidou deste planeta.

Conheça a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas


PARABÉNS AOS TRABALHADORES DA NATUREZA QUE ALIMENTAM ESTA NAÇÃO

28 DE JULHO. DIA DO AGRICULTOR.

A profissão de agricultor é a mais antiga da civilização. Desde os nossos povos originários, o papel do agricultor é sustentar sua comunidade com diversos tipos de alimentos, e nos dias de hoje, com as mais diversas categorias de agricultores e culturas, alimentar 8 bilhões de pessoas no mundo. Ser agricultor é trabalhar todos os dias de forma incansável, aprender como se comporta a natureza, e respeitar seus ciclos, da semeadura à colheita. No Brasil, há exatos 161 anos, no dia 28 de julho de 1860, Dom Pedro II criou a Secretaria de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas. Ainda em 1930, já com algumas alterações na nomenclatura, nascia o Ministério da Agricultura. Um século depois do início desta história, no mesmo dia 28 de julho, em 1960, o presidente Juscelino Kubitschek instituiu a data como o Dia do Agricultor, em comemoração aos 100 anos da criação da pasta. Hoje, mais do que lembrar a data e parabenizar estes trabalhadores do campo, vamos falar um pouco do trabalho que a CONAFER tem feito pelos agricultores

A CONAFER pela sua atuação nacional, relaciona-se com uma parcela significativa dos agricultores brasileiros. Por isso, a Confederação é uma safra de benefícios permanentes para os seus associados, agricultores e agricultoras familiares de todo o país. A entidade, fundada em 2011, estrutura-se por meio de Secretarias Nacionais, Coordenações Regionais, Sindicatos e Federações, as SAFERs e FAFERs. A CONAFER apoia a produção agroecológica, a cultura e as tradições dos povos originários e tradicionais, as ações de sustentabilidade no campo, a segurança jurídica dos seus filiados, o acesso ao crédito e o fortalecimento dos produtores rurais como importantes demandadores de consumo, contribuindo para fortalecer o setor agrofamiliar, toda sua a cadeia produtiva e a segurança alimentar da nação.

A CONAFER atua para ser referência no trabalho de desenvolvimento do segmento agrofamiliar no Brasil. Os seus valores se fundamentam em manter uma relação de confiança e transparência em suas ações com os agricultores associados, com o setor econômico e toda a sociedade civil, em toda a sua extensão e diversidade.

Nossos agricultores alimentam bilhões de pessoas no mundo

O nosso grande desafio é representar os interesses dos agricultores que produzem os alimentos que vão à mesa dos lares brasileiros, e também em diversos países que importam nossa produção. Mas os desafios envolvem muito mais que produção, pois existe uma história de regularização fundiária no país muito longe de oferecer um capítulo final de igualdade no campo. Mas existe o movimento pela busca dos direitos, ao mesmo tempo que se empunha a bandeira do dever de produzir, com clima favorável ou não por parte da sociedade.
A CONAFER surgiu na história do campesinato como uma força deste movimento, atuando em suas bases como entidade defensora da autonomia do agricultor e das suas liberdades individuais, atuando na questão da terra por meio de uma agenda política, dialogando com todos os segmentos econômicos.
Ao defender a regularização da terra, o empreendedorismo do pequeno agricultor e o modelo agroecológico, a CONAFER trabalha de forma permanente pelo desenvolvimento de milhões de pequenos agricultores, buscando a implementação de programas de qualidade na produção sustentável e oferecendo apoio técnico, assessoria e serviços de acesso ao crédito, contribuindo de forma decisiva para o futuro do empreendedorismo no campo.

Nossos princípios são balizas que nos orientam no apoio aos agricultores

Preservação do Meio Ambiente

Ao adotar o modelo de produção agroecológica, a agricultura familiar fez a opção pela proteção do meio ambiente. Por isso, a CONAFER apoia todas as iniciativas de defesa da natureza, dos ecossistemas e da produção sustentável.

Paz no Campo

Somos frontalmente contrários ao uso da força para solucionar as questões da terra. A solução para os conflitos agrários é a defesa dos direitos constitucionais e a regularização fundiária.

Modernização da Produção

Para aumentar a capacidade produtiva dos agricultores é preciso estimular o uso da tecnologia, das modernas técnicas agroecológicas, o conhecimento científico e o treinamento dos recursos humanos.

Agricultura de Baixo Carbono

A CONAFER investe em projetos agroflorestais por meio de SAFs, Sistemas Agroflorestais, que buscam a recuperação de áreas desmatadas em consórcio com a produção agrícola, beneficiando o equilíbrio do ecossistema pela maior absorção do carbono.

Energia Sustentável

A CONAFER promove e estimula projetos de geração de energias limpas, como a solar e a eólica, tanto para o consumo doméstico das famílias de agricultores, como também na produção agroecológica das propriedades.

Turismo Sustentável

Conhecer e aprender, mas sem interferir no equilíbrio dos ecossistemas. Este é o modelo de turismo que a CONAFER apoia e estimula para gerar um impacto positivo no meio ambiente.

Produção Sustentável

A viabilidade da agricultura familiar como segmento econômico passa pela produção sustentável, o grande diferencial da produção rural em relação aos outros segmentos econômicos.

Menos Veneno

A CONAFER apoia o controle biológico em todos os tipos de cultura, contrapondo-se ao uso de agroquímicos no controle da produção.

Segurança Alimentar

A segurança alimentar é o grande desafio da humanidade. A CONAFER trabalha pelo cumprimento da Agenda 2030 da ONU pela erradicação da fome no mundo.

Autonomia

A agricultura familiar deve ter independência e autonomia para buscar o seu modelo de desenvolvimento. Para isso, a regularização fundiária e a defesa dos territórios são prioritárias

Igualdade Social

Um país desigual não avança em seu grau civilizatório. Ao contrário, vive uma vulnerabilidade social permanente. A CONAFER defende e luta pela igualdade social no Brasil.

Os serviços e produtos que a CONAFER desenvolve para agricultoras e agricultores

ESPAÇOS CONAFER

Um lugar para os filiados e associadas à CONAFER buscarem orientação jurídica, técnica e administrativa.
Uma assessoria exclusiva com mais conforto aos agricultores associados, aposentados do INSS, empreendedores rurais e suas famílias. Em cada Espaço CONAFER um grupo multidisciplinar de profissionais completa a estrutura de apoio e assessoria disponibilizada aos associados da Confederação.

AGROCONAFER
Créditos e financiamentos à produção pelo Banco do Brasil.

A CONAFER é correspondente legal do Banco do Brasil por meio do AGROCONAFER para acesso ao Pronaf e financiamento da produção, fomentando o desenvolvimento dos seus associados. Esta parceria com a primeira e maior instituição bancária do país, surgiu com o objetivo de facilitar a vida do agricultor familiar ao dar a ele acesso mais digno e rápido a créditos e políticas públicas, como o Pronaf Mais Alimentos e o Pronaf Custeio.


PARCERIA SERASA EXPERIAN
Créditos e financiamentos à produção pela iniciativa privada

A CONAFER e a SERASA EXPERIAN, empresa com a maior e mais completa base de dados do Brasil para análises de crédito, firmaram termo de parceria para levar recursos financeiros, privados e públicos, a todo o segmento agrofamiliar. São bilhões em soluções financeiras para milhões de agricultores familiares brasileiros.

CONAFER MELHOR IDADE
Produtos e serviços aos aposentados e INSS Digital

A CONAFER atende as demandas dos agricultores da terceira idade por meio dos Espaços CONAFER, sindicatos e associações operam como agências do INSS realizando trâmites, processos e entregando serviços aos aposentados por meio digital. Os Espaços e sindicatos SAFERs estão aptos a oferecer:

  • Assessoria no acesso à aposentadoria como agricultura familiar;
  • Serviços digitais do INSS e como acessar e utilizar;
  • Convênios com farmácias, mercados e clínicas médicas;
  • Programação de encontros, atividades culturais e de lazer;
  • Assessoria jurídica junto ao INSS;
  • Cursos de EAD e presenciais nos Espaços e associações;
  • Integração ao Projeto Replantar.
PROGRAMA +PECUÁRIA BRASIL
O programa de melhoramento genético inédito no Brasil.

A CONAFER, em parceria com a empresa líder da América Latina na tecnologia de inseminação artificial, a Alta Genetics, criou o + Pecuária Brasil para o desenvolvimento dos rebanhos bovinos de corte e leite em todo o país, contribuindo para crescimento socioeconômico dos agropecuaristas familiares. Por meio de acordos de cooperação técnica com secretarias de estado e municípios, a CONAFER fará a doação de mais de 200 mil doses de sêmens e insumos aos agropecuaristas familiares de todo o território brasileiro.

PROJETO REPLANTAR

Um projeto criado para a integração de idosos e jovens nas atividades sustentáveis com o meio ambiente, reintegrando os idosos ao sistema produtivo agroecológico de ações sustentáveis.

PROJETO ERA
A Estação Empreendedora Rural Agroecológica

O ERA cumpre inúmeras demandas: regularização fundiária, escrituração e titularização de terras; fortalecimento do crédito para produção; garantia do comércio com valor agregado; modernização dos processos produtivos; fortalecimento do agricultor como produtor agrícola. O projeto oferece um leque de opções de culturas para o produtor implantá-lo em sua propriedade, são os Módulos de Produção: Agrofloresta, Piscicultura, Leite Orgânico com criação de bovinos e ovinos, Apicultura, Centro de Capacitação, Culturas Vegetais e Estufas. A ideia é que as famílias possam consorciar sua produção sempre com outras alternativas, animal ou vegetal, alternando culturas e garantindo uma renda nos 12 meses do ano. A estação ERA trabalha com a capacitação da família produtora em três setores: produção agrícola e animal; mercado e empreendedorismo; e gestão de crédito.

CONAFER NAS ALDEIAS

Implantação dos Módulos ERA nas aldeias indígenas com ações simultâneas de valorização das tradições e cultura nos territórios indígenas, como artesanato, teatro, danças, línguas indígenas e o esporte.

PROJETO ELAS

Um projeto voltado para o fortalecimento da mulher na agricultura e no empreendedorismo, levando um pensamento sustentável, com inovação, conhecimento e tecnologia por meio de módulos: Horta Orgânica, Cozinha Sustentável, Aproveitamento Integral de Alimentos, Da Horta à Academia, Saboaria Natural, Casa de Artesanato e Produção de Tilápias.

PARCERIA FUNDAÇÃO HOSPITALAR DA MATA ATLÂNTICA

A Fundação, sediada em Camacã, 400 km de Salvador, presta serviços hospitalares com procedimentos ambulatoriais e exames de laboratório aos agricultores indígenas e de todas as categorias representadas pela Confederação; o Hospital Dr. Osvaldo Valverde da Fundação Hospitalar Mata Atlântica apresenta atendimento de urgência e emergência, 50 leitos ativos e mais de 120 funcionários, atendendo as especialidades de obstetrícia, cirurgias em geral, cirurgias ginecológicas e pediatria, além da clínica médica geral.

ACORDO UNILAB
Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira

Criação e desenvolvimento de programas de educação para o setor agrofamiliar, com capacitação e acesso dos agricultores ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) pelo acordo com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), além de outros projetos pedagógicos de graduação e extensão ao segmento agrofamiliar, como cursos EAD.

ACORDO FNDE
Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação

Acordo de Cooperação Técnica com o FNDE, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, oferece a capacitação de produtores e gestores estaduais e municipais, melhorando a força de trabalho da agricultura familiar, qualificando os agricultores a fazer parte do Programa Nacional de Alimentação Escolar, PNAE, e assim promover uma alimentação saudável e adequada nas escolas públicas.

A NATUREZA ENTREGA A COLHEITA. MAS SÓ ESTES TRABALHADORES SABEM COMO COLHER.

29 DE JUNHO. DIA DO PESCADOR

Estes agricultores familiares iniciam a colheita diária na hora de levantar toda madrugada antes do sol nascer, quando a maré ainda não invadiu a área das embarcações e o tempo é pródigo na preparação do barco para invadir o mar. Muitos ainda iniciam a produção nas horas de consertar as redes e na confecção dos balaios para subir rio acima e encontrar os sonhados pirarucus. E outros milhares ajeitam seus anzóis e varas para mais um dia de colher os frutos da água. Todos colhem direto da natureza, em toda a sua exuberância, o sustento da vida. Todos são pescadores.

Estima-se que o Brasil tenha mais de 1 milhão de pescadores artesanais, responsáveis pela metade da produção pesqueira de todo o território nacional. O trabalho é duro, exige uma grande disposição física, conhecimento profundo da natureza. Por isso, esta é uma profissão 100% agroecológica, 100% sustentável, e portanto, precisa de muito investimento e da garantia dos direitos dos pescadores.

Um aspecto que oferece risco e desequilíbrios na profissão, é o meio ambiente vandalizado e destruído por hidrelétricas, rios e mares poluídos, invasões de áreas para o garimpo que destrói ecossistemas hídricos, desastres ambientais como Brumadinho, que tiram o oxigênio da água, e matam o peixe, e matam o rio, e matam a fonte de vida do planeta e do sustento de milhões de famílias.

Sobre a profissão, milhares de pescadores ainda são obrigados a trabalhar em situação irregular, pois não obtiveram acesso ao Registro Geral de Atividade Pesqueira (RGP), mesmo cumprindo os requisitos. E por não terem o RGP, ficam sem receber os benefícios do INSS. Uma burocracia que asfixia os pescadores, muitos já sem a saúde que o ofício exige, entraves que vão de registros suspensos a não analisados, passando por protocolos de solicitação de registro já sem validade, como na Portaria 2.546/17 que determinou que só seriam considerados válidos os protocolos de solicitação expedidos a partir de 2014.

Hoje, será lançado um novo sistema nacional de recadastramento de pescadores profissionais. Espera-se que com ele esta situação seja resolvida, ou ao menos que alguns avanços ocorram também com o lançamento da Rede Pesca Brasil.

A CONAFER tem muitas associações e lideranças do setor pesqueiro por todo o país. Estamos em contato permanente para melhorar as condições de trabalho dos pescadores e suas famílias por meio do fomento ao crédito, em programas de inclusão às políticas públicas, e também com um grande cadastramento em nosso sistema, e assim garantir novos benefícios a estes profissionais que entregam na mesa dos brasileiros um alimento rico e saudável.

A origem desta data é em razão do dia dedicado ao apóstolo São Pedro, o apóstolo pescador, padroeiro dos pescadores. Porque estes homens e mulheres sabem que esta profissão precisa de muita técnica, de muita energia, de muita resiliência, de muita persistência, de muita coragem, e principalmente, de muita fé.

PEDRO FIRMINO: “Sonho de uma pessoa é só um sonho, mas um sonho coletivo é realidade”

Por Wilson Ribeiro

Agricultor, líder sindical, especialista em regularização fundiária, pai exemplar, marido amado, amigo fiel e profissional íntegro, o coordenador de Crédito Fundiário e um dos diretores da CONAFER, Pedro Firmino, construiu uma trajetória de lutas e conquistas que faz da sua história uma rica e bem-sucedida biografia, sustentada pelo trabalho na terra e o pensamento voltado à coletividade, às comunidades agrícolas. A notícia do fim de sua luta contra o vírus da Covid-19 causou uma imensa tristeza, com mensagens e pêsames de todas as regiões do Brasil, de todos os rincões percorridos por Pedro Firmino, por onde trilhou milhares e milhares de quilômetros, fundando sindicatos, fortalecendo os agricultores, regularizando suas terras, estruturando assentamentos, levando apoio aos acampamentos, como o grande embaixador da Confederação

Conheci o Pedro Firmino da melhor maneira que se começa uma grande amizade: dois largos e grandes sorrisos escondidos por duas máscaras, marcas registradas desta pandemia que ceifou sua vida. O que me chamou mais atenção em meu primeiro encontro com o Pedro, não foi apenas o seu grande conhecimento sobre a agricultura familiar e as leis fundiárias, que externava de um jeito muito profundo e sincero, mas o seu estilo bem humorado, característica das pessoas inteligentes. Uma sumidade, pensei comigo. Na segunda conversa eu já o adotara como mestre, e fazia questão de espalhar para todos minha admiração por sua postura exemplar nas questões do dia a dia, e a responsabilidade nas questões da vida, uma inspiração para toda a Confederação, dos antigos aos mais novos.

Falar e ouvir o Pedro era um ritual diário na CONAFER, do presidente Carlos Lopes e do vice-presidente, Tiago Lopes, dos secretários e lideranças sindicais, seja pessoalmente, ou por videoconferências nestes últimos tempos, das quais sempre participava para encantar pelo conhecimento e seu jeito simples e direto de se colocar. Era sempre procurado por whatsapp, pelos corredores ou por telefone para responder sobre leis, estatutos, regras de acesso ao crédito, como obter um Pronaf, como criar ovelhas, sobre os documentos do benefício da aposentadoria, se o pasto está bom para o gado, ou qual a solução para irrigar uma lavoura, ou simplesmente para saber como andava o Flamengo, o seu time de coração.

Não seria exagero dizer que o Pedro Firmino era uma espécie de oráculo, sempre consultado porque todos queriam ouvir sua opinião, de certa forma foi sua postura sempre uma baliza moral, uma referência de caráter. Se o Pedro falou que está certo, então está certo!

Pedro Firmino levou as ações e programas da CONAFER passando por milhares de municípios de todas as regiões do país, dirigindo por todos os tipos de estradas, sempre com extrema habilidade, mais um de seus inúmeros talentos. Ele também dizia que foi um jogador de futebol habilidoso e rápido, adorava as músicas de raiz e a cultura popular. Este seu humanismo e sensibilidade pelas pessoas o levou às bases sociais, e aí enriqueceu ainda mais a mistura do homem do campo com o homem da cidade, e principalmente, do cidadão consciente da luta de classes, e de sua participação política na transformação da sociedade.

Foi assim que Pedro Firmino atingiu uma posição de liderança em sua luta pela reforma agrária, ganhando admiração por onde passou, sempre à frente na defesa dos agricultores, como fez em todos os momentos na CONAFER, na cabeça de ponte, ao lado do comando, nas ações de quem é incansável, com uma elevada estatura moral e uma disposição típica de quem lavra a terra de verdade, de quem agriculta com fé e trabalho duro de sol a sol. E temos, então, mais um talento do Pedro: ele foi um agricultor dos bons.

E como foi produtor rural por 30 anos, adquiriu aprendizado na criação de animais, no clima perfeito para a semeadura, no manejo do solo, na capacitação das técnicas agroecológicas, na comercialização dos produtos, no acesso ao financiamento, no empreendedorismo rural, e mais que do que isso, desenvolveu uma forte relação com a vida em máxima intensidade.

Neste dia 30 de junho, o paraibano Pedro Firmino completaria 50 anos. Vivia com a sua mulher e liderança sindical, Simone Alves Pinheiro, e os seus filhos em 15 hectares no Paranoá, cidade satélite de Brasília, onde deixou uma marca de amor ao trabalho na terra como produtor rural. Mais um talento que o nosso Pedro multiplicou.

Em Flores de Goiás, o tratamento de liderança a quem é de verdade

No dia 6 de outubro de 2020, 6h30 da manhã, encontrei-me com o Pedro no posto Itiquira, em Formosa. Foi minha única viagem com ele, e tive o privilégio de acompanhá-lo até Flores de Goiás, a 230 km de Brasília, 3 horas cortando as terras goianas em meio ao Cerrado e a Caatinga. A missão era representar a CONAFER na solenidade de inauguração da implantação da rede elétrica nos assentamentos de Castanheira, Cavalcanti, Macambira, Egídio Brunet, Itiara I e II, um marco na história destes agricultores familiares, uma luta de muitos anos que o Pedro e a CONAFER ajudaram a vencer. Os assentamentos da região produzem arroz, feijão, milho, mandioca, gergelim, mel e melancia. Agora com a rede elétrica seria possível irrigar as culturas, aumentar a produção e dar conforto às famílias, como a internet nesta nova fase de conexão com o mundo da agricultura.

Portanto, foi um dia de festa para os assentados do município de Flores de Goiás, 437 km da capital goiana. Depois de 13 anos de luta, 800 famílias dos assentamentos Castanheira, finalmente receberam sob uma temperatura de 40 graus e um sol causticante, a tão sonhada energia elétrica, lideradas pelo presidente do sindicato SAFER, Josias Ribeiro dos Santos, amigo pessoal do Pedro e companheiro de batalhas no campo. E eu estava ali testemunhando tudo, vendo o quanto as pessoas saudavam o Pedro, sua popularidade na base, terreno onde ele aprendeu a semear a união de todos os matizes de agricultores.

A nossa volta para o DF foi de dever cumprido, recheado por sua emoção ao mostrar com dedo indicador os assentamentos e unidades agrícolas que ele ajudou a formar ao longo da sua vida. Sim, milhares de famílias hoje tem uma terra para plantar e um sonho para realizar pelas ações de coragem e amor ao próximo do Pedro Firmino.
Certa vez, em uma entrevista à Secretaria de Comunicação da CONAFER, Pedro disse: “agradeço por esta oportunidade de contar sobre meu trabalho nesta organização, tão crucial para o desenvolvimento da agricultura familiar brasileira. Sou nascido em 71, e desde muito moço, eu vivo a realidade do campo e sei como ela funciona, por isso tenho orgulho em falar que eu sei que meu trabalho na CONAFER tem rendido muitos frutos.”

De fato, Pedro, são sementes selecionadas que você plantou por onde passou e na CONAFER, obra de uma personalidade insubstituível, porque você é único, e estará em nossa memória sempre que nos perguntarmos em qual direção seguir ou qual a decisão mais indicada, pois para obter a resposta, bastará pensar no que o Pedro Firmino nos aconselharia com aquele seu jeito franco, vibrante e gentil de ser.

Ajude a proteger a inocência do mundo

04 DE JUNHO. DIA MUNDIAL DAS CRIANÇAS VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA.

O mundo inteiro precisa dar um basta nas agressões físicas e psicológicas que matam, sufocam e traumatizam nossas crianças, e que envergonham países, cidades, comunidades, famílias; em 2020, com 260 denúncias a cada dia, batemos mais um triste recorde de quase 96 mil pelo Disque 100, programa do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos

Infelizmente, este não é um dia de comemoração. O Dia Mundial das Crianças Vítimas Inocentes da Violência e Agressão foi criado pela ONU em 1982. Também não é uma data apenas de reflexão, mas de ação das autoridades, da justiça e das pessoas capazes de se indignar com crimes dessa natureza.

As crianças ainda no início da civilização moderna, e mesmo depois em sua contemporaneidade, são desrespeitadas em seus direitos fundamentais, na condição de submissão, sofrendo com atitudes que violentam sua vida para sempre. É preciso denunciar e ajudar de alguma forma a penalizar quem comete atos de crueldade, e de qualquer natureza contra as crianças, principalmente os que ocorrem dentro de casa, cenário principal de 67% dos casos denunciados no ano passado.

A criança é a parte mais criativa e inocente da sociedade. Submetê-la a abusos sexuais, trabalhos forçados e agressões invalida qualquer tipo de evolução em grau civilizatório. Apenas no século XIX as crianças passaram a ser percebidas como seres humanos autônomos, o que permitiu o desenvolvimento da psicologia, pedagogia, pediatria e psicanálise com o objetivo de atuar na qualidade de vida dos menores.

Cuidar das crianças é um dever dos pais, dos parentes, da comunidade, dos profissionais de saúde, dos educadores, e principalmente, do Estado e órgãos de segurança, que têm a missão constitucional de proteger as pessoas mais vulneráveis e inocentes da sociedade.

A Declaração Universal dos Direitos da Criança

Adotada pela Assembleia das Nações Unidas de 20 de novembro de 1959 e ratificada pelo Brasil.

Visto que a humanidade deve à criança o melhor de seus esforços, esta Declaração visa que a criança tenha uma infância feliz e possa gozar, em seu próprio benefício e no da sociedade, os direitos e as liberdades aqui enunciados e apela a que os pais, os homens e as mulheres em sua qualidade de indivíduos, e as organizações voluntárias, as autoridades locais e os Governos nacionais reconheçam estes direitos e se empenhem pela sua observância mediante medidas legislativas e de outra natureza, progressivamente instituídas, de conformidade com os seguintes princípios:

Princípio 1º
A criança gozará todos os direitos enunciados nesta Declaração. Todas as crianças, absolutamente sem qualquer exceção, serão credoras destes direitos, sem distinção ou discriminação por motivo de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento ou qualquer outra condição, quer sua ou de sua família.

Princípio 2º
A criança gozará de proteção social, oportunidades e facilidades, por lei e por outros meios, a fim de lhe facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, de forma sadia e normal e em condições de liberdade e dignidade, sempre obedecendo os melhores interesses da criança.

Princípio 3º
Desde o nascimento, toda criança terá direito a um nome e a uma nacionalidade.

Princípio 4º
A criança gozará os benefícios da previdência social. Terá direito a crescer e criar-se com saúde; para isto, tanto à criança como à mãe, serão proporcionados cuidados e proteção especiais, inclusive adequados cuidados pré e pós-natais. A criança terá direito a alimentação, recreação e assistência médica adequadas.

Princípio 5º
À criança incapacitada física, mental ou socialmente serão proporcionados o tratamento, a educação e os cuidados especiais exigidos pela sua condição peculiar.

Princípio 6º
Para o desenvolvimento completo e harmonioso de sua personalidade, a criança precisa de amor e compreensão. Criar-se-á, sempre que possível, aos cuidados e sob a responsabilidade dos pais e, em qualquer hipótese, num ambiente de afeto e de segurança moral e material, salvo circunstâncias excepcionais, a criança da tenra idade não será apartada da mãe. À sociedade e às autoridades públicas caberá a obrigação de propiciar cuidados especiais às crianças sem família e aquelas que carecem de meios adequados de subsistência. É desejável a prestação de ajuda oficial e de outra natureza em prol da manutenção dos filhos de famílias numerosas.

Princípio 7º
A criança terá direito a receber educação, que será gratuita e compulsória pelo menos no grau primário. Seá propiciada uma educação capaz de promover a sua cultura geral e capacitá-la a, em condições de iguais oportunidades, desenvolver as suas aptidões, sua capacidade de emitir juízo e seu senso de responsabilidade moral e social, e a tornar-se um membro útil da sociedade.
Os melhores interesses da criança serão a diretriz a nortear os responsáveis pela sua educação e orientação; esta responsabilidade cabe, em primeiro lugar, aos pais.
A criança terá ampla oportunidade para brincar e divertir-se, visando os propósitos mesmos da sua educação; a sociedade e as autoridades públicas empenhar-se-ão em promover o gozo deste direito.

Princípio 8º
A criança figurará, em quaisquer circunstâncias, entre os primeiros a receber proteção e socorro.

Princípio 9º
A criança gozará proteção contra quaisquer formas de negligência, crueldade e exploração. Não será jamais objeto de tráfico, sob qualquer forma.
Não será permitido à criança empregar-se antes da idade mínima conveniente; de nenhuma forma será levada a ou ser-lhe-á permitido empenhar-se em qualquer ocupação ou emprego que lhe prejudique a saúde ou a educação ou que interfira em seu desenvolvimento físico, mental ou moral.

Princípio 10°
A criança gozará proteção contra atos que possam suscitar discriminação racial, religiosa ou de qualquer outra natureza. Criar-se-á num ambiente de compreensão, de tolerância, de amizade entre os povos, de paz e de fraternidade universal e em plena consciência que seu esforço e aptidão devem ser postos a serviço de seus semelhantes.

Disque 100 para denunciar agressão à criança

Este é um canal de comunicação da sociedade com o poder público, o Disque Denúncia Nacional, que tem como objetivo receber denúncias sobre violações de direitos humanos e contra as populações mais vulneráveis, como é o caso de violências contra crianças e adolescentes.

Somos todos homens e mulheres do campo

25 DE MAIO. DIA DO TRABALHADOR RURAL.

Somos todos homens e mulheres do campo, trabalhadores rurais deste imenso país, desde o tempo do arado, das enxadas, das foices e das mãos calejadas. Somos extrativistas e somos pescadores artesanais. Somos da lavoura e do gado. Somos produtores de frutas e colhemos o feijão. Somos semeadores de florestas e cortadores de cana no sol a pino. Somos trabalhadores da terra e dela retiramos nosso sustento.

Em nosso país, milhões de trabalhadores rurais conquistaram sua própria terra, evoluíram nas áreas de plantio, desenvolveram a produção, ampliaram as culturas, melhoraram a condição da família, preparando as novas gerações para se fixar na propriedade.

Outros trabalhadores rurais ainda estão em busca do seu lugar, do crédito fundiário para compra do imóvel rural, assentados em terras do União, muitos vivendo em condição de subsistência em busca dos seus direitos, trabalhando como temporários e muitas vezes como escravos no campo.

O dia de hoje é dedicado ao trabalhador e trabalhadora rural, comemoração instituída pelo decreto de lei 4.338, de 1º de maio de 1964. De cada 5 brasileiros, 1 é trabalhador rural. Ou 21% da população brasileira, um imenso contingente de 40 milhões de trabalhadores rurais.

Data é homenagem ao deputado federal Fernando Ferrari, morto em acidente de avião

A data é uma homenagem para pessoas que trabalham no campo e têm como marco a morte do deputado federal Fernando Ferrari, que ocorreu no dia 25 de maio de 1963, um dos políticos mais engajados na luta pelos direitos dos trabalhadores rurais e questões da terra.

Fernando Ferrari, em 1947, elegeu-se deputado estadual pelo PTB, no Rio Grande do Sul. Em 1950, elegeu-se deputado federal, reelegendo-se em 1954 como o candidato a deputado federal mais votado no Brasil. O maior destaque de sua atuação parlamentar foi seu envolvimento com a Reforma Agrária. Ferrari elaborou o Estatuto do Trabalhador Rural, aprovado em 1963.

Sabemos que o trabalho no campo é um trabalho extenuante e que exige vigor, resiliência e inteligência para tirar o melhor da terra. E também sabemos que é este trabalho rural que alimenta mais de 70% dos brasileiros, que garante a segurança alimentar da nação e a grande riqueza agrícola do país. Todos os dias, de sol a sol.

Parabéns aos trabalhadores rurais do Brasil!

Ela é a cidadã mais importante do planeta

20 DE MAIO É O DIA MUNDIAL DAS ABELHAS.

250 mil espécies de flores dependem das abelhas para se reproduzir. 90% da produção de alimentos no mundo dependem da sua polinização. Einstein disse uma vez que a humanidade acabaria em poucos dias com o desaparecimento das abelhas. Não é por acaso que a Real Sociedade Geográfica, de Londres, declarou as abelhas seres vivos insubstituíveis. Por sua imensa importância para a nossa vida, o Dia Mundial das Abelhas foi estabelecido pela ONU durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em 2017.

A parceria entre as abelhas e os agricultores familiares

Os agricultores de hortifruti podem aumentar a produtividade e a qualidade da laranja, tomate, maçã, goiaba, maracujá e dos alimentos vegetais, direcionando melhor o manejo das suas culturas, desenvolvendo práticas para manter as abelhas protegidas e na proximidade das plantações. Com este procedimento, elas realizam a polinização, melhoram o rendimento e a qualidade dos frutos e sementes.

Recentemente, mais de 500 milhões de abelhas foram encontradas mortas no Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. O principal inimigo das abelhas são os agrotóxicos, pois elas estão viciadas neles. E morrendo aos milhões no mundo inteiro. É urgente salvar as abelhas, os seres vivos mais importantes da terra.

Quem nos trata como filhos, merece todo o amor e respeito

22 DE ABRIL. DIA DA MÃE TERRA.

da Redação

O Dia da Terra é para lembrar que a luta em defesa da natureza e a sua importância para o desenvolvimento da consciência ambiental são decisivos para a sobrevivência do planeta e dos seus 8 bilhões de habitantes

A mãe Terra com seus seis sextilhões de massa, abriga em toda a sua crosta, bilhões e bilhões de espécies e subspécies de animais e plantas, todos vivendo em perfeito equilíbrio desde a sua formação geológica há 4 bilhões de anos.

Mas apesar de ser o único lugar do nosso sistema solar capaz de nos acolher e nos proteger, o lar onde vivemos, a Terra segue sendo agredida e degradada diariamente em todos os seus ecossistemas, acelerando a chegada do problemas criados a partir do aumento do efeito estufa e as mudanças climáticas decorrentes deste fenômeno causado, em grande parte, pela civilização moderna.

Por isso, a agricultura familiar, como representante maior da produção alimentar agroecológica, tem o dever de dar o exemplo nos cuidados com a biosfera terrestre, protegendo a atmosfera e outros fatores abióticos do planeta, permitindo a proliferação de organismos aeróbicos, bem como a formação de uma camada de ozônio, a qual, em conjunto com o campo magnético terrestre, bloqueia radiação solar prejudicial, permitindo a vida no planeta.

As propriedades físicas do planeta, bem como sua história geológica e órbita, permitiram que a vida persistisse durante este período. Acredita-se que a Terra ainda viverá 1 bilhão de anos até ser pulverizada pela ação do Sol que vai morrer neste tempo, engolindo os planetas rochosos durante sua expansão (o que inclui a Terra, que será devastada no processo).

Enquanto este tempo quase infinito não chega, as próximas gerações precisam ser protegidas e educadas nos cuidados ambientais.

São muitas medidas e ações que precisam ser tomadas diariamente, como:

Economizar água, evitando o seu desperdício.

Substituir as lâmpadas comuns pelas fluorescentes.

Usar a energia com economia.

Deixar o carro de lado e caminhar mais.

Plantar árvores e cultivar plantas.

Separar o lixo orgânico do lixo reciclável.

Diminuir o uso de combustíveis fósseis.

Promover hortas coletivas nas áreas urbanas.

Cuidar dos animais de rua e da fauna silvestre.

Encontrar-se com a natureza.

A agroecologia e sua importância na preservação da Terra

Veja os principais benefícios que o sistema agroecológico pode oferecer buscando a sustentabilidade do planeta

  1. Produção Sustentável
    Nos sistemas agroecológicos o objetivo é trabalhar a terra de modo que ela permaneça sempre produtiva e não que seja usada ao máximo até seu esgotamento. Dessa forma, são considerados todos os recursos envolvidos no ciclo da agricultura: plantas, animais, minerais e microrganismos. A integração desses elementos naturais reduz a dependência de insumos externos, o que reduz os custos econômicos dos produtores. A produção sustentável, portanto, traz resultados permanentes, estáveis e a longo prazo.
  2. Trabalho Justo
    O método de produção agroecológico tem como consequência a promoção de boas condições de trabalho para o trabalhador rural, isso porque não há o manuseio de substâncias químicas perigosas, além de que o conhecimento dessas pessoas em práticas de cultivos tradicionais é um bom aliado nesse sistema, portanto, é valorizado. O fortalecimento da agricultura familiar é um outro aspecto promovido pela agroecologia, que se baseia na mão de obra familiar e em sistemas produtivos complexos, adaptados às condições locais, o que promove a fixação do homem à terra.
  3. Preservação do meio ambiente
    A prática agroecológica promove a manutenção da biodiversidade e a estabilidade natural dos ecossistemas. Também, favorece a reciclagem de nutrientes importantes para a formação dos solos, ou seja, tem a capacidade de recuperar e manter a fertilidade dos solos. Ainda, preserva os recursos naturais através da utilização racional.
  4. Evita o uso de agroquímicos
    Na agroecologia ocorre a substituição de fertilizantes artificiais por adubos naturais, de modo a reduzir a contaminação de solos e águas superficiais e subterrâneas. Também não se utilizam os pesticidas que também podem eliminar organismos vivos do solo e afetar o equilíbrio dos ecossistemas. Ao contrário, no sistema agroecológico tenta-se entender os sistemas complexos e diversos da natureza e aprender com eles para que se obtenha maior produtividade com o mínimo de insumos externos.
  5. Não utiliza transgênicos
    A utilização de sementes transgênicas é insustentável, pois incentiva o uso de insumos externos por serem mais resistentes às substâncias. Os transgênicos também podem provocar a perda de biodiversidade quando da contaminação de sementes transgênicas com as não transgênicas. Também não se sabe ao certo se o uso prolongado de alimentos transgênicos pode causar alterações na saúde humana.

*Fonte: Instituto Jurumi
http://www.institutojurumi.org.br/p/doe.html