da Redação


Documentário “Terra sem pecado”, do jornalista Marcelo Costa, mostra que a homossexualidade era vista de forma natural pelos povos originários 

A luta dos indígenas não se dá apenas no campo da proteção dos seus territórios, mas também na defesa da sua diversidade cultural. Em “Terra sem pecado”, documentário sobre a homossexualidade indígena que está gerando importante debate, o jornalista e diretor Marcelo Costa, revela por meio de depoimentos que existe um movimento de resistência contra a homofobia dentro das comunidades e aldeias. E ele está mais forte e mais colorido.

O curta-metragem aborda a vivência de três indígenas LGBTQ e uma antropóloga indígena, que compartilham com o público suas experiências e visões sobre os preconceitos vividos entre o seu próprio povo e o restante da sociedade. 

Braulina Baniwa, antropóloga indígena e pesquisadora da temática LGBTQ indígena na UnB

“Terra sem pecado” foi lançado nas redes sociais e no YouTube há uma semana, e já acumula mais de 45 mil visualizações. A obra cinematográfica é baseada na pesquisa acadêmica “Homossexualidade Indígena e LGBTQfobia no Brasil: duas faces da mesma moeda”, de 2019. 

Fetxawewe Tapuya Guajajara, Liderança jovem do Santuário dos Pajés

O diretor também fala do surgimento do preconceito sexual no Brasil. Na pesquisa realizada para produzir o curta-metragem, foi encontrada a obra intitulada “Viagem ao Norte do Brasil”, escrita pelo padre francês, Yves D’Evroux, da ordem dos Capuchinhos, em expedição que ocorreu entre os anos de 1613 e 1614, onde um indígena tibira (homossexual em Tupi), pode ser considerado a primeira vítima de LGBTQfobia no Brasil.

Danilo Tupinikim, estudante de Ciências Políticas UnB

“Depois de julgado pela inquisição, e condenado à morte por cometer o pecado nefando, o indígena foi amarrado à boca de um canhão e teve o seu corpo partido ao meio”, relata o diretor Marcelo contando um trecho do livro. O caso ocorreu após a vinda de uma embarcação francesa que trouxe quatro missionários da Ordem dos Capuchinhos, tendo esses padres se instalado no litoral maranhense, e executado o indígena tibira poucos meses após a sua chegada na Ilha de São Luís.

Alisson Pankararu, estudante de medicina UnB

A partir dessa discussão, o documentário também abre importante debate sobre como o processo de colonização afetou as relações sociais no Brasil, impondo um modelo de sociedade que categoriza as pessoas e estabelece padrões. 

“Os povos originários habitam há milhares de anos o território brasileiro, então precisamos dar voz a esta rica cultura ancestral, no sentido de contar a verdadeira história, de apresentar os valores autênticos, mostrando que em tempos remotos não havia o preconceito, que a homofobia não é algo natural entre os indígenas, mas sim uma herança dos colonizadores europeus”, finaliza o diretor.

O diretor Marcelo Costa, de camiseta azul, junto com os indígenas no lançamento do filme

Assista aqui ao filme completo:

Terra Sem Pecado, 2020