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GENOCÍDIO INDÍGENA: policiais civis e militares atacam Aldeia Força dos Encantados, em Prado-BA: prisões, feridos e 3 crianças desaparecidas

Nesta quarta-feira, 20 de março, ataques das forças civis e militares da Bahia à Aldeia Força dos Encantados, no Território Indígena de Barra Velha, município de Prado, no sul da Bahia, deixaram muitos feridos e 3 crianças indígenas desaparecidas na mata da região. Prisões arbitrárias também foram efetuadas. Mas a grande mídia segue mostrando o lado dos fazendeiros que grilam e desmatam territórios ancestrais, gerando desinformação e transformando os indígenas em bandidos. O que se viu hoje pela manhã foi uma investida deliberada de militares fortemente armados com apoio de helicópteros e mais de 20 viaturas. As retomadas indígenas buscam fazer justiça contra invasores de suas terras, evitando o avanço das monoculturas e do desmatamento. Um roteiro que se repete há mais de 500 anos, que teve seu início quando os colonizadores iniciaram um genocídio de mais de 6 milhões de indígenas, e que infelizmente teima em permanecer. Neste momento, a comunidade indígena resiste, ao mesmo tempo que busca encontrar as crianças que desapareceram após mais um episódio de violência contra os povos originários do Brasil

Vídeos enviados pelos indígenas atacados na Aldeia Força dos Encantados, mostram claramente policiais civis, a Polícia Militar da Mata Atlântica e as polícias do CORE atacando os indígenas com balas de borracha. Alguns membros da comunidade foram detidos ao defender seus direitos. O que as lideranças indígenas pedem com urgência é que  as autoridades investiguem mais este episódio de violência e tomem medidas para proteger essas comunidades, garantindo que seus direitos sejam respeitados.

Na tentativa de tirar o celular desta indígena, as marcas da violência policial

Em vídeo, a deputada federal Célia Xakriabá, informa que está “oficiando o Ministério da Justiça, o Ministério de Direitos Humanos e o Ministério dos Povos Indígenas”. Xakriabá lembrou que “na semana passada, participou de uma grande delegação no Ministério Público Federal, na 6ª Câmara, junto com 200 pataxó, denunciando a extrema violência no sul da Bahia, que ocasionou no ano de 2024, a morte da Pajé Nega Pataxó, na frente dos policiais. Todo o processo de violência e violação de direitos se acelerou, se acentuou com a aprovação do marco temporal, e eles vieram aqui cobrar, e no mesmo período nós oficiamos, cobrando que fosse enviada uma força nacional. Os Pataxó no sul da Bahia já não suportam mais ser tombados, já não suportam mais ser atacados, onde crianças, mulheres já estão sendo de maneira truculenta retiradas do seu território por várias violências. Vários jovens, é importante lembrar que vários jovens perderam a vida nos últimos anos e por isso que enquanto parlamentar indígena, mas também enquanto parlamentar que ocupa assento na comissão da Amazônia, povos originários e tradicionais, iremos atuar nessas instâncias de maneira urgente”.

Em vídeo nas redes sociais, a deputada federal Célia Xakriabá, informou que está oficiando o Ministério da Justiça, o Ministério de Direitos Humanos e o Ministério dos Povos Indígenas

A retomada de territórios tradicionais tem sido uma estratégia fundamental para os povos indígenas, visando a reconstrução da floresta, a recuperação dos rios e a preservação dos ecossistemas degradados pela ação de invasores. Mais do que uma ocupação, esses movimentos são um ato de resistência e reconstrução, voltado para a implementação de um modelo de agricultura familiar sustentável que possibilite a reestruturação da biodiversidade e garanta um modo de vida digno para os povos indígenas.

A tentativa de desqualificar esses movimentos por meio de discursos que classificam os indígenas como “falsos índios” ou os vinculam a facções criminosas é uma estratégia recorrente utilizada para enfraquecer a luta indígena. Por isso, esta narrativa não reflete a realidade: a retomada é autônoma e independente, protagonizada pelos verdadeiros herdeiros da terra. Os Pataxó têm desempenhado um papel essencial nesse fortalecimento, demonstrando que a união entre os povos indígenas é um fator determinante para garantir a permanência e a reconstrução dos territórios.

A ação violenta de policiais e supostos policiais deixou muitos feridos e 3 crianças indígenas desaparecidas na mata da região

Na última semana, uma audiência pública na capital federal foi organizada pelo Ministério Público Federal (MPF) para tratar da demarcação e regularização fundiária das Terras Indígenas (TIs) Tupinambá de Olivença, Tupinambá de Belmonte e Barra Velha do Monte Pascoal. Esses territórios aguardam a emissão da portaria declaratória pelo Ministério da Justiça, um passo essencial para garantir a segurança e a autonomia dos povos indígenas que tradicionalmente habitam essas regiões. Durante três dias, mais de 300 indígenas se reuniram em Brasília para enfatizar a urgência dessas demarcações, ressaltando que a definição dos territórios é fundamental para a preservação da cultura, do modo de vida e dos direitos históricos dos povos Tupinambá e Pataxó, que habitam o litoral da Bahia. A mobilização também trouxe à tona a existência de centenas de outros processos aguardando andamento, todos baseados no conceito do marco ancestral, reconhecido pela própria Constituição Federal e utilizado como bandeira de luta dos povos originários.

O que se viu hoje pela manhã na Aldeia Força dos Encantados foi uma investida deliberada de militares fortemente armados com apoio de helicópteros e mais de 20 viaturas

O momento exige atenção e solidariedade. A luta dos indígenas não é apenas pela posse de seus territórios ancestrais, mas pela preservação de sua história, cultura e direitos constitucionalmente garantidos. A força dos povos originários segue viva e determinada a proteger o que sempre lhes pertenceu. 

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