da Redação

No extremo-sul do Brasil, localiza-se o único bioma brasileiro dentro de único estado; o Pampa encontra em suas lavouras e pecuária agrofamiliares uma proteção importante para o equilíbrio dos seus ecossistemas

Aproximadamente dois terços do território do Rio Grande do Sul são ocupados pelo bioma Pampa, uma extensa área de campo natural que avança também pelos territórios do Uruguai e da Argentina, e partes do Chile e do Paraguai.

“Pampa” é um termo de origem quíchua (povo indígena que habita os Andes, na América do Sul) que significa “região plana”. O bioma tem aproximadamente 176 mil km², o que corresponde a 63% da área total do Rio Grande do Sul.

O Pampa, ou Campos Sulinos ou ainda Campos do Sul, como também é chamado, possui um clima predominantemente subtropical, com as quatro estações do ano bem definidas, e vegetação marcada pela presença de gramíneas, plantas rasteiras, arbustos e árvores de pequeno porte. Dados do Ministério do Meio Ambiente estimam que existam mais de 3.000 tipos de plantas, 500 tipos de aves e 100 espécies de mamíferos vivendo no bioma.

Considerando a sua biodiversidade, o Pampa está entre os mais expressivos ecossistemas brasileiros – somando-se aos biomas Mata Atlântica, Amazônia, Cerrado e Caatinga. Um estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) revela que, se levarmos em conta o número de plantas encontradas por metro quadrado, o Pampa é o bioma brasileiro com maior diversidade – foram encontradas 57 espécies diferentes de plantas em 1 m² de campo nativo. O Cerrado vem em segundo lugar, com 35 espécies vegetais por metro quadrado.

Agricultura familiar nos Campos do Sul

Grande parte do aquífero Guarani encontra-se no Pampa e, por isso, o bioma se constitui em boas possibilidades para a agricultura familiar, destacando-se as lavouras de milho, soja, arroz, trigo e de hortifruti, além da pecuária – que é a base do desenvolvimento econômico da região.

A agropecuária familiar é responsável pela maior parte da produção gaúcha de feijão, milho, mandioca e de leite de vaca, produtos que estão na mesa cotidiana de famílias tanto das áreas rurais quanto das cidades do Rio Grande do Sul. O estado também é o maior produtor de arroz orgânico da América Latina, e esse mérito vem totalmente da agricultura familiar – que defende práticas agrícolas sustentáveis, nas quais a segurança alimentar e a preservação dos recursos ambientais são elementos centrais.

A pecuária familiar também é uma forte aliada na preservação do Pampa, com o manejo adequado do campo nativo. A interação entre pecuarista e bioma é benéfica a todas as partes, se trabalhada de modo sustentável, pois o pecuarista familiar está diariamente em contato com o campo nativo, conhecedor de sua fauna e flora, de onde encontra boas oportunidades para a sustentabilidade e conservação dos ambientes naturais.

Bioma menos protegido do país

Mas o Pampa também é o bioma brasileiro com menor percentual de terras dentro de unidades de conservação: apenas 2,7% de sua área. O Cerrado possui 8,3% de sua cobertura original em territórios de preservação ambiental; já a Amazônia, 27,3%. A meta 15 do programa de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU previa que o Brasil delimitasse, até 2020, pelos menos 17% das terras do Pampa como reservas ambientais. O que está longe de ocorrer.

Garantir a preservação do Pampa não significa proibir a atividade produtiva no bioma. É exatamente o oposto. Especialistas defendem que o ideal seria somar a conservação ambiental com a tradicional atividade pecuária, fortalecendo caminhos para uma base sustentável.

Afinal, a grande biodiversidade do Pampa apresenta inclusive inúmeras espécies endêmicas, sendo uma importante fonte de recursos genéticos. Além disso, é responsável por inúmeros serviços ecossistêmicos, como, por exemplo, a substituição do carbono existente na atmosfera pelo oxigênio e o controle da erosão do solo, problema que vem preocupando os produtores e a sociedade em geral no estado.

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