Bem Vindo a Confederação da Agricultura Familiar

Secom CONAFER

Unidos por uma profunda conexão com a terra, os povos indígenas colombianos, Kokonuko, Yanacona, Totoroez e Nasa, tiveram um encontro com os indígenas brasileiros Pataxó Hã-Hã-Hãe, da aldeia Caramuru, durante o mês de maio, para dialogar e compartilhar experiências organizativas, culturais, artísticas e de luta. O contato entre esses povos originários de diferentes etnias foi promovido por duas secretarias da CONAFER, a Nacional Indígena e a de Comércio e Relações Exteriores (SCORE), em parceria com o Conselho Regional Indígena do Cauca (CRIC), departamento localizado no Sul da Colômbia. O objetivo foi promover uma troca de saberes, de processos culturais, sociais e históricos entre estes povos, estabelecendo uma grande interação que valorize a contribuição deles nos desafios para a construção de uma América Latina soberana. A mediação para a realização do intercâmbio coube à Ana Maria Rivera, doutora em Tecnologia e Sociedade, e responsável pelo Planejamento e Relações Internacionais Latinas na SCORE. A programação do encontro envolveu atividades em duas etapas no estado da Bahia: entre os dias 10 e 13 de maio, na Aldeia Mãe Caramuru Catarina Paraguaçu, no município de Pau Brasil, a 545 km da capital baiana; e, entre os dias 15 e 19 de maio, em comunidades negras de Salvador. O grupo indígena colombiano habita o estado do Cauca, e fazem parte do CRIC, uma importante organização social criada em 1971, cuja a finalidade é atuar em defesa dos direitos das comunidades indígenas no país vizinho

Alguns dos desafios enfrentados pelos povos originários da América Latina, são o resgate da autonomia sobre os territórios originais, a luta pela existência e a inclusão dos direitos indígenas como prioridade nas políticas públicas que estimulam o desenvolvimento socioeconômico e socioambiental em todo o continente latino-americano. Nesse sentido, o encontro interétnico entre os povos e essa troca de saberes se apresentam como importantes ferramentas para ressignificar as marcas herdadas nos processos de colonização.

A troca de saberes é uma importante para valorizar e fortalecer os conhecimentos e práticas artístico-culturais das comunidades indígenas, estabelecendo uma interação maior entre os povos da América Latina. Para o secretário de Comércio e Relações Exteriores da CONAFER, Julio Calcagnotto, “este contato internacional organizado pela Confederação, por meio da SCORE, é um passo muito importante e representa um marco para a internacionalização das nossas relações institucionais e parcerias. Temos apoiado estas relações no intuito de garantir um ambiente de conscientização étnica e dos direitos humanos, bem como alcançar mercados internacionais para suprir com produtos da agricultura familiar indígena”.

Somado a este intercâmbio, transmitir as peculiaridades dos conhecimentos ancestrais de cada povo, bem como as suas inovações e práticas tradicionais aplicadas à conservação e utilização sustentável da diversidade biológica, são importantes contribuições para a estruturação e autonomia dos territórios. O estímulo ao desenvolvimento de diferentes modalidades coletivas das economias indígenas viabiliza uma oportunidade para valorização da diversidade de riquezas culturais entre esses povos, além de contribuir para uma maior conservação e proteção dos ecossistemas dos territórios onde eles se encontram.

Na imagem, o representante do povo Yanacona, Luis Fernando Acalo, que também é coordenador da “Minga del arte Indígena” e integra a equipe de Comunicação do CRIC

Para o representante do povo Yanacona, Luis Fernando Acalo, que também é coordenador da “Minga del arte Indígena” e integra a equipe de Comunicação do CRIC, “a luta de reivindicação em defesa das nossas identidades, de nosso território, é uma luta latino-americana e este encontro aqui no Brasil, de luta e resistência, tem sido muito importante. Também é de muito orgulho para nós representar a nossa organização (CRIC), podendo voltar aos nossos territórios para contar e compartilhar a experiência que vivemos aqui com nossas comunidades indígenas”, completou Acalo.

O líder do povo Pataxó Hã-Hã-Hãe, João Fernandes, anfitrião dos visitantes em Pau Brasil, destacou que “a vinda dos indígenas colombianos para a Aldeia mãe foi muito boa, uma troca de experiências, agregando conhecimentos valiosos para nossa comunidade sobre como eles vivem lá, e apresentando a eles o modo como vivemos em nossa aldeia, nossa cultura, nossas comidas tradicionais e nossos remédios de ervas medicinais. Espero que um dia a gente possa ir até a aldeia deles na Colômbia, para darmos continuidade às conversas e ao intercâmbio de vivências”, disse João Fernandes.  

A doutora Ana Maria Rivera reafirmou a importância deste trabalho: “a troca de saberes foi uma proposta construída desde o ano passado, com muitos desafios, sobretudo decorrentes da pandemia, mas conseguimos materializar este intercâmbio tão importante para o fortalecimento da luta dos povos indígenas da América Latina. A troca de conhecimento e experiências a respeito de como viver e sentir a terra deve ser estimulada, pois é a socialização entre as diversas etnias indígenas que torna possível desnaturalizar conceitos e estereótipos sobre a construção desse coletivo”.

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