da Redação

Um conflito armado nunca é bom para a humanidade. Apesar da história da civilização ter sido forjada na arte do combate e conquista de territórios, poderíamos ter evoluído ao ponto de resolver questões políticas e econômicas em fóruns mais adequados, e não no campo de batalha. Mas temos esta realidade mais uma vez influenciando a vida de todo o planeta. No campo da nossa economia doméstica, a guerra na Ucrânia aumenta o preço das commodities de energia e alimentos, acelerando ainda mais uma inflação já em alta. E são os investidores os primeiros a precificar o valor de um conflito como este. Assim, na abertura das negociações da Ibovespa no Brasil, já na manhã pós-invasão Russa nos territórios do Leste da Ucrânia, o índice da bolsa caiu 2,15%, para a casa dos 109 mil pontos. Sinal que os ativos devem migrar para investimentos mais seguros. Positivamente o dólar teve uma queda, tanto pelo aumento da Selic pelo Banco Central, como pela entrada de novos capitais no país. O que deve se inverter com o avanço russo em solo ucraniano. São nestes momentos que a agricultura familiar tem mais uma vez a responsabilidade de aumentar sua produção para uma demanda interna ainda maior

O dólar americano apresentou nesta terça-feira, 22 de fevereiro, sua quarta redução seguida frente ao real, fechando em 1,09%, negociado a R$ 5,0511. Mas com o avanço do conflito, a tendência é o dólar subir de valor com altas seguidas, contribuindo para uma escassez de produtos, como petróleo e grãos.

Com reflexos diretos nas duas maiores economias do mundo, China e Estados Unidos, protagonistas no jogo diplomático e econômico tanto em cenários de paz, como de guerra, a guerra na Ucrânia chega no dia a dia dos cidadãos brasileiros em uma situação já preocupante pela inflação de mais de dois dígitos que se acumulou nos últimos 12 meses, ultrapassando os 10%.

Pelo alto risco que todo o planeta enfrenta, há uma migração de ativos para mercados mais seguros como o Brasil, um alvo bem atrativo por sua capacidade de produzir bens agrícolas, podendo suprir a demanda de produção dos países do Leste Europeu. Rússia e Ucrânia são grandes produtores de grãos e minérios, justamente as commodities em que o Brasil se destaca.

A segurança alimentar no Brasil e no mundo sob risco dos canhões

Mais de 2 bilhões de pessoas no mundo vivem em insegurança alimentar. No Brasil, no auge da pandemia este número chegou em 100 milhões de pessoas. São nestas condições que a agricultura familiar sempre se apresenta como o esteio, uma rede de proteção capaz de suprir a demanda por frutas, legumes, hortaliças, leite, pescado, carne e todo tipo de produção agrícola e agropecuária.

Nos próximos dias, cada novo passo das diplomacias e ações bélicas devem orientar as reações dos governos e bancos centrais na decisões de mercado. É importante que os agricultores familiares recebam ainda mais financiamento para a produção, pois será apenas com a oferta de crédito que podemos ultrapassar os volumes atuais de produção. Políticas sociais do governo federal, como o PAA, Programa de Aquisição de Alimentos, acesso mais efetivo às linhas de crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, o Pronaf, além de iniciativas dos governos estaduais e municipais, precisam chegar até o pequeno produtor em um tempo menor. Com as reações que já estamos vendo de todo o mundo frente a mais um novo conflito armado, estará bem evidente mais uma vez a força agrofamiliar na defesa da segurança alimentar do Brasil e do planeta.

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