9 de Agosto. Dia Internacional dos Povos Indígenas

A ONU, Organização das Nações Unidas, instituiu esta data na primeira reunião do Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre Populações Indígenas, realizada em Genebra, em 1982, com a ideia de que o mundo sempre faça uma reflexão sobre o respeito aos direitos e garantias dos povos indígenas. Lideranças nativas de todo o globo terrestre discutiram pautas exigindo respeito às suas culturas, às distintas línguas e à preservação de seus costumes. Nasce, então, a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas (veja no final da matéria). O Brasil é um dos países onde houve maior diminuição da população indígena no mundo. Dos 6 milhões que viviam no território atual, antes da tarde de 22 de abril de 1500, quando uma esquadra de dez naus, três caravelas e cerca de 1,2 mil portugueses, comandada pelo navegador Pedro Álvares Cabral, atingiu o litoral sul da Bahia, na região da atual cidade de Porto Seguro, desde aquele momento, a população nativa foi reduzida para 960 mil indígenas, que mais do que pela resistência, mantêm sua luta pela existência

Indígena é aquele que chegou primeiro, originário, por isso os povos originários. No mundo originário das Américas, viviam mais de 60 milhões de indígenas quando Colombo desembarcou em 1492. Para alguns historiadores, este número teria chegado a 100 milhões. 500 anos depois, estima-se que mais da metade destas populações indígenas tenham sido dizimadas por febres, bactérias, vírus, doenças e ações de extermínio de milhares de etnias por parte dos colonizadores.

A coragem em manter sua autonomia e a sabedoria para enfrentar uma sociedade genocida, preconceituosa e injusta, foram sempre as armas dos povos indígenas. Como verdadeiros guardiões dos cerrados, das florestas e das matas, dos rios e mares, protegem os seus territórios, preservam costumes e tradições da ciência da natureza.

Porém, é preciso que os poderes do Estado intervenham no respeito à Constituição e no diálogo com a sociedade brasileira, agindo para realizar as demarcações e garantir o direito à posse dos territórios originalmente ocupados por mais de 3 mil etnias, agora reduzidas a 300. Este é o desafio das novas gerações de indígenas.

A luta dos indígenas é pela existência, mais do que resistência

Indígenas em todo o planeta têm buscado a reparação histórica pelos danos e atrocidades cometidos contra os nativos de todos os continentes. É preciso desarmar o espírito da derrota para armá-lo com a energia dos vencedores, dos cantos das florestas e dos rituais da celebração de um pacto de cooperação entre todos os indígenas, estes sim poderosos instrumentos de sabedoria e força política para avançar no reconhecimento da autonomia pelos estados nacionais e organismos internacionais.

A CONAFER e o seu compromisso com os povos indígenas

A Confederação tem 3 secretarias dedicadas diariamente às questões e tradições indígenas, amparados na Lei 11.326 de 2006, que os inclui como agricultores familiares, portanto, fazendo parte do segmento mais importante do campo, pois integram a força econômica que alimenta mais de 70% das famílias brasileiras todos os dias e garante a nossa segurança alimentar.

As secretarias levam os projetos da Confederação até os territórios, fomentam o desenvolvimento socioeconômico nas aldeias por meio de capacitação técnica para aumento da produção agrícola, estímulo ao empreendedorismo rural, e ao mesmo tempo, com parcerias e ações de resgate das culturas ancestrais, atuando estrategicamente dentro das comunidades, mantendo uma política de fortalecimento das etnias, formando uma rede forte e autônoma dos povos originários.

Assim, a CONAFER atende as demandas das comunidades indígenas, desde o cultivo de diversas culturas até o resgate das expressões linguísticas e formas de arte, na releitura de suas histórias e ancestralidades, promovendo a riqueza da sua culinária sustentável e a medicina curadora da floresta, trabalhando pela existência do povo nativo, de quem chegou primeiro, de quem sempre cuidou deste planeta.

Conheça a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas

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