O Brasil tem mais de 500 tipos de solos. Mas quantos deles podem desenvolver uma produção agrícola eficiente? O Mapa de Potencialidade Agrícola Natural das Terras do Brasil, publicado pelo IBGE, de forma inédita classifica, interpreta e visualiza o potencial natural dos solos para uma agricultura de excelência. A data de 5 de dezembro foi escolhida por ser o Dia Mundial do Solo. O estudo mostrou que dos solos existentes no Brasil, 29,6% tem boa e 2,3% muito boa qualidade para agricultura. Outros 33,5% ficam na categoria moderada, com problemas relativamente fáceis de serem corrigidos. Se somarmos estas porcentagens, mais de 60% do nosso solo está em condições de aumentar significativamente a nossa capacidade produtiva no campo

Sobre as áreas com restrições significativas, são 21,4% do território nacional. Em 11% do país as áreas têm restrições muito fortes ao uso agrícola.O analista da pesquisa, Daniel Pontoni, destaca que o Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo, o que demonstra a importância da publicação pelo seu ineditismo. “Buscamos entender melhor o potencial agrícola do solo do Brasil e suas limitações, fazendo uma análise não indicativa de uso, mas interpretativa do solo e do relevo”. A publicação interpretou o potencial natural dos solos para a agricultura, a partir do mapeamento do IBGE, levando em consideração os recursos naturais, o solo e o relevo.

Os mais de 500 tipos de solos do Brasil foram classificados segundo características como textura, pedregosidade, rochosidade e erodibilidade, para definir se a terra tem potencialidade ou restrições ao desenvolvimento agrícola. Os locais com potencialidade moderada são as que têm relevos ligeiramente acidentados e que exigem adequações para a agricultura, mas que são relativamente fáceis de serem corrigidos. As áreas com restrições significativas têm relevos mais acidentados, com problemas de fertilidade e restrições de profundidade, o que pediria ações mais complexas de manejo agrícola e uma agricultura especializada adaptada.

Já a classificação de áreas com restrições muito fortes ao uso agrícola indica locais com declividade muito acentuada, a presença de sais indesejáveis ou restrições importantes de profundidade, o que exigiria ações muito significativas e intensivas para tornar a terra adequada ao plantio. Pontoni explica que também foram classificadas assim as áreas de preservação ou conservação em função da fragilidade do ambiente. “São locais onde a agricultura pode levar à degradação”, afirma.

O analista destaca ainda que o mapa não traz detalhamento local, apenas regional, e que não foram levadas em conta as atribuições legais de áreas como, por exemplo, as unidades de conservação do meio ambiente ou os territórios indígenas ou quilombolas. “As áreas que possuem algum enquadramento ou atribuição legal devem ser respeitadas de acordo com as leis estabelecidas”, ressalta o analista. A área total de agricultura mapeada no Brasil passou de 19 milhões de hectares em 1985 para 55 milhões de hectares em 2020.

O país apresenta uma área agricultável disponível total estimada em 152,5 milhões de hectares ou 17,9% do território, sendo que apenas 7,3 % do território é constituído por área já utilizada pela agricultura

Resumo da matéria

  • O “Mapa de Potencialidade Agrícola Natural das Terras do Brasil” é uma publicação inédita que busca classificar, interpretar e visualizar o potencial natural dos solos para a agricultura.
  • O dia de divulgação foi escolhido por ser o Dia Mundial do Solo, implementado pela ONU.
  • A grande variedade de tipos de solos do Brasil foi classificada em cinco classes de potencialidade.
  • Quase um terço (32%) da área do território nacional apresenta boa (30%) ou muito boa (2%) potencialidade ao desenvolvimento agrícola.
  • 33% apresentam moderada potencialidade ao desenvolvimento agrícola, mas com problemas que em alguns casos podem ser relativamente fáceis de serem corrigidos.
  • As áreas com restrições significativas ao desenvolvimento da agricultura correspondem a 21% do território.
  • Já as áreas com restrições muito fortes ao uso agrícola somam 11% do país.

Veja o link na Biblioteca do IBGE:

https://biblioteca.ibge.gov.br/index.php/biblioteca-catalogo?view=detalhes&id=2101980

Com informações do IBGE, Agência Brasil e Jornal O Foco.

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