Secom CONAFER

É muito importante não correr riscos na produção, principalmente aqueles possíveis de prever, como os riscos climáticos e financeiros relativos ao crédito. Como faz para outras culturas, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) publicou, nesta quarta-feira, 1º de junho, as portarias de Nº 207 a 243 com informações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para o cultivo da mamona, ano-safra 2022/2023. Foram aprovados os zoneamentos realizados no Distrito Federal e nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Espírito Santo e Minas Gerais. A mamoneira é uma planta que apresenta boa adaptação aos diferentes climas, e seu fruto, a mamona, tem sido importante na promoção da inclusão social e econômica de milhares de pequenos agricultores em todo o país. Essa oleaginosa possui produção anual e, ocasionalmente, bienal em regiões tropicais, com ciclo médio de 150 dias para a maioria das cultivares anuais e de 120 a 130 dias para cultivares anuais precoces. A antecipação da publicação das Zarc tem como objetivo auxiliar os agentes envolvidos na cadeia produtiva da leguminosa: produtores rurais, órgãos de assistência técnica, agentes financeiros, seguradoras e demais entidades que fazem uso destas informações para o seguro e o crédito no planejamento agrícola, garantindo mais tempo para suas ações. 

O Brasil é o terceiro maior produtor mundial da mamona, tão diversa em suas aplicações, da indústria química a de cosméticos, na de alimentos e farmacêutica, na geração de energia, como o biodiesel. A planta, que tem origem na Ásia meridional, foi introduzida no país pelos colonizadores portugueses. Seu cultivo é feito majoritariamente por agricultores familiares, com destaque para o estado da Bahia, responsável por 82,5% da produção brasileira, sendo destinada, principalmente, às agroindústrias para a obtenção de óleos e biodiesel. Por isso, obter o máximo de produtividade com esta oleaginosa envolve muitos fatores, entre eles o risco climático. 

Ao seguirem as recomendações estabelecidas pela Zarc, os agricultores podem se precaver dos riscos climáticos no ciclo produtivo da mamona, podendo ser beneficiados pelo Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Os dados trazidos na Zarc servem de indicadores aos agentes financeiros, que o utilizam como requisito nas concessões de operações de crédito rural, como a contratação do seguro rural e o crédito de custeio oficial, contemplando os cultivos realizados em áreas zoneadas e o plantio de cultivares indicadas nestas portarias.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) fez uma atualização na metodologia de estudo dessa cultivar, em 2020, destacando os seus parâmetros de cultura e ciclos representativos, e incluindo um grupo de cultivares de ciclo curto (inferior a 130 dias), abrangendo o zoneamento da mamona para todos os estados. A empresa também ajustou os critérios e limites críticos, a exemplo do índice de satisfação das necessidades de água (ISNA), temperatura e chuva na colheita para estimativa de risco, e inseriu o critério auxiliar de escape para o mofo cinzento, segmentando em regiões ou épocas chuvosas, e fez a subdivisão do Zarc Mamona Semiárido.

No Brasil, a Ricinus communis L., é conhecida popularmente como mamona, pé-de-mamona, mamoneira, carrapateira, carrapato e rícino. A Zarc tem como objetivo identificar os municípios que se encontram aptos à produção e os períodos de semeadura para o cultivo desta oleaginosa nos estados em que foram feitos os zoneamentos, indicando os períodos de plantio menos arriscados, e relacionando as cultivares mais adaptadas a cada região, utilizando como parâmetro três níveis de risco: 20%, 30% e 40%, sinalizando a probabilidade de 80%, 70% ou 60% de a cultura ser bem-sucedida nas condições e locais indicados.

No Brasil, o estado da Bahia destaca-se no cultivo da mamona, respondendo por 82,5% da produção do país

Por apresentar grande tolerância à seca, a mamona é uma boa alternativa de cultivo para regiões secas do país, sendo que o seu cultivo não é indicado para regiões que possuem longos períodos de chuvas, já que essa condição favorece o surgimento de doenças como o mofo cinzento, além de prejudicar a colheita e a qualidade do produto. No Brasil, a Região Nordeste possui uma grande vantagem competitiva na cadeia produtiva da mamona, sobretudo no semiárido, onde seu custo de produção é baixo, e sua característica de resistência aos estresses dos longos períodos de estiagem, tornam o seu manejo mais fácil, o que faz da mamoneira uma forte alternativa agrícola para a geração de renda no âmbito da agricultura familiar. 

Industrialmente, o óleo de mamona é utilizado na fabricação de tintas, vernizes, plásticos, colas, como matéria-prima de náilon e lubrificantes, pois é estável tanto em baixas como em altas temperaturas, e pode ser utilizado em compressores, transformadores e na formulação de lubrificantes biodegradáveis. Já seu uso comercial está atrelado ao alto teor de óleo presente em suas sementes, servindo de base na composição de produtos na área de cosméticos, farmacêuticos e polímeros.

Aplicativo Plantio Certo 

Produtores rurais podem acessar por meio de tablets e smartphones, de forma mais prática, as informações oficiais do Zarc, facilitando a orientação quanto aos programas de política agrícola do governo federal. O aplicativo móvel Zarc Plantio Certo, desenvolvido pela Embrapa Agricultura Digital (Campinas/SP), está disponível nas lojas de aplicativos: iOS e Android  

Os resultados do Zarc também podem ser consultados e baixados por meio da plataforma  “Painel de Indicação de Riscos” 

Com informações do Mapa.

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