Agroecologia: o sistema produtivo que sustenta a agricultura familiar

da Redação

União de saberes, técnicas tradicionais de cultivo e novos conhecimentos geram mais capacidade produtiva sem esgotar o solo, e ainda preservando o meio ambiente

O tema ambiental está no foco das discussões sobre a expansão da agricultura de alto carbono. Enquanto isso, a procura por alimentos agroecológicos têm crescido no Brasil e no mundo. Tornar o cultivo na agricultura familiar totalmente sustentável é uma opção decisiva para proteger a saúde, o planeta e o segmento todo o segmento econômico.

Entre os princípios básicos da agroecologia está o apelo à biodiversidade, ou seja, todas as formas de vida presentes na agricultura são importantes. Desta forma, as plantas, animais, minerais e tudo mais que envolve a produção desde a semeadura até a colheita, são tratados como parte do processo e requerem muita atenção.

Foto: Embrapa

A agroecologia tem por objetivo eliminar o uso de agrotóxicos e adubos químicos solúveis, que, em excesso, podem contaminar os alimentos e também empobrecer o solo. A agroecologia tem meios de aumentar a sua capacidade produtiva sem o uso de defensivos agrícolas. Um desafio que só é possível vencer com o conhecimento da terra e de tudo o que se planta nela.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, a FAO, defende que a agroecologia é a chave para erradicar a fome na América Latina e Caribe, pois permite o desenvolvimento sustentável da agricultura, o progresso em direção a sistemas alimentares inclusivos e eficientes, e a conquista de ciclo virtuoso entre a produção de alimentos saudáveis e a proteção dos recursos naturais.

Isso é possível porque a agroecologia se baseia na união de saberes, integrando técnicas tradicionais de cultivo e novos conhecimentos, novas tecnologias limpas e insumos que são capazes de ofertar maior capacidade produtiva sem o esgotamento do solo. E por ser um cultivo mais preocupado com todos os aspectos que envolvem a vida no campo, a tendência é que a agroecologia passe a ser um conceito cada vez mais discutido e buscado para o cotidiano da agricultura familiar no Brasil e no mundo.

Agroecologia e o desenvolvimento rural

Foto: Eco 4 U

A agroecologia é uma alternativa à agricultura convencional. Por meio dela a produção no campo é aliada à preservação dos recursos naturais e dos ecossistemas, de forma a promover o manejo sustentável com a valorização de sistemas orgânicos de cultivo e do conhecimento tradicional dos trabalhadores rurais.

Os preceitos defendidos pela agroecologia contemplam a sociobiodiversidade, permitindo o reconhecimento da identidade sociocultural, o fortalecimento da organização social, a comercialização da produção e a garantia dos direitos dos povos e comunidades tradicionais e dos assentados. Ou seja, todos os envolvidos no processo são beneficiados nos aspectos sócio-econômicos e culturais.

Sendo assim, a agroecologia é um importante modelo de desenvolvimento rural, já que busca modificar as formas de produzir alimento a partir da adoção de sistemas sustentáveis. O setor agroecológico teve um crescimento de vendas acima de 20% entre 2017 e 2018, segundo pesquisa do Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável (Organis), um fator que deve ser considerado pelos que desejam migrar da agricultura tradicional para um modelo mais sustentável e que entrega alimentos com maior qualidade.

A CONAFER trabalha diariamente por uma agricultura sustentável, em equilíbrio com o meio ambiente. Em todas as sociedades mais evoluídas se discute a importância de cuidar do planeta antes que ele entre em colapso. Adotar as práticas agroecológicas é importante para evoluir em todo o processo de cultivo.

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A diversidade de produtos gera segurança alimentar, a sustentabilidade ambiental valoriza o produto final. A busca pelo aumento da fertilidade do solo, o desafio de reduzir os custos de produção e a demanda mundial por produtos sustentáveis tornam a agroecologia o único caminho viável para milhões de agricultores familiares brasileiros.

Capa: Hisour

Espaço CONAFER-RR é exemplo para senador Chico Rodrigues

da Redação

Defensor das causas da agricultura familiar, senador de Roraima pelo DEM, reconheceu no Espaço um grande diferencial na garantia de acesso às políticas de fomento, como PRONAF, PNAE e PAA

Após um café da manhã no primeiro Espaço CONAFER, em Boa Vista, o senador de Roraima, Chico Rodrigues, conheceu o conceito do Espaço, as suas atribuições e os resultado obtidos até agora com os agricultores familiares representados pela CONAFER em todo o Estado.

Foi uma grande oportunidade de mostrar durante o encontro que a CONAFER estava certa em apostar neste projeto inovador, e os frutos já começam a ser colhidos.

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O coordenador do Espaço, Cleyton Calisto, falou sobre a composição multidisciplinar de sua equipe, das articulações com os órgãos públicos e as secretarias dos governos estadual e municipal, assim como das diferentes entidades e organizações que desenvolvem atividades em parceria com o Espaço CONAFER.

Da esquerda pra direita: senador Chico Rodrigues, o coordenador do Espaço CONAFER, Cleyton Calisto,
e integrantes da equipe, Eduardo Henrique, advogado e Evandro Pereira, representante comercial. Foto: CONAFER

Uma das fragilidades do segmento, a falta de assistência técnica para a agricultura familiar, foi levantada durante a apresentação dos gargalos do setor, pois mesmo com a existência de políticas públicas há uma grande dificuldade de acesso a elas.

Nesse sentido o senador reconheceu no Espaço CONAFER Roraima um grande diferencial na garantia de acesso a políticas fundamentais para fomentar a agricultura familiar: PRONAF, PNAE, PAA, entre outros sistemas de crédito e financiamento.

Chico Rodrigues também falou da importância de atendimento e assistência técnica para a agricultura periurbana em Boa Vista, capital do estado. A equipe do Espaço reconheceu e comentou sobre o mapeamento em elaboração para melhor visualizarmos estas pessoas, as suas demandas e das comunidades.

Ao final do encontro, o senador elogiou as ações da CONAFER por meio deste Espaço inédito, e reconheceu a necessidade de expandir e aumentar igual infraestrutura de apoio aos produtores rurais para atender as demandas de todo o Estado de Roraima.

Você sabia que a chave para uma boa saúde são os alimentos que você consome?

A alimentação adequada é a base para uma vida saudável. Não é sobre a quantidade deles, mas sim a QUALIDADE. Os alimentos possuem diferentes nutrientes que são essenciais para o nosso organismo, como carboidratos, lipídeos, sais minerais, vitaminas e proteínas. São esses nutrientes que favorecem o funcionamento correto do nosso corpo. Além disso, eles podem nos prevenir de doenças e fortalecer nossa imunidade! Fique atento às nossas dicas para a manutenção da sua saúde. Em breve a SEAGRO trará novidades.

Cadastro dos Agricultores Familiares: a sua parte é uma conquista de toda a CONAFER

Chegou a hora de cadastrar todos os nossos agricultores familiares.

A CRA, Central de Relacionamento com o Afiliado, veio para garantir a organização, as demandas de mercado, a logística e o crescimento coletivo dos agricultores familiares de todo o Brasil.

A CRA acompanha os status de todas as solicitações feitas à CONAFER. Por isso, a partir de agora, só serão atendidas pela Confederação as entidades que estiverem cadastradas no Sistema Único da Conafer

Então, faça o cadastramento de todos os sindicatos, associações e demais entidades afiliados no seu Estado. A CONAFER tem um canal para esclarecer e auxiliar em todo o processo. Se for necessário, uma pessoa vai ligar e conversar para tirar suas dúvidas.

Acesse sistema.conafer.org.br e clique em registrar-se para fazer os cadastros.

DAP com vigência até último dia de 2020 tem validade prorrogada

da Redação

A DAP, Declaração de Aptidão ao Pronaf, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, é fundamental para o agricultor ter acesso às políticas de fomento do governo federal

Foto: Unicafes

Em função da Covid-19, o Ministério da Agricultura publicou a Portaria n° 129, prorrogando os prazos de validade das DAPs Ativas por 6 meses, isto para aquelas que expirarão entre 24 de setembro e o último dia do ano de 2020.

Outra prorrogação na mesma portaria define em 3 meses a vigência das DAPs Ativas que expirarão a partir do dia 1º de janeiro a 31 de março de 2021.

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As alterações serão realizadas diretamente nas DAPs, de forma automática, e poderão ser consultadas no “Extrato DAP”. A medida tem objetivo de evitar a movimentação de agricultores até os órgãos e entidades emissores da declaração.

A Declaração de Aptidão ao Pronaf é um documento que identifica o produtor familiar e é essencial para que o agricultor participe das políticas públicas para a agricultura familiar, como financiamento da habitação rural e o Programa de Aquisição de Alimentos.

Foto: Revista Globo Rural

Todas as categorias de agricultores familiares podem ser beneficiados com a DAP: pescadores artesanais, aquicultores, maricultores, silvicultores, extrativistas, quilombolas, indígenas, assentados da reforma agrária e beneficiários do Terra Brasil – Programa Nacional de Crédito Fundiário.

Cadastro dos Agricultores Familiares: chegou a hora de mostrar quem faz a CONAFER

Chegou a hora de cadastrar todos os nossos agricultores familiares.

A CRA, Central de Relacionamento com o Afiliado, veio para garantir a organização, as demandas de mercado, a logística e o crescimento coletivo dos agricultores familiares de todo o Brasil.

A CRA acompanha os status de todas as solicitações feitas à CONAFER. Por isso, a partir de agora, só serão atendidas pela Confederação as entidades que estiverem cadastradas no Sistema Único da Conafer

Então, faça o cadastramento de todos os sindicatos, associações e demais entidades afiliados no seu Estado. A CONAFER tem um canal para esclarecer e auxiliar em todo o processo. Se for necessário, uma pessoa vai ligar e conversar para tirar suas dúvidas.

Acesse sistema.conafer.org.br e clique em registrar-se para fazer os cadastros.

Secretaria ODS da CONAFER desenvolve parcerias em projetos de sustentabilidade

da Redação


A SENAODS, Secretaria dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, é importante na atuação da CONAFER pelo cumprimento da Agenda 2030 da ONU e os seus 17 objetivos, entre eles a erradicação da fome e o fim da pobreza, todos amparados por um grande objetivo global de sustentabilidade

A Secretaria tem como pilar levar a Agenda 2030 ao maior número de pessoas e instituições, auxiliando a CONAFER na ampliação de suas relações com o segmento da agricultura familiar e toda a sociedade.

Com a SENAODS, a CONAFER busca a efetiva implementação dos 17 objetivos previstos na Agenda 2030 por meio de projetos sustentáveis na agricultura familiar, atividades efetivas de conscientização, grupos de trabalho para formulação de ações socioambientais e de segurança alimentar, rodas de conversa em comunidades tradicionais, e todos os canais de comunicação disponíveis para disseminar as práticas sustentáveis que preservem e defendam a vida sob todas as formas em nosso planeta.

A secretaria Cristina Pinheiro tem desenvolvido encontros e ações para apresentar a CONAFER e a SENAODS aos futuros parceiros de caminhada. Segundo a secretária, “é assim que vamos estabelecer parcerias agregadoras e transformadoras, percorrendo a mesma trilha que leva ao desenvolvimento sócio-econômico e cultural por meio da sustentabilidade. Convido a todos para conhecer nossas redes sociais, um espaço de troca de informações e conhecimentos desta grande corrente do bem que estamos formando!”

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Os eixos de atuação da SENAODS na Agenda 2030

A Secretaria atua em consonância com os ODS para fortalecer as iniciativas existentes em âmbito nacional, atuando com a transversalidade que permite a Agenda 2030, contando com o apoio do Movimento Nacional ODS, as parcerias locais e agências da ONU. 
Em sua atuação local, a perspectiva é fortalecer os Espaços Conafer e todo o segmento da agricultura familiar, promovendo os objetivos do desenvolvimento econômico e social para camponeses, indígenas, quilombolas, posseiros, ribeirinhos, assentados e acampados em todo o território brasileiro.

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Por todo o Brasil, a CONAFER trabalha pela segurança alimentar, sustentabilidade e cultura

A SENAODS tem como baliza o documento “Transformando Nosso Mundo: Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”, aprovado pelos países-membros da ONU por unanimidade, e que é baseado em cinco eixos de atuação: Paz, Pessoas, Planeta, Prosperidade e Parcerias, pilares dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Pessoas

Estamos determinados a acabar com a pobreza e a fome, em todas as suas formas e dimensões, e garantir que todos os seres humanos possam realizar o seu potencial em dignidade e igualdade, em um ambiente saudável.

Planeta

Estamos determinados a proteger o planeta da degradação, sobretudo por meio do consumo e da produção sustentáveis, da gestão sustentável dos seus recursos naturais e tomando medidas urgentes sobre a mudança climática, para que ele possa suportar as necessidades das gerações presentes e futuras.

Prosperidade

Estamos determinados a assegurar que todos os seres humanos possam desfrutar de uma vida próspera e de plena realização pessoal, e que o progresso econômico, social e tecnológico ocorra em harmonia com a natureza.

Paz

Estamos determinados a promover sociedades pacíficas, justas e inclusivas que estão livres do medo e da violência. Não pode haver desenvolvimento sustentável sem paz e não há paz sem desenvolvimento sustentável.

Parceria

Estamos determinados a mobilizar os meios necessários para implementar esta Agenda por meio de uma Parceria Global para o Desenvolvimento Sustentável revitalizada, com base num espírito de solidariedade global reforçada, concentrada em especial nas necessidades dos mais pobres e mais vulneráveis, e com a participação de todos os países, todas as partes interessadas e todas as pessoas.

Por todo o Brasil, a CONAFER trabalha pela segurança alimentar, sustentabilidade e cultura

da Redação

Empreendimentos familiares empregam 10 milhões de trabalhadores, preservam a biodiversidade e respondem por 10% do PIB; CONAFER trabalha pela autonomia destes agricultores fortalecendo o segmento econômico e seus valores culturais 

Arroz, feijão, milho, mandioca, hortaliças, café, leite, carne, tudo plantado e colhido agroecologicamente. Os agricultores familiares produzem 70% da alimentação saudável que consumimos, mas recebem apenas 25% do orçamento destinado à agricultura no Brasil. 

Cabe, então, ao segmento mudar este paradigma, buscar diariamente a sua autonomia e independência, com metas claras de investimentos e crescimento econômico em cada propriedade rural, para que somando forças, haja um diálogo de igual para igual com o estado e o sistema financeiro. Um desafio sem dúvida. Mas que precisa ser enfrentado, pois o agricultor familiar é o dono da terra. Este é o pensamento da CONAFER, a Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais do Brasil.

A Confederação que completa 10 anos em 2021 nasceu para promover a autonomia econômica e os valores culturais dos camponeses, indígenas, quilombolas, extrativistas, pescadores, posseiros, ribeirinhos, lavradores, assentados e acampados, todos agricultores familiares do rico território brasileiro. Este trabalho não contribui apenas para a segurança alimentar do país, pois ao desenvolver uma agricultura agroecológica em todo o território nacional, adicionamos o valor agregado da sustentabilidade em nossos produtos.

A CONAFER também defende a regularização fundiária como possibilidade importante para corrigir as distorções do campo, onde milhares de famílias sem a posse da terra não podem acessar programas de fomento e se desenvolver como produtores. Estima-se que 300 mil agricultores familiares sejam beneficiados com a regularização fundiária.

A Confederação possui um corpo técnico para atuar diretamente no meio rural e recursos humanos que dão o suporte neste trabalho em diversas cidades do país. Recentemente, foram criados os Espaços CONAFER em Roraima e na Bahia. Um lugar para atender os trabalhadores da ativa e os aposentados da agricultura familiar com previsão de expansão para diversas cidades do país.

A entidade, fundada em 2011, estrutura-se por meio de Secretarias Nacionais, Coordenações Regionais, Sindicatos e Federações, as SAFERS e FAFERS que estão em contato direto com os agricultores familiares filiados. Os sindicatos emitem a DAP, Declaração de Aptidão ao Pronaf, prestam serviços ao aposentados pelo INSS Digital e por meio de convênios, assessoram juridicamente os agricultores e oferecem o apoio técnico da CONAFER.

A CONAFER e a Lei que transformou agricultura familiar em segmento econômico

A história da CONAFER vem desde 2004, quando um grupo de agricultores, os fundadores da entidade, decidiu lutar pela criação de uma lei que os amparasse e os valorizasse dentro do contexto do Estado. Depois de dois anos de trabalho intenso, finalmente em 2006 veio a Lei 11.326, que reconheceu a Agricultura Familiar como categoria e setor econômico, realizando toda a mensuração dos trabalhadores rurais através do primeiro IBGE da Agricultura Familiar. 

Esse censo constatou a distribuição geográfica, classe socioeconômica e importância do setor para o Brasil, visto que os números mostravam 36 milhões de agricultores responsáveis por 70% da produção do consumo interno do país. A atividade faz parte da cultura local e corresponde à base econômica de nove entre cada dez municípios com até 20 mil habitantes. A CONAFER também apoia as políticas de bem estar social nas áreas de saúde, educação, moradia, segurança alimentar e a preservação dos nossos 5 biomas: Amazônia, Amazônia Azul, Cerrado, Mata Atlântica e o Pantanal. 

Uma agricultura que responde por 10% do PIB brasileiro

A agricultura familiar que a CONAFER defende é que mais gera renda e emprego no campo, e a que de fato aumenta o nível de sustentabilidade das atividades no setor agrícola. São 36 milhões de famílias, que no último censo agropecuário realizado em 2017 pelo IBGE, vivem em 3,897 milhões de pequenas propriedades rurais, quase a metade deles localizado na Região Nordeste. Quase 4 milhões de empreendimentos rurais que respondem por 10% do nosso PIB, isto é, toda a riqueza produzida no país. Um segmento econômico tão grande que se fosse um país, seria o 8º maior produtor agrícola do planeta.

Os estabelecimentos da agricultura familiar representam 77% do total de unidades agropecuárias e respondem por 23% do valor da produção, ocupando 23% da área total dos empreendimentos. Em 2017, trabalhavam na agricultura familiar cerca de 10,1 milhões de pessoas, ou seja, 67% da mão de obra empregada nos estabelecimentos agropecuários. O censo também mostrou que 81,3% dos produtores eram homens e 18,7% mulheres, o que demonstra um aumento da participação feminina na atividade agrícola. 

O Censo Agropecuário de 2006 apontava que as mulheres representavam 12,7% da força produtiva total. Os agricultores familiares são responsáveis por produzir cerca de 87% da mandioca, 70% do feijão nacional, 60% do leite, 34% do arroz e por 59% do rebanho suíno, 50% das aves e 30% dos bovinos.

Segmento econômico aliado da biodiversidade e da cultura regional

Para a CONAFER, ao adotar práticas tradicionais de cultivo de baixo impacto ambiental, a agricultura familiar tem sido grande aliada da sustentabilidade e da responsabilidade socioambiental. Exemplo maior disso é produção de alimentos integrada a gestão dos recursos naturais em prol da manutenção da biodiversidade.

A agricultura familiar contribui de forma muito positiva para a soberania alimentar ao preservar a tradição cultural e a produção de alimentos típicos da região em que o empreendimento está inserido. Colabora também para a preservação de hábitos alimentares regionais.

A crise provocada pelo coronavírus tornou ainda mais visível a condição da agricultura familiar de alicerce fundamental da sociedade, por ser responsável pela produção dos alimentos básicos que a população brasileira consome em seu cotidiano.

Projeto ERA, carro-chefe da CONAFER na busca pelo empreendedorismo agroecológico

O projeto ERA, a Estação Empreendedora Rural Agroecológica, cumpre inúmeras demandas: regularização fundiária, escrituração e titularização de terras; fortalecimento do crédito para produção; garantia do comércio com valor agregado; modernização dos processos produtivos; fortalecimento do agricultor como produtor agrícola. 

O projeto oferece um leque de opções de culturas para o produtor implantá-lo em sua propriedade. A ideia é que o agricultor possa consorciar sua produção sempre com outra, animal ou vegetal, garantindo uma renda nos 12 meses do ano. 

A estação ERA trabalha com a capacitação da família produtora em três setores: produção agrícola e animal; mercado e empreendedorismo; e gestão de crédito. Todo esse suporte é oferecido por meio de módulos de produção: Agrofloresta, Piscicultura, Leite Orgânico com criação de bovinos e ovinos, Apicultura, Centro de Capacitação, Culturas Vegetais e Estufa.

Quando ampliamos o ERA, nasce o CONAFER NAS ALDEIAS

O projeto CONAFER NAS ALDEIAS reúne ações da Secretaria de Agricultura e Empreendedorismo Rural, por meio da união do projeto ERA com ações das secretarias dos Povos Originários: Tradições e Culturas e a de Políticas, Estratégias e Línguas. São diversos módulos agroecológicos que se comunicam com ações culturais nas aldeias indígenas.

Contribuição para cumprir a Agenda 2030 da ONU

A CONAFER trabalha pela Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas, cujo objetivo principal é a erradicação da fome e a pobreza no mundo por meio de suas agências PNUD, FAO e OEA. 

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Esta agenda global foi formulada e assinada pelos países-membros da ONU. Como representante de uma grande parcela de agricultores familiares e empreendedores rurais brasileiros, cabe à CONAFER estabelecer parcerias, desenvolver acordos e implementar programas de fomento para o Brasil, e do Brasil com outros países, oportunizando ações orientadas pela Agenda 2030, trabalhando assim por um plano de ação global com 3 pontos principais entre os seus 17 ODS, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: o fim da fome, a luta pela justiça social e a preservação do planeta.

A CONAFER, por ser uma Confederação Nacional pode contribuir muito para esta Agenda, estimulando a agricultura familiar sustentável em um território continental, promovendo a moderna agroecologia, levando alimentação saudável para milhões de pessoas no Brasil, e também para outros países. 

A CONAFER inaugurou uma nova cultura da agricultura familiar brasileira

A Confederação já implantou o CRA, Central de Relacionamento com o Afiliado, do Sistema Único da Conafer, e que vai cultivar em uma mesma plataforma, a organização, as demandas de mercado, a logística e o crescimento coletivo dos agricultores familiares de todo o Brasil.

Em um Sistema Único todas as demandas e conexões

A CRA informa as demandas de mercado, atualiza dados de produção, faz contatos e conexões, tudo para cultivar em um único sistema, a organização, a logística e o crescimento coletivo dos nossos produtores e empreendedores rurais, mostrando toda a dimensão da agricultura familiar brasileira, e melhorar a sua busca por autonomia no desenvolvimento do segmento econômico.

A CRA é a modernização do relacionamento na entrega dos serviços e vantagens de fazer parte da CONAFER. Pela Central de Relacionamento com o Afiliado, o agricultor pode acompanhar os status de todas as solicitações que fizer junto à Confederação. Esta ferramenta é essencial para agilizar o Sistema e ampliar a extensa rede de conexões entre agricultores das 5 regiões do país. 

O Sistema é alimentado com o cadastramento dos agricultores familiares por meio dos sindicatos SAFERs e as federações, FAFERs, para que em breve todos os associados estejam se relacionando pela plataforma. 

Como representante de uma parcela significativa da agricultura familiar brasileira, a CONAFER apoia a agroecologia, as ações de sustentabilidade no campo, a segurança jurídica dos seus associados, o acesso ao crédito e o fortalecimento dos produtores rurais como importantes demandadores de consumo, as ações culturais dos povos originários e tradicionais, contribuindo decisivamente para o fortalecimento sócio-econômico e cultural do país. 

CONAFER ENTREVISTA – Rei Kabiesi Sangokunle: “Brasil e Nigéria acordaram do sono profundo da colonização”

O Rei da Cultura, Tradições e Religiões da África é o mensageiro de uma parceria que inaugura um novo relacionamento entre a Nigéria e o Brasil; CONAFER foi escolhida para esta missão

Nigéria, 190 milhões de habitantes, o país mais populoso da África, com uma produção de riquezas de 500 bilhões de dólares, 37% das terras agricultáveis em um território 8 vezes menor que o brasileiro. 

A Nigéria fica no Golfo da Guiné, com reservas naturais de animais selvagens, como o Parque Nacional do Rio Cross e o Parque Nacional Yankari, com cachoeiras, densas florestas, savanas e habitats de primatas raros. 

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O setor agrícola é em sua maior parte de subsistência, o que dificulta o abastecimento interno para acompanhar o crescimento da população. E a Nigéria, que já foi um grande exportador de alimentos, agora precisa importá-los. 

Este país quer conversar sobre agricultura familiar com o Brasil, e escolheu a CONAFER para abrir este diálogo que ultrapassa as relações comerciais, pois é uma grande celebração da ancestralidade que une os povos afros e originários do Brasil. 

O mensageiro desta boa notícia chama-se Kabiesi Sangokunle Adekunle Alayande Awurela, Rei da Cultura, Tradições e Religiões da África. 

Da esquerda para a direita: Carlos Lopes, Presidente da CONAFER, Rei Kabiesi Sangokunle e Tiago Lopes, Secretário Geral da CONAFER

Kabiesi Sangokunle foi recebido pelo presidente da CONAFER, Carlos Lopes, em Brasília, para selar esta aliança África-Brasil. Depois da reunião, Kabiesi falou com a SECOM sobre as suas ideias e esta parceria com a CONAFER.


SECOM: 

A Nigéria e o Brasil têm muitas semelhanças em termos econômicos e sociais, mas a principal delas é a da herança cultural, da exploração do colonizador e como estes países reagiram a esta dominação. E agora, como eles olham para o futuro?

Kabiese Sangokunle: “Acordando do sono profundo da colonização. É assim que vamos mudar esta história. Para chegar à Europa partindo do Brasil, levamos mais de 8 horas. Do Brasil para Lagos, a maior cidade e o grande centro financeiro da Nigéria, são apenas 4 horas. Por que não mudar este itinerário do colonizador? 
Por que não ampliar a visão e se conectar, pois somos todos de uma mesma raiz, somos irmãos de sangue, estamos unidos também pelas nossas ancestralidades, nossas culturas, nossa música, nosso artesanato, nossos sonhos de liberdade. 
Passamos pelas mesmas formas absurdas de agressão e violência, mas sobrevivemos e nos multiplicamos, e unidos somos muito mais fortes. Esta é a mensagem do meu povo para os brasileiros. Nós escolhemos a CONAFER como parceira nesta missão. Queremos juntos fazer esta aliança de trabalho e desenvolvimento entre os agricultores familiares brasileiros e africanos.”

Kabiesi Sangokunle concedeu entrevista para a SECOM ao lado dos secretários indígenas da CONAFER, Lucas Puri Pataxó da Secretaria Nacional de Políticas, Estratégias e Línguas dos Povos Originários; e Burain de Jesus da Secretaria Nacional de Tradições e Culturas dos Povos Originários




SECOM: 

O senhor representa 16 líderes africanos, conhece muitas culturas globais e o seu conhecimento do Brasil é maior que a maioria dos brasileiros. Como o seu povo enxerga esta aproximação e os projetos de parcerias com a CONAFER?

Kabiese Sangokunle: “Com muita alegria, como é característico dos nossos povos. Vemos a CONAFER como uma ponte segura para trocar nossas experiências e ampliar as relações. A CONAFER pode oferecer o seu conhecimento técnico, sua expertise no assunto agricultura familiar. Mas é a diversidade cultural da CONAFER que fortalece ainda mais esta relação, que nos aproxima e sedimenta um caminho futuro muito produtivo e de confiança em nossas relações.”


Após o encontro na CONAFER, Kabiese Sangokunle foi recebido no Território Indígena Recanto dos Encantados, em Sobradinho/DF

Rei Kabiesi Sangokunle durante encontro no Recanto dos Encantados, em Sobradinho/DF

O Recanto dos Encantados viveu um dia inteiro de festa e muita magia ao som dos atabaques e dos maracás, para receber Sangó Kunlé, o nome do Rei Kabiesi Sangokunle em Iorubá.


O Encontro de Ancestralidades foi promovido pelas Secretarias de Assuntos Indígenas, Culturas e Tradições dos Povos Originários, Promoção e Resgate de Línguas Indígenas, juntamente com a Secretaria LGBT Casa Tibiras da CONAFER – Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Rurais – e também contou com a honrosa presença da Família Ilê Axé Di Oyá, com muito ritual e alegria. Um sinal de que a visita do Rei Kabiesi Sangokunle foi coroada de êxito.

Encontro coroado de êxito e iluminado pelas ancestralidades dos povos africanos e originários do Brasil

A CONAFER se solidariza ao luto pelos agricultores de Januária/MG

da Redação

Infelizmente um grave acidente na BR 365 tirou a vida de 12 pessoas, entre elas 8 agricultores familiares filiados ao Safer de Januária, em Minas Gerais

Não é apenas Januária quem está de luto. Toda a agricultura familiar está. E nós da Conafer prestamos pêsames às famílias e aos amigos de Daniel A. Nascimento, Elizabete Carneiro da Mota, Vítor Eduardo da Mota, Junior Antunes de Jesus, Leandro Pereira da Silva, Wualisson Soares Cordeiro, Magno Pereira Oliveira e Márcio Teixeira Xavier Junior.

Todos agricultores familiares passageiros da Van que chocou-se frontalmente com um caminhão entre Patos de Minas e Varjão de Minas. A fatalidade que vitimou os trabalhadores rurais de Januária ocorreu às 2h da madrugada deste domingo (20), próximo à Curva dos Moreiras, um trecho conhecido pelos acidentes fatais.

A Polícia Rodoviária Federal informou que ocorreu uma queimada mais cedo às margens da pista, e que uma das árvores atingidas tombou na estrada. Ao tentar desviar, a Van encontrou um caminhão no caminho.

A perícia e as investigações vão apontar aquilo que já sabemos. Que uma série de eventos provocou esta tragédia. Quem colocou fogo na beira da estrada? Por que não havia uma sinalização no local? Perguntas que precisam ser respondidas, mas que lamentavelmente não vão mudar o curso dos fatos. Que as condições nas estradas e a fiscalização das queimadas sejam efetivas e possam evitar que novos acidentes ocorram.
Mais uma vez prestamos nossas homenagens às vítimas, desejando que as famílias possam seguir em frente com as melhores lembranças de todos eles.